Camilo Santana Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Camilo Santana

CPI das estradas cearenses: confira quem assinou o requerimento

Por Wanfil em Política

22 de agosto de 2019

“Eu quero todas as estradas do Ceará em bom estado de conservação. Nós vamos fiscalizar muito essas estradas. Em algumas obras, a estrada não está durando o que deveria durar, teremos rigor na fiscalização, na qualidade da obra”. Foi o que disse o governador Camilo Santana, no início de julho, ao anunciar um pacote de recuperação das estradas estaduais.

No momento, 20 trechos, de um total de 59 escolhidos, estão em obras. O gasto será um pouco superior a R$ 200 milhões. É bom lembrar que não se trata de investimento em manutenção ou ampliação de rodovias, mas de cobrir prejuízos. Acontece que as causas do problema precisam ser esclarecidas.

Para isso, o deputado estadual Heitor Férrer deu entrada em requerimento para a instalação da CPI das estradas. Os governistas prontamente descartaram a ideia, alegando que o pacote já resolve tudo, mas o parlamentar pontua que a comissão ajudaria a identificar “o motivo dessas obras não terem a durabilidade necessária e de acordo com os altos valores investidos“.

Faz sentido. Quem pode discordar? A não ser que, por alguma razão desconhecida, isso não fosse do interesse do governo, o que seria bastante suspeito, afinal, a baixa qualidade das estradas é inegável. São necessárias 12 assinaturas para que o requerimento seja aprovado. Confira abaixo, por ordem alfabética, quem são os seis deputados que defendem a melhoria das estradas cearenses:

Andre Fernandes (PSL)
Fernanda Pessoa (PSDB)
Heitor Férrer (SD)
Renato Roseno (PSOL)
Tony Brito (PROS)
Vítor Valim (PROS)

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Governadores do Nordeste: pauta administrativa, gestos políticos

Por Wanfil em Política

29 de julho de 2019

Governadores do Nordeste implantam consórcio administrativo – Foto: divulgação

Governadores do Nordeste estiveram reunidos nesta segunda-feira, na Bahia, para a implantação do Consórcio Nordeste, uma parceria administrativa entre os estados da região.

Apesar da pauta técnica, as atenções sempre se voltam para a política. Como todos sabem, os laços que unem o grupo são maiores que a questão regional: há também, ou sobretudo, a sintonia ideológica e a condição de opositores ao governo federal.

Nada contra. Na verdade, é legítimo. Porém, é preciso sempre muita atenção para não confundir os limites entre a militância pessoal e os cargos representativos que ocupam. Não raro, os governadores extrapolam temas de gestão para abordar assuntos controversos e de interesse restrito, como quando criticaram o Judiciário para defender o ex-presidente Lula, julgado e condenado em mais de uma instância, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Camilo Santana em Curitiba: recado aos correligionários cearenses (Divulgação)

Lula Livre
Por falar nisso, o governador Camilo Santana (PT-CE), que se recupera de uma virose e por isso não participou da reunião, esteve em Curitiba na semana passada para visitar Lula na carceragem da Polícia Federal. De megafone na mão, entoou palavras de ordem em solidariedade ao líder petista. Cada um tem o direito de acreditar no que quiser, mas quando se trata de políticos, toda ação pública tem por objetivo passar um ou mais mensagens.

Do ponto de vista jurídico, as opiniões dos governadores nordestinos a respeito do caso não têm efeito prático algum. Eles sabem disso, como sabem que boa parte do eleitorado da região simpatiza com o ex-presidente.

No caso de Camilo, é provável que a performance seja ainda um aceno ao petismo no Ceará, comandado pelos deputados José Guimarães e Luizianne Lins – esta disposta a lançar candidatura à Prefeitura de Fortaleza contra Roberto Cláudio, aliado do governador e nome do PDT, que não defende a inocência do ex-presidente, muito pelo contrário.

É claro que o governador tem a força do cargo, que nunca pode ser desprezada, mas na dinâmica interna do partido, não é voz determinante para definir rumos. O ato público em Curitiba mostra compromisso com a sigla, reforçando a imagem de Camilo junto aos correligionários, muito embora a defesa cega de Lula não passe, para o petismo, de uma obrigação incondicional.

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Quando a violência aumenta, a culpa é Federal; quando reduz, o mérito é estadual

Por Wanfil em Segurança

05 de julho de 2019

Esqueceram de mencionar o Ministério da Justiça, que prontamente ajudou o Ceará – Foto: divulgação

O site do Governo do Ceará destacou a seguinte notícia, no início da semana: Trabalho das forças de segurança do Ceará resulta na redução de 53,6% nos CVLIs no primeiro semestre de 2019.

Olha só. Na ânsia de enaltecer isoladamente méritos locais, a manchete acaba destoando das falas de ninguém menos que o governador Camilo Santana. Quando os índices de violência explodiram no Ceará, sobretudo em 2017, Camilo responsabilizou a histórica ausência de políticas públicas nacionais para a segurança pública, dizendo ainda, com todas as letras, que os estados, sozinhos, não poderiam virar esse jogo.

Presença Federal no Ceará
O governador passou então a cobrar ações do governo federal. O ex-presidente Michel Temer nomeou Raul Jungmann como ministro extraordinário da Segurança Pública, que por sua vez inaugurou no Ceará o Centro Integrado de Inteligência do Nordeste.

Já em 2019, na gestão de Jair Bolsonaro, Camilo pediu ajuda ao novo ministro Sérgio Moro (ver foto) contra a onda de ataques promovida por facções criminosas. O trabalho em conjunto nas ruas e nos presídios foi bem sucedido.

Omissões
Pois bem, com a abordagem federal, OS ÍNDICES REDUZIRAM EM TODO O PAÍS. Mesmo assim, nada disso é lembrado na comunicação do governo cearense. Na verdade, esses fatos são suprimidos. O objetivo é claro: a redução seria obra das “forças de segurança DO Ceará”. Não é que faltem iniciativas locais, pelo contrário. Aliás, por isso mesmo é que omissões a terceiros são desnecessárias.

Credibilidade
A prática de buscar assumir sozinho o mérito por realizações partilhadas com outros atores e instâncias, termina afetando a credibilidade da gestão, especialmente junto aos parceiros esquecidos. E quando o discurso construído pelos canais institucionais da administração não casam com as falas do governador, tudo fica ainda mais estranho. Parece esperteza.

Reconhecimento natural
O certo mesmo é fazer como o ministro Sérgio Moro, que enfatiza a parceria com os estados, lembrando sempre que a redução de crimes precisa ser consolidada. Ganha desse modo a confiança de governadores e secretários, facilitando novas ações. O autoelogio revela vaidade, desejo de reconhecimento, quando o verdadeiro reconhecimento tem que vir de fora.

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Cem dias do governo Bolsonaro marcam nova relação entre o Ceará e Brasília

Por Wanfil em Política

11 de Abril de 2019

Adversários políticos no Ceará, juntos em solenidade de entrega de obras do programa Minha Casa, Minha Vida: nos primeiros 100 dias, tudo bem

Os 100 dias de Jair Bolsonaro na Presidência da República permitem visualizar tendências que apontam para mudanças no padrão de relacionamento – ou articulação, como gostam de dizer por aí – entre o governo estadual e o governo federal.

Nas gestões Lula e Dilma Rousseff a convivência entre essas instâncias, aliadas politicamente, foi marcada pela subserviência. O maior símbolo dessa condição foi a promessa não cumprida (porém apresentada em várias campanhas eleitorais e repetida ad nauseam em releases para a imprensa) de uma refina da Petrobras. Ninguém das gestões estaduais à época disse ou fez nada, nem mesmo quando se que a Petrobras foi impiedosamente roubada. Pelo contrário, aplaudiram e defenderam enquanto puderam a dupla que passou a perna nos cearenses.

Na breve gestão de Michel Temer, isso mudou. Os governistas locais batiam publicamente no presidente impopular e sem força, enquanto atuavam para garantir repasses federais junto a aliados do MDB (o mesmo partido de Temer) no Ceará.

Com Bolsonaro, devidamente eleito e com um grupo político afeito ao debate, a relação – nesses primeiros cem dias – finalmente ganhou algum traço de autonomia digna. No início houve o receio de que o Ceará pudesse sofrer retaliações por ter um governo de oposição (o governador Camilo Santana, do PT, não foi à posse de Bolsonaro), mas a parceria para enfrentar o crime organizado no Estado em janeiro foi muito bem conduzida, sem intermediações politiqueiras e com reconhecimento mútuo de respeito entre os envolvidos. Mérito de ambos.

O recente caso de Maracanaú sobre um projeto da Secretaria Nacional de Segurança Pública, se deu mais em função de interesses locais visando as eleições municipais do ano que vem, do que propriamente no processo de diálogo com o Ministério da Justiça.

Imóveis do programa Minha Casa Minha Vida também foram entregues sem problemas, com aliados e adversários do governo federal ocupando o mesmo espaço de forma civilizada.

O fato é que, por enquanto, divergências ideológicas e partidárias à parte, as interações entre Estado e União melhoraram de qualidade, com a temporária substituição da subordinação e do oportunismo por uma saudável noção de interdependência. A continuidade desse tipo de harmonia dependerá de muitos fatores, especialmente, com as pressões do calendário eleitoral, da forma como os programas, ações e obras federais serão trabalhadas pelas forças políticas estaduais. A tendência é que no próximo ano, os ânimos se acirrem.

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Camilo Santana busca investimentos nos EUA (mas sem reforma da Previdência, fica difícil)

Por Wanfil em Política

08 de Abril de 2019

Governador procura convencer investidores nos EUA, mas antes é preciso convencer os aliados no Congresso

O governador Camilo Santana participou nos Estados Unidos do 2019 Brazil Summit, evento com empresários e investidores.

No Facebook, Camilo explicou que “a exposição internacional das ações do Estado é muito positiva para atrair novos negócios e, com isso, melhorar a economia e aumentar a geração de empregos para os cearenses”.

O problema é que para atrair investimentos que realmente possam realmente promover desenvolvimento e um salto no PIB estadual, é preciso considerar a conjuntura nacional. Nesse ponto, o grande entrave para a retomada do crescimento (não o único, mas o de maior evidência), é a reforma da Previdência.

De acordo com levantamento feito pelo Estadão, atualmente 197 deputados federais são favoráveis da reforma, 217 não se posicionam e 99 são contra. São necessários 308 votos.

No Ceará, dos 22 membros da bancada, 9 votam a favor, 4 não quiseram responder, 3 não foram encontrados e 6 são contra. Dos que são contra, quatro são do PDT, e 2 são do PT – siglas da base de Camilo que apoiaram a reforma da Previdência estadual. Governadores não mandam em deputados, pelos menos formalmente, mas são fundamentais no trabalho de convencimento de suas bancadas.

De pouco adianta viajar o mundo enquanto o rombo da Previdência não for equacionado. Qualquer retomada do crescimento passa por essa questão. Para ser convincente lá fora, é preciso convencer, primeiro, dentro de casa.

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Ceará perde projeto federal de segurança porque Maracanaú é oposição no Estado. O resto é desculpa

Por Wanfil em Política

04 de Abril de 2019

Governador Camilo Santana e Sérgio Moro, ministro da Justiça. Parceria de janeiro não se repetiu em abril, por causa de questões políticas estaduais – Foto: Isaac Amorim/MJ

O Ceará perdeu para Pernambuco um projeto federal de segurança pública (investimentos de R$ 50 milhões por ano). Por quê? Bem, é que a cidade inicialmente escolhida pelo Ministério da Justiça, de Sérgio Moro, foi Maracanaú, um dos poucos redutos da oposição no Ceará. Sem esquecer que ano que vem teremos eleições municipais. É só juntar os fios para perceber as conexões.

O governo cearense afirma que o problema é que os critérios para a definição do município não foram apresentados, insinuando direcionamento político para as ações. Realmente, o secretário Nacional de Segurança, General Guilherme Theophilo, responsável pelo projeto e pelo anúncio de Maracanaú, foi candidato ao governo do Ceará no ano passado pelo PSDB (e já desfiliado), com apoio da prefeitura e do deputado federal Roberto Pessoa, também do PSDB, e inimigo dos Ferreira Gomes. De fato, existe uma relação política, mas ocorre que a procura por aliados na hora de executar obras, programas e projetos é perfeitamente natural, desde que sejam observados parâmetros técnicos que os justifiquem.

Se Maracanaú fosse a cidade com menos homicídios do Ceará, a opção teria sido realmente estranha. Não é o caso. A região metropolitana de Fortaleza, com destaque para Maracanaú e Caucaia, além da própria capital, têm índices obscenos de violência. Além do mais, ninguém jamais perdeu tempo questionando, por exemplo, se o aporte federal para investimentos em Sobral atendia a critérios técnicos, muito pelo contrário: comemorava-se a proximidade política com o governo federal como prova de harmonia pelo bem comum.

Por isso tudo a impressão que ficou foi a seguinte: a gestão Camilo Santana, atendendo a pressões movidas por interesses particulares, deu a entender que não concordava com a escolha. Ao perceber a resistência, o Ministério da Justiça transferiu o projeto para Paulista, em Pernambuco, que aderiu sem pestanejar, é claro.

O pior de tudo, além das vidas que poderiam ter sido salvas, é a mensagem que de que o Ceará – que pediu e recebeu ajuda federal em janeiro para enfrentar a onda de ataques do crime organizado – aceita fazer parcerias, desde que eventuais ganhos políticos possam ser capitalizados por seu grupo político. É uma situação difícil, sem dúvida e que pode prejudicar outros projetos futuros. Pernambuco, também administrado por um governador de oposição ao governo federal, agradece.

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Camilo Santana divide palanque com bolsonaristas em evento no Ceará

Por Wanfil em Política

20 de Março de 2019

Gustavo Canuto ladeado por Camilo Santana (PT) e André Fernandes (PSL). (Foto: Min. do Desenvolvimento Regional)

Os tempos realmente são outros. O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, e o governador Camilo Santana (PT), entregaram nesta quarta-feira obras do programa Minha Casa Minha Vida em Fortaleza.

Em passado recente, deputados e vereadores da base aliada no Ceará disputavam cada centímetro de palanques armados para a solenidades dessa natureza. Agora é diferente. Pelo PT, apenas Camilo Santana. E pelo PDT compareceram, representando instituições, o prefeito Roberto Cláudio; o presidente da Assembleia Legislativa, José Sarto; o presidente da Câmara de Vereadores, Antônio Henrique; e o secretário estadual das Cidades, Zezinho Albuquerque.

O líder da bancada cearense na Câmara dos Deputados, Domingos Neto (PSD), também esteve no local, mas é figura neutra, já que sai governo, entra governo, é sempre governista. Nesse caso, o critério de convicções partidárias ou programáticas não conta.

Por falar em posicionamento político, outra parte do palanque estava ocupado por adversários dos Ferreira Gomes e do PT. O deputado federal Heitor Freire e pelos deputados estaduais André Fernandes e Delegado Cavalcante, todos do PSL, partido de Jair Bolsonaro, acompanharam o ministro. Aliás, uma imagem ilustrativa desse novo momento é ver Fernandes (que “viralizou” nas redes com um vídeo em que chamou o governador de frouxo) praticamente ao lado de Camilo.

O compartilhamento de palanques entre governistas e parlamentares opositores no Ceará não acontecia desde o governo de Lúcio Alcântara, então no PSDB, enquanto o governo federal estava com o PT. Por enquanto, o PSL trabalha para mostrar protagonismo. É preciso ver se eventuais alianças para as eleições do ano que vem podem levar outros partidos para as inaugurações e entregas federais.

De resto, apesar das diferenças políticas, tanto o governador Camilo Santana como o ministro Gustavo Canuto mostraram jogo de cintura, evitando constrangimentos e preservando a institucionalidade. É o que se espera de autoridades, sem que isso deixe de representar um importante sinal de alteração na correlação de forças partidárias no Ceará.

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Luizianne: “Não sou um Ciro Gomes da vida”

Por Wanfil em Partidos

14 de Março de 2019

Luizianne e o dilema do PT no Ceará: responder aos ataques de Ciro e arriscar a aliança ou silenciar e frustar a militância? (Foto – Agência PT)

A deputada federal Luizianne Lins quebrou o silêncio dos petistas cearenses após a troca de farpas entre Ciro Gomes (PDT) e a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann. O registro é do site Focus.jor.

Na sequência de uma série de críticas sobre a gestão de Roberto Cláudio em Fortaleza – ressaltando que eram considerações feitas de forma consistente e sem picuinha – a petista não resistiu e mandou ver no final: “Não sou um Ciro Gomes da vida”.

Não foi uma resposta direta a Ciro, mas uma referência implícita, ainda que tímida, aos ataques contra a cúpula do PT, incluindo Lula. Estes é que seriam inconsistentes e picuinha.

Que Luizianne e Ciro não se bicam, isso não é novidade. Acontece que agora, em meio ao tiroteio entre PDT e PT na disputa pelo papel de protagonista da esquerda brasileira, e com as eleições do próximo ano no radar dos partidos, as provocações ganham nova relevância diferente, pois podem afetar a aliança entre o partido do governador Camilo Santana e o maior partido de sua base, liderado por Ciro.

Se as lideranças do PT no Ceará preferiram a prudência para preservar espaços na gestão estadual, chega um momento que diante de acusações pesadas (difíceis de refutar, diga-se) que atingem a figura mais idolatrada do petismo, que é Lula, aí fica complicado para essas lideranças explicarem a postura para as bases de sua militância.

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PT X PDT: Gleisi Hoffmann publica foto com Camilo Santana após troca de farpas com Ciro

Por Wanfil em Política

13 de Março de 2019

Gleisi Hoffmann, chamada de quadrilheira por Ciro, posa para foto com Camilo Santana, aliado de Ciro, chamado de coronel ressentido por Gleisi – Foto: Twitter / Gleisi Hoffmann

Um dia após Ciro Gomes (PDT) ter chamado a deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, de “chefe da quadrilha” que comanda uma “organização criminosa”, a petista publicou no Twitter foto com o governador do Ceará, Camilo Santana, que é do PT e também muitíssimo ligado a Ciro e Cid Gomes, que comandam a base aliada no Estado.

Junto com eles aparece ainda o deputado federal José Guimarães, que manda no PT cearense. Camilo Santana cumpria agenda oficial em Brasília nesta quarta (13).

A petista, aliás, já tinha rebatido Ciro, a quem chamou de “coronel ressentido, oportunista e covarde“., mas não parou por aí. Na imagem ao lado de Camilo, como que sugerindo uma espécie de desagravo, Gleisi escreveu: “Seguimos firmes, juntos, pelo Brasil e pelo Ceará.

Mais do que mera fofoca ou simples briguinha entre ex-aliados de campanhas passadas, a troca de farpas expressa movimentações políticas importantes. O desgaste vem desde as eleições do ano passado: o PDT perdeu aliados para o PT no primeiro turno e por isso não se engajou na campanha de Fernando Haddad (PT) no segundo turno. Agora, com a escalada de acusações mútuas, o silêncio da executiva estadual do PT é sintomático.

Com tanta confusão, notícias de conversas entre Camilo Santana e o PSB sobre uma possível mudança de partido voltaram a ganhar corpo, inclusive, com a possibilidade de o PT lançar candidato próprio à Prefeitura de Fortaleza, atropelando o PDT de Roberto Cláudio.

Esse é outro aspecto que sempre deve ser levado em consideração nessas circunstâncias. O que tenta parecer aos olhos do público como divergência de valores inegociáveis, no fundo, é disputa visando as próximas eleições.

Leia mais no blog: PT apanha de Ciro e não reage: por quê?

Ciro Gomes ocupa vazio deixado por Fernando Haddad

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Suposta quebra de sigilo de Camilo e Cid repercute na Assembleia Legislativa do Ceará

Por Wanfil em Assembleia Legislativa

08 de Março de 2019

Heitor Férrer sugeriu que a notícia do jornal O Globo fosse acompanhada de perto. É o mínimo que se espera do parlamento. (Foto: Edson Júnior Pio /AL)

O deputado estadual Heitor Férrer (SD) comentou – apenas comentou – no plenário da Assembleia Legislativa, na quinta-feira (7), a respeito de uma matéria do jornal O Globo sobre a quebra dos sigilos fiscal e bancário do governador Camilo Santana e do senador Cid Gomes, por determinação da Justiça Federal do Ceará. Segundo Heitor, é preciso “acompanhar de perto para chegarmos à verdade, doa a quem doer”.

Tudo isso por causa de um inquérito que investiga um suposto propinoduto para financiar campanhas eleitorais no Ceará com dinheiro público do Fundo de Desenvolvimento da Indústria (FDI), intermediado pela J&F, conforme delação dos notórios Joesley e Wesley Batista. Outras 66 pessoas estariam envolvidas. Em nota para o portal Tribuna do Ceará, Camilo e Cid afirmaram desconhecer a decisão.

Voltando ao plenário da Assembleia, os deputados Julio César Filho (PPS), Sérgio Aguiar (PDT) e Romeu Aldigueri (PDT), da base aliada, questionaram a veracidade da notícia.

Júlio César disse que a matéria não expôs as fontes da informação. Não é bem assim que funciona, deputado. Sem o sigilo da fonte, por exemplo, o Washington Post não teria revelado o Watergate. Sérgio Aguiar, seguindo o exemplo de São Tomé, foi cético: “Não vi em nenhum momento qualquer letra que fosse, assinada por qualquer juiz, de quebra de sigilo fiscal e bancário dessas duas autoridades que reputo de grande relevância”. Tudo bem, cada um com suas incredulidades. E Romeu Aldigueri, cuidadoso como os demais, lembrou que “vivemos num mundo de fake news“.

Os deputados disseram ainda que governadores e senadores só podem ser processados pelo STJ e pelo STF. Não sou jurista, mas à época do esquema denunciado pelos irmãos Batista, em 2014, Camilo não era governador e Cid não era senador. E se não me engano, em 2018 o STF decidiu que o foro privilegiado para deputados e senadores só vale para casos ocorridos no exercício do cargo. O novo entendimento pode ser estendido a outras autoridades.

De todo modo, no que diz respeito ao papel da Assembleia Legislativa, a questão não é essa. O parlamento tem a prerrogativa e o dever de fiscalizar o Executivo, e portanto, o uso dos recursos do FDI, afinal, realmente a J&F recebeu R$ 95 milhões em créditos fiscais após doar R$ 20 milhões para campanhas. É muito dinheiro e muita coincidência. Por isso mesmo, o parlamento poderia solicitar informações aos órgãos responsáveis e pelo menos confirmar – ou não – a existência do inquérito, mesmo que corra em segredo de justiça. Se não houve nada de errado, o melhor para os implicados é passar tudo a limpo o mais rápido possível. Não é?

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Suposta quebra de sigilo de Camilo e Cid repercute na Assembleia Legislativa do Ceará

Por Wanfil em Assembleia Legislativa

08 de Março de 2019

Heitor Férrer sugeriu que a notícia do jornal O Globo fosse acompanhada de perto. É o mínimo que se espera do parlamento. (Foto: Edson Júnior Pio /AL)

O deputado estadual Heitor Férrer (SD) comentou – apenas comentou – no plenário da Assembleia Legislativa, na quinta-feira (7), a respeito de uma matéria do jornal O Globo sobre a quebra dos sigilos fiscal e bancário do governador Camilo Santana e do senador Cid Gomes, por determinação da Justiça Federal do Ceará. Segundo Heitor, é preciso “acompanhar de perto para chegarmos à verdade, doa a quem doer”.

Tudo isso por causa de um inquérito que investiga um suposto propinoduto para financiar campanhas eleitorais no Ceará com dinheiro público do Fundo de Desenvolvimento da Indústria (FDI), intermediado pela J&F, conforme delação dos notórios Joesley e Wesley Batista. Outras 66 pessoas estariam envolvidas. Em nota para o portal Tribuna do Ceará, Camilo e Cid afirmaram desconhecer a decisão.

Voltando ao plenário da Assembleia, os deputados Julio César Filho (PPS), Sérgio Aguiar (PDT) e Romeu Aldigueri (PDT), da base aliada, questionaram a veracidade da notícia.

Júlio César disse que a matéria não expôs as fontes da informação. Não é bem assim que funciona, deputado. Sem o sigilo da fonte, por exemplo, o Washington Post não teria revelado o Watergate. Sérgio Aguiar, seguindo o exemplo de São Tomé, foi cético: “Não vi em nenhum momento qualquer letra que fosse, assinada por qualquer juiz, de quebra de sigilo fiscal e bancário dessas duas autoridades que reputo de grande relevância”. Tudo bem, cada um com suas incredulidades. E Romeu Aldigueri, cuidadoso como os demais, lembrou que “vivemos num mundo de fake news“.

Os deputados disseram ainda que governadores e senadores só podem ser processados pelo STJ e pelo STF. Não sou jurista, mas à época do esquema denunciado pelos irmãos Batista, em 2014, Camilo não era governador e Cid não era senador. E se não me engano, em 2018 o STF decidiu que o foro privilegiado para deputados e senadores só vale para casos ocorridos no exercício do cargo. O novo entendimento pode ser estendido a outras autoridades.

De todo modo, no que diz respeito ao papel da Assembleia Legislativa, a questão não é essa. O parlamento tem a prerrogativa e o dever de fiscalizar o Executivo, e portanto, o uso dos recursos do FDI, afinal, realmente a J&F recebeu R$ 95 milhões em créditos fiscais após doar R$ 20 milhões para campanhas. É muito dinheiro e muita coincidência. Por isso mesmo, o parlamento poderia solicitar informações aos órgãos responsáveis e pelo menos confirmar – ou não – a existência do inquérito, mesmo que corra em segredo de justiça. Se não houve nada de errado, o melhor para os implicados é passar tudo a limpo o mais rápido possível. Não é?