A história real de um homem perseguido por nazistas e comunistas 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

A história real de um homem perseguido por nazistas e comunistas

Por Wanfil em Livros

31 de Janeiro de 2020

Witold Pilecki em 3 momentos: livre; preso pelo nazismo; preso pelo comunismo.

A merecida demissão do ex-secretário nacional da Cultura, Roberto Alvim, que recitou Joseph Goebbels ao som de Wagner numa live, reacendeu uma discussão antiga: as semelhanças e diferenças entre nazismo e comunismo. Nas redes sociais, radicais de esquerda e de direita, ou mais precisamente, grupos de ativistas digitais governistas e oposicionistas, aproveitaram o caso para acusarem uns aos outros de autoritários e de defensores de genocidas.

Na esteira da histeria dos militantes de internet, as comemorações pelos 75 anos da libertação de Auschwitz, no último dia 27, o mais famoso e sombrio campo de concentração nazista, no sul da Polônia, pelo Exército Vermelho, foi usado por grupos políticos como prova de que nazismo e comunismo são regimes não apenas diferentes, mas contrários.

O debate sério sobre esses episódios é preciosa e necessária oportunidade de reflexão, mas as discussões em redes sociais aborrecem porque o objetivo é fazer propaganda ideológica. Por isso foi muito interessante ler uma reportagem publicada jornal O Estado de São Paulo, sobre um livro que relata uma instigante história – O voluntário: um homem, um exército subterrâneo e a missão secreta para destruir Auschwit, de Jack Fairweather (foto ao lado). O homem do título é Witold Pilecki, quem em 1940 preso de propósito em Auschwitz para espionar o campo e dar informações aos aliados, e de onde fugiu traumatizado em 1943.

A Polônia foi invadida pelos Alemães em 1939. Witold foi para a resistência. Após a derrota dos alemães, em 1945, a mesma Polônia passou os 40 anos seguintes sob o jugo da ditadura soviética. Witold Pilecki seguiu na resistência, até ser preso e torturado pelos comunistas em 1947, e no ano seguinte ser executado como inimigo do Estado.

Os relatórios de Pilecki sobre os crimes em Auschwitz ficaram escondidos nos arquivos poloneses até os anos 90, quando foram descobertos. Seus dois filhos souberam então que o pai não havia sido um traidor da pátria, mas um herói da humanidade que lutou contra o nazismo e contra o comunismo.

A experiência da Polônia demonstra que o nazismo e o comunismo, divergências conceituais e estratégicas à parte, uma vez doutrinas totalitárias, convergem no método: eliminar o dissenso, criminalizar a pluralidade de pensamento, destruir quem não aderir aos seus princípios doentios. A intolerância sempre será o legado de qualquer extremismo.

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A história real de um homem perseguido por nazistas e comunistas

Por Wanfil em Livros

31 de Janeiro de 2020

Witold Pilecki em 3 momentos: livre; preso pelo nazismo; preso pelo comunismo.

A merecida demissão do ex-secretário nacional da Cultura, Roberto Alvim, que recitou Joseph Goebbels ao som de Wagner numa live, reacendeu uma discussão antiga: as semelhanças e diferenças entre nazismo e comunismo. Nas redes sociais, radicais de esquerda e de direita, ou mais precisamente, grupos de ativistas digitais governistas e oposicionistas, aproveitaram o caso para acusarem uns aos outros de autoritários e de defensores de genocidas.

Na esteira da histeria dos militantes de internet, as comemorações pelos 75 anos da libertação de Auschwitz, no último dia 27, o mais famoso e sombrio campo de concentração nazista, no sul da Polônia, pelo Exército Vermelho, foi usado por grupos políticos como prova de que nazismo e comunismo são regimes não apenas diferentes, mas contrários.

O debate sério sobre esses episódios é preciosa e necessária oportunidade de reflexão, mas as discussões em redes sociais aborrecem porque o objetivo é fazer propaganda ideológica. Por isso foi muito interessante ler uma reportagem publicada jornal O Estado de São Paulo, sobre um livro que relata uma instigante história – O voluntário: um homem, um exército subterrâneo e a missão secreta para destruir Auschwit, de Jack Fairweather (foto ao lado). O homem do título é Witold Pilecki, quem em 1940 preso de propósito em Auschwitz para espionar o campo e dar informações aos aliados, e de onde fugiu traumatizado em 1943.

A Polônia foi invadida pelos Alemães em 1939. Witold foi para a resistência. Após a derrota dos alemães, em 1945, a mesma Polônia passou os 40 anos seguintes sob o jugo da ditadura soviética. Witold Pilecki seguiu na resistência, até ser preso e torturado pelos comunistas em 1947, e no ano seguinte ser executado como inimigo do Estado.

Os relatórios de Pilecki sobre os crimes em Auschwitz ficaram escondidos nos arquivos poloneses até os anos 90, quando foram descobertos. Seus dois filhos souberam então que o pai não havia sido um traidor da pátria, mas um herói da humanidade que lutou contra o nazismo e contra o comunismo.

A experiência da Polônia demonstra que o nazismo e o comunismo, divergências conceituais e estratégicas à parte, uma vez doutrinas totalitárias, convergem no método: eliminar o dissenso, criminalizar a pluralidade de pensamento, destruir quem não aderir aos seus princípios doentios. A intolerância sempre será o legado de qualquer extremismo.