O verdadeiro jornalismo 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

O verdadeiro jornalismo

Por Wanfil em Imprensa

15 de outubro de 2019

Até homens de pouca fé conhecem a famosa sentença bíblica:”A verdade vos libertará“. Nesse caso, é a verdade anunciada por ninguém menos que Deus. Acontece que na ausência do Criador, definir o que é verdade é tarefa complexa. Vejamos abaixo um exemplo.

Em entrevista à Folha de São Paulo, Ciro Gomes disse que Glenn Greenwald, do site Intercept, “pratica o verdadeiro jornalismo“. Tratava, por questão de ofício, das coisas terrenas e humanas. Há quem discorde, evidentemente. O problema é que o entendimento pelo que venha a ser verdadeiro muda conforme o freguês.

O presidente Jair Bolsonaro considera que a maioria dos veículos de comunicação faz campanha de desinformação contra o seu governo. “Fake news!”, gritam os seus aliados. Pode ser, mas no fundo, é outra forma de ajuizar que existe UMA verdade a ser protegida. Verdade definida por quem? Pois é.

Políticos tendem a considerar bom jornalismo somente aquele que parece útil aos seus interesses. Do mesmo modo, acusam de mau jornalismo qualquer conteúdo que venha a constranger esses interesses. Claro que ninguém está imune a críticas, nem a imprensa. Como toda atividade humana, jornais e jornalistas também estão sujeitos a tentações. Por isso mesmo sempre caberá aos leitores avaliar cada situação. Se apanhar o noticiário na sua pluralidade, tanto melhor para construir sínteses mais consistentes.

Por coincidência, também por esses dias, o escritor Mario Vargas Llosa afirmou ao El País: “Não é fácil se orientar entre verdades e mentiras. Mas a democracia, que permite a diversidade jornalística, está mais bem defendida contra as fake news que uma ditadura, onde só há uma voz, que é a voz do governante”. Vale para Bolsonaro assim como vale para Lula, que no poder chegou a pensar em criar conselhos ditos “populares” para controlar a imprensa.

Existem os fatos, é claro, mas estes estão sujeitos a abordagens e interpretações diferentes, a linhas editoriais dos veículos, à formação dos profissionais e a seus preceitos ideológicos, às circunstâncias e disputas que orientam enfoques distintos para as narrativas e descrições apresentadas ao público. Vargas Llosa está certo. A pluralidade e a competição na imprensa ainda são a melhor vacina contra erros acidentais ou a desvios éticos. Mas essa não é uma verdade absoluta. É só uma opinião.

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O verdadeiro jornalismo

Por Wanfil em Imprensa

15 de outubro de 2019

Até homens de pouca fé conhecem a famosa sentença bíblica:”A verdade vos libertará“. Nesse caso, é a verdade anunciada por ninguém menos que Deus. Acontece que na ausência do Criador, definir o que é verdade é tarefa complexa. Vejamos abaixo um exemplo.

Em entrevista à Folha de São Paulo, Ciro Gomes disse que Glenn Greenwald, do site Intercept, “pratica o verdadeiro jornalismo“. Tratava, por questão de ofício, das coisas terrenas e humanas. Há quem discorde, evidentemente. O problema é que o entendimento pelo que venha a ser verdadeiro muda conforme o freguês.

O presidente Jair Bolsonaro considera que a maioria dos veículos de comunicação faz campanha de desinformação contra o seu governo. “Fake news!”, gritam os seus aliados. Pode ser, mas no fundo, é outra forma de ajuizar que existe UMA verdade a ser protegida. Verdade definida por quem? Pois é.

Políticos tendem a considerar bom jornalismo somente aquele que parece útil aos seus interesses. Do mesmo modo, acusam de mau jornalismo qualquer conteúdo que venha a constranger esses interesses. Claro que ninguém está imune a críticas, nem a imprensa. Como toda atividade humana, jornais e jornalistas também estão sujeitos a tentações. Por isso mesmo sempre caberá aos leitores avaliar cada situação. Se apanhar o noticiário na sua pluralidade, tanto melhor para construir sínteses mais consistentes.

Por coincidência, também por esses dias, o escritor Mario Vargas Llosa afirmou ao El País: “Não é fácil se orientar entre verdades e mentiras. Mas a democracia, que permite a diversidade jornalística, está mais bem defendida contra as fake news que uma ditadura, onde só há uma voz, que é a voz do governante”. Vale para Bolsonaro assim como vale para Lula, que no poder chegou a pensar em criar conselhos ditos “populares” para controlar a imprensa.

Existem os fatos, é claro, mas estes estão sujeitos a abordagens e interpretações diferentes, a linhas editoriais dos veículos, à formação dos profissionais e a seus preceitos ideológicos, às circunstâncias e disputas que orientam enfoques distintos para as narrativas e descrições apresentadas ao público. Vargas Llosa está certo. A pluralidade e a competição na imprensa ainda são a melhor vacina contra erros acidentais ou a desvios éticos. Mas essa não é uma verdade absoluta. É só uma opinião.