Chapecoense Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Chapecoense

A tragédia da Chapecoense e a condição humana

Por Wanfil em Crônica

04 de dezembro de 2016

A Varanda, de Manet (1868)

A Varanda, de Manet (1868)

Em 1868 Édouard Manet apresentou “A Varanda”, pintura em óleo que retrata o frescor de duas jovens a contemplar a vista. Anos depois, em 1950, René Magritte usou o mesmo cenário para pintar “O Balcão de Manet”, substituindo as pessoas do original por mórbidos caixões.

O Balcão de Manet, de Margritte (1950)

O Balcão de Manet, de Magritte (1950)

Em 2016, a tragédia do acidente aéreo com a equipe da Chapecoense, jornalistas e tripulação de um voo fretado comoveu o mundo. As imagens do avião despedaçado contrastam com outras feitas nos dias anteriores, de jogadores repletos de alegria por suas conquistas, de jovens que contemplavam a vida que teriam e os planos que faziam. Tudo encerrado de uma hora para a outra.

O mesmo contraste entre os quadros de Manet e Magritte: a vida é frágil, um sopro. É a condição humana que nos aproxima do episódio. É doloroso constatar assim a efemeridade da vida.

Tudo indica, preliminarmente, que a possível causa do acidente tenha sido a irresponsabilidade do piloto, que arriscou tudo apostando em voar no limite do combustível que, ao final, se mostraria insuficiente para levar a aeronave até o destino planejado. E agora aqueles jovens atletas, com saúde e cheios de vida, já não estão entre nós. Por muitos instantes, ao acompanhar a intensa cobertura sobre o caso, imaginei, como Magritte, um paralelo da realidade: não confiamos demais na ideia de tempo que cultivamos, confiantes de que amanhã será mais um dia, como se a matéria não fosse frágil, deixando para depois o que poderia ser dito hoje?

Que Deus conforte parentes e amigos das vítimas, que seguem agora, sendo o que são, na maior das viagens.

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A tragédia da Chapecoense e a condição humana

Por Wanfil em Crônica

04 de dezembro de 2016

A Varanda, de Manet (1868)

A Varanda, de Manet (1868)

Em 1868 Édouard Manet apresentou “A Varanda”, pintura em óleo que retrata o frescor de duas jovens a contemplar a vista. Anos depois, em 1950, René Magritte usou o mesmo cenário para pintar “O Balcão de Manet”, substituindo as pessoas do original por mórbidos caixões.

O Balcão de Manet, de Margritte (1950)

O Balcão de Manet, de Magritte (1950)

Em 2016, a tragédia do acidente aéreo com a equipe da Chapecoense, jornalistas e tripulação de um voo fretado comoveu o mundo. As imagens do avião despedaçado contrastam com outras feitas nos dias anteriores, de jogadores repletos de alegria por suas conquistas, de jovens que contemplavam a vida que teriam e os planos que faziam. Tudo encerrado de uma hora para a outra.

O mesmo contraste entre os quadros de Manet e Magritte: a vida é frágil, um sopro. É a condição humana que nos aproxima do episódio. É doloroso constatar assim a efemeridade da vida.

Tudo indica, preliminarmente, que a possível causa do acidente tenha sido a irresponsabilidade do piloto, que arriscou tudo apostando em voar no limite do combustível que, ao final, se mostraria insuficiente para levar a aeronave até o destino planejado. E agora aqueles jovens atletas, com saúde e cheios de vida, já não estão entre nós. Por muitos instantes, ao acompanhar a intensa cobertura sobre o caso, imaginei, como Magritte, um paralelo da realidade: não confiamos demais na ideia de tempo que cultivamos, confiantes de que amanhã será mais um dia, como se a matéria não fosse frágil, deixando para depois o que poderia ser dito hoje?

Que Deus conforte parentes e amigos das vítimas, que seguem agora, sendo o que são, na maior das viagens.