Ceará Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Ceará

Senador Cid Gomes surpreende e se licencia do cargo. O que realmente aconteceu?

Por Wanfil em Eleições 2020

04 de dezembro de 2019

Senador Cid Gomes (PDT) – Agência Senado

É a pergunta que todos se fazem após o pedido de licença feito antes mesmo de Cid Gomes completar um ano no Senado, às vésperas do recesso parlamentar e em meio a votações importantes no Congresso.

Negócios particulares e reestruturação do PDT no Ceará foram as justificativas anunciadas pela imprensa. A decisão, obviamente, antecipa o processo eleitoral junto ao grupo governista, algo que não combina com o estilo – e o histórico – do próprio Cid. Fica no ar uma impressão de urgência.

Não é o caso de falar em precipitação, que isso seria coisa de amador. Pelo visto, a situação exige dedicação integral de quem realmente decide (quase escrevi “deCID”). Apesar de surpreendente, esse movimento mais radical é até compreensível se levarmos em consideração alguns fatores:

– o governo federal como adversário combativo altera o cenário na comparação com outras eleições;
– opositores articulando apoio nacional de partidos que são aliados locais;
– o ressentimento petista;
– vácuo de liderança no PDT;
– disputas internas no imenso grupo governista;
– indefinições no interior;
– o avanço do PSD na base governista estadual;
– nomes com diferentes padrinhos aspirando à sucessão de Roberto Cláudio;
– falta de candidatos competitivos entre os aliados na capital;
– pesquisas, pesquisas e pesquisas.

É claro que algo mais pode ter acontecido, mas ir além desses pontos, nesse momento, é especular além da conta. Entretanto, como em política gestos possuem significados que vão além das explicações formais, as especulações nos bastidores serão inevitáveis nos próximos dias.

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Todo castigo é pouco

Por Wanfil em Legislação

20 de novembro de 2019

Parece gado no curral, mas são eleitores obrigados a cadastrar digitais, sob pena de punição – Foto: Tribuna do Ceará

O castigo é a sina do eleitor brasileiro. Mesmo que não queira, ainda que repudie os candidatos e odeie a política, ou considere os partidos farinha do mesmo saco, esse eleitor frustrado, ressentido, indiferente e apático é obrigado a votar. E como se não bastasse, em nome da modernidade, é forçado a fazer o cadastro biométrico, de modo que as urnas eletrônicas possam identificar o eleitor pelas digitais. No Brasil, até o suprassumo da tecnologia serve à nossa obsessão pela burocracia.

Por isso, nos últimos dias em Fortaleza, levas de eleitores desolados aguardam em filas quilométricas a vez de digitalizarem seus polegares. Quem não o fizer, não importa o motivo, se não cumprir com a obrigação eleitoral, terá o título cancelado e ficará impossibilitado de votar e ser votado, não poderá emitir passaporte, nem fazer matrícula em instituições públicas de ensino, será proibido de contrair empréstimos em bancos oficiais, receber o bolsa família ou assumir cargo público. E se já for servidor, não receberá o salário até regularizar a situação. Tá bom assim? Tome castigo.

Agora reparem a diferença: no lugar do eleitor, pense agora nos excelentíssimos eleitos. Não em qualquer um, mas nos que são corruptos notórios, desses que respondem a vários inquéritos ou que até tenham sido condenados por desvios milionários ou cassados por crime de responsabilidade. Pois bem, esses eleitos, apesar de tudo o que fizeram, a despeito da própria notoriedade, ainda assim terão direito a uma aposentadoria com salário nababesco e repleta de regalias. E mesmo que tenham sido sentenciados em segunda instância por lavagem de dinheiro, de acordo com a mais recente alteração de jurisprudência no STF, os corruptos terão o benefício da presunção de inocência até que os processos transitem em julgado. Isso se as ações não prescreverem no meio do caminho.

Castigo rápido, só para eleitores. Pela lei brasileira, quem merece desconfiança é o cidadão obrigado a votar.

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Ciro esculhamba Lula; Camilo abraça Lula; Ciro e Camilo se entendem. Como pode?

Por Wanfil em Política

13 de novembro de 2019

Ciro e Camilo trafegam em via de mão dupla. Sentidos opostos que se complementam – Foto: Visual Hunt

Ciro Gomes quebrou o silêncio sobre a soltura de Lula com duas entrevistas, uma ao jornal O Globo e outra a repórteres em evento realizado em São Paulo. Como todos gostam de uma confusão, a repercussão foi imediata. Em suma, Ciro voltou a esculhambar Lula e o PT. Repetiu que o ex-presidente não é inocente e que seu partido é uma quadrilha.

É o oposto da movimentações do governador Camilo Santana, que além de ir ao encontro de Lula, o exalta no padrão exigido aos petistas: como a uma entidade acima do bem e do mal. Para Camilo, os escândalos e o calvário jurídico de Lula são uma tremenda injustiça.

Ciro e Camilo divergem publicamente em relação ao ex-presidente ficha suja. E não se trata de uma discordância estratégica qualquer, mas de uma cisão que, no fundo, embora todos disfarcem, é de fundo moral: apoiar ou combater Lula significa condescender ou rechaçar com seus métodos. Como então eles conseguem conciliar essas diferenças? Por muito menos, amigos e parentes andam cortando relações. Henry De Montherlant explica: “A política é a arte de captar em proveito próprio a paixão dos outros”. É, os franceses entendem do riscado.

No fim, por enquanto, esquerdistas descontentes com o lulismo e esquerdistas idólatras de Lula convivem na mesma base aliada no Ceará como se isso fosse a coisa mais natural. Camilo agrada ao petismo sem desagradar ao cirismo quando confraterniza com Lula e ao mesmo tempo defende apoio a Ciro; e Ciro preserva a aliança estadual ao dizer que só o comando nacional do PT é que não presta, ressalvados os “petistas médios”, entre os quais cita Camilo, colocando ainda as coisas, pela sua ótica, nos devidos lugares.

Até quando isso vai funcionar, aí é outra conversa.

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Ciro ou Lula?

Por Wanfil em Política

11 de novembro de 2019

Não é de hoje que Camilo convive entre Lula e Ciro, mas nunca foi tão complicado – Foto: efeito sobre Divulgação/Inst. Lula/2016

A saída de Lula da cadeia produziu efeitos distintos no Ceará. O governador Camilo Santana, do PT, comemorou nas redes sociais a decisão do STF que soltou o correligionário condenado por corrupção e lavagem de dinheiro: “Justiça feita. Lula, o maior presidente que este país já teve, está livre”. Já o presidenciável Ciro Gomes (“Lula só pensa em si e virou um enganador profissional”) e seu irmão, o senador Cid Gomes (“o Lula tá preso, babaca!”), ambos do PDT , optaram pelo silêncio.

No Ceará, a convergência de interesses que une PT e PDT ainda produz benefícios mútuos, mas as brigas entre os seus comandos nacionais leva cada um a falar para seu próprio grupo na atual divisão da esquerda brasileira: os que ainda idolatram Lula e os que se decepcionaram com Lula. Juntos, os Ferreira Gomes e o PT ligado a Camilo abarcam as duas partes. Não foi por impulso que o governador foi a São Paulo abraçar o ex-presidente. Como tudo na política, houve cálculo nesse movimento. Basta reparar que Ciro ataca Lula até no campo moral, mas não critica o governador que enaltece o petista. Os espaços seguem devidamente ocupados por aliados no Estado.

Para as eleições municipais do próximo ano, especialmente nas capitais, o petismo cobra de Camilo uma atitude de independência e protagonismo, já o pedetismo lhe cobra, digamos assim, neutralidade. Isso já aconteceu antes, mas sem que Lula e Ciro estivessem tão afastados (para dizer o mínimo) como agora. Só pra lembrar, Lula afirmou recentemente que Ciro não tem perfil ideológico para representar a esquerda, pois troca de partido a cada eleição. O governador elogia os dois, por quem nutre admiração natural. E tem se mostrado bastante hábil nesse jogo, que fica cada vez mais complicado. Vejamos como será em 2020.

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As entrelinhas de Camilo na entrevista ao Estadão: Ciro erra, mas o PT erra mais

Por Wanfil em Política

22 de outubro de 2019

Camilo entre Ciro e o PT: a política, às vezes, é exercício de equilibrismo em terreno irregular. Imagem: recombiner on Visualhunt / CC BY-NC-SA

O governador Camilo Santana concedeu entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, com grande repercussão no Ceará: Estratégia de Ciro de atacar o PT ‘está errada’, diz Camilo. Por alguns instantes, o impacto da manchete pode ser compreendido como uma defesa do partido diante das pesadas acusações feitas pelo aliado e padrinho político.

Nessas horas, para manter a prudência, sempre me recordo de Nelson Rodrigues: “Ah, como é falsa a entrevista verdadeira”. É que o entrevistado, ciente da publicidade de suas palavras, modula opiniões ao sabor das conveniências ou das responsabilidades. Isso é normal. Em certos casos é até recomendável. Imagine então quando o assunto é política.

Na entrevista ao Estadão, eis a pergunta cuja resposta gerou a manchete: Os sucessivos ataques de Ciro ao PT podem causar algum abalo na relação entre o senhor e os Ferreira Gomes? 

O que poderia dizer o governador? Que lado escolher? Ciro diz com frequência que Lula é corrupto e que a cúpula do PT é uma quadrilha. Logicamente o governador discordou da “estratégia”, sem fazer juízo sobre conteúdos. E discorda por que? Porque “nenhuma candidatura se constituirá à esquerda, centro-esquerda, se não tiver o PT como aliado”. Faz sentido. Mas na prática, o que isso significa? Camilo não deixa dúvidas: “Defendi lá atrás que Ciro fosse candidato, defendi a chapa Ciro-Haddad. Era o momento de se unir em torno de um projeto”.

Resumindo, para Camilo Santana, Ciro erra ao atacar o PT, que errou primeiro ao não apoiar Ciro (e perder para Bolsonaro). É um exercício de equilibrismo. Ocorre que o ex-presidente Lula discorda da tese. Em entrevista ao UOL na semana passada, o chefe petista disparou contra Ciro: “Toda vez que disputa uma eleição, procura um partido e entra. Não tem perfil ideológico. O PT não aceita isso”.

No Ceará, PT e PDT são aliados, com os petistas a serviço do projeto político liderado por Ciro  e Cid Gomes. Uma vez que a reprodução de uma parceria nacional nessas condições é impossível, o jeito é sustentar que a aliança cearense deveria servir de modelo, afinal, mesmo sem controlar a máquina eleitoral, o PT acabou elegendo um governador.

Acontece que o cenário nacional é bem diferente do estadual. Se no Ceará o cirismo é maior que o petismo, no Brasil, o lulismo, ainda que alquebrado por causa de escândalos de corrupção, é maior que o cirismo.

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Onda de ataques no Ceará recua: a gente se acostuma, mas não devia

Por Wanfil em Crônica

01 de outubro de 2019

A nova onda de ataques criminosos no Ceará, no final de setembro, refluiu nesta semana. É a mesma dinâmica de outras vezes: as forças de segurança e o passar dos dias atuam para o arrefecimento das ações. Tudo controlado? Difícil dizer. Na verdade, pelo histórico, a possibilidade de ainda acontecerem novos episódios dessa natureza é bastante plausível.

Como sempre, autoridades garantem que tudo é reação de criminosos contra exitosas políticas de segurança pública. Então, tá. E nessa toada, o padrão repetitivo não poupa nem mesmo este blog, onde o assunto também já banalizou. Isso me fez lembrar de uma crônica da jornalista e escritora Marina Colasanti, sobre a capacidade de nos acostumarmos a situações ruins. Segue um pequeno, mas muito apropriado, trecho:

“A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz aceita ler todo dia, de guerra, dos números, da longa duração”.

A verdade é que nos acostumamos a ver no noticiário imagens de ônibus em chamas, os murais com ordens de facções, toques de recolher; que aceitamos ouvir desculpas e promessas, como se tudo fosse natural ou até inevitável. Nos resignamos a esquecer, aos poucos, como era a paz. Logo no início do referido texto, Colasanti faz um chamado à reflexão que, ao mesmo tempo, o intitula: “Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.”

No vídeo abaixo, a autora explica como a crônica nasceu e arremata: “Eu não quero me acostumar”.

Eu também não.

 

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O progressismo linha dura de Camilo Santana

Por Wanfil em Ceará

26 de setembro de 2019

Se é verdade que o domínio da linguagem corresponde ao domínio do discurso, e este, por sua vez, permite a possibilidade de domínio do poder, as declarações do governador Camilo Santana diante de mais uma onda de ataques no Ceará são mais eloquentes do que podem parecer.

Políticos possuem uma especial capacidade submeter suas falas às circunstâncias. Se percebem que o ambiente mudou, modulam seus posicionamentos e ajustam a linguagem e o discurso. Camilo é do Partido dos Trabalhadores, portanto, um social-democrata mais à esquerda, ou um progressista, como seus adeptos preferem ser chamados. E todos conhecem o discurso do progressismo sobre segurança. Repressão não adianta, prisões aumentam o crime, punir é errado (o certo e recuperar), e por aí vai. Entretanto, é possível perceber que as expressões utilizadas pelo governador se deslocaram para uma abordagem mais linha dura.

Nas redes sociais, ainda na terça-feira, o petista chamou bandido de bandido (e não de suspeito), repetiu a palavra enfrentamento várias vezes, disse que a polícia vai trabalhar de forma firme e que “a possibilidade de regalias no sistema prisional é zero”. Falei sobre isso na coluna que faço para a Tribuna Band News Fortaleza. Agora, nesta quinta-feira, o site UOL estampou como manchete o seguinte: Governador do CE contraria PT e pede lei antiterrorismo após novos ataques.

Nada contra, pelo contrário. Aliás, é importante a presença mais assertiva do chefe do Executivo nesse momento de crise. Mas, politicamente, é preciso fazer a constatação: descontadas as diferenças de estilo e intensidade, trata-se inegavelmente de uma concessão ao discurso sobre segurança pública que ajudou a eleger Jair Bolsonaro. Não por acaso, a oposição tem elogiado a postura do governo cearense. Pudera. Se linguagem é poder, esse episódio revela que esse discurso mais duro no combate ao crime será a linha adotada, da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, nas próximas eleições. Como diz o ditado, em terra de sapo, de cócoras com ele.

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Os novos ataques e a segurança pública no Ceará: do discurso à realidade

Por Wanfil em Segurança

24 de setembro de 2019

Governador Camilo Santana reunido com gestores de segurança: nova onda de ataques surpreende autoridades  no Ceará – Foto: divulgação

Depois que a onda de ataques promovidos por facções criminosas no Ceará foi debelada, no início deste ano, com a atuação conjunta de forças estaduais e federais, o índice de homicídios no Estado recuou 56,5% no primeiro semestre, segundo o 13º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Setores do Governo do Ceará e do Governo Federal passaram a enfatizar suas iniciativas, como se o problema estivesse resolvido ou, no mínimo, praticamente imune a retrocessos. Como discípulos do Doutor Pangloss, deixavam a entender que tudo seguia da melhor forma dentro do melhor cenário possível.

As exceções foram a Secretaria de Administração Penitenciária do Ceará, com Mauro Albuquerque lembrando que a contenção das facções nos presídios é um longo processo que requer, inclusive, mais treinamento para os agentes penitenciários, e o Ministério da Justiça e Segurança Pública, com Sérgio Moro elogiando governadores, mas pedindo prudência, pois os números ainda precisam se consolidar para uma avaliação mais precisa das ações. O resto preferiu fazer política.

Inclusive, na página de notícias do governo cearense não há mais menções à colaboração federal, como já mostrei em outros posts: Trabalho das forças de segurança do Ceará resulta na redução dos CVLIs no primeiro semestre de 2019 e Referência no Brasil, Ceará chega ao 17° mês seguido de queda nos crimes violentos. Fica evidente a insinuação, sutil, de que os números positivos de 2019 seriam obra exclusiva de escolhas estaduais.

Não é o caso de deixar de reconhecer avanços e acertos estaduais ou de superestimar a ajuda federal, mas de entender, agora que uma nova onda de ataques organizados por facções surpreendeu as autoridades cearenses, que a opção por uma estratégia de comunicação contaminada pela narrativa política foi equivocada. É que discursos dessa natureza criam expectativas e muitas vezes, ilusões, que podem ser desfeitas pela realidade. E agora, de quem é a responsabilidade?

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O PIB cearense e o rabo do cachorro

Por Wanfil em Economia

20 de setembro de 2019

O PIB do Ceará cresceu o dobro do PIB brasileiro no segundo trimestre de 2019, em comparação com o mesmo período de 2018. Foram 2,08% de alta, conforme o divulgado pelo IPECE, contra 1% do produto nacional, medido pelo IBGE. Colocados em contraposição, os números até lembram um placar, porém, as coisas são mais complexas, claro, pois não há competição e todos são (teoricamente) do mesmo time.

Comentei sobre o assunto nesta sexta-feira, na Tribuna Band News Fortaleza (101.7). Reproduzo alguns trechos abaixo. No final, explico o título do post:

Os números ainda não os ideais, mas indicam um fluxo positivo. O desarranjo nas contas públicas brasileiras que levou o país à recessão, ainda está longe de ser superado. Os cortes e contingenciamentos nos orçamentos estaduais e federal não ocorrem por capricho, para mas cobrir o buraco deixado pela crise. São processos lentos. Não é questão de ser otimista ou pessimista, de ser de esquerda, de centro ou de direita, mas de números.

Medidas adotadas pelo governo do Ceará, como a concessão do aeroporto para a iniciativa privada, foram sem dúvida importantíssimas para esse resultado, da mesma forma que a aprovação da reforma da Previdência (que não contou com o emprenho de alguns governadores) animou investidores. Está tudo conectado.”

É isso. Ainda existem reformas a serem discutidas, como a tributária. O novo marco regulatório para o saneamento básico também é matéria de grande impacto para o crescimento econômico e desenvolvimento social. Não adianta comemorar PIB estadual se não trabalhar, no Congresso Nacional, em favor da recuperação da economia brasileira. O todo, como dizia Aristóteles, é maior que a soma das partes. E nesse caso, adaptando a teoria pra a política econômica, as partes dependem do todo : não há como unidades da federação prosperarem de forma sustentada, se o resto desanda. Como diz a piada, não é o rabo que balança o cachorro, mas o contrário.

O paradoxo político dessa lógica é o seguinte: se estados opositores ao governo federal, como os do Nordeste, apoiam as reformas, ou pelo menos trabalham para construir consensos, acabam fortalecendo o discurso dos governistas. Se as sabotam, atrasando ou inviabilizando a retomada do crescimento, seus estados sofrerão as consequências, prejudicando também a imagem dos governos estaduais. Nesse jogo, todos de olha nas pesquisas e nas redes sociais.

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CPI da Lava Jato é pauta que une PT e PDT

Por Wanfil em Política

17 de setembro de 2019

Divergências à parte, descontados alguns discursos, ninguém solta a mão de ninguém

A ambiguidade é um recurso muito usado na política, afinal, é a arte do possível, mas em excesso pode causar contradições que levam ao descrédito.

Explico: enquanto Ciro Gomes chama Lula de corrupto, Fernando Haddad de fraude e o PT de quadrilha, seu partido PDT une forças com esse mesmo PT por uma CPI na Câmara dos Deputados para investigar a Lava Jato e o ex-juiz Sérgio Moro, atualmente ministro da Justiça. Acusar os ex-aliados de corrupção e ao mesmo tempo ajudá-los a constranger os investigadores que revelaram seu esquema criminoso, é ultrapassar a linha que separa ambiguidade de contradição.

O PDT até pode alegar que reconhecer o crimes do petismo não implica em concordar com os métodos da Lava Jato. É verdade, e para isso é possível apelar a outras instâncias, como o STF. Mas ao optar pela ação política, via comissão parlamentar de inquérito, em aliança com os principais investigados pela Lava Jato, os pedetistas assumem, ou endossam, um discurso contraditório ao seu, pois o PT alega inocência e se diz vítima de perseguição de uma conspiração judiciária.

No fim das contas, a conclusão não pode ser outra: discursos públicos, discordâncias, troca de farpas e ressentimentos à parte, no que interessa mesmo, PT e PDT estão sempre juntos.

Cearenses que defendem a CPI da Lava Jato

Para selar a parceria, um dos autores do pedido de CPI é o deputado federal André Figueiredo, do PDT do Ceará. De resto, da bancada cearense, também assinam o pedido para investigar a investigação contra a corrupção os deputados Aníbal Gomes (MDB), Denis Bezerra (PSB), Domingos Neto (PSD), Eduardo Bismarck (PDT), Idilvan Alencar (PDT), José Aírton (PT), José Guimarães (PT), Júnior Mano (PL), Leônidas Cristino (PDT), Luizianne Lins (PT), Moses Rodrigues (MDB), Robério Monteiro (PDT).

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CPI da Lava Jato é pauta que une PT e PDT

Por Wanfil em Política

17 de setembro de 2019

Divergências à parte, descontados alguns discursos, ninguém solta a mão de ninguém

A ambiguidade é um recurso muito usado na política, afinal, é a arte do possível, mas em excesso pode causar contradições que levam ao descrédito.

Explico: enquanto Ciro Gomes chama Lula de corrupto, Fernando Haddad de fraude e o PT de quadrilha, seu partido PDT une forças com esse mesmo PT por uma CPI na Câmara dos Deputados para investigar a Lava Jato e o ex-juiz Sérgio Moro, atualmente ministro da Justiça. Acusar os ex-aliados de corrupção e ao mesmo tempo ajudá-los a constranger os investigadores que revelaram seu esquema criminoso, é ultrapassar a linha que separa ambiguidade de contradição.

O PDT até pode alegar que reconhecer o crimes do petismo não implica em concordar com os métodos da Lava Jato. É verdade, e para isso é possível apelar a outras instâncias, como o STF. Mas ao optar pela ação política, via comissão parlamentar de inquérito, em aliança com os principais investigados pela Lava Jato, os pedetistas assumem, ou endossam, um discurso contraditório ao seu, pois o PT alega inocência e se diz vítima de perseguição de uma conspiração judiciária.

No fim das contas, a conclusão não pode ser outra: discursos públicos, discordâncias, troca de farpas e ressentimentos à parte, no que interessa mesmo, PT e PDT estão sempre juntos.

Cearenses que defendem a CPI da Lava Jato

Para selar a parceria, um dos autores do pedido de CPI é o deputado federal André Figueiredo, do PDT do Ceará. De resto, da bancada cearense, também assinam o pedido para investigar a investigação contra a corrupção os deputados Aníbal Gomes (MDB), Denis Bezerra (PSB), Domingos Neto (PSD), Eduardo Bismarck (PDT), Idilvan Alencar (PDT), José Aírton (PT), José Guimarães (PT), Júnior Mano (PL), Leônidas Cristino (PDT), Luizianne Lins (PT), Moses Rodrigues (MDB), Robério Monteiro (PDT).