Camilo Santana Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Camilo Santana

Nos perdoe, São Francisco

Por Wanfil em Política

26 de junho de 2020

São Francisco de Assis, o homem que abdicou das riquezes materias por uma vida de simplicidade, não merecia virar nome de obra pública no Brasil. Especialmente um grande empreendimento de infraestrutura. Basta ver a transposição do Rio São Francisco.

Placa de obra com o nome de São Francisco. Foto: ALCE/divulgação. Arte: Wanfil

Após 12 anos de espera – sete dos quais, de ATRASO – as águas do São Francisco chegam ao Ceará. Foram quatro presidentes da República: Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro. Como toda obra demorada, todos procuram ressaltar sua participação no empreendimento, mas ninguém jamais assume responsabilidade (nem pede desculpa) pelos atrasos e pelo brutal encarecimento do projeto, que custou quase R$ 11 bilhões aos brasileiros, mais que o dobro da previsão inicial.

Os governos petistas imaginaram, lá atrás, que teriam tempo de sobra, com seus, digamos, parceiros, para concluir a transposição. Temer correu para aparecer na foto, mas seu mandato foi curto. E como um dia a obra teria que finalmente acabar, coincidiu de ser agora, com Bolsonaro, em meio à pandemia.

Aliás, por falar nisso, o governador Camilo Santana informou, no próprio dia da inauguração, que devido à preocupação com a pandemia não iria ao evento com o presidente, que faz sua primeira visita oficial ao Ceará. É justo, mas Por outro lado, parece que o cerimonial da Presidência contatou oficialmente as autoridades locais – que souberam da inauguração pela imprensa – em cima da hora. Tudo muito estranho.

Não é o clima ideal para o governo estadual e o federal decidirem como os custos de operação e manutenção da obra serão divididos. Parece que nesses longos doze anos, ninguém pensou nisso, embora o Centrão que apoiou Lula, Dilma, Temer e que agora apoia Bolsonaro, seja o mesmo. É que no Brasil, o “pois é dando que se recebe” da linda Oração de São Francisco ganhou um sentido muito particular e invertido, quanto o assunto é obra pública.

Sorte nossa que Francisco é Santo e por isso mesmo não haverá de guardar mágoa.

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O lockdown envergonhado

Por Wanfil em Saúde

06 de Maio de 2020

Lockdown leva em conta a associação entre redução do isolamento e aumento do coronavírus

O governador Camilo Santana e o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, anunciaram medidas de “isolamento social rígido”, diante do avanço mais acelerado do coronavírus. O termo “lockdown” (confinamento), mundialmente popularizado pela pandemia da Covid-19, não foi utilizado.

Esse cuidado com as palavras deve ter lá as suas razões. Como eu disse em minha coluna na rádio Tribuna Band News nesta quarta-feira, “do ponto de vista político, é uma medida arriscada, já que limita momentaneamente algumas liberdades individuais, algo que pode soar antipático para uma parcela da população. Sem esquecer das pressões de alguns setores para a retomada da atividade econômica. No entanto, felizmente, a responsabilidade tem falado mais alto na maioria dos países e dos estados”.

De todo modo, parafraseando o jornalista Elio Gaspari, autor de “A ditadura envergonhada”, temos por aqui o “lockdown evnergonhado”, com a crucial diferença de que no combate ao coronavírus as medidas restritivas adotadas no Ceará têm base legal, justificativas técnicas (números e evidências científicas), imperativos morais (salvar vidas) e lógicos, pois são imprescindíveis diante do avanço da epidemia. Vergonha seria a omissão.

A razão para o lockdown no Ceará é óbvia: o crescimento verificado na curva de contágio coincide com redução da adesão ao isolamento social. Quanto mais gente circulando, maior a propagação da doença, quanto maior a sua propagação, maiores as chances de colapsar o sistema de saúde.

As autoridades afirmam que o ideal é que 70% da população aderisse ao isolamento social, mas esse índice está na casa dos 50%. Como todos sabem, um grande contongente de pessoas economicamente mais vulneráveis não têm condições de ficar em casa (as filas nas agências da Caixa Econômica comprovam isso). O tamanho desse grupo dentro da metade que não segue o isolamento pode ser determinante para a eficácia das novas regras. No entanto, todo esforço ajuda.

Volto à minha coluna na rádio: “Tempos extraordinários exigem medidas extraordinárias, e isso requer, além das ações do poder público, maturidade dos cidadãos e das instituições, especialmente os que podem ficar em casa, cada um assumindo sua cota de sacrifícios e de responsabilidade, para não colocar a vida dos outros em risco e para preservar o maior número possível de vidas”.

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Datafolha: governadores têm aprovação maior que o presidente no combate ao coronavírus

Por Wanfil em Pesquisa

23 de Março de 2020

Bolsonaro e o Ministro da Saúde, Henrique Mandetta, em videoconferência com prefeitos (Agência Brasil): nova realidade imposta pelo coronavírus

O instituto Datafolha informa que 54% dos brasileiros aprovam o desempenho dos governadores na crise do coronavírus, enquanto 35% avaliam positivamente o trabalho do presidente Jair Bolsonaro. Curiosamente, o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi bem avaliado por 55% dos entrevistados.

Por esses números, o presidente estaria com a imagem descolada das ações promovidas por seu próprio governo. Como os governos estaduais não podem ser mais ativos e determinantes que o governo federal nesse momento de calamidade, a diferença de percepções apontada pela pesquisa só pode ser resultado de erros de comunicação e postura do presidente. Talvez excesso de autoconfiança.

Bolsonaro e o bolsonarismo desqualificam o Datafolha, que é ligado ao jornal Folha de São Paulo. E de fato, o instituto já cometeu erros no passado, especialmente nas eleições presidenciais, quando dizia que praticamente todos os candidatos venceriam Bolsonaro no segundo turno. Contudo, é perfeitamente visível que o presidente vem tentando, desde a semana passada, recalibrar as falas e atitudes relacionadas ao coronavírus. Mas parece que ainda não encontrou o ponto ideal. Uma hora ensaia reconhecer que o problema é mesmo colossal, e depois recua, falando em histeria.

Nada é por acaso. Ainda que o Datafolha e a Folha possam carregar nas ênfases contra o governo, o fato é que este já sentiu a necessidade de modular a postura presidencial. Certamente o Palácio do Planalto tem seus próprios números e sabe que há desgaste onde outras autoridades conseguem capitalizar dividendos.

Ceará

O Datafolha não divulgou dados por estados. É possível que o governador Camilo Santana esteja acima dessa média, pela boa aceitação que já tinha na conjuntura local. Além do mais, o governador tem ocupado eficazmente espaços nas redes sociais e nos canais de comunicação para falar exclusivamente sobre o coronavírus, repassando orientações e anunciando medidas pessoalmente. Não inventa a roda, o que é bom, mas tampouco subestima o medo da população ou os alertas das autoridades sanitárias do Ceará, do Brasil e do mundo. Sobretudo, tem o mérito de não politizar temas relacionados à pandemia. E ao contrário do presidente em relação ao ministro Mandetta, o governador cearense ainda ganha pontos com a credibilidade do secretário da saúde, Dr. Cabeto, técnico respeitado e gestor seguro de suas ações.

Bolsonaro foi eleito sem padrinhos políticos, com um estilo próprio, isso é inegável, mas existem crises que testam a capacidade de adaptação dos governantes a situações muito diferentes daquelas que os levaram ao poder (antipetismo, Ferreira Gomes, Lava Jato, desejo de ruptura, cooptação continuísta, voto de protesto, voto de cabresto, lulismo, esquerdismo, direitismo, tudo isso foi momentaneamente suspenso). Essa é uma dessas situações. Em um segundo, tudo pode mudar.

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A diferença entre Lula e Cabo Sabino

Por Wanfil em Política

06 de Março de 2020

Indignação: ao cobrar prisão imediata para o Cabo Sabino, líder do motim ilegal no CE, mas que ainda será julgado, Camilo Santana deve lembrar que Lula, condenado em 2ª instância por corrução, está solto

O governador Camilo Santana foi ao Facebook compartilhar sua indignação com o relaxamento do mandado de prisão contra o ex-deputado federal Cabo Sabino, líder do motim que provocou uma crise na segurança pública do Ceará. Segundo Camilo, é “inaceitável que alguém promova todo tipo de desordem, cometa crimes, desafie a própria Justiça, Ministério Público, Governo e sociedade, e seja mandado para casa, como se nada tivesse ocorrido”. Depois arrematou: “Esse acusado terá que responder pelos seus gravíssimos atos, pelo bem do Estado de Direito”.

Vejam como política é terreno escorregadio. Que o Cabo Sabino deva responder pelos crimes de que é acusado, ninguém discorda. Se for condenado, que cumpra a pena. Imagens e áudios é que não faltam para provar o papel dele no episódio. Mas como o motim acabou, com o próprio Sabino derrotado na votação dos amotinados para encerrar a paralisação, a prisão preventiva foi relaxada. São os ritos da Justiça.

Passada a possibilidade de prisão em flagrante, será preciso aguardar o devido julgamento. E o pior: tem que esperar pelos recursos. Com bons advogados, um processo pode levar anos ou até prescrever. É assim que funciona. Antes, era possível antecipar uma prisão a partir de condenação em segunda instância, mas o STF recentemente mudou esse entendimento. Existe até um projeto no Congresso que tenta mudar isso, mas alguns partidos são contra, para proteger seus membros enrolados com a Justiça.

O caso mais famoso é justamente o do ex-presidente Lula, liderança maior do PT, correligionário do governador cearense. Condenado mais de uma vez pelos crimes corrupção e lavagem de dinheiro, foi “mandado para casa, como se nada tivesse ocorrido”. É ou não é de causar indignação?

Uma das diferenças entre o caso do Cabo Sabino, que atentou contra a lei que proíbe motins, e Lula, de extensa ficha corrida, é que, como disse o próprio governador, Sabino ainda é acusado, e o ex-presidente, todos sabem, já é um condenado. Se condenado, como deve ser, que Sabino pague por seu crime. O mesmo tem que valer para Lula. Qualquer seletividade por causa de questões ideológicas  ou partidárias, é uma contradição tão inadmissível quanto a impunidade.

Acontece que política, como eu disse, é mesmo terreno escorregadio.

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O fim do motim no Ceará e suas implicações políticas

Por Wanfil em Política

02 de Março de 2020

Sergio Moro e Camilo Santana no Ceará: moderação política e parceria institucional mostram que falar menos e fazer mais é o melhor caminho – Foto: Alexandre Manfrim – Divulgação MD

O motim de policiais militares liderados pelo ex-deputado federal Cabo Sabino chegou ao fim do mesmo modo como começou: isolado e dividido. Tudo começou quando o grupo rejeitou o acordo de reestruturação salarial celebrado entre o governo estadual e os representantes mais conhecidos da categoria: o deputado federal Capitão Wagner, o deputado estadual Soldado Noélio, e o vereador de Fortaleza Sargento Reginauro. Um bom acordo, diga-se.

Deu no que deu. E depois de todo o desgaste, das imagens de homens encapuzados e armados impedindo a circulação de viaturas, depois de tudo, os amotinados acabaram por aceitar o projeto que já tinha sido apresentando antes da paralisação. Imagens que foram fatais para qualificar o movimento perante a opinião pública local e nacional.

A oposição que tem os movimentos de policiais como base sai, portanto, fragilizada desses eventos, mas ainda é cedo para dimensionar o tamanho do estrago, até porque segurança pública é terreno escorregadio.

O presidente Jair Bolsonaro, que atendeu aos pedidos de ajuda das autoridades cearenses, perdeu a mão quando veio a público fazer cobranças ao governo estadual, pressão desnecessária que gerou apreensão, inclusive, em outros estados.

O senador Cid Gomes, que se recupera bem dos tiros que levou ao avançar com uma retroescavadeira sobre os amotinados, mostrou ao país o que não deve ser feito em situações dessa natureza. Por sorte, o pior não aconteceu. Prevaleceu, felizmente, a postura adotada pelo o governador Camilo Santana e pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, que demonstraram equilíbrio, mesmo com todas as pressões do ambiente politicamente polarizado no Brasil, evitando declarações que agravassem a situação, mas agindo sem hesitar dentro dos seus papéis institucionais, apontando a ilegalidade da paralisação.

O fim da paralisação tem implicações políticas – e até eleitorais – que ainda estão em plena formatação, mas tudo isso leva mais um tempo para ser digerido. Agora, nesse primeiro momento após a crise, as atenções se voltam para os processos administrativos e criminais envolvendo os amotinados, que também tem potencial político, conforme sejam conduzido. Nesse caso, quanto mais transparência e serenidade, melhor.

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Crise na Segurança: uma semana de radicalismos no Ceará

Por Wanfil em Segurança

21 de Fevereiro de 2020

Retroescavadeira contra amotinados em Sobral:  radicalismos pioraram a situação da segurança – Imagem: reprodução/Facebook

As cenas surreais do senador Cid Gomes sendo alvejado a tiros após ter investido com uma retroescavadeira sobre policiais amotinados no quartel da Polícia Militar em Sobral, são o ápice de uma soma de erros levados a efeito por obra do radicalismo político.

Nesse ambiente de intolerância, lideranças políticas equilibradas acabam eclipsadas pelo discurso beligerante de quem aposta no confronto. Aliás, nesse mesmo sentido, tudo desandou quando o acordo celebrado entre o governo e representantes dos policiais foi rejeitado por setores radicais da categoria, que atropelaram seus próprios líderes.

Agora, grupos políticos aproveitam o momento para trocar acusações: governistas culpam opositores, opositores responsabilizam o governo, sem . A aposta na confusão é redobrada quando nenhum desses radicais se mostra capaz de reconhecer que se excedeu ou que errou, nem assume responsabilidade por nada. Todos se apresentam como vítimas dos seu adversários.

Existem as exceções que procuram agir com moderação, mas a serenidade de espírito é algo que definitivamente não rende curtidas nas redes sociais nos dias de hoje. O governador Camilo Santana, é preciso reconhecer, tem demonstrado muita prudência, apesar das graves circunstâncias. Falo isso com a tranquilidade de quem é visto pelo governo estadual como contumaz crítico das suas ações nos últimos anos, especialmente no que diz respeito as políticas de segurança pública. Quem acompanha minhas análises sabe disso, o que não me impede de valorizar a responsabilidade do chefe do Executivo estadual, sobretudo agora.

Somente a sensatez pode resgatar a normalidade. O ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o da Secretaria de Governo da Presidência da República, general Luiz Eduardo Ramos, intermediaram junto a Jair Bolsonaro, o envio da Força Nacional e das Forças Armadas para ajudar com a segurança no Ceará. Todos acertam ao deixarem diferenças políticas de lado. É isso o que se espera dessas autoridades locais e nacionais.

A semana no Ceará foi incendiada pelo radicalismo, não importam as intenções alegadas por seus agentes, governistas ou oposicionistas. Por óbvio, o melhor remédio contra o destempero é a moderação, lembrando que isso não significa passividade. Que a Justiça apure as eventuais ilegalidades cometidas – inclusive no episódio em Sobral – e puna os responsáveis, na letra da lei. E que os profissionais de segurança que desejam trabalhar dentro das regras que aceitaram ao ingressar na carreira militar, sejam preservados e valorizados. A impunidade, tanto quanto o radicalismo, alimenta as arbitrariedades.

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Ciro esculhamba Lula; Camilo abraça Lula; Ciro e Camilo se entendem. Como pode?

Por Wanfil em Política

13 de novembro de 2019

Ciro e Camilo trafegam em via de mão dupla. Sentidos opostos que se complementam – Foto: Visual Hunt

Ciro Gomes quebrou o silêncio sobre a soltura de Lula com duas entrevistas, uma ao jornal O Globo e outra a repórteres em evento realizado em São Paulo. Como todos gostam de uma confusão, a repercussão foi imediata. Em suma, Ciro voltou a esculhambar Lula e o PT. Repetiu que o ex-presidente não é inocente e que seu partido é uma quadrilha.

É o oposto da movimentações do governador Camilo Santana, que além de ir ao encontro de Lula, o exalta no padrão exigido aos petistas: como a uma entidade acima do bem e do mal. Para Camilo, os escândalos e o calvário jurídico de Lula são uma tremenda injustiça.

Ciro e Camilo divergem publicamente em relação ao ex-presidente ficha suja. E não se trata de uma discordância estratégica qualquer, mas de uma cisão que, no fundo, embora todos disfarcem, é de fundo moral: apoiar ou combater Lula significa condescender ou rechaçar com seus métodos. Como então eles conseguem conciliar essas diferenças? Por muito menos, amigos e parentes andam cortando relações. Henry De Montherlant explica: “A política é a arte de captar em proveito próprio a paixão dos outros”. É, os franceses entendem do riscado.

No fim, por enquanto, esquerdistas descontentes com o lulismo e esquerdistas idólatras de Lula convivem na mesma base aliada no Ceará como se isso fosse a coisa mais natural. Camilo agrada ao petismo sem desagradar ao cirismo quando confraterniza com Lula e ao mesmo tempo defende apoio a Ciro; e Ciro preserva a aliança estadual ao dizer que só o comando nacional do PT é que não presta, ressalvados os “petistas médios”, entre os quais cita Camilo, colocando ainda as coisas, pela sua ótica, nos devidos lugares.

Até quando isso vai funcionar, aí é outra conversa.

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As entrelinhas de Camilo na entrevista ao Estadão: Ciro erra, mas o PT erra mais

Por Wanfil em Política

22 de outubro de 2019

Camilo entre Ciro e o PT: a política, às vezes, é exercício de equilibrismo em terreno irregular. Imagem: recombiner on Visualhunt / CC BY-NC-SA

O governador Camilo Santana concedeu entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, com grande repercussão no Ceará: Estratégia de Ciro de atacar o PT ‘está errada’, diz Camilo. Por alguns instantes, o impacto da manchete pode ser compreendido como uma defesa do partido diante das pesadas acusações feitas pelo aliado e padrinho político.

Nessas horas, para manter a prudência, sempre me recordo de Nelson Rodrigues: “Ah, como é falsa a entrevista verdadeira”. É que o entrevistado, ciente da publicidade de suas palavras, modula opiniões ao sabor das conveniências ou das responsabilidades. Isso é normal. Em certos casos é até recomendável. Imagine então quando o assunto é política.

Na entrevista ao Estadão, eis a pergunta cuja resposta gerou a manchete: Os sucessivos ataques de Ciro ao PT podem causar algum abalo na relação entre o senhor e os Ferreira Gomes? 

O que poderia dizer o governador? Que lado escolher? Ciro diz com frequência que Lula é corrupto e que a cúpula do PT é uma quadrilha. Logicamente o governador discordou da “estratégia”, sem fazer juízo sobre conteúdos. E discorda por que? Porque “nenhuma candidatura se constituirá à esquerda, centro-esquerda, se não tiver o PT como aliado”. Faz sentido. Mas na prática, o que isso significa? Camilo não deixa dúvidas: “Defendi lá atrás que Ciro fosse candidato, defendi a chapa Ciro-Haddad. Era o momento de se unir em torno de um projeto”.

Resumindo, para Camilo Santana, Ciro erra ao atacar o PT, que errou primeiro ao não apoiar Ciro (e perder para Bolsonaro). É um exercício de equilibrismo. Ocorre que o ex-presidente Lula discorda da tese. Em entrevista ao UOL na semana passada, o chefe petista disparou contra Ciro: “Toda vez que disputa uma eleição, procura um partido e entra. Não tem perfil ideológico. O PT não aceita isso”.

No Ceará, PT e PDT são aliados, com os petistas a serviço do projeto político liderado por Ciro  e Cid Gomes. Uma vez que a reprodução de uma parceria nacional nessas condições é impossível, o jeito é sustentar que a aliança cearense deveria servir de modelo, afinal, mesmo sem controlar a máquina eleitoral, o PT acabou elegendo um governador.

Acontece que o cenário nacional é bem diferente do estadual. Se no Ceará o cirismo é maior que o petismo, no Brasil, o lulismo, ainda que alquebrado por causa de escândalos de corrupção, é maior que o cirismo.

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O progressismo linha dura de Camilo Santana

Por Wanfil em Ceará

26 de setembro de 2019

Se é verdade que o domínio da linguagem corresponde ao domínio do discurso, e este, por sua vez, permite a possibilidade de domínio do poder, as declarações do governador Camilo Santana diante de mais uma onda de ataques no Ceará são mais eloquentes do que podem parecer.

Políticos possuem uma especial capacidade submeter suas falas às circunstâncias. Se percebem que o ambiente mudou, modulam seus posicionamentos e ajustam a linguagem e o discurso. Camilo é do Partido dos Trabalhadores, portanto, um social-democrata mais à esquerda, ou um progressista, como seus adeptos preferem ser chamados. E todos conhecem o discurso do progressismo sobre segurança. Repressão não adianta, prisões aumentam o crime, punir é errado (o certo e recuperar), e por aí vai. Entretanto, é possível perceber que as expressões utilizadas pelo governador se deslocaram para uma abordagem mais linha dura.

Nas redes sociais, ainda na terça-feira, o petista chamou bandido de bandido (e não de suspeito), repetiu a palavra enfrentamento várias vezes, disse que a polícia vai trabalhar de forma firme e que “a possibilidade de regalias no sistema prisional é zero”. Falei sobre isso na coluna que faço para a Tribuna Band News Fortaleza. Agora, nesta quinta-feira, o site UOL estampou como manchete o seguinte: Governador do CE contraria PT e pede lei antiterrorismo após novos ataques.

Nada contra, pelo contrário. Aliás, é importante a presença mais assertiva do chefe do Executivo nesse momento de crise. Mas, politicamente, é preciso fazer a constatação: descontadas as diferenças de estilo e intensidade, trata-se inegavelmente de uma concessão ao discurso sobre segurança pública que ajudou a eleger Jair Bolsonaro. Não por acaso, a oposição tem elogiado a postura do governo cearense. Pudera. Se linguagem é poder, esse episódio revela que esse discurso mais duro no combate ao crime será a linha adotada, da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, nas próximas eleições. Como diz o ditado, em terra de sapo, de cócoras com ele.

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CPI das estradas cearenses: confira quem assinou o requerimento

Por Wanfil em Política

22 de agosto de 2019

“Eu quero todas as estradas do Ceará em bom estado de conservação. Nós vamos fiscalizar muito essas estradas. Em algumas obras, a estrada não está durando o que deveria durar, teremos rigor na fiscalização, na qualidade da obra”. Foi o que disse o governador Camilo Santana, no início de julho, ao anunciar um pacote de recuperação das estradas estaduais.

No momento, 20 trechos, de um total de 59 escolhidos, estão em obras. O gasto será um pouco superior a R$ 200 milhões. É bom lembrar que não se trata de investimento em manutenção ou ampliação de rodovias, mas de cobrir prejuízos. Acontece que as causas do problema precisam ser esclarecidas.

Para isso, o deputado estadual Heitor Férrer deu entrada em requerimento para a instalação da CPI das estradas. Os governistas prontamente descartaram a ideia, alegando que o pacote já resolve tudo, mas o parlamentar pontua que a comissão ajudaria a identificar “o motivo dessas obras não terem a durabilidade necessária e de acordo com os altos valores investidos“.

Faz sentido. Quem pode discordar? A não ser que, por alguma razão desconhecida, isso não fosse do interesse do governo, o que seria bastante suspeito, afinal, a baixa qualidade das estradas é inegável. São necessárias 12 assinaturas para que o requerimento seja aprovado. Confira abaixo, por ordem alfabética, quem são os seis deputados que defendem a melhoria das estradas cearenses:

Andre Fernandes (PSL)
Fernanda Pessoa (PSDB)
Heitor Férrer (SD)
Renato Roseno (PSOL)
Tony Brito (PROS)
Vítor Valim (PROS)

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CPI das estradas cearenses: confira quem assinou o requerimento

Por Wanfil em Política

22 de agosto de 2019

“Eu quero todas as estradas do Ceará em bom estado de conservação. Nós vamos fiscalizar muito essas estradas. Em algumas obras, a estrada não está durando o que deveria durar, teremos rigor na fiscalização, na qualidade da obra”. Foi o que disse o governador Camilo Santana, no início de julho, ao anunciar um pacote de recuperação das estradas estaduais.

No momento, 20 trechos, de um total de 59 escolhidos, estão em obras. O gasto será um pouco superior a R$ 200 milhões. É bom lembrar que não se trata de investimento em manutenção ou ampliação de rodovias, mas de cobrir prejuízos. Acontece que as causas do problema precisam ser esclarecidas.

Para isso, o deputado estadual Heitor Férrer deu entrada em requerimento para a instalação da CPI das estradas. Os governistas prontamente descartaram a ideia, alegando que o pacote já resolve tudo, mas o parlamentar pontua que a comissão ajudaria a identificar “o motivo dessas obras não terem a durabilidade necessária e de acordo com os altos valores investidos“.

Faz sentido. Quem pode discordar? A não ser que, por alguma razão desconhecida, isso não fosse do interesse do governo, o que seria bastante suspeito, afinal, a baixa qualidade das estradas é inegável. São necessárias 12 assinaturas para que o requerimento seja aprovado. Confira abaixo, por ordem alfabética, quem são os seis deputados que defendem a melhoria das estradas cearenses:

Andre Fernandes (PSL)
Fernanda Pessoa (PSDB)
Heitor Férrer (SD)
Renato Roseno (PSOL)
Tony Brito (PROS)
Vítor Valim (PROS)