Como você enxerga o seu trabalho? - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Como você enxerga o seu trabalho?

Por Wanfil em Economia

01 de Maio de 2012

Operários, óleo de Tarsila do Amaral (1933) - Bela imagem que retrata o conjunto a partir da soma de individualidades. O trabalho é construção individual e social, de todas as cores, religiões e classes. É isso!

Dia do Trabalho, oportunidade de reflexão. O que faço para viver é útil aos outros? É importante para mim? O que posso fazer para melhorar e servir melhor? Tempo de filosofar. O que seria da vida sem o trabalho? E se todos desejassem o mesmo trabalho? Como organizar um mercado sem patrões? Por que tantas cobranças por desempenho?

As perguntas sobre a natureza do trabalho são infinitas, desde as mais pueris até as mais complexas. Resumo aqui dois pontos que atualmente considero essenciais para o debate sobre o tema.

Identidade individual
1) Os problemas que nos afligem em nosso ambiente de trabalho muito provavelmente estão ligados à nossa forma de atuar. Por mais que mudemos de emprego ou de função, aquilo o que nos causa insatisfação estará lá, junto com a gente. É que o problema, muitas vezes, pode estar em nossa postura profissional. Falta de foco, de objetivos claros, acomodação, medo de se posicionar, não querer assumir responsabilidades e não ter liderança, são limitações individuais que acabam projetadas sobre empresas  ou colegas.

É mais cômodo enxergar teorias conspiratórias, perseguições sem sentido, injustiças, desvalorização, inveja e toda sorte de defeitos externos que atuariam em conjunto apenas para impedir o reconhecimento do pobre coitado que sonha com uma oportunidade. Uma vez estabelecida a autocomiseração como instrumento de identidade psicossocial, o sujeito deixa de reconhecer que trabalhar é empreender forças em grupo, dentro de uma organização, para um determinado fim, e passa a se ver como uma eterna vítima. Existem, naturalmente, conflitos no mundo do trabalho, e claro que eventualmente existem injustiças. O profissional necessita de estrutura adequada e de um ambiente organizado para se desenvolver. Sem isso, fica difícil. Hora de buscar outras paragens. No entanto, se em todo os lugares em que trabalhamos enxergamos as mesmas condições precárias para o nosso crescimento, é hora de desconfiar de que algo não vai bem conosco. Pense nisso!;

Identidade social
2) Devido a herança cultural marxista que predomina nas escolas e universidades brasileiras desde os anos 60 do século passado, consolidamos uma visão negativa do trabalho.  De certa forma, boa parte dos trabalhadores só compreende as relações de trabalho como expressão da má-fé, a famosa “exploração” evidenciada pela teoria da “mais valia”, que foi a teoria mais fácil de ser desconstruída na história do pensamento econômico universal, mas que no Brasil ganhou status de verdade absoluta. Como resultado, essa cultura do oprimido prega que o trabalhador, sem a proteção de um estado paternalista, não pode ser outra coisa senão um coitado explorado, vítima da ganância de terceiros. Percebem a relação com o primeiro ponto? Somos educados para ser coitados.

Nova postura
A esperança é que apesar das distorções de caráter ideológico sobre o mundo do trabalho, o Brasil tem gente disposta e empreendedora. Para dar total vazão a essa potencialidade, é preciso que o trabalho passe a ser visto como uma grande oportunidade de crescimento íntimo e social,  um direito e um dever sublime, compreendido como uma conquista do talento e da vontade, como algo que dá sentido à vida, e nunca como um fardo humilhante e degradante.

Se continuarmos reféns de uma ideologia hegemônica que define o trabalho como mero palco de uma luta de classes (teoria também questionável), continuaremos uma nação de homens e mulheres que não se ofendem com as esmolas oficiais, que acreditam ser normal não poder sustentar a família, e que é lindo um governo se vangloriar por oferecer-lhes como favor aquilo que os impede de ter autonomia.

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Como você enxerga o seu trabalho?

Por Wanfil em Economia

01 de Maio de 2012

Operários, óleo de Tarsila do Amaral (1933) - Bela imagem que retrata o conjunto a partir da soma de individualidades. O trabalho é construção individual e social, de todas as cores, religiões e classes. É isso!

Dia do Trabalho, oportunidade de reflexão. O que faço para viver é útil aos outros? É importante para mim? O que posso fazer para melhorar e servir melhor? Tempo de filosofar. O que seria da vida sem o trabalho? E se todos desejassem o mesmo trabalho? Como organizar um mercado sem patrões? Por que tantas cobranças por desempenho?

As perguntas sobre a natureza do trabalho são infinitas, desde as mais pueris até as mais complexas. Resumo aqui dois pontos que atualmente considero essenciais para o debate sobre o tema.

Identidade individual
1) Os problemas que nos afligem em nosso ambiente de trabalho muito provavelmente estão ligados à nossa forma de atuar. Por mais que mudemos de emprego ou de função, aquilo o que nos causa insatisfação estará lá, junto com a gente. É que o problema, muitas vezes, pode estar em nossa postura profissional. Falta de foco, de objetivos claros, acomodação, medo de se posicionar, não querer assumir responsabilidades e não ter liderança, são limitações individuais que acabam projetadas sobre empresas  ou colegas.

É mais cômodo enxergar teorias conspiratórias, perseguições sem sentido, injustiças, desvalorização, inveja e toda sorte de defeitos externos que atuariam em conjunto apenas para impedir o reconhecimento do pobre coitado que sonha com uma oportunidade. Uma vez estabelecida a autocomiseração como instrumento de identidade psicossocial, o sujeito deixa de reconhecer que trabalhar é empreender forças em grupo, dentro de uma organização, para um determinado fim, e passa a se ver como uma eterna vítima. Existem, naturalmente, conflitos no mundo do trabalho, e claro que eventualmente existem injustiças. O profissional necessita de estrutura adequada e de um ambiente organizado para se desenvolver. Sem isso, fica difícil. Hora de buscar outras paragens. No entanto, se em todo os lugares em que trabalhamos enxergamos as mesmas condições precárias para o nosso crescimento, é hora de desconfiar de que algo não vai bem conosco. Pense nisso!;

Identidade social
2) Devido a herança cultural marxista que predomina nas escolas e universidades brasileiras desde os anos 60 do século passado, consolidamos uma visão negativa do trabalho.  De certa forma, boa parte dos trabalhadores só compreende as relações de trabalho como expressão da má-fé, a famosa “exploração” evidenciada pela teoria da “mais valia”, que foi a teoria mais fácil de ser desconstruída na história do pensamento econômico universal, mas que no Brasil ganhou status de verdade absoluta. Como resultado, essa cultura do oprimido prega que o trabalhador, sem a proteção de um estado paternalista, não pode ser outra coisa senão um coitado explorado, vítima da ganância de terceiros. Percebem a relação com o primeiro ponto? Somos educados para ser coitados.

Nova postura
A esperança é que apesar das distorções de caráter ideológico sobre o mundo do trabalho, o Brasil tem gente disposta e empreendedora. Para dar total vazão a essa potencialidade, é preciso que o trabalho passe a ser visto como uma grande oportunidade de crescimento íntimo e social,  um direito e um dever sublime, compreendido como uma conquista do talento e da vontade, como algo que dá sentido à vida, e nunca como um fardo humilhante e degradante.

Se continuarmos reféns de uma ideologia hegemônica que define o trabalho como mero palco de uma luta de classes (teoria também questionável), continuaremos uma nação de homens e mulheres que não se ofendem com as esmolas oficiais, que acreditam ser normal não poder sustentar a família, e que é lindo um governo se vangloriar por oferecer-lhes como favor aquilo que os impede de ter autonomia.