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Cem anos de Vinicius de Moraes. Poetinha? - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Cem anos de Vinicius de Moraes. Poetinha?

Por Wanfil em Cultura

19 de outubro de 2013

Vinicius de Moraes completaria cem anos, se estivesse vivo, neste 19 de outubro sem música nem poesia.

Vinicius de Moraes completaria cem anos, se estivesse vivo, neste 19 de outubro sem música nem poesia.

Sempre que ouço falar de Vinicius de Moraes lembro do boêmio a bebericar uísque rodeado de mulheres (casou-se nove vezes) e tenho calafrios depressivos ao lembrar da chatíssima bossa nova, estilo musical enfadonho ao extremo que adornou algumas de suas letras. Completaria hoje 100 anos se estivesse vivo (morreu aos 66 anos em 1980). Foi mais poeta do que letrista, mas o letrista foi sua persona pública de maior sucesso, o que acabou relegando a um segundo plano sua produção mais visceral. Ficou conhecido pelo carinhoso apelido de “poetinha”, o que, diante de algumas de suas poesias, é uma injustiça.

O Vinicius pop star ofuscou o Vinicius mais profundo, embora alguma de suas letras sejam magníficas, como O Filho que Eu quero Ter (belíssima canção de Toquinho, uma exceção ao tédio da bossa nova). Sua poesia, pelo que li, me parece irregular. Alterna grandes momentos com outros de menor impacto, mas suspeito que isso aconteça ao lermos qualquer poeta de maior estatura. O que nos toca é também um pouco de nós, e o que não comove a gente é aquilo o que nos é alheio ao sentimento pessoal. Ler poesia é buscar um espelho para a alma.

De todo modo, nesses dias de aridez incomparável, seja na poesia ou nas letras das músicas, é possível dizer que a ausência de Vinicius nos remete a um estado melancólico, diante da constatação de que não temos mais a quem recorrer, só aos que já se foram. Dos vivos, arrisco ainda a poesia de um Affonso Romano de Sant’Anna, embora o melhor da sua produção seja do século passado.

Conversava dia desses com um amigo sobre o ocaso da poesia como forma literária no Brasil e talvez no mundo. Onde estão os grandes poetas da atualidade? A superficialidade dos debates, a emergência de um modo de viver acelerado demais, as preocupações com as boas condutas (o que comer, quantas horas dormir, quantos quilômetros correr, quantos check ups fazer, essas coisas), a performance profissional cada vez mais automatizada, tudo isso pode concorrer para o fim da poesia. Não sei. Pode ser apenas o que Gasset chamava de azar, viver um tempo sem talentos, mal que vez por outra atinge algumas gerações.

Arte

Para encerrar, do Vinicius poeta, muito cedo (na adolescência ainda) impressionou-me este poema:

DIALÉTICA

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste…

E do Vinicius letrista, a canção que citei acima, aqui interpretada por Paulinho da Viola, é memorável:

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Cem anos de Vinicius de Moraes. Poetinha?

Por Wanfil em Cultura

19 de outubro de 2013

Vinicius de Moraes completaria cem anos, se estivesse vivo, neste 19 de outubro sem música nem poesia.

Vinicius de Moraes completaria cem anos, se estivesse vivo, neste 19 de outubro sem música nem poesia.

Sempre que ouço falar de Vinicius de Moraes lembro do boêmio a bebericar uísque rodeado de mulheres (casou-se nove vezes) e tenho calafrios depressivos ao lembrar da chatíssima bossa nova, estilo musical enfadonho ao extremo que adornou algumas de suas letras. Completaria hoje 100 anos se estivesse vivo (morreu aos 66 anos em 1980). Foi mais poeta do que letrista, mas o letrista foi sua persona pública de maior sucesso, o que acabou relegando a um segundo plano sua produção mais visceral. Ficou conhecido pelo carinhoso apelido de “poetinha”, o que, diante de algumas de suas poesias, é uma injustiça.

O Vinicius pop star ofuscou o Vinicius mais profundo, embora alguma de suas letras sejam magníficas, como O Filho que Eu quero Ter (belíssima canção de Toquinho, uma exceção ao tédio da bossa nova). Sua poesia, pelo que li, me parece irregular. Alterna grandes momentos com outros de menor impacto, mas suspeito que isso aconteça ao lermos qualquer poeta de maior estatura. O que nos toca é também um pouco de nós, e o que não comove a gente é aquilo o que nos é alheio ao sentimento pessoal. Ler poesia é buscar um espelho para a alma.

De todo modo, nesses dias de aridez incomparável, seja na poesia ou nas letras das músicas, é possível dizer que a ausência de Vinicius nos remete a um estado melancólico, diante da constatação de que não temos mais a quem recorrer, só aos que já se foram. Dos vivos, arrisco ainda a poesia de um Affonso Romano de Sant’Anna, embora o melhor da sua produção seja do século passado.

Conversava dia desses com um amigo sobre o ocaso da poesia como forma literária no Brasil e talvez no mundo. Onde estão os grandes poetas da atualidade? A superficialidade dos debates, a emergência de um modo de viver acelerado demais, as preocupações com as boas condutas (o que comer, quantas horas dormir, quantos quilômetros correr, quantos check ups fazer, essas coisas), a performance profissional cada vez mais automatizada, tudo isso pode concorrer para o fim da poesia. Não sei. Pode ser apenas o que Gasset chamava de azar, viver um tempo sem talentos, mal que vez por outra atinge algumas gerações.

Arte

Para encerrar, do Vinicius poeta, muito cedo (na adolescência ainda) impressionou-me este poema:

DIALÉTICA

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste…

E do Vinicius letrista, a canção que citei acima, aqui interpretada por Paulinho da Viola, é memorável: