Quebraram o Castelão de novo. Qual a surpresa? (Ou: Que moral têm nossos cartolas e autoridades para criticar vândalos?) - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Quebraram o Castelão de novo. Qual a surpresa? (Ou: Que moral têm nossos cartolas e autoridades para criticar vândalos?)

Por Wanfil em Cultura

18 de outubro de 2015

Leio que torcedores do Fortaleza quebraram cadeiras do estádio Castelão por causa de mais uma frustração em campo. Não sou especialista em futebol, mas qualquer pessoa que acompanhe o noticiário percebe que o esporte, cada vez mais, degenera em brigas de torcida e escândalos financeiros, eventos mais comuns de serem notados nas páginas policiais ou políticas. De modo que isso não surpreende mais.

Sempre que depredações como a do Castelão acontecem, invariavelmente seguem-se os lamentos pela a selvageria e pela falta de respeito ao bem comum e aos espaços públicos. Estão certos, claro, mas em certa medida, tudo isso é previsível. Basta ver o ambiente que cerca o mundo do futebol.

Não existem mais jogadores que assumam a postura de referência para os torcedores, especialmente para as crianças. Aliás, a maioria dos principais craques acabam confundindo sucesso com ostentação, deslumbrados com seus contratos. Mas são, de todo modo, a matéria prima do espetáculo. São eles que se doam pra valer, que perdem a privacidade, que são vaiados e cobrados e por aí vai. Dos males, o menor.

Pior são os cartolas. Dirigentes da FIFA e da CBF estão presos. Isso basta para qualificar o negócio. São esses os que fazem as regras do jogo. Como confiar nisso? Eu, sinceramente, não dou um centavo a esse pessoal. Vamos adiante. No juiz, coitado, ninguém confia mesmo. NO Brasil, os estádios feitos para a “maior Copa de todos os tempos” são quase todos objeto de suspeitas de órgãos como o Ministério Público. Custaram aos cofres públicos muito mais do que similares na Europa. No Ceará, o governo fez o diabo (para usar uma expressão da moda) para engavetar uma CPI. São monumentos à prática do superfaturamento. Mas, vá lá, é a paixão nacional e a roubalheira sempre existiu, conformam-se os apaixonados pelo esporte. Isso, no entanto, contamina outras esferas.

Não justifica, mas…
A grande vítima, claro, é o bom torcedor. Sei que s maus torcedores são minoria, mas são muitos, em número suficiente para atrapalhar os demais. Deveriam ser banidos, mas além de sentirem-se à vontade para ignorar as regras por conta dos exemplos dos chefões do futebol, também apostam na impunidade. Isso não justifica a ação desses vândalos, porém, convenhamos, acaba por estimulá-los, infelizmente. E ninguém faz nada, por que ninguém quer fazer nada.

No final das contas, as cadeiras quebradas são o menor dos prejuízos nesse universo de negociatas. De fato, somos o país do futebol.

Publicidade aqui

Quebraram o Castelão de novo. Qual a surpresa? (Ou: Que moral têm nossos cartolas e autoridades para criticar vândalos?)

Por Wanfil em Cultura

18 de outubro de 2015

Leio que torcedores do Fortaleza quebraram cadeiras do estádio Castelão por causa de mais uma frustração em campo. Não sou especialista em futebol, mas qualquer pessoa que acompanhe o noticiário percebe que o esporte, cada vez mais, degenera em brigas de torcida e escândalos financeiros, eventos mais comuns de serem notados nas páginas policiais ou políticas. De modo que isso não surpreende mais.

Sempre que depredações como a do Castelão acontecem, invariavelmente seguem-se os lamentos pela a selvageria e pela falta de respeito ao bem comum e aos espaços públicos. Estão certos, claro, mas em certa medida, tudo isso é previsível. Basta ver o ambiente que cerca o mundo do futebol.

Não existem mais jogadores que assumam a postura de referência para os torcedores, especialmente para as crianças. Aliás, a maioria dos principais craques acabam confundindo sucesso com ostentação, deslumbrados com seus contratos. Mas são, de todo modo, a matéria prima do espetáculo. São eles que se doam pra valer, que perdem a privacidade, que são vaiados e cobrados e por aí vai. Dos males, o menor.

Pior são os cartolas. Dirigentes da FIFA e da CBF estão presos. Isso basta para qualificar o negócio. São esses os que fazem as regras do jogo. Como confiar nisso? Eu, sinceramente, não dou um centavo a esse pessoal. Vamos adiante. No juiz, coitado, ninguém confia mesmo. NO Brasil, os estádios feitos para a “maior Copa de todos os tempos” são quase todos objeto de suspeitas de órgãos como o Ministério Público. Custaram aos cofres públicos muito mais do que similares na Europa. No Ceará, o governo fez o diabo (para usar uma expressão da moda) para engavetar uma CPI. São monumentos à prática do superfaturamento. Mas, vá lá, é a paixão nacional e a roubalheira sempre existiu, conformam-se os apaixonados pelo esporte. Isso, no entanto, contamina outras esferas.

Não justifica, mas…
A grande vítima, claro, é o bom torcedor. Sei que s maus torcedores são minoria, mas são muitos, em número suficiente para atrapalhar os demais. Deveriam ser banidos, mas além de sentirem-se à vontade para ignorar as regras por conta dos exemplos dos chefões do futebol, também apostam na impunidade. Isso não justifica a ação desses vândalos, porém, convenhamos, acaba por estimulá-los, infelizmente. E ninguém faz nada, por que ninguém quer fazer nada.

No final das contas, as cadeiras quebradas são o menor dos prejuízos nesse universo de negociatas. De fato, somos o país do futebol.