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O golpe de 31 de março de 64: para fugir da guerra de versões - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

O golpe de 31 de março de 64: para fugir da guerra de versões

Por Wanfil em História

31 de Março de 2014

Um breve comentário sobre os 50 anos do Golpe de 64, completados neste 31 de março de 2014.

Boa parte das reportagens que vi nos grandes veículos limitaram-se a reproduzir lugares comuns e mistificações. Na disputa pelo espólio da História, militares e simpatizantes alegam que salvaram o país de uma possível ditadura comunista. Por outro lado, revolucionários de esquerda, uma vez impedidos de instalar no Brasil um regime comunista, afirmam que lutavam pela democracia. Em comum, ambos se valem da mesma contradição: em nome da liberdade, defendiam regimes de força que eram, em si mesmos, a negação da liberdade.

Nessa disputa, a mistificação de esquerda levou a melhor. Especialmente a versão pela qual  seus movimentos armados surgiram como resposta ao golpe. Falso! Esses grupos, financiados por Cuba e URSS (v. Camaradas, de William Waack), já atuavam, embora fossem pequenos.

Outra mistificação (menos influente) é a conversa de que a ditadura não foi assim tão violenta. Falso. O fato de haver mais cadáveres nos regimes de países vizinhos, como Chile e Argentina, que tinham populações menores, não reduz em nada a responsabilidade moral de regimes que se valeram do assassinato e a tortura.

No mesmo sentido, não é verdade que esquerdistas só figuraram como vítimas dos crimes que agora denunciam. Seus grupos radicais também se valeram do assassinato e da tortura. Daí a importância da Lei da Anistia. Muitos dos que hoje se mostram indignados contra a prática da tortura, só o fazem em relação aos militares brasileiros, sem ver problema algum no uso de tal prática em outras ditaduras, como a cubana, por exemplo.

Dicas de leitura

Para encerrar, a melhor opção para quem deseja entender melhor esse período é a leitura de livros mais recentes, que abordam o tema com mais detalhes. Particularmente, gosto desses:

1 – O Golpe de 1964: momentos decisivos, do historiador Carlos Fico. É um aprofundamento da tese do “golpe dentro do golpe”. Fico defende a tese de que o movimento de 64 foi “civil-militar”, virando ditadura exclusivamente militar a partir de 68.

2 – Ditadura à Brasileira, do historiador e sociólogo Marco Antonio Villa. Mostra os acontecimentos de 64 dentro de uma tradição antidemocrática característica da América do Sul, que permeava tanto o pensamento conservador como o progressista.

3 – A Ditadura Envergonhada, A Ditadura Escancarada, A Ditadura Derrotada e A Ditadura Encurralada, do jornalista Elio Gaspari. Li apenas trechos do primeiro, mas os quatro livros da série reúnem provavelmente o maior conjunto de fontes sobre o período.

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O golpe de 31 de março de 64: para fugir da guerra de versões

Por Wanfil em História

31 de Março de 2014

Um breve comentário sobre os 50 anos do Golpe de 64, completados neste 31 de março de 2014.

Boa parte das reportagens que vi nos grandes veículos limitaram-se a reproduzir lugares comuns e mistificações. Na disputa pelo espólio da História, militares e simpatizantes alegam que salvaram o país de uma possível ditadura comunista. Por outro lado, revolucionários de esquerda, uma vez impedidos de instalar no Brasil um regime comunista, afirmam que lutavam pela democracia. Em comum, ambos se valem da mesma contradição: em nome da liberdade, defendiam regimes de força que eram, em si mesmos, a negação da liberdade.

Nessa disputa, a mistificação de esquerda levou a melhor. Especialmente a versão pela qual  seus movimentos armados surgiram como resposta ao golpe. Falso! Esses grupos, financiados por Cuba e URSS (v. Camaradas, de William Waack), já atuavam, embora fossem pequenos.

Outra mistificação (menos influente) é a conversa de que a ditadura não foi assim tão violenta. Falso. O fato de haver mais cadáveres nos regimes de países vizinhos, como Chile e Argentina, que tinham populações menores, não reduz em nada a responsabilidade moral de regimes que se valeram do assassinato e a tortura.

No mesmo sentido, não é verdade que esquerdistas só figuraram como vítimas dos crimes que agora denunciam. Seus grupos radicais também se valeram do assassinato e da tortura. Daí a importância da Lei da Anistia. Muitos dos que hoje se mostram indignados contra a prática da tortura, só o fazem em relação aos militares brasileiros, sem ver problema algum no uso de tal prática em outras ditaduras, como a cubana, por exemplo.

Dicas de leitura

Para encerrar, a melhor opção para quem deseja entender melhor esse período é a leitura de livros mais recentes, que abordam o tema com mais detalhes. Particularmente, gosto desses:

1 – O Golpe de 1964: momentos decisivos, do historiador Carlos Fico. É um aprofundamento da tese do “golpe dentro do golpe”. Fico defende a tese de que o movimento de 64 foi “civil-militar”, virando ditadura exclusivamente militar a partir de 68.

2 – Ditadura à Brasileira, do historiador e sociólogo Marco Antonio Villa. Mostra os acontecimentos de 64 dentro de uma tradição antidemocrática característica da América do Sul, que permeava tanto o pensamento conservador como o progressista.

3 – A Ditadura Envergonhada, A Ditadura Escancarada, A Ditadura Derrotada e A Ditadura Encurralada, do jornalista Elio Gaspari. Li apenas trechos do primeiro, mas os quatro livros da série reúnem provavelmente o maior conjunto de fontes sobre o período.