Educação Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Educação

Cândido Albuquerque reitor da UFC: escolha natural e dentro das regras

Por Wanfil em Educação

20 de agosto de 2019

O professor e advogado Cândido Albuquerque é o novo reitor da Universidade Federal do Ceará. Seu nome, claro, constava na lista tríplice enviada ao presidente Jair Bolsonaro. Nas chatíssimas redes sociais, adversários e opositores falam em golpe, intervenção e ditadura. É que na consulta feita à comunidade acadêmica, o mais votado, com ampla vantagem, foi o professor de filosofia Custódio de Almeida, alinhado com a gestão que encerra agora, um tanto afeita a notinhas políticas. Ocorre que, como todos sabem, professores, alunos e servidores não elegem reitores, são apenas consultados. Sempre foi assim.

A frustração dos que sugeriram o nome preterido é compreensível, mas é totalmente descabido falar em intervenção ou golpe. O processo foi legítimo, ainda que se discorde, no fim, do próprio processo! A solução, por óbvio, seria alterar as regras eleitorais nas universidades, coisa que nenhum governo jamais fez.

Se pensarmos bem no espírito da lei, reitores são escolhidos por presidentes da República eleitos para mandatos temporários e que atuam, ou deveriam atuar, a partir de um conjunto de valores apresentado em campanha e aprovado pela maioria dos eleitores. Esta é a fundamentação democrática para a prerrogativa das nomeações. Prerrogativa geral e de longa data, não um casuísmo.

Muitos falam da tradição de se nomear o mais votado na consulta. Nesse caso, é concessão, não uma obrigação. Se o ex-presidente Lula nomeava reitores assim, é bom lembrar que isso não alterava os rumos do seu programa de governo para a educação superior, até porque o resultado da consulta não rompia com a atuação dos partidos políticos e grupos ideológicos que predominam nas universidades e que eram aliados do governo. Ai é mais tranquilo. Mas se acontecer o contrário? Se preferido for avesso ao que é proposto para a área? A incompatibilidade, se incontornável, pode prejudicar ações. A saída é buscar o mínimo de consenso com outros indicados.

Não é questão de impor submissão, mas de procurar alguma harmonia Não há sentido em nomear quem diverge de modo profundo de quem trabalha a política para o setor. É do jogo. Vale para qualquer um e por isso mesmo ninguém trocou o princípio da consulta pela eleição direta.

Todos reclamam do clima de confrontação política, mas tudo vira motivo para discursos revolucionários, repletos de jargões mofados. É algo cansativo. Cândido Albuquerque, profissional de renome, com atuação no setores público e privado, assume sabendo que boa parte da comunidade acadêmica, acostumada a controlar a burocracia e as verbas da UFC, preferiria outro nome. Serve de alerta.

Se eu pudesse dar um conselho ao novo reitor, diria para focar na ampliação e no aprofundamento dos mecanismos de transparência. Quantos professores com dedicação exclusiva fazem pesquisa? Qual o gasto total com despesas, sei lá, odontológicas para servidores? Nada contra ninguém, são apenas exemplos.

É isso. Foco na transparência, sem perder tempo com embates ideológicos sem base, comuns nos dias de hoje, mas que são, francamente, improdutivos.

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A faculdade de cortar faculdades

Por Wanfil em Educação

13 de Maio de 2019

Governo, deputados e reitores no Ceará unidos contra cortes nas universidades federais. Só nas federais! Foto: Divulgação

Parte da bancada federal do Ceará se reuniu com governador Camilo Santana e com reitores de instituições federais no Estado para discutir ações que possam reverter o bloqueio de recursos para o ensino superior anunciado pelo Governo Federal.

Dos 22 deputados federais, oito estiveram no encontro. O destaque foi a presença do senador Cid Gomes. Para o coordenador da bancada, Domingos Neto, “é necessário que os deputados façam uma forte pressão” para “um recuo do corte”. Para o governador, a educação deve “ser colocada como prioridade absoluta, inclusive o ensino superior”.

A falta de clareza e das contradições nos anúncios que o Ministério da Educação faz potencializa a confusão. É impressionante. Por isso é compreensível a ansiedade nas instituições. Nesse ponto o  governo federal poderia aprender com o governo do Ceará.

Em 2015 a UECE divulgou uma nota sobre corte de verbas. Reproduzo um trecho (grifos meus):

Comunicado da Reitoria sobre ajuste do custeio da Uece aos cortes efetuados no orçamento estadual

Como é do conhecimento de todos, os governos federal, estaduais e municipais atravessam momento de extremas dificuldades financeiras, anunciando ajustes e cortes, em frequência quase diária. As instituições públicas, vinculadas a estes governos, vivem situação semelhante. A decisão do Governo do Ceará, linear para todos os órgãos, exceto saúde e educação básica, foi de um corte de 25% em relação ao custeio executado em 2014.” 

Viram quanta compreensão? Tudo explicadinho. Nem precisou que parlamentares da base governista estadual fizessem forte pressão para reverter o corte, nem que governo tratasse isonomicamente ensino superior e educação básica.

Pode até parecer que existem dois pesos e duas medidas, mas não é nada disso. Pelo visto, a repercussão política no Ceará sobre cortes (ou bloqueios) de verbas em certas universidades depende da faculdade – por parte de quem corta – de saber comunicar que o dinheiro acabou.

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Escola sem Partido ainda é pouco

Por Wanfil em Educação

13 de novembro de 2018

A doutrinação ideológica, seja de esquerda ou de direita, impede o espírito crítico e a liberdade de escolha

Os projetos Escola sem Partido têm sido acusados de censura à liberdade de opinião. Na verdade, é uma reação ideológica corporativa que visa preservar a hegemonia das teorias de esquerda na produção e divulgação do conhecimento no Brasil, e na formação de profissionais para esse fim.

O que o aluno brasileiro em geral sabe sobre o pensamento conservador ou sobre o liberalismo se resume às caricaturas que seus críticos de esquerda desenham. Relato aqui um breve exemplo. Aluno de História na UFC, nos anos 90, apresentei um seminário sobre a influência européia na formação da América Latina, usando entre os livros de referência “O Liberalismo Antigo e Moderno”, de ninguém menos que José Guilherme Merquior. Resultado: fui interrompido e levei uma reprimenda de uns 10 minutos em sala de aula. O professor esconjurou o capitalismo, chorou (literalmente) ao lamentar o genocídio indígena e disse que os agentes de saúde eram uma invenção de Tasso Jereissati para impedir a revolução camponesa. Mandou-me refazer o trabalho seguindo a pregação antiamericana de “Veias Abertas da América Latina”, do uruguaio Eduardo Galeano, obra que anos depois viria a ser renegada pelo próprio autor.

Práticas assim acontecem diariamente, agora mesmo, nas salas de aula. E quanto mais cedo começa a propaganda ideológica, com ênfase no marxismo e sua adaptações, mais facilmente ela é incorporada pelo aluno como um dado da realidade, tão evidente e inegável como a leia da gravidade. Só um louco pode negar a teoria da mais-valia, imaginam os nossos jovens, sem suspeitarem da existência de autores como Raymond Aron (As Etapas do Pensamento Sociológico), e muito menos de que Marx morreu sem explicar como a jornada de trabalho reduziu de 16 para 8 horas diárias na Inglaterra, enquanto o lucro das empresas aumentavam.

O estabelecimento de uma hegemonia cultural, nos moldes de Gramsci, e denunciada creio que primeiro por Olavo de Carvalho, não acontece da noite para o dia. Leva décadas. Por isso, duvido que uma lei possa ter efeito prático sobre esse tipo de estrutura. É como tentar baixar juros por decreto. Não é assim que acontece. Será preciso um trabalho de formação intelectual fora dos espaços acadêmicos para criar um espírito crítico capaz de substituir a pregação ideológica ostensiva pela percepção de que existem correntes diferentes e respeitáveis de estudo.

Na verdade o Escola sem Partido incomoda mais pelo fato de lembrar que a doutrinação ideológica é uma realidade. Não apenas existe como seus efeitos se alastraram por diversas outras áreas, de modo que seria preciso ainda o sindicato sem partido, a igreja sem partido, a arte sem partido, as redações sem partido, as entidades estudantis sem partido, e por aí vai.

Não é proibido ou errado ter um partido de preferência, claro. Mas usar organismos outros para promover agendas partidárias é uma espécie de corrupção. Há o espaço para a atividade partidária, que é diferente da representação em entidades que reúnem pessoas de religiões, credos, cores e partidos diversos. E isso vale para qualquer sinal ideológico. Qualquer doutrinação, seja de esquerda ou de direita, onde existir, é a supressão da criticidade e da liberdade de escolha.

Por fim, uma lei jamais terá o poder de quebrar o monopólio da esquerda na formação intelectual brasileira, pois a educação é um processo que demanda tempo de maturação, mas a consciência de que o proselitismo tomou conta do sistema de ensino nacional desde o fundamental, de que existe uma escola “com” partido, sem dúvida é o primeiro passo para resgatar a pluralidade de ideias no Brasil.

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Reforma do ensino médio não pode cair no maniqueísmo político que tomou conta do País

Por Wanfil em Educação

23 de setembro de 2016

A educação não pode parar no tempo, mas não deve mudar de qualquer jeito: é preciso senso e estratégia

A educação não pode parar no tempo, nem mudar de qualquer jeito

A medida provisória enviada ao Congresso Nacional pelo presidente Michel Temer propondo uma reforma no currículo do ensino médio causou enorme e justa apreensão entre educadores, escolas, pais e alunos.

Como era de se esperar, nas redes sociais o assunto foi tratado com o viés que tem envenenado qualquer debate no Brasil. De uma lado, uns dizem: “Olha o Temer perseguindo professores”; do outro, a resposta não tarda: “A proposta original é da Dilma, quem votou nela não pode reclamar”. E por aí vai no lenga-lenga aborrecido dos dias atuais.

Obviamente, divergências ideológicas e conceituais podem e devem fazer parte das discussões, mas com base em argumentos bem estruturados no lugar da paixão cega, da ânsia pelo bate-boca inócuo.

O governo federal e o Ministério da Educação poderiam ajudar, mostrando como essa proposta de reforma foi construída, mas isso não aconteceu. Quais os fundamentos, os parâmetros pedagógicos, os exemplos de outros países e pesquisas de desempenho foram utilizadas? A falta de comunicação alimenta boatos e dúvidas. Chega a surpreender.

Há pontos obscuros na proposta, como a falta de detalhes para a ampliação da carga horária de ensino, o impacto orçamentário para os estados com a adoção do tempo integral nas escolas. Em outro ponto, aulas de artes, educação física, filosofia e sociologia deixariam de ser obrigatórias no ensino médio, mas permaneceriam no infantil e fundamental, com conteúdo a ser definido a partir de uma nova Base Nacional Comum Curricular, que ainda será feita.

Apesar dos furos, uma coisa não pode deixar de ser vista: existe sim a necessidade urgente de atualizar conteúdos e dar um sentido estratégico à educação. Nos exames internacionais (pesquise o PISA), o Brasil sempre fica entre os últimos em matemática e leitura. Nossos alunos chegam mal preparados ao mercado de trabalho, isso é fato. Perdemos competitividade.

O debate sobre os rumos e soluções para essa contingência precisa de método, de racionalidade. Não se trata de gostar do governo A ou B, de ser contra esse ou aquele, mas do passo mais importante para uma refundação do Brasil. Que o Congresso tenha maturidade para ouvir, avaliar e propor melhorias no texto.

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UFC sobe sete posições em ranking e comemora 87º lugar. Se subir mais 43 alcança a Federal de Pernambuco

Por Wanfil em Educação

15 de junho de 2016

Notícia da Universidade Federal do Ceará:

UFC sobe sete posições e agora é a 87ª melhor universidade da América Latina
A Universidade Federal do Ceará avançou sete posições e é agora a 87ª melhor universidade da América Latina, de acordo com o mais recente levantamento da QS Universities Rankings: http://goo.gl/adwbBx. No mesmo levantamento, a UFC também subiu três posições no ranking brasileiro, passando a ser a 20ª melhor universidade do País e a única do Ceará a aparecer na relação.

Veja outras instituições e suas respectivas posições no mesmo ranking:

1º – Universidade de São Paulo
2º – Universidade Estadual de Campinas
3º – Pontificia Universidad Católica de Chile
4º – Universidad Nacional Autónoma de México
10º – Universidad Nacional de Colombia
11º – Universidad de Buenos Aires
18º – Universidad Central de Venezuela
21º – Pontificia Universidad Católica del Perú
44º – Universidade Federal de Pernambuco
59º – Universidad de la Habana (Cuba)
61º – Universidad del Norte (Equador)
76º – Universidad Pontificia Bolivariana
87º – Universidade Federal do Ceará

Confira aqui a lista completa na América Latina.

A UFC, instituição cujo reitor foi signatário de uma lista de apoio à candidata Dilma Rousseff nas eleições passadas, está no caminho certo, afinal, sobe na lista. Mas o desafio de estar entre as melhores 50 da região ainda é grande.

Na próxima lista, se subir mais 11 posições, a UFC chegará ao patamar da Pontificia Bolivariana. E se mais adiante saltar 43 posições, alcançará a Federal de Pernambuco, que já está no TOP 50.

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Aula de cinismo: ministro da Educação ignora a realidade e diz que Ceará e Brasil estão crescendo. De onde ele tirou isso?

Por Wanfil em Educação

29 de outubro de 2015

O ministro da Educação, Aluísio Mercadante, veio no Ceará em busca de uma agenda positiva na quarta-feira. Participou de vários eventos cuidadosamente produzidos, falou em pacto nacional pela educação, fez elogios e discursos.

A certa altura, falando a uma plateia de professores e estudantes de escolas premiadas pelo governo estadual, e embalado pela recepção festiva, algo raro nesses tempos de crise, o ministro mandou ver:

“Hoje, o Ceará é o estado que mais cresce no Brasil. E são vocês que ajudam a fazer esse país crescer, pois é através do esforço de cada um de vocês que teremos um futuro ainda mais promissor para o Brasil.”

Correções
De onde Mercadante tirou isso? O país, ministro, está em RECESSÃO! Vamos aos fatos:

O Ceará não é o estado que mais cresce, pelo contrário, está entre os que mais sentem a crise. A economia estadual desabou 5,32% no segundo trimestre de 2015, superando, por exemplo, São Paulo (-5%), Minas Gerais (3,5%), Bahia (-1,9) e Rio Grande do Sul (-0,6).

O Brasil não está crescendo também, como todos sabem. Para o mercado, a expectativa é de que o PIB nacional registre uma retração na casa dos 3% em 2015 e de 1,5% em 2016.

Reprovado
Aluísio Mercadante foi colocado no Ministério da Educação como prêmio de consolação na última reforma ministerial, após ser demitido da poderosa Casa Civil, a pedido, ou melhor, por exigência de Lula e do PMDB. Substituiu o professor Renato Janine Ribeiro, que passou poucos meses no cargo, nomeado depois da saída de Cid Gomes da pasta, que também ficou poucos meses no cargo.

Sem intimidade técnica com a área, Mercadante fez o que sabe fazer: política ruim. Não realizou nada e distorce a realidade para fazer festa. Para isso, não há nada melhor do que vir ao Ceará.

PS. O governador Camilo Santana e o ministro Mercadante, ambos do PT, inauguraram mais uma escola profissionalizante em Fortaleza. Bacana. O nome da escola é Leonel Brizola, maior liderança na história do PDT. É que agora todo mundo por aqui é pedetista desde criancinha.

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Enem 2014 mostra que escolas usam artifícios não pedagógicos para incrementar resultados

Por Wanfil em Educação

06 de agosto de 2015

O resultado do ENEM por escola divulgado nesta semana com dados referentes a 2014, jogou luzes sobre uma prática questionável utilizada desde outras edições da avaliação, mas que passava quase despercebida do público. Isso foi possível graças à criação de um novo indicador, o “índice de permanência”, que revela se o estudante cursou total ou parcialmente o ensino médio no estabelecimento pelo qual prestou o exame.

Médias artificiais
O índice acabou revelando que muitas das “campeãs” do Enem possuíam índice inferior a 20% de permanência, ou seja, que participaram da prova com a maioria dos alunos vindos de outras escolas. Estas se defendem dizendo que turmas especiais são comuns. Tudo bem, mas existe aí um problema ético a ser examinado: com alunos importados, o resultado não refletirá integralmente a qualidade de ensino daquela escola. Isso é correto?

Existe ainda outro ponto. Alguns colégios particulares separam alunos de melhor desempenho em pequenas turmas, que possuem CNPJ diferente. Basta ver a lista do Enem para comprovar isso. Escolas com sedes inteiras compostas de apenas 20, 30 ou 40 alunos. São unidades cujos resultados podem levar o público a pensar que o desempenho desse grupo reduzido corresponde ao do estabelecimento como um todo, perfazendo uma média geral, mas que na verdade não passa de uma amostra específica e pontual.

Nesses casos, a prática é mais grave, do ponto de vista ético. O aluno estuda, por exemplo, a vida inteira no Colégio Militar e, próximo ao exame do Enem, recebe uma proposta para representar uma grande escola particular. Junto com outros estudantes mais preparados, matriculados na sede, digamos assim, “exclusiva”, conseguem colocar o colégio entre os melhores do país, gerando material de propaganda. No entanto, os outros alunos, aqueles que estão matriculados na sede original, com o CNPJ antigo, amargam resultados bem mais modestos.

Se os pais compararem o CNPJ da escola bem classificada, na qual imaginam que seus filhos estudam, com o CNPJ real das sedes nas quais eles efetivamente frequentam, descobrirão que a imensa maioria não estuda naquela da propaganda, como eles pensavam.

Ceará
O portal UOL publicou matéria mostrando que metade dos colégios top 10 tem baixo índice de permanência. A reportagem cita estabelecimentos de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Ceará: Farias Brito, Christus e Ari de Sá. O baixo índice, por si, não prova a existência de turmas separadas nessas escolas. Mostra que suas turmas de 3º ano não são compostas, na maioria, por alunos que já estudavam nelas. Mas isso, convenhamos, já pega mal.

Valores
Ainda que não seja uma prática ilegal, o uso de artifícios não pedagógicos para incrementar resultados no Enem, serve para mostrar que a educação só pode ser um diferencial na formação de um indivíduo e, por consequência, de uma sociedade, se ela envolver valores. Isso vale para as famílias, mas também vale para as escolas.

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Aula de descaso com o patrimônio público

Por Wanfil em Educação

17 de junho de 2015

O portal Tribuna do Ceará publicou matéria sobre a interdição, a mudança, o abandono, e posterior saque e depredação da escola Caic Raimundo Gomes de Carvalho, construída com dinheiro público no bairro Autran Nunes, em Fortaleza. Segundo a diretora da instituição, Eliene Sales, o prédio foi “condenado” pela Secretaria de Educação do Ceará e por isso as aulas passaram a ser ministradas em outro prédio alugado, com dinheiro público, no mesmo bairro. Prejuízo duplo ao contribuinte cearense.

Escola interditada vira alvo de saques. De quem é a culpa? Dos alunos que não é. (FOTO: Marianna Gomes/ Tribuna do Ceará)

Escola interditada vira alvo de saques. De quem é a culpa? Dos alunos que não é. (FOTO: Marianna Gomes/ Tribuna do Ceará)

A matéria foi sugerida por um leitor do site. Ao saber disso, a direção chegou a negar o problema, mas diante de fotos  (para ver mais clique aqui) limitou-se a dizer o seguinte: “Desde que saímos de lá, o que acontecer no antigo prédio não é mais nossa responsabilidade”.

De quem é então? Segundo a diretora, é da Secretaria de Educação. E o que diz a Secretaria? Vai abrir uma sindicância para apurar o caso? Não. Diz apenas que providenciará a vigilância do Caic e que fará uma reforma no prédio abandonado, porém, sem previsão de data. Fica o dito pelo não dito, como se tornou comum no Ceará.

Mau exemplo
A melhor forma de ensinar é pelo exemplo. Assim, a Secretaria de Educação dá uma triste lição de como não cuidar de uma escola pública. Menos mal que tenha optado pela transferência dos alunos antes que algo mais grave viesse a acontecer, mas a questão é saber como as coisas chegaram a esse ponto. É por isso que não se admite que o governo venha a propor mais impostos, quando resta evidente que as verbas sob seus cuidados são gastas assim.

Comoção
Comovido com a dificuldade desses gestores na educação em definir e COBRAR responsabilidades nesse episódio, vai aqui, de graça, uma lição de lógica básica:

1 – procurem saber se a interdição da escola aconteceu por a) falha no projeto; b) problemas na execução do projeto; c) falta de manutenção adequada; d) todas as opções;

2 – o prédio da escola estava sem vigilância por a) ausência de comunicação da escola sobre a data da mudança; b) falta de orientação da secretaria no trâmite da operação; c) descaso generalizado com o patrimônio público; d) todas as opções.

Pronto. Com as respostas a esses questionamentos, é possível abrir os devidos procedimentos administrativos para averiguar quem deve o que nessa história. Quando se trata de dinheiro público, para perdas por corrupção ou por incompetência, um boa punição ainda tem o seu valor pedagógico.

PS. É possível responsabilizar os larápios que roubaram a estrutura do prédio. Mas aí, convenhamos, é consequência e não causa do problema.

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Decifrando Cid no Ministério da Educação, Corte e Costura: “eu sigo orientações”

Por Wanfil em Educação

20 de Fevereiro de 2015

Reunião no Ministério da Educação para corte de verbas e costura de justificativas bordadas.  (Original: Costureiras trabalhando, obra de Marques Oliveira)

Técnicos do Ministério da Educação trabalhando: corte de verbas e outros tecidos, costura de antigas justificativas bordadas.
(Original: Costureiras trabalhando, de Marques Oliveira)

A presidente Dilma anunciou que o lema de sua segunda gestão seria “Brasil, pátria educadora”. Depois nomeou o ex-governador do Ceará Cid Gomes para o Ministério da Educação. Expectativa elevada. Com menos de dois meses no cargo, já é possível ver que as prioridades do Ministério da Fazenda atropelaram o discurso de palanque: corte de custos. Cabe aos ministro emendarem a essa condição desculpas sobre eficiência administrativa. No caso de Cid, ficamos com  o Ministério da Educação, Corte e Costura, com o lema “Brasil, menos verbas, mais costuras retóricas”. Vejamos algumas medidas que ilustram esse “compromisso”.

Aula de Corte
1) corte no Fies para alunos de universidades particulares que reajustaram a mensalidade acima da inflação, embora o governo federal tenha reajustado combustíveis e energia sem considerar esse, digamos assim, parâmetro de justiça social;
2) atraso no pagamentos de R$ 6,6 bilhões em verbas, inclusive repasses para universidades públicas;
3) desse valor, R$ 700 milhões atingem o Pronatec (aquele programa do debate) e R$ 1,19 bilhão para a educação básica. Quer mais? Lá vai:
4) desde novembro não recebem pagamentos 423 mil bolsistas do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) e do Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio;
5) escolas técnicas e alunos de mestrado e doutorado com bolsas da Fundação Capes também reclamam de atrasos.

Aula de Costura
O Ministério da Educação afirma que a maioria desses atrasos começaram no final do ano passado (antes, portanto, da atual gestão), que os pagamentos estão sendo regularizados, que isso acontece por causa da burocracia (e não do choque fiscal), e de medidas de melhoria no controle.

Realidade
O rombo nas contas públicas é monumental: R$ 17,2 bilhões. A ordem é cortar o que for possível, doa a quem doer, mesmo que em casos de estudantes progressistas que amam Che Guevara. Esses, aliás, devem compreender, afinal, “hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. Além disso, faculdades de quinta categoria e alunos sem qualificação para o ensino superior foram financiados com objetivos eleitorais. Agora que a conta não fecha e as eleições foram ganhas, tome tesouradas.

Solidários
Por fim, é possível compreender melhor a postura do ministro Cid Gomes durante entrevista ao jornalista Chico Pinheiro, da Rede Globo, quando ele disse e repetiu:  “O meu papel é seguir as orientações da presidente Dilma”. “Eu sigo orientações. Todas as missões que tive até hoje eu era o chefe do Executivo. Agora eu sou um auxiliar da presidente Dilma”. É o velho “a culpa não é minha”.

É verdade que ela é quem manda, mas o estilo de aplicar o receituário é do ministro que, por fim, subscreve e compactua com as ordens da chefe e aliada. A culpa é solidária.

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Cid na Educação? Lembrei de Abraham Lincoln

Por Wanfil em Educação

29 de dezembro de 2014

Neste recesso muita gente me pergunta o que achei da indicação de Cid Gomes para o Ministério da Educação. Por isso faço uma pausa no descanso e falo sobre o assunto. O que li a respeito no noticiário foi o bastante para concluir que não há muito a ser dito. As matérias se limitavam a dar um breve perfil do governador cearense, lembrando sempre de Ciro Gomes, o irmão mais famoso. O resto foi especulação e imprecisão. Uma matéria dizia que a escolha desagradou ao PT; outra colocou a refinaria da Petrobras no Ceará – que não existe -, como um dos feitos da parceria Cid-Dilma.

Além disso, não é um nome técnico imposto pelas circunstâncias para acalmar desconfianças sobre os rumos do governo, como foi o caso da indicação de Joaquim Levy para a Fazenda. Nesse caso, trata-se mesmo de uma aposta bancada pela presidenta.

Lembro de uma passagem do filme Lincoln, com Daniel Day-Lewis, sobre a história do famoso presidente americano. A certa altura, conversando com seu secretário de Estado, ele pergunta: “Você seria capaz de adivinhar, antes de plantar, quais sementes irão germinar?”, para então concluir: “espere, pois, o tempo lhe dizer”. A reprodução é de memória, mas a essência é essa. Assim, vamos aguardar para ver como as coisas se desenrolam e aí fazer uma avaliação objetiva. Assim respondo aos que me indagaram: Cid na Educação? Boa sorte para ele, pois o desafio é imenso.

Aproveitando o assunto, deixo aqui minha primeira sugestão ao futuro ministro: impedir que grandes escolas inscrevam sedes fantasmas no Enem, abertas com CNPJ diferente da matriz e que reúnem poucos alunos (menos de uma turma), para fraudar o exame. Quanto mais fidedignas as informações, melhor o planejamento das políticas para a área.

De resto, por enquanto, manterei minhas filhas na escola particular em que elas estudam, tal como fazem os responsáveis pela educação pública. Sabe como é: com educação não se brinca.

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Cid na Educação? Lembrei de Abraham Lincoln

Por Wanfil em Educação

29 de dezembro de 2014

Neste recesso muita gente me pergunta o que achei da indicação de Cid Gomes para o Ministério da Educação. Por isso faço uma pausa no descanso e falo sobre o assunto. O que li a respeito no noticiário foi o bastante para concluir que não há muito a ser dito. As matérias se limitavam a dar um breve perfil do governador cearense, lembrando sempre de Ciro Gomes, o irmão mais famoso. O resto foi especulação e imprecisão. Uma matéria dizia que a escolha desagradou ao PT; outra colocou a refinaria da Petrobras no Ceará – que não existe -, como um dos feitos da parceria Cid-Dilma.

Além disso, não é um nome técnico imposto pelas circunstâncias para acalmar desconfianças sobre os rumos do governo, como foi o caso da indicação de Joaquim Levy para a Fazenda. Nesse caso, trata-se mesmo de uma aposta bancada pela presidenta.

Lembro de uma passagem do filme Lincoln, com Daniel Day-Lewis, sobre a história do famoso presidente americano. A certa altura, conversando com seu secretário de Estado, ele pergunta: “Você seria capaz de adivinhar, antes de plantar, quais sementes irão germinar?”, para então concluir: “espere, pois, o tempo lhe dizer”. A reprodução é de memória, mas a essência é essa. Assim, vamos aguardar para ver como as coisas se desenrolam e aí fazer uma avaliação objetiva. Assim respondo aos que me indagaram: Cid na Educação? Boa sorte para ele, pois o desafio é imenso.

Aproveitando o assunto, deixo aqui minha primeira sugestão ao futuro ministro: impedir que grandes escolas inscrevam sedes fantasmas no Enem, abertas com CNPJ diferente da matriz e que reúnem poucos alunos (menos de uma turma), para fraudar o exame. Quanto mais fidedignas as informações, melhor o planejamento das políticas para a área.

De resto, por enquanto, manterei minhas filhas na escola particular em que elas estudam, tal como fazem os responsáveis pela educação pública. Sabe como é: com educação não se brinca.