Bate-boca entre autoridades e baderna nas ruas: é a decadência - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Bate-boca entre autoridades e baderna nas ruas: é a decadência

Por Wanfil em Política

16 de agosto de 2013

Existe um tipo de decadência que antecede a corrupção, a incompetência, o descaso e as crises em geral: é a decadência dos valores que se manifestam nos modos de pensar, de falar e de agir.

Quando a degeneração do espírito vem a público sem maiores cerimônias, é porque a consideração e o respeito com os outros já não existe. Dispensados dos exames de conduta e consciência, os maus hábitos se transformam em vícios, para depois fundirem-se na própria natureza dos seus agentes.

Protestos mimados

Os recentes protestos em Fortaleza que acabaram em depredação de prédios, agências bancárias e saques, são exemplos desse processo. Seus protagonistas são figuras que antes viviam nos guetos esfumaçados de entidades estudantis e partidinhos políticos de inspiração revolucionária, mas que agora desfilam nas avenidas suas frustrações contra figuras de autoridade que, em suas mentes perturbadas, lhes impedem a felicidade plena. Como crianças mimadas, projetam em terceiros as suas desilusões, reconfortando-se em chavões vazios.

Fazem isso porque o ambiente permite que esse tipo de comportamento seja tomado por expressão política legítima. Contê-los em sua fúria é oprimi-los, impedi-los de saquear lojas é abuso de poder. É a decadência, diria Ortega Y Gasset.

Sem compostura

Como avançaram a esse ponto, impunes? Ora, perceberam que os limites afrouxaram. Se não, vejamos. No Congresso Nacional, o deputado José Nobre Guimarães (PT), notório pelo assessor que transportava dinheiro nas peças íntimas, em nome da moralidade e da transparência, lidera um movimento que defende o financiamento público de campanha. Como evitar que algum político eventualmente aceite dinheiro privado guardado em cuecas é algo que não se sabe. Mas quem se importa? O lance é ter uma causa.

No Ceará, o governador Cid Gomes (PSB), indagado sobre os gastos com buffets, chama o autor da cobrança, o deputado estadual Heitor Férrer (PDT), de “oportunista” e “desonesto”. Na Câmara de Fortaleza, o vereador João Alfredo (PSOL) qualifica de “puxa-sacos” os parlamentares não concordam com ele na polêmica dos viadutos no Parque do Cocó. Para manter o nível do debate, seu colega Carlos Mesquita (PMDB) responde com um sonoro “vá se lascar”.

Ninguém lhes cobra compostura porque a regra é a baixaria. E assim caminhamos.

Vale tudo

Os exemplos são muitos, ma estes, por enquanto, servem. Esse fenômeno, aliás, não se restringe a políticos e baderneiros. É algo generalizados, que nesses personagem se tornam mais visíveis. O descuido com as formalidades, a despreocupação com a legislação, a histeria como instrumento de convencimento (o ganhar no grito), são comportamentos que decorrem de um lento e gradual retrocesso moral. Vale tudo.

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Bate-boca entre autoridades e baderna nas ruas: é a decadência

Por Wanfil em Política

16 de agosto de 2013

Existe um tipo de decadência que antecede a corrupção, a incompetência, o descaso e as crises em geral: é a decadência dos valores que se manifestam nos modos de pensar, de falar e de agir.

Quando a degeneração do espírito vem a público sem maiores cerimônias, é porque a consideração e o respeito com os outros já não existe. Dispensados dos exames de conduta e consciência, os maus hábitos se transformam em vícios, para depois fundirem-se na própria natureza dos seus agentes.

Protestos mimados

Os recentes protestos em Fortaleza que acabaram em depredação de prédios, agências bancárias e saques, são exemplos desse processo. Seus protagonistas são figuras que antes viviam nos guetos esfumaçados de entidades estudantis e partidinhos políticos de inspiração revolucionária, mas que agora desfilam nas avenidas suas frustrações contra figuras de autoridade que, em suas mentes perturbadas, lhes impedem a felicidade plena. Como crianças mimadas, projetam em terceiros as suas desilusões, reconfortando-se em chavões vazios.

Fazem isso porque o ambiente permite que esse tipo de comportamento seja tomado por expressão política legítima. Contê-los em sua fúria é oprimi-los, impedi-los de saquear lojas é abuso de poder. É a decadência, diria Ortega Y Gasset.

Sem compostura

Como avançaram a esse ponto, impunes? Ora, perceberam que os limites afrouxaram. Se não, vejamos. No Congresso Nacional, o deputado José Nobre Guimarães (PT), notório pelo assessor que transportava dinheiro nas peças íntimas, em nome da moralidade e da transparência, lidera um movimento que defende o financiamento público de campanha. Como evitar que algum político eventualmente aceite dinheiro privado guardado em cuecas é algo que não se sabe. Mas quem se importa? O lance é ter uma causa.

No Ceará, o governador Cid Gomes (PSB), indagado sobre os gastos com buffets, chama o autor da cobrança, o deputado estadual Heitor Férrer (PDT), de “oportunista” e “desonesto”. Na Câmara de Fortaleza, o vereador João Alfredo (PSOL) qualifica de “puxa-sacos” os parlamentares não concordam com ele na polêmica dos viadutos no Parque do Cocó. Para manter o nível do debate, seu colega Carlos Mesquita (PMDB) responde com um sonoro “vá se lascar”.

Ninguém lhes cobra compostura porque a regra é a baixaria. E assim caminhamos.

Vale tudo

Os exemplos são muitos, ma estes, por enquanto, servem. Esse fenômeno, aliás, não se restringe a políticos e baderneiros. É algo generalizados, que nesses personagem se tornam mais visíveis. O descuido com as formalidades, a despreocupação com a legislação, a histeria como instrumento de convencimento (o ganhar no grito), são comportamentos que decorrem de um lento e gradual retrocesso moral. Vale tudo.