O desafio de criar candidaturas contra a insegurança no Ceará - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

O desafio de criar candidaturas contra a insegurança no Ceará

Por Wanfil em Eleições 2014

18 de Março de 2014

O frisson acerca dos nomes que poderão disputar o governo do Ceará nas eleições de outubro próximo acaba encobrindo uma questão elementar: tão importante quanto o nome é saber qual o perfil ideal para esse candidato. É preciso identificar as demandas do “mercado” para depois oferecer o “produto”, ou seja, saber quais são os problemas que mais mobilizam a opinião pública e a partir dessa informação, moldar discursos e personagens.

Não é chute, é cálculo

Por exemplo: em 2006, a vitoriosa campanha de Cid Gomes tinha o seguinte slogan: “Um grande salto. O Ceará merece”. Como principal promessa, brilhou o “Ronda do Quarteirão”. Esses “produtos” não foram chutes, mas propostas elaboradas a partir da constatação, junto ao eleitorado, de uma insatisfação geral com a segurança pública, e do desejo por um gestor com mais capacidade de ação.

Claro que outros componentes atuaram na eleição, como o racha do PSDB e o apoio do PT ao ex-adversário da família Ferreira Gomes, mas o perfil desejado pelos eleitores é um dado que teve considerável peso nessa equação.

Insegurança: fardo para o governo, oportunidade para a oposição

Passados dois mandatos de Cid, temos hoje a seguinte situação: os índices na área de segurança pública se deterioraram vertiginosamente, apesar dos investimentos feitos, com o Ceará figurando entre os estados mais violentos do Brasil.

Não bastasse isso, a autoridade da gestão no setor foi duramente atingida com a greve dos policiais militares em 2011, quando o governador simplesmente sumiu. Para piorar, o fantasma da inoperância diante de uma crise volta a assombrar o cidadão, com a possibilidade de uma paralisação dos policiais civis durante a Copa do Mundo.

Sendo impossível evitar o tema da insegurança, o governo, presumivelmente, tentará conter o dano mudando o foco do debate eleitoral para outras questões ou apresentando uma versão dourada do problema. Se conseguirá convencer, ou se terá adversários capazes de explorar essa fragilidade, aí é outra conversa.

Quem poderá representar uma solução?

Diante desse cenário, pelo andar da carruagem e pelas especulações da hora, dois tipos de candidatura estão sendo preparadas.

Tem o caso o específico do senador Eunício Oliveira (PMDB), aliado do governo estadual que pretende lançar candidatura própria. Em relação a esse tema, sua estratégia deve contemplar o reconhecimento dos investimentos que foram feitos para, em seguida, lamentar a falta de resultados e, por fim, se apresentar como alguém com mais capacidade de diálogo e mobilização para reverter a situação. Eunício, vale lembrar, é empresário do ramo de segurança privada.

Já o candidato oficial, seja quem for, deverá enfatizar esses investimentos, lembrando é preciso tempo para que os resultados apareçam. Outro caminho será associar o aumento da violência a outros fatores. Não por acaso o deputado Zezinho Albuquerque, atual presidente da AL e um dos pré-candidatos do PROS, tem rodado o Estado fazendo uma campanha inócua contra as drogas, colando sua figura no discurso do governo, pelo qual o crescimento tráfico – resultado direto do deslocamento de quadrilhas do Sudeste para o Nordeste – seria o grande motor do aumento da criminalidade no Ceará.

É bom também não menosprezar o papel do vereador Capitão Wagner (PR) neste processo. Na greve da PM, o policial deu de olé nas raposas do Palácio da Abolição. Inexperiente como gestor, Wagner tem perfil ligado à temática da segurança. Mesmo não sendo candidato ao governo, se bem usado, pode causar estragos na candidatura oficial.

Se houvesse uma oposição bem organizada, com partido forte, essa eleição seria até fácil. O flanco do governo está aberto. Restrita, porém, a um ex-aliado que não pode bater muito, fica mais complicado. Existem candidaturas que podem até ser mais duras, mas terão poucos recursos e tempo para se firmarem como alternativa. Por outro lado, para o governo será preciso um nome cujo histórico que inspire no eleitor uma confiança que possa superar a decepção com o seu mais retumbante fracasso.

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O desafio de criar candidaturas contra a insegurança no Ceará

Por Wanfil em Eleições 2014

18 de Março de 2014

O frisson acerca dos nomes que poderão disputar o governo do Ceará nas eleições de outubro próximo acaba encobrindo uma questão elementar: tão importante quanto o nome é saber qual o perfil ideal para esse candidato. É preciso identificar as demandas do “mercado” para depois oferecer o “produto”, ou seja, saber quais são os problemas que mais mobilizam a opinião pública e a partir dessa informação, moldar discursos e personagens.

Não é chute, é cálculo

Por exemplo: em 2006, a vitoriosa campanha de Cid Gomes tinha o seguinte slogan: “Um grande salto. O Ceará merece”. Como principal promessa, brilhou o “Ronda do Quarteirão”. Esses “produtos” não foram chutes, mas propostas elaboradas a partir da constatação, junto ao eleitorado, de uma insatisfação geral com a segurança pública, e do desejo por um gestor com mais capacidade de ação.

Claro que outros componentes atuaram na eleição, como o racha do PSDB e o apoio do PT ao ex-adversário da família Ferreira Gomes, mas o perfil desejado pelos eleitores é um dado que teve considerável peso nessa equação.

Insegurança: fardo para o governo, oportunidade para a oposição

Passados dois mandatos de Cid, temos hoje a seguinte situação: os índices na área de segurança pública se deterioraram vertiginosamente, apesar dos investimentos feitos, com o Ceará figurando entre os estados mais violentos do Brasil.

Não bastasse isso, a autoridade da gestão no setor foi duramente atingida com a greve dos policiais militares em 2011, quando o governador simplesmente sumiu. Para piorar, o fantasma da inoperância diante de uma crise volta a assombrar o cidadão, com a possibilidade de uma paralisação dos policiais civis durante a Copa do Mundo.

Sendo impossível evitar o tema da insegurança, o governo, presumivelmente, tentará conter o dano mudando o foco do debate eleitoral para outras questões ou apresentando uma versão dourada do problema. Se conseguirá convencer, ou se terá adversários capazes de explorar essa fragilidade, aí é outra conversa.

Quem poderá representar uma solução?

Diante desse cenário, pelo andar da carruagem e pelas especulações da hora, dois tipos de candidatura estão sendo preparadas.

Tem o caso o específico do senador Eunício Oliveira (PMDB), aliado do governo estadual que pretende lançar candidatura própria. Em relação a esse tema, sua estratégia deve contemplar o reconhecimento dos investimentos que foram feitos para, em seguida, lamentar a falta de resultados e, por fim, se apresentar como alguém com mais capacidade de diálogo e mobilização para reverter a situação. Eunício, vale lembrar, é empresário do ramo de segurança privada.

Já o candidato oficial, seja quem for, deverá enfatizar esses investimentos, lembrando é preciso tempo para que os resultados apareçam. Outro caminho será associar o aumento da violência a outros fatores. Não por acaso o deputado Zezinho Albuquerque, atual presidente da AL e um dos pré-candidatos do PROS, tem rodado o Estado fazendo uma campanha inócua contra as drogas, colando sua figura no discurso do governo, pelo qual o crescimento tráfico – resultado direto do deslocamento de quadrilhas do Sudeste para o Nordeste – seria o grande motor do aumento da criminalidade no Ceará.

É bom também não menosprezar o papel do vereador Capitão Wagner (PR) neste processo. Na greve da PM, o policial deu de olé nas raposas do Palácio da Abolição. Inexperiente como gestor, Wagner tem perfil ligado à temática da segurança. Mesmo não sendo candidato ao governo, se bem usado, pode causar estragos na candidatura oficial.

Se houvesse uma oposição bem organizada, com partido forte, essa eleição seria até fácil. O flanco do governo está aberto. Restrita, porém, a um ex-aliado que não pode bater muito, fica mais complicado. Existem candidaturas que podem até ser mais duras, mas terão poucos recursos e tempo para se firmarem como alternativa. Por outro lado, para o governo será preciso um nome cujo histórico que inspire no eleitor uma confiança que possa superar a decepção com o seu mais retumbante fracasso.