Fortaleza Archives - Página 3 de 5 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Fortaleza

Os viadutos que ligam a incompetência administrativa ao ambientalismo demagógico

Por Wanfil em Fortaleza

17 de julho de 2013

A polêmica ambiental sobre a construção de dois viadutos no cruzamento das Avenidas Engenheiro Santana Júnior com Antônio Sales, em Fortaleza, reúne a um só tempo os elementos da trapalhada administrativa e do oportunismo político-ideológico travestido de consciência ambiental.

A trapalhada

A falta das devidas autorizações ambientais, a confusão sobre o trâmite burocrático e o embargo judicial que suspende a obra contrastam severamente com a imagem de operacionalidade que a comunicação da Prefeitura de Fortaleza tenta emplacar no noticiário.

O fato é que alguém errou feio no planejamento do cronograma de construção dos viadutos. É uma boa oportunidade para o prefeito Roberto Cláudio mostrar à sua equipe que não tolera amadorismo.

E não adianta reclamar. Os órgãos de controle estão cumprindo o seu papel. As exigências da lei existem justamente para evitar que arroubos ou precipitações possam causar prejuízos à comunidade. Ao querer fazer algo na marra ou na base do improviso, o gestor público corre o risco de ver a expectativa levantada se transformar em frustração. Não faltam exemplos disso no Brasil, a começar pelas obras de transposição do rio São Francisco.

Fica a lição: Não basta ter vontade, não basta ter recursos, é preciso saber fazer.

O oportunismo

No outro lado do imbróglio apareceram os autodenominados ambientalistas (até Delúbio Soares se define assim no Twitter). Não que o ambientalismo seja algo impróprio, pelo contrário, é sinal de avanço, de responsabilidade, que surgiu, vejam só, nas sociedades mais industrializadas e depois ganharam o mundo. Nasceu para aprimorar o sistema de produção capitalista e não para negá-lo, como querem alguns órfãos do pesadelo socialista.

O caso dos viadutos é um prato cheio para os ambientalistas profissionais do Ceará, mobilizados por lideranças que instrumentalizam politicamente o movimento ecológico, sempre associando seus adversários ao atraso e colocando-se na posição de santos abnegados despidos de segundas intenções, ainda que nunca tenham plantado uma árvore e que guardem em suas garagens reluzentes automóveis que lançam – oh, Gaia! – monóxido de carbono no ar que respiramos…

Esse grupo está mais preocupado em performances teatrais do que propriamente em questões formais, já que a frieza dos processos judiciais não cria clamor e não gera dividendos eleitorais. Muitas vezes os ecoespertos agem mesmo sabendo que inexistem irregularidades. No presente caso, a questão ainda será avaliada, mas ainda que a obra seja autorizada, cumprindo todo o trâmite legal e com as devidas compensações para o meio ambiente, eles sairão alardeando que a Justiça é venal e que o sistema é injusto.

Soma zero

De tudo isso, o resultado é que um problema grave de mobilidade urbana segue sem solução.

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A moda plebiscitária chegou ao Ceará

Por Wanfil em Ceará, Fortaleza, Legislação

03 de julho de 2013

A multidão diz aos políticos que não se sente representada por eles, nem por seus partidos e entidades pelegas. Os políticos, profissionais na arte da dissimulação e da sobrevivência, fingem que o negócio não é com eles e se mostram solidários às reivindicações das massas, como se não fossem eles mesmos o alvo dos protestos.

A presidente Dilma acenou de forma atrapalhada com um plebiscito para uma reforma política. No Ceará, a moda das proposições plebiscitárias já pegou e o governador Cid Gomes já fala em plebiscito a respeito da construção de um aquário em Fortaleza.

O vereador João Alfredo aproveitou a onda (o PSOL procura desesperadamente colar suas pautas nas mobilizações apartidárias) e pediu urgência na tramitação de uma proposta nesse sentido. Seu colega Capitão Wagner (PR) pegou carona e sugere um plebiscito para a Ponte Estaiada, no Cocó.

O momento de comoção, a pressão das ruas, a procura em oferecer respostas, tudo somado, descamba para um voluntarismo incensado pelo improviso. Essas discussões lembram a famosa máxima de Mencken: “For every complex problem there is an answer that is clear, simple, and wrong.” Leia mais

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O preço do Bilhete Único em Fortaleza: um Legislativo amarrado

Por Wanfil em Entre poderes, Fortaleza

29 de Maio de 2013

Recentemente o ministro do STF Joaquim Barbosa causou polêmica ao dizer que o Congresso Nacional é dominado pelo Executivo e que os partidos políticos são de ‘mentirinha’. Parlamentares e líderes partidários ensaiaram alguma indignação, com o devido cuidado de não exagerarem para não prolongar o assunto.

Evitar o debate aberto não significa, entretanto, que o problema tenha sido resolvido ou deixado de existir. Pelo contrário, o fortalece a ponto de virar uma prática generalizada. É o que vemos, por exemplo, no caso do projeto que prevê a criação do bilhete único no transporte público de Fortaleza, promessa de campanha do prefeito Roberto Cláudio.

O ovo e a galinha

É importante e salutar que gestores atuem para honrar os compromissos assumidos com o eleitorado. Ninguém questiona o mérito da proposta do bilhete único. Mas existe nesse caso uma questão correlata que preocupa e que remete à fala de Joaquim Barbosa. É que a Prefeitura realizou o cadastramento e deu início a uma campanha publicitária sobre o projeto antes mesmo dele ser encaminhado à Câmara Municipal, o que só foi feito nessa semana. Mais ainda: a implantação do bilhete já está programada para  o próximo dia 15 de junho. Sem tempo para debater a matéria, os vereadores se viram obrigados a votá-la em sessão extraordinária nesta quarta-feira (29). Ninguém duvida que o projeto será aprovado.

É o que a sabedoria popular chama de “contar com o ovo antes que a galinha o ponha”, numa adaptação mais comportada do ditado. Essa forma de tramitação apenas comprova o que disse o ministro: o Legislativo é dominado pelo Executivo. Os parlamentos, por sujeição, se transformam em meros cartórios aptos a chancelar a vontade dos governos. E como os partidos são mesmo de ‘mentirinha’, o que vale aí é o poder de persuasão da máquina pública agindo sobre os parlamentares individualmente. Leia mais

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Gestão Roberto Cláudio completa 100 dias: eu cobro assim como sou cobrado

Por Wanfil em Fortaleza

04 de Abril de 2013

Comigo é assim: cobro na mesma medida em que sou cobrado. A mim não é dado o direito de ignorar ou atrasar prazos. Portanto...

Comigo é assim: cobro na mesma medida em que sou cobrado. A mim não é dado o direito de ignorar ou atrasar prazos. Portanto…

Dias atrás, no post Governar é diferente de fazer campanha, registrei a perceptível mudança na estratégia de comunicação da Prefeitura de Fortaleza: “o ímpeto midiático dos primeiros dias da nova gestão arrefeceu”.

Na ocasião, ainda fiz um alerta: “O risco é justamente gerar mais expectativas, quando o momento é de baixá-las, mostrando que as promessas demandam tempo para serem cumpridas”.

Água na fervura

Parece que não sou o único a pensar assim. Tanto é que agora no começo de abril, em entrevista gravada ao programa Ideia Jangadeiro, o prefeito Roberto Cláudio aproveitou a marca de 100 dias (a ser completada no próximo dia 10) à frente do Paço Municipal, para falar sobre a gestão e botar água na fervura.

Como eu disse em minha coluna diária na Tribuna BandNews, é o trabalho de trazer o debate político, contaminado pela emoção da disputa eleitoral, para a realidade da administração. Se durante a campanha a ordem é gerar expectativas; depois da posse, o negócio é amoldá-las aos limites do orçamento.

Estrategicamente, para evitar qualquer impressão de paralisia operacional, a prefeitura elegeu a saúde, área de grande apelo e castigada nos últimos anos, como prioridade. Para outras demandas, Roberto Cláudio pontuou  que tudo a seu tempo e  que o prazo para atendê-las é de quatro anos.

Pai Nosso

Ainda é cedo para avaliações mais profundas sobre o estilo administrativo do novo prefeito, que merece, até o momento, um voto de confiança. Mas, em todo caso, sempre faço valer a lei de reciprocidade que aprendi com a bela oração Pai Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

Nesse caso, ressalto a função sintática e moral da conjunção subordinativa comparativa assim como. O ideal de justiça da prece reside no fato de que o pedido de perdão é legitimado pela capacidade de perdoar. Há, portanto, uma condição que legitima a concessão do perdão. Da mesma forma, por analogia, só deve receber o benefício da elasticidade dos prazos quem os estica aos outros.

O governo tem quatro anos para fazer o que foi prometeu? Tecnicamente, sim. Seria até justo, se o contribuinte tivesse, por exemplo, quatros anos para pagar o IPTU, mediante a seguinte argumentação: olha, viajei e ao voltar para casa vi que a situação estava pior do que eu supunha, com as contas em desordem, falta de remédios e de material escolar, de forma que pagarei os impostos somente no ano que vem. Pois é, tem coisas que não dá para negociar.

Eu cobro com a mesma medida com que sou cobrado. Simples assim. Não sendo possível a realização de tudo agora, o mínimo que o governo tem a fazer é apresentar prazos para cada promessinha feita na campanha eleitoral. Se não for assim, as chances de estelionato eleitoral sempre aumentam. Tenhamos fé.

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Gestão Roberto Cláudio em Fortaleza: governar é diferente de fazer campanha

Por Wanfil em Fortaleza

23 de Março de 2013

Hora de guardar o megafone - O marketing eleitoral não deve contaminar a comunicação governamental: a realidade agora é outra

Hora de guardar o megafone – O marketing eleitoral não deve contaminar a comunicação governamental: a realidade agora é outra.

Faltando praticamente uma semana para o prefeito Roberto Cláudio (PSB) completar três meses de governo em Fortaleza, já possível dizer que o ímpeto midiático dos primeiros dias da nova gestão arrefeceu.

Contraste de estilos

Ao ser empossad0, o novo prefeito fez uma série de visitas a postos de saúde, com ampla cobertura da imprensa, para ver a situação dos pacientes que buscam atendimento no serviço municipal.

A postura contrastava com o estilo da ex-prefeita Luizianne Lins, que nos últimos anos se caracterizou pelo isolamento dos gabinetes, talvez por causa da baixa popularidade. Enfim, a construção da imagem de gestor ativo que vai ao encontro das pessoas e não tem medo de encarar problemas parecia a todo vapor.

Ainda na área da saúde, o começo da gestão deu sinais de caminhar para um corajoso acerto de contas: a secretária Socorro martins acusou o desvio de aproximadamente 30 milhões de reais no repasse de recursos do Ministério da Saúde na gestão anterior. Esse seria outro ponto da imagem a ser destacado: a honestidade do líder refletida numa gestão transparente e sem rabo preso.

No entanto, passados mais alguns dias, esse furor midiático e voluntarista do início foi cedendo espaço para a cautela. O prefeito não visita mais postos com seu séquito de vereadores ávidos por fotografias. A secretária não tocou mais no assunto do suposto desvio, como se nada houvesse acontecido.

Nem tudo é imagem

Gestores públicos de primeira viagem, via de regra, assumem mandatos no Poder Executivo preocupados em criar uma marca administrativa que os singularize, especialmente nos casos em que paira no ar a sombra de um padrinho político. MAis do que uma marca, é preciso provar que o gestor tem uma identidade própria.

O perigo é deixar o clima do marketing eleitoral, onde a regra é prometer fervorosamente novos amanhãs, contaminar a rotina administrativa. Se a disputa nas urnas tiver sido dura, como foi em Fortaleza, há o risco de incorrer em contradição na mensagem que se quer passar ao público, como a manutenção de um discurso de ruptura facilmente desmentido pela cooptação da base parlamentar que serviu a gestão anterior.

O risco de cair nessas armadilhas é justamente o de gerar mais expectativas, quando o momento é o de baixá-las, mostrando que as promessas demandam tempo para serem cumpridas. Estrategicamente, eventuais dados podem ser divulgados, sem alarde justiceiro, como prova de que o desafio exigirá grandes sacrifícios e tal, mas nada que comprometa alianças ou que exija ações imediatas de reparação.

Choque de realidade

Tudo ainda é muito novo em relação ao governo Roberto Cláudio. A mudança de postura verificada não significa necessariamente um recuo, mas pode ser um ajuste. O choque de realidade, onde as contas não fecham, o caixa é insuficiente, os custos são elevados e os problemas se multiplicam em velocidade alucinante, parece ter sido o suficiente para conter qualquer propensão ao discurso fácil.

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O sobe e desce no preço da passagem de ônibus em Fortaleza: e o custo da demagogia

Por Wanfil em Fortaleza

20 de Fevereiro de 2013

Não é o valor nomimal da passagem de ônibus em Fortaleza que está em jogo, mas seu valor como peça de propaganda política.

Nunca antes na história do Ceará, o aumento de 20 centavos no preço de um serviço público gerou tamanha confusão. O valor das passagens de ônibus em Fortaleza oscila entre R$ 2,00 e R$ 2,20, ao sabor de seguidas decisões judiciais. As leis de mercado e o bom senso foram substituídos pela burocracia dos trâmites jurídicos e pelo oportunismo da demagogia política.

Valor simbólico

Na capital cearense, o serviço adquiriu valor simbólico como peça de propaganda para a administração da ex-prefeita Luizianne Lins. Carente de realizações e com baixa aprovação popular, a gestão fez da tarifa uma bandeira: seria a menor do Brasil. A mensagem, de inspiração populista, era clara. Os preços deveriam ser regulados conforme a vontade política da prefeita. Não era uma convicção, mas uma conveniência, como hoje se constata.

Foi também explorada a versão de que a redução artificial do preço das passagens era produto da harmoniosa parceria entre entre Luizianne e Cid Gomes, via desconto no ICMS cobrado para as empresas de ônibus, que à época, aceitaram a manipulação política sem reclamar. Todos ganhavam.

Do ponto de vista eleitoral, o truque deu certo e a prefeita foi reeleita, mantendo o apoio para a reeleição do governador. Quites na seara das campanhas, os dois brigaram e o resto todos sabem. A pressão dos custos bateu à porta das empresas que agora se valem da Justiça.

O populismo fiscal como herança

Sem conseguir fazer o sucessor, Luizianne Lins, por ressentimento com o eleitor ou por algum pragmatismo enigmático e oportuno (ou pelos dois motivos), não recorreu de uma ação do sindicato das empresas de ônibus, que pedia o reajuste das passagens. O aumento, no entanto, entraria em vigor quase no início do governo do novo prefeito Roberto Cláudio. Este, por algum estranho motivo (desgastar ainda mais a ex-prefeita, evitar um possível ônus político, quem sabe…), optou por fazer da questão um cavalo de batalha. Leia mais

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Vereador apresenta projeto revolucionário para a educação em Fortaleza: é a Sexta do Futebol!

Por Wanfil em Fortaleza

07 de Fevereiro de 2013

Vereador Evaldo Lima, do PCdoB, ex-secretário de Luizianne e agora líder de Roberto Cláudio na Cãmara, é o autor do PL 23/123.

Vereador Evaldo Lima, do PCdoB, ex-secretário de Luizianne e agora líder de Roberto Cláudio na Câmara, é o autor do PL 23/123. Foto: Genilson de Lima/CMFOR

Como todos sabem, a rede municipal de ensino de Fortaleza ficou na penúltima posição no ranking da educação no estado, divulgado em 2012. Das 184 cidades avaliadas, só ganhou de Parambu. Portanto, é de se esperar que os vereadores empossados em janeiro de 2013 dediquem especial atenção ao problema.

Por isso mesmo o Projeto de Lei 23/2013 – de autoria do vereador Evaldo Lima, do PC do B, sigla que tem como modelo de educação a Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung na China – causa estranheza. De acordo com o parlamentar, ex-secretário de Esportes na gestão de Luizianne Lins (PT) e agora líder do prefeito Roberto Cláudio (PSB) na Câmara (é a dialética, diriam os marxistas…), além de ajudar no cumprimento das promessas da atual gestão, faz-se mister criar a Sexta do Futebol nas escolas da capital.

O que é isso?

Segundo o vereador Evaldo Lima, que já foi professor de História, o projeto “dispõe sobre o uso facultativo de camisas de seleções que participarão da Copa do Mundo de Futebol de 2014, para o funcionalismo público e estudantes de escolas públicas municipais de Fortaleza às sextas-feiras”.

Qual a importância da iniciativa?

Ainda de acordo com o parlamentar, apesar de outras demandas, é preciso “contemplar e estimular também o lado lúdico que as grandes comemorações mundiais permitem”.

Conclusão

Não devemos julgar o trabalho do vereador estreante com base apenas em projeto de lei ordinária, é claro. Isso seria injusto, face a experiência de Evaldo Lima como educador, gestor público e político governista. Seria ainda duvidar da disposição revolucionária de um comunista.

No entanto, pela urgência da situação de desastre que vive a educação em Fortaleza, o melhor que se tem a fazer pelos alunos é ensiná-los a escrever e a fazer operações matemáticas básicas. Tudo o mais é secundário. Todos os esforços, tempo e autoridade disponíveis de nossos representantes devem convergir para melhorar a qualidade de ensino. Afinal, a Copa do Mundo passa, mas as escolas continuam.

Leia a proposta na íntegra (clique na imagem para ampliar)

PL

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Será que só as boates estão irregulares em Fortaleza? E o resto?

Por Wanfil em Fortaleza

05 de Fevereiro de 2013

A sucessão de omissões e descasos que culminaram na tragédia da boate Kiss, no Rio Grande do Sul, chamou a atenção de todos para a completa inutilidade do aparato burocrático brasileiro, cheio de normas, leis e órgãos que existem no papel, mas que não funcionam na prática. Ou melhor, que funcionam apenas em alguns casos, como na cobrança do IPTU. Diante da indignação do público, que além de correr riscos ainda arca com os elevados custos da ineficiente estrutura de fiscalização, boates, restaurantes e casas de show começaram a ser fiscalizados de forma correta, pelo menos por enquanto, em diversas capitais do país.

Em Fortaleza, a prefeitura divulgou balanço parcial informando ter notificado 121 estabelecimentos. A iniciativa de cumprir a obrigação que sempre lhe coube ganhou o nome de operação “Fortaleza: Ambiente Seguro, Diversão Garantida”. Tudo bem, a medida é boa e merece reconhecimento, mas não é a resolução final para a falta de segurança e de respeito que os cidadãos experimentam diariamente nas mais diversas atividades. As, se o problema fosse somente as boates.

Quem fiscaliza os fiscais?

O prefeito Roberto Cláudio, é verdade, assumiu a gora, mas a instituição que ele comanda é a responsável por essa permissividade em relação às irregularidades, que acontecem desde muito antes. É um ônus do cargo. Se um condomínio tem dívidas, a posse de um novo síndico não o exime de pagar seus credores. Portanto, quem foram os fiscais que não atentaram para o cumprimento do próprio dever?

Segundo a prefeitura, boa parte das irregularidades encontradas diz respeito à falta licenças ambientais. O que o ex-secretário do Meio Ambiente, Deodato Ramalho, agora vereador, tem a dizer? O que faziam o dia inteiro os que tinham como tarefa fiscalizar esses locais?

O Corpo de Bombeiros interditou outros 11 estabelecimentos em Fortaleza. Por que funcionavam antes do incêndio em Santa Maria?

Desconfiança

Por fim, o mais óbvio e angustiante. Estamos preocupados e de olho em apenas um ou dois tipos de serviços oferecidos à população, todos pela iniciativa privada. E os demais? E os próprios serviços públicos? Tudo é realmente fiscalizado? Creches e escolas são seguras? Os hospitais atendem às normas de higiene? E os abatedouros no interior? Das prisões, nem é preciso perguntar. E o que dizer do transporte escolar no Ceará?

A desconfiança sobre a qualidade da fiscalização sobre qualquer serviço agora é mais do que pertinente. O caso da boate Kiss possibilitou uma pequena amostragem da incompetência administrativa que é regra no Brasil. Suborno, extorsão, propina, preguiça, inépcia, falta de investimento, muita promessa e conversa fiada, loteamento de cargos, corrupção generalizada, são algumas das práticas que não se limitam às casas de shows.

Que o prefeito Roberto Cláudio aproveite o momento para fazer uma auditoria geral, inclusive no que diz respeito à própria Prefeitura de Fortaleza. O mesmo vale para o governador Cid Gomes.

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Nova gestão acusa desvio de recursos na Saúde em Fortaleza – Follow the money secretária!

Por Wanfil em Fortaleza

04 de Janeiro de 2013

A nova secretária de Saúde de Fortaleza, Socorro Martins, acusou o “desvio” de aproximadamente R$ 27 milhões entre recursos destinados a pagamentos relativos ao exercício de 2012 e despesas previstas para janeiro de 2013.

Mais do que uma mera provocação ou estocada na gestão anterior, recurso característico dessa transição entre ex-aliados, a situação agora é diferente e ganha contornos de caso de polícia. A situação fica ainda mais estranha quando lembramos que a ex-secretária Ana Maria Fontenele pediu exoneração antes o fim da gestão de Luizianne Lins, numa polêmica sobre o uso de recursos do Ministério da Saúde.

Socorro Martins sinaliza disposição para agir com transparência, tomando ainda as devidas precauções jurídicas. A nova titular da Saúde não fala em roubo, mas em desvio. Às vezes esses sumiços de grana pública podem ser apenas incompetência ou atecnias, como gostam de dizer os burocratas, embora seja preciso uma boa dose de ingenuidade para acreditar nisso. De qualquer forma, o que secretária ela pode dizer agora, certamente com base em documentos, é que as verbas não chegaram ao destino previsto. A pergunta é: onde foram parar os recursos?

Sobre os R$ 27 milhões, Socorro Martins informou ao Jangadeiro Online: “Estamos investigando. Não podemos dizer com clareza quem foi o responsável pela autorização [do desvio], mas que houve uma determinação superior, houve”.

Os americanos usam uma expressão (famosa pelo caso Watergate) quando querem descobrir os beneficiários de um “desvio”: follow the money! (Siga o dinheiro!). Se os recursos estavam à disposição da secretaria, é possível rastrear as contas que foram abastecidas com eles. E como todo o rigor com dinheiro alheio (o nosso) nunca é demais, é bom levar o caso para as autoridades policiais e ao Ministério Público.

Quanto mais transparência, melhor.

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O estranho caso do aumento das passagens de ônibus em Fortaleza

Por Wanfil em Fortaleza

02 de Janeiro de 2013

Uma coisa é certa: no conflito de interesses entre a gestão que sai e a que entra, ninguém é ingênuo.

A grande surpresa na mudança de comando na Prefeitura de Fortaleza foi o aumento para R$ 2,20 no valor das passagens de ônibus, a partir do próximo dia 11 de janeiro. A decisão foi tomada pela ex-prefeita Luizianne Lins ainda no dia 21 de dezembro e publicada no Diário Oficial do Município três dias depois.

O caso é estranho por vários aspectos. Primeiro foi o fato de ser surpresa. O prefeito eleito Roberto Cláudio classificou a medida de “pegadinha”. Como assim? Onde estavam o novo prefeito e sua equipe de transição que não leram o Diário Oficial? Provavelmente, por ser véspera de Natal… Mas a comparação é justa. Uma pegadinha só funciona se houver uma vítima desatenta ou imprevidente. O acompanhamento de medidas no final de um mandato é obrigação básica para uma nova gestão, especialmente se a disputa eleitoral foi desgastante. Se não viram, falharam feio; se souberam e não falaram, é estranho.

É estranho também que a própria ex-prefeita tenha assumido uma medida que acarreta ônus para a sua imagem. Todo aumento no preço de serviços e de impostos sempre desagrada a população. Então por que ela pouparia o novo prefeito de ter que anunciar novos reajustes? Ou então de ter que manter preços baixos comprometendo receita fiscal? Estaria Luizianne Lins chateada com os eleitores? Difícil. Políticos de sucesso são profissionais e costumam a pesar as vantagens e as desvantagens de uma decisão. Se Luizianne aumentou a passagem no apagar das luzes de seu mandato, é legítimo acreditar que tenha visto nisso um benefício. Estranho.

O certo mesmo é que nesse jogo de interesses em conflito entre a gestão que sai e a que entra, não há espaço para ingenuidades. Estranho seria se não fosse assim.

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O estranho caso do aumento das passagens de ônibus em Fortaleza

Por Wanfil em Fortaleza

02 de Janeiro de 2013

Uma coisa é certa: no conflito de interesses entre a gestão que sai e a que entra, ninguém é ingênuo.

A grande surpresa na mudança de comando na Prefeitura de Fortaleza foi o aumento para R$ 2,20 no valor das passagens de ônibus, a partir do próximo dia 11 de janeiro. A decisão foi tomada pela ex-prefeita Luizianne Lins ainda no dia 21 de dezembro e publicada no Diário Oficial do Município três dias depois.

O caso é estranho por vários aspectos. Primeiro foi o fato de ser surpresa. O prefeito eleito Roberto Cláudio classificou a medida de “pegadinha”. Como assim? Onde estavam o novo prefeito e sua equipe de transição que não leram o Diário Oficial? Provavelmente, por ser véspera de Natal… Mas a comparação é justa. Uma pegadinha só funciona se houver uma vítima desatenta ou imprevidente. O acompanhamento de medidas no final de um mandato é obrigação básica para uma nova gestão, especialmente se a disputa eleitoral foi desgastante. Se não viram, falharam feio; se souberam e não falaram, é estranho.

É estranho também que a própria ex-prefeita tenha assumido uma medida que acarreta ônus para a sua imagem. Todo aumento no preço de serviços e de impostos sempre desagrada a população. Então por que ela pouparia o novo prefeito de ter que anunciar novos reajustes? Ou então de ter que manter preços baixos comprometendo receita fiscal? Estaria Luizianne Lins chateada com os eleitores? Difícil. Políticos de sucesso são profissionais e costumam a pesar as vantagens e as desvantagens de uma decisão. Se Luizianne aumentou a passagem no apagar das luzes de seu mandato, é legítimo acreditar que tenha visto nisso um benefício. Estranho.

O certo mesmo é que nesse jogo de interesses em conflito entre a gestão que sai e a que entra, não há espaço para ingenuidades. Estranho seria se não fosse assim.