Fortaleza Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Fortaleza

A politização da tragédia

Por Wanfil em Fortaleza

17 de outubro de 2019

Edifício desaba em Fortaleza: tragédia que naturalmente ronda a política – Foto: reprodução / Tribuna do Ceará

O desabamento de mais um edifício residencial em Fortaleza, com repercussão nacional, trouxe à tona questionamentos pertinentes sobre a Lei da Inspeção Predial. Mesmo aprovada, a lei nunca foi efetivada. Autoridades pedem cautela para fazer esse debate, pois a prioridade agora é cuidar das vítimas. Perfeito, nada a reparar. Acontece que, sentindo o potencial de desgaste para o executivo municipal, alguns aliados já ensaiam discursos preventivos.

Leio no jornal Diário do Nordeste que o deputado estadual Queiroz Filho (PDT) disse o seguinte na Assembleia Legislativa, um dia após o desabamento: “Os poderes públicos não podem ter responsabilidade também sobre a manutenção da propriedade privada”.  “É inadmissível, em dias como hoje, as pessoas querendo surfar na tragédia dos outros”. O parlamentar criticou ainda os que teriam “politizado um assunto de vida humana”. Quem, afinal, fez isso? Quem politiza e surfa sobre as vidas perdidas nos escombros do Edifício Andrea?

Antes de ser deputado, Queiroz Filho foi chefe de gabinete do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio. Por isso é compreensível o seu posicionamento defensivo. É preciso, no entanto, cuidado para não exagerar. Cobrar explicações sobre a Lei da Inspeção Predial não corresponde a acusar ninguém pelo desastre, até porque o assunto tem sua complexidade, mas a buscar soluções para evitar que outros casos aconteçam. Nada mais natural e oportuno diante do que aconteceu.

É incrível como políticos politizam tragédias apontando a suposta politização dessas mesmas tragédias.

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Câncer não espera Carnaval

Por Wanfil em Fortaleza

24 de Fevereiro de 2017

Para quem tem câncer, não ser atendido no ICC significa perder a última esperança, enquanto burocratas brigam

O Instituto do Câncer do Ceará suspendeu os atendimentos pelo SUS desde a última quarta-feira (22). O hospital responsabiliza a Prefeitura de Fortaleza, a quem de atrasar repasses. A Secretaria Municipal de Saúde afirma que estaria impedida de fazer as transferências, uma vez que os contratos com a instituição ainda não foram renovados.

O Ministério Público do Ceará instaurou Inquérito Civil Público sobre o caso e agendou audiência para a próxima quinta-feira, que deverá contar com a presença de representantes do ICC e da SMS.

Parece complicado, mas não. Se os contratos estão em vigência, não há como justificar, legalmente, a suspensão dos repasses. Se venceram, houve falha em revalidá-los em tempo hábil. E se todos sabiam que os contratos estavam próximo ao vencimento, ninguém foi capaz de se antecipar para manter os serviços. É impressionante. Se na Educação a Prefeitura de Fortaleza comemora, com razão, a melhoria de suas escolas no Espaece, na Saúde a história é outra.

De todo modo, tudo pode ser esclarecido depois do Carnaval. O problema é que o câncer, que avança ininterruptamente caso não haja tratamento, não espera por festa, burocracia ou incompetência de seu ninguém. Uma semana pode ser a diferença entre a cura e a condenação. Centenas de pessoas podem estar sendo condenadas à morte, enquanto esperam o feriadão acabar.

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Imagens de elevador que leva a lugar nenhum em escola de Fortaleza ganham projeção nacional

Por Wanfil em Fortaleza

17 de Janeiro de 2017

Elevador em Fortaleza agora nacionalmente famoso (Foto: MPCE)

A Prefeitura de Fortaleza conseguiu sua primeira notícia de repercussão nacional em 2017. A edição desta terça-feira (17) do Jornal Hoje, da Rede Globo, apresentou, com direito a imagens exclusivas, denúncia do MP sobre a instalação de um elevador que não leva a lugar nenhum na Escola Municipal Professor Denizard Macedo.

O apresentador Evaristo Costa apresentou a obra como mau exemplo de ação pública:

Uma escola municipal de Fortaleza ganhou um elevador, ao custo de R$ 50 mil. Isso deveria ser um bom exemplo, mas não foi o que aconteceu.

Segundo a matéria, o relatório dos gestores municipais escondeu o fato: “A parte de cima não tem acesso a nada, mas isso não aparece na foto do relatório da obra encaminhado ao Ministério Público”. Ainda de acordo com o Jornal Hoje, a prefeitura responsabiliza a construtora que realizou a obra pela situação inusitada. Esta, por sua vez, responde afirmando que fez o que o projeto determinava.

A notícia foi devidamente coberta com farto material de imagens e amplo acesso ao local com exclusividade -, de modo que todos os brasileiros pudessem ver melhor a “qualidade” do planejamento das obras nas escolas municipais de Fortaleza.

O caso foi mostrado pelo portal Tribuna do Ceará no último dia 12.

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Médicos desafiam Prefeitura de Fortaleza a liberar imagens de postos de saúde para o público

Por Wanfil em Fortaleza

04 de julho de 2016

No mês passado a Prefeitura de Fortaleza comemorou a exibição de uma matéria em noticiário nacional da Rede Globo sobre a adoção do ponto biométrico e de câmeras nos postos de saúde para fiscalizar o trabalho dos médicos. A hashtag usada na página do Facebook da PMF foi #‎PrefeituraQueFazAcontecer‬.

Pois bem, agora o Sindicato dos Médicos do Ceará, a Associação Médica Cearense e o Conselho Regional de Medicina do Estado querem que a prefeitura libere essas imagens de monitoramento para que a população possa ver quem é que deixa ou não deixa as coisas acontecerem. (Confira a nota dos médicos).

Parece bacana. Quanto mais transparência, melhor. Se existem médicos que burlam o trabalho, é justo que a fiscalização seja feita, aliás, é obrigação de qualquer prefeitura. Infelizmente, isso acontece e, no fundo, quem trabalha mesmo até agradece. Mas é justo também que as condições de trabalho desses profissionais sejam acompanhadas pelo público. Além dos postos, as emergências do IJF e do HGF também poderiam ser monitoradas por todos.

Pensando bem, candidatos a prefeituras poderiam incluir esse ideia como proposta eleitoral. Já existe quem mostre obra em tempo real. Novidade mesmo seria ver um gestor disposto a expor pela internet, sem a ajuda de marqueteiros, como são prestados os serviços aos cidadãos nas unidades de saúde do município.

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Vereadores querem ouvir candidatos à Prefeitura de Fortaleza. Deveriam ouvir os responsáveis pelas obras que desabam!

Por Wanfil em Fortaleza

15 de junho de 2016

Vereadores de Fortaleza devem convidar candidatos à Prefeitura da capital para ouvir, na Câmara Municipal, as propostas de cada um.

Para os candidatos será mais uma oportunidade de criar mídia para suas campanhas e os vereadores ainda poderão fazer de conta que fiscalizam os postulantes ao executivo desde o processo eleitoral.

Seria melhor convidar, ou convocar, secretários, empresas contratadas e o prefeito em exercício para que estes possam falar sobre o viaduto que desabou na Avenida Raul Barbosa, no mês de março deste ano. Ou sobre a coluna que caiu derrubando o telhado da recém-reformada Escola Municipal Santa Terezinha, na tarde de ontem, e que deixou cinco crianças feridas. Foi o terceiro caso envolvendo escolas somente em 2016.

Não é isso que os cidadãos de Fortaleza esperam de seus parlamentares?

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Simpatizantes da maconha e antitabagistas realizam eventos em Fortaleza, uns por menos fumaça, outros por mais

Por Wanfil em Fortaleza

25 de Maio de 2016

Estão marcadas para o final deste mês, em Fortaleza, a Marcha da Maconha (dia 29), organizada pela entidade Coletivo Plantando Informação, e a comemoração pelo Dia Mundial sem Tabaco (31), organizado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.

O primeiro pedindo liberdade para, entre outros usos, fumar um baseado; o segundo alertando contra o fumo de cigarros normais. Mas as diferenças não se encerram aí. O tabaco é legal, a maconha é ilegal. Mesmo assim, tabagistas não fazem apologia ao tabaco, pelo contrário, o que pega bem é ser um antitabagista. Questão de saúde. Médicos alertam para o risco de seu consumo. Ativistas lutam pela restrição de espaços para fumantes.

Já os maconheiros, simpatizantes e seus “coletivos” defendem em marchas públicas o uso da maconha para fins “diversos”, como o medicinal e o “recreativo”. Questão de liberdade de expressão, dizem. Pelo visto, em breve sugerirão que o consumo de maconha, além de saudável e recreativo, ajuda a combater os males do tabagismo.

O que eu acho? O consumo, digamos, recreativo da maconha não faz mal? Sua, por exemplo, inalação só faz bem?Os médicos poderiam dizer. Particularmente, não fumo nem um, nem outro. Corrijo: um cigarro (tabaco) ou charuto, muito, muitíssimo raramente. Mas, como dizia Dr. Sigmund Freud, às vezes um charuto é apenas um charuto.

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Prefeito diz que solução agora é eleger aliados de quem criou a crise

Por Wanfil em Fortaleza

11 de Março de 2016

Do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), em evento da sigla de aluguel PROS, defendendo que o PT de Camilo Santana (e Dilma Rousseff) apoie sua candidatura à reeleição, segundo matéria de O Povo :

“É muito importante que uma cidade como Fortaleza tenha uma aliança administrativa entre Prefeitura e Governo que possibilite recursos a mais e apoio político a mais para fazer o que a gente deve fazer em época de crise.”

Esse argumento perdeu a validade desde que o governo federal não cumpriu a promessa eleitoreira de construir uma refinaria da Petrobras no Ceará. Nesse caso, a única coisa que essa “aliança administrativa” conseguiu produzir foi o silêncio e a omissão dos governistas cearenses, que evitaram denunciar e cobrar o golpe, fingindo que nada aconteceu.

Por outra ainda, se aliança é garantia de ação, por que então o Hospital de Quixeramobim, inaugurado em 2014, ainda não funciona?

Quando o ex-prefeito Juraci Magalhães governava, dizia justamente o contrário: ter adversários nesses cargos evitaria acomodações e geraria uma disputa para ver quem faria mais. E aí? São ideias adaptáveis, conforme os interesses do momento.

De todo modo, mesmo compreendendo, digamos assim, o apelo eleitoral dessas formulações, o mais incrível agora é ver governistas dizendo que a melhor forma de enfrentar a crise é manter no poder a mesma aliança que a produziu.

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Desabamento na Raul Barbosa: tragédia ameaça transformar trunfo eleitoral em prejuízo de imagem

Por Wanfil em Fortaleza

23 de Fevereiro de 2016

O desabamento de parte das obras na ponte sobre o canal do Lagamar, na Avenida Raul Barbosa, em Fortaleza, é um daqueles eventos que exigem todo o cuidado na análise de suas causas e consequências, de modo a evitar precipitações, erros e injustiças. E principalmente, por respeito aos feridos e às duas vítimas que perderam a vida no desastre.

Por outro lado, como laudos técnicos demoram a ser concluídos, é inevitável que nesse meio tempo hipóteses sejam levantadas e debatidas pela população em geral e especialistas via imprensa. Nesse caso, não adianta autoridades e aliados da prefeitura reclamarem de possível exploração política, na esperança de impedir críticas. Mesmo sendo óbvio que ainda é cedo para apontar categoricamente o que causou o desabamento, suposições ocupam o vazio de respostas imediatas. É algo natural e acontece sempre, por exemplo, na sequência de desastres aéreos.

No episódio da ponte, comentários nas redes sociais vão de suspeitas de erro técnico, passando pela ação das chuvas, até uma suposta pressa na execução da obra, com objetivos eleitorais. A conexão com eleições é ainda previsível, afinal, não se pode negar mesmo que estamos em ano eleitoral. Da mesma forma que obras podem ser trunfos explorados em campanhas e propagandas, acidentes assim podem ser objetos de questionamentos e de prejuízo de imagem para o gestor, no caso, na imagem de Roberto Cláudio, caso as respostas gerenciais e a comunicação governamental não sejam bem trabalhadas.

A manifestação de solidariedade com as famílias das vítimas e o anúncio de medidas para apurar as causas do acidente, além de obrigações, são as reações possíveis para a Prefeitura nesse momento inicial. Resta agora esperar agilidade no resultado das investigações, firmeza na cobrança dos responsáveis e explicações claras para tranquilizar a população em relação a outras obras. Agir assim, sem tergiversações, assumindo o que deve ser assumido, responsabilizando quem deva ser responsabilizado, é mostrar compromisso com a verdade e, acima de tudo, questão de justiça.

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Investimentos públicos em Fortaleza despencam 30% em 2015: culpa de quem?

Por Wanfil em Fortaleza

27 de dezembro de 2015

Na comparação entre os anos de 2014 e 2015, o investimentos feitos pela Prefeitura de Fortaleza caíram 29,98%, segundo informações divulgadas neste domingo pelo jornal O Globo, com base nos relatórios apresentados no início do mês por 22 prefeitos de capitais ao Tesouro Nacional. Desse total, 14 estão no vermelho.

Fortaleza está em situação bem menos ruim do que Natal (-89,75%) e Curitiba (-63,71%), e pouco menos ruim que Vitória (-46,42%) e Belo Horizonte (-41,97%). No entanto, algumas poucas capitais conseguiram aumentar os investimentos, como Goiânia (+ 113,81%) e Cuiabá (+197,35%). Essas, entretanto, são exceções. No geral, o investimento nas capitais desabou.

O Globo ouviu o consultor econômico Irineu de Carvalho, da Associação dos Municípios do Estado do Ceará, que didaticamente explicou: “Num primeiro momento, o prefeito reduz o custeio, depois o investimento. Mas chega um momento que não tem muito mais o que fazer, e aí vai ter que começar a reduzir serviços”.

A matéria mostra ainda que contando as com as demais prefeituras, as que não são capitais de estados, que 62% delas devem a fornecedores. Em algumas, o investimento caiu 90%. Imaginem, por dedução lógica, a situação das prefeituras no interior do Ceará.

No título do post, pergunto de quem é a culpa. Como a maioria dos prefeitos cearenses é aliada ao governo Dilma por orientação do grupo político liderado pelo ex-governador Cid Gomes, eles responderiam mais tecnicamente ao questionamento. Diriam (como têm feito, com Roberto Cláudio à frente) que a conjunção de queda na arrecadação, redução do FPM e cenário de crise criou esse cenário de dificuldades e que a solução é enterrar a ideia de impeachment e voltar com a CPMF. Na verdade, eles ainda não se arriscam a chamar a recessão econômica criada pelos erros do governo federal pelo nome verdadeiro: Dilma Rousseff. Talvez em 2016, ano eleitoral, mudem de postura e resolvam não arcar sozinhos com os ônus do Palácio do Planalto.

 

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Fortaleza deve receber refugiados sírios? Fortaleza tem condições para receber refugiados sírios?

Por Wanfil em Fortaleza

14 de setembro de 2015

A imagem de uma criança síria afogada na Turquia causou comoção mundial e colocou em evidência o drama de famílias fugidas da guerra. A cena dói de forma mais aguda porque o pequenino parecia dormir em sua inocência pueril, quando na verdade jazia vítima da estupidez humana.

Tocado pela onda emotiva deflagrada pelo episódio, o prefeito  de Fortaleza, também ele, assim como eu e outros tanto, pai de crianças ainda pequenas, acenou com a possibilidade de receber refugiados da Síria na capital do Ceará. Sobre isso, duas reflexões são necessárias: uma de caráter interno, para correta avaliação das condições para oferecer ajuda; outra de foro externo, de compreensão do processo geopolítico no Oriente Médio. Lembro de uma vez que o ex-presidente Lula se ofereceu para mediar o conflito entre Israel e Palestina, que ninguém fora do Brasil levou a sério, pelo simples fato de faltar aos líderes nacionais o protagonismo que imaginavam ter em sua megalomania.

Condições internas
O impulso solidário é louvável, mas aos gestores, cabe a reflexão sobre as condições políticas, históricas e financeiras para agir no campo das ações internacionais. A intenção de minimizar um pouco que seja o sofrimento de refugiados sírios, em si, é irreparável. Mas viabilizar isso com recursos públicos, requer cuidados extras, a começar pelo fato de que no Brasil e no Ceará crianças e jovens morrem diariamente vítimas da violência crescente nas cidades e nas zonas rurais.

É verdade que a iniciativa da Prefeitura de Fortaleza fala em ação conjunta com a iniciativa privada, mas é evidente que essa entraria como parceira, não como única financiadora de um projeto que, ao final, pode render frutos políticos para a imagem da gestão. Assim, cumpre dizer que doar recursos públicos aos de fora corresponde a deixar de aplicá-los aos próprios necessitados de Fortaleza. Não se trata de mesquinharia, mas de um fato incontornável. Ou há dinheiro de sobra? Ou faltam miseráveis em situação de risco por aqui? É preciso, portanto, dizer ao contribuintes de onde serão retiradas as verbas para a caridade com os refugiados (eles merecem, isso não se discute, e nenhuma criança deveria morrer assim, mas elas morrem aos montes, como resultados de inúmeras injustiças). Certamente, não existem provisões orçamentárias para esse tipo de ação, que exige, desse modo, realocação de recursos.

Condições externas
A respeito do cenário internacional em que se desenrola a tragédia dos sírios, tragédia, repito, que merece repúdio, recebi algumas considerações de Saulo Henrique Alves Tavares, membro da Sociedade Israelita do Ceará, que considero bastante pertinentes e fundamentais para situar a questão.

“Líderes ocidentais, na Europa, Oceania e Américas, se movimentam no sentido de absorver o maior número possível de vítimas da tragédia.  Inclusive o prefeito de Fortaleza, que já ofereceu guarida a um número determinado de refugiados.

Curiosamente, porém, os riquíssimos países produtores de petróleo da região até agora não tomaram nenhuma atitude em prol de seus “irmãos” muçulmanos.

Arábia Saudita, Qatar, Kuwait, Bahrein, Omã, Emirados Árabes e até mesmo o Irã se mantêm hipocritamente silenciosos, indiferentes à crise dos refugiados como que esperando que o Ocidente resolva sozinho o problema.

Numa estranha inversão de valores esses países que teriam, até por afinidade cultural e religiosa, fora suas fortunas em petrodólares, a natural inclinação para dar uma ajuda importantíssima à solução do problema, parecem inertes diante da situação.

Para completar o quadro vemos diariamente a imprensa mundial clamando pela absorção desses refugiados apenas por países ocidentais (já ouvi até um respeitadíssimo comentarista se referir à “divida histórica” da Europa) e esquecendo que os países árabes/islâmicos são os que teriam, em princípio, as condições mais favoráveis para resolver de maneira satisfatória a questão”.

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Fortaleza deve receber refugiados sírios? Fortaleza tem condições para receber refugiados sírios?

Por Wanfil em Fortaleza

14 de setembro de 2015

A imagem de uma criança síria afogada na Turquia causou comoção mundial e colocou em evidência o drama de famílias fugidas da guerra. A cena dói de forma mais aguda porque o pequenino parecia dormir em sua inocência pueril, quando na verdade jazia vítima da estupidez humana.

Tocado pela onda emotiva deflagrada pelo episódio, o prefeito  de Fortaleza, também ele, assim como eu e outros tanto, pai de crianças ainda pequenas, acenou com a possibilidade de receber refugiados da Síria na capital do Ceará. Sobre isso, duas reflexões são necessárias: uma de caráter interno, para correta avaliação das condições para oferecer ajuda; outra de foro externo, de compreensão do processo geopolítico no Oriente Médio. Lembro de uma vez que o ex-presidente Lula se ofereceu para mediar o conflito entre Israel e Palestina, que ninguém fora do Brasil levou a sério, pelo simples fato de faltar aos líderes nacionais o protagonismo que imaginavam ter em sua megalomania.

Condições internas
O impulso solidário é louvável, mas aos gestores, cabe a reflexão sobre as condições políticas, históricas e financeiras para agir no campo das ações internacionais. A intenção de minimizar um pouco que seja o sofrimento de refugiados sírios, em si, é irreparável. Mas viabilizar isso com recursos públicos, requer cuidados extras, a começar pelo fato de que no Brasil e no Ceará crianças e jovens morrem diariamente vítimas da violência crescente nas cidades e nas zonas rurais.

É verdade que a iniciativa da Prefeitura de Fortaleza fala em ação conjunta com a iniciativa privada, mas é evidente que essa entraria como parceira, não como única financiadora de um projeto que, ao final, pode render frutos políticos para a imagem da gestão. Assim, cumpre dizer que doar recursos públicos aos de fora corresponde a deixar de aplicá-los aos próprios necessitados de Fortaleza. Não se trata de mesquinharia, mas de um fato incontornável. Ou há dinheiro de sobra? Ou faltam miseráveis em situação de risco por aqui? É preciso, portanto, dizer ao contribuintes de onde serão retiradas as verbas para a caridade com os refugiados (eles merecem, isso não se discute, e nenhuma criança deveria morrer assim, mas elas morrem aos montes, como resultados de inúmeras injustiças). Certamente, não existem provisões orçamentárias para esse tipo de ação, que exige, desse modo, realocação de recursos.

Condições externas
A respeito do cenário internacional em que se desenrola a tragédia dos sírios, tragédia, repito, que merece repúdio, recebi algumas considerações de Saulo Henrique Alves Tavares, membro da Sociedade Israelita do Ceará, que considero bastante pertinentes e fundamentais para situar a questão.

“Líderes ocidentais, na Europa, Oceania e Américas, se movimentam no sentido de absorver o maior número possível de vítimas da tragédia.  Inclusive o prefeito de Fortaleza, que já ofereceu guarida a um número determinado de refugiados.

Curiosamente, porém, os riquíssimos países produtores de petróleo da região até agora não tomaram nenhuma atitude em prol de seus “irmãos” muçulmanos.

Arábia Saudita, Qatar, Kuwait, Bahrein, Omã, Emirados Árabes e até mesmo o Irã se mantêm hipocritamente silenciosos, indiferentes à crise dos refugiados como que esperando que o Ocidente resolva sozinho o problema.

Numa estranha inversão de valores esses países que teriam, até por afinidade cultural e religiosa, fora suas fortunas em petrodólares, a natural inclinação para dar uma ajuda importantíssima à solução do problema, parecem inertes diante da situação.

Para completar o quadro vemos diariamente a imprensa mundial clamando pela absorção desses refugiados apenas por países ocidentais (já ouvi até um respeitadíssimo comentarista se referir à “divida histórica” da Europa) e esquecendo que os países árabes/islâmicos são os que teriam, em princípio, as condições mais favoráveis para resolver de maneira satisfatória a questão”.