ambientalistas Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

ambientalistas

Ambientalismo de fachada

Por Wanfil em Ceará, Fortaleza, Ideologia

29 de julho de 2013

Pouca gente para muito barulho: Em nome da ecologia, manifestantes empunham bandeiras contra o Estado, o mercado e a burguesia. A ecologia como fachada para o anticapitalismo. Foto: Lucas Moreira/Tribuna do Ceará.

Pouca gente para muito barulho: Em defesa da natureza, manifestantes protestam  contra o Estado, o mercado e a burguesia. A ecologia como fachada para o anticapitalismo. Foto: Lucas Moreira/Tribuna do Ceará.

Com o fracasso das ideologias e o descrédito dos partidos políticos no Brasil, restaram poucas bandeiras aos militantes órfãos de uma causa que reconforte suas almas ansiosas pela redenção da humanidade.

A maioria dessas causas, entretanto, se limitam a reivindicações específicas de grupos minoritários, uma espécie de ativismo de nicho, como no casos da promoção da igualdade racial ou do combate à discriminação sexual. Para frustração de seus promotores, essas são ações de alcance limitado, por mais que sejam justas.

Distorções

Na atualidade, somente um movimento possui um apelo universal, sem limites de classe, de gênero ou de nacionalidade, perfeito para servir de fachada aos anseios dos rebeldes sem causa dos nossos dias: é a causa ambiental, ou ecológica, distorcida de modo a atender, por um lado, aos delírios ideológicos mais reacionários, como o socialismo ou o anarquismo, e por outro, para criar factoides eleitoreiros. Pode ser ainda evidência de simples marketing pessoal cínico, como é o caso de Delúbio Soares, o famoso tesoureiro que, em seu Twitter, se define como professor, sindicalista e… ambientalista!

É o que vemos, por exemplo, no grupo de indivíduos acampados há dias no Parque do Cocó, em Fortaleza, vivendo sabe-se lá do quê, dispostos a impedir a construção de dois viadutos cujas obras deverão derrubar 94 árvores.

Não há ninguém que negue a importância da preservação desse ecossistema, tanto que para qualquer intervenção no local, é preciso autorização de diversos órgãos de fiscalização e, ainda assim, as autoridades correm para mostrar ao público ações de compensação, como o plantio de novas mudas de vegetação nativa no Parque do Cocó. Sem dúvida, a destruição simples e irresponsável acarretaria prejuízos para a imagem da gestão, seria suicídio político.

Pegadinha sem graça

Nada disso interessa para a militância irracional, muito menos o fato de que seus líderes, quando estiveram no poder, nunca fizeram muito pela causa que agora lhes serve de religião. Muito mais fizeram os seus adversários, por isso mesmo acusados, na clássica inversão da história que caracteriza os movimentos autoritários, de serem os inimigos da natureza. É o pessoal que condena o agronegócio e depois reclama da alta no preço do feijão, pela diminuição da produção em larga escala, ou que detesta as montadores de automóveis, mas não dispensa um bom ar-condicionado em seus carros.

Os problemas ambientais existem e devem ser denunciados, claro. Existe também uma rígida legislação ambiental para servir de suporte para esses questionamentos. Por exemplo, os esgotos clandestinos que infectam o mar na Praia do Futuro. E aí, onde estão os ambientalistas? Não sei. Talvez a visibilidade no Cocó seja maior…

O movimento ambiental nasceu, não por acaso, nas sociedades mais industrializadas e escolarizadas, para buscar racionalidade na relação entre o consumo humano e a exploração da natureza, sem desconsiderar a importância das atividades produtivas. Transformá-lo em bandeira anticapitalista não passa de uma pegadinha. No mínimo.

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Ambientalismo de fachada

Por Wanfil em Ceará, Fortaleza, Ideologia

29 de julho de 2013

Pouca gente para muito barulho: Em nome da ecologia, manifestantes empunham bandeiras contra o Estado, o mercado e a burguesia. A ecologia como fachada para o anticapitalismo. Foto: Lucas Moreira/Tribuna do Ceará.

Pouca gente para muito barulho: Em defesa da natureza, manifestantes protestam  contra o Estado, o mercado e a burguesia. A ecologia como fachada para o anticapitalismo. Foto: Lucas Moreira/Tribuna do Ceará.

Com o fracasso das ideologias e o descrédito dos partidos políticos no Brasil, restaram poucas bandeiras aos militantes órfãos de uma causa que reconforte suas almas ansiosas pela redenção da humanidade.

A maioria dessas causas, entretanto, se limitam a reivindicações específicas de grupos minoritários, uma espécie de ativismo de nicho, como no casos da promoção da igualdade racial ou do combate à discriminação sexual. Para frustração de seus promotores, essas são ações de alcance limitado, por mais que sejam justas.

Distorções

Na atualidade, somente um movimento possui um apelo universal, sem limites de classe, de gênero ou de nacionalidade, perfeito para servir de fachada aos anseios dos rebeldes sem causa dos nossos dias: é a causa ambiental, ou ecológica, distorcida de modo a atender, por um lado, aos delírios ideológicos mais reacionários, como o socialismo ou o anarquismo, e por outro, para criar factoides eleitoreiros. Pode ser ainda evidência de simples marketing pessoal cínico, como é o caso de Delúbio Soares, o famoso tesoureiro que, em seu Twitter, se define como professor, sindicalista e… ambientalista!

É o que vemos, por exemplo, no grupo de indivíduos acampados há dias no Parque do Cocó, em Fortaleza, vivendo sabe-se lá do quê, dispostos a impedir a construção de dois viadutos cujas obras deverão derrubar 94 árvores.

Não há ninguém que negue a importância da preservação desse ecossistema, tanto que para qualquer intervenção no local, é preciso autorização de diversos órgãos de fiscalização e, ainda assim, as autoridades correm para mostrar ao público ações de compensação, como o plantio de novas mudas de vegetação nativa no Parque do Cocó. Sem dúvida, a destruição simples e irresponsável acarretaria prejuízos para a imagem da gestão, seria suicídio político.

Pegadinha sem graça

Nada disso interessa para a militância irracional, muito menos o fato de que seus líderes, quando estiveram no poder, nunca fizeram muito pela causa que agora lhes serve de religião. Muito mais fizeram os seus adversários, por isso mesmo acusados, na clássica inversão da história que caracteriza os movimentos autoritários, de serem os inimigos da natureza. É o pessoal que condena o agronegócio e depois reclama da alta no preço do feijão, pela diminuição da produção em larga escala, ou que detesta as montadores de automóveis, mas não dispensa um bom ar-condicionado em seus carros.

Os problemas ambientais existem e devem ser denunciados, claro. Existe também uma rígida legislação ambiental para servir de suporte para esses questionamentos. Por exemplo, os esgotos clandestinos que infectam o mar na Praia do Futuro. E aí, onde estão os ambientalistas? Não sei. Talvez a visibilidade no Cocó seja maior…

O movimento ambiental nasceu, não por acaso, nas sociedades mais industrializadas e escolarizadas, para buscar racionalidade na relação entre o consumo humano e a exploração da natureza, sem desconsiderar a importância das atividades produtivas. Transformá-lo em bandeira anticapitalista não passa de uma pegadinha. No mínimo.