coronavírus Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

coronavírus

Precisamos falar de eleições agora?

Por Wanfil em Eleições 2020

05 de junho de 2020

Eleições: com ou sem vírus, o tempo corre. Candidatos a candidato também

Desde que a pandemia do coronavírus chegou ao Brasil, há pouco mais de dois meses, perguntas sobre um eventual adiamento das eleições municipais ou sobre possíveis candidatos eram invariavelmente respontidas por governantes, gestores públicos e lideranças políticas mais ou menos asssim: “Não é hora de falar em eleição”. Agiam, todos, com a responsabilidade que o momento ainda pede, deixando claro que a prioridade absoluta é o combate à propagação da doença. Certíssimo.

Ocorre que o tempo passou e a crise sanitária mostrou ser mais duradoura que o previsto. E aí, as seguidas prorrogações do isolamento, combinadas com a difícil retomada gradual da economia, se chocam hoje com o calendário eleitoral, que obriga secretários municipais e estaduais a deixarem seus cargos quatro meses antes da disputa, caso pensem em se candidatar a cargos majoritários. O prazo terminou ontem (4).

Adivinhem o que aconteceu? Levas de secretários foram exonerados Brasil afora, de olho nas eleições. Não há nada de errado nisso, são movimenações esperadas e legítimas para esses períodos, pelo menos condições razoavelmente normais e previsíveis. Mesmo agora não significa que a pandemia tenha deixado de ser o centro absoluto das preocupações. Os secretários da Sáude, que são os principais nomes nessa frente, parecem preservados de tais implicações políticas e seguem nos seus postos, como todos esperamos. Isso é bom. Quem sai, é porque, certamente, poderá ser substituído por outros nomes bem avaliados, sem prejuízo para a gestão.

Agora, politicamente, se antes não era hora de falar em eleições, o fato é que, com ou sem coronavirus, quando o calendário eleitoral se impõe, forçando os protagonistas desses processos a fazer escolhas e a tomar posicionamentos, bom, podemos perceber as coisas não são bem assim. Estão aí as exonerações. Ninguém abriu mão.

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A política entre sufocos e respiradores

Por Wanfil em Política

26 de Maio de 2020

Respiradores: alívio nos hospitais, sufoco na política. Foto: divulgação/MD

Se todos concordam que o mundo não será mais o mesmo depois do coronavírus, é impossível deixar de concluir que algumas coisas jamais mudarão, como governos usando instiuições públicas com fins políticos, ou governantes acusando instituições de agirem politicamente para prejudicá-los. Resultado: fica realmente difícil saber quando as instituições agem de modo técnico e quando governos falam a verdade.

Foi assim no impeachment de Collor, no mensalão, no petrolão, na Lava Jato, nos casos Celso Daniel e Mariele, e tantos outros. Quem é governista, acredita na inocência do governo e das insituições do estado por eles controladas; quem é oposição, acredita na culpa do governo e dos seus operadores. Como dizia Marcel Proust, os fatos não penetram no mundo das crenças. Acontece que, às vezes, fatos e crenças se misturam de um jeito que o cinza prevalece sobre o preto e o branco.

Por exemplo. Agora em Fortaleza, o prefeito Roberto Cláudio (PDT), acusa o uso político de instituições federais na Operação Dispneia, que investiga a compra de respiradores para o combate à Covid-19, sob suspeita de superfaturamento. E agora? Se a acusação é clássica no repertório das desculpas políticas, por outro lado, Sérgio Moro, ex-ministro da Justiça e estrela da Lava Jato, acusa o presidente Jair Bolsonaro de aparelhar a Polícia Federal com fins políticos, o que dá verossimilhança as desconfianças levantadas pelo prefeito. Sem esquecer que Roberto Cláudio é aliado de Ciro Gomes, adversário de Bolsonaro. Percebem? Pra complicar, o mesmo acontece em São Paulo, Maranhão e Rio de Janeiro. Fica tudo confuso. Quem tem razão?

Podemos tentar um apelo à lógica. Por que uma gestão já reeleita e que caminha para o final se arrsicaria tanto justo no momento em que suas ações na saúde – divergências ideológicas à parte – estão sob os holofotes da preocupação geral? Não faz sentido. No entanto, o mesmo vale para as instituições. Não apenas a PF, mas também a CGU, o MPF e a própria Justiça Federal, que atuaram juntas na Dispneia. Que um ou outro nome desses órgãos seja sucetível a pressões, tudo bem, mas acreditar que todos os envolvidos, profissionais concursados e bem pagos, seriam ao mesmo tempo assim manipulados, é complicado. Gente demais, deixaria pontas soltas.

Por enquanto, o bom senso sugere cautela. Houve erro? Ou dolo? Corrupção? Abuso de poder? Perseguição? Impossível responder agora. Acontece que o tempo dos inquéritos e de eventuais processos judiciais é diferente do tempo da política, especialmente em ano eleitoral. Por isso, o que temos nas redes sociais é uma batalha de versões. E o barulho de suas respectivas torcidas.

Para quem assiste de fora, é fundamental cobrar que tudo seja tratado com o máximo de responsabilidade e o mínimo de ilações, para que o foco na crise da saúde e na crise econômica não seja afetado.

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Bolsonaro e Lula ignoram mortes por Covid-19 e usam pandemia para atacar adversários

Por Wanfil em Brasil

20 de Maio de 2020

Oportunismo político na pandemia. Diferentes, opostos, adversários, mas parecidos. Às vezes, quase iguais. Foto: Jackson Trizolio/Flickr

O Brasil registrou pela 1ª vez mais de mil óbitos por Covid-19 em 24h. Foram contabilizadas 1.179 mortes somente nesta terça-feira (19). Isso sem esquecer que esse número, infelizmente, deve ser bem maior, por causa da enorme subnotificação de casos no país. Antes do fim da semana passaremos a casa das vinte mil vítimas fatais.

Pois bem, na noite da mesma terça, o presidente Jair Bolsonaro disse, em meio a risadas durante uma entrevista, que “quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma tubaína”.

E para completar esse mesmo dia, o ex-presidente e ex-presidiário Lula da Silva, também em entrevista,afirmou que “ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus”, para mostrar “que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises”.

Bolsonaristas e lulistas se imaginam muito diferentes, mas seus ídolos não perdem a oportunidade de tentar capitalizar politicamente com a tragédia e com a crise, acusando adversários ideológicos. Na verdade, usam chavões de modo rudimentar para disfarçar de ideologia o que é apenas oportunismo politiqueiro. Dizer que essas divergências deveriam ser colocadas de lado, que o foco deveria ser o combate ao vírus, é perda de tempo.

Há quem critique um, mas elogie o outro, e vice-versa. E não apenas os radicais que empestam as redes sociais, mas autoridades como governadores, prefeitos e parlamentares também fazem parte dessas, digamos, torcidas. Pensam também que são muito diferentes uns dos outros, mas assemelham-se igualmente pelas mesmas razões. Não digo que sejam iguais, que não existam diferenças marcantes entre esses personagens, apenas noto que partes essênciais dos seus discursos e métodos são mais parecidos do que podem admitir.

Existem ainda os que criticam os dois, mas que assumem formas parecidas de agir: apostam na polêmica, na intriga, no voluntarismo, na excitação de ressentimentos.

São essas as grandes lideranças nacionais?

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As crises dentro da crise

Por Wanfil em Política

13 de Maio de 2020

Brasil sofre com sequência de crises que lembram matrioscas russas: uma dentro da outra. Foto: Manuel M.V./Flickr

Brigas com governadores, com o Supremo e o com Congresso, racha na base alida e no próprio partido, demissão do minsitro Mandetta, boicote ao isolamento social, apoio a manifestantes radicais, “e daí?”, negociações com o Centrão, rumores sobre o vídeo da reunião ministerial com ameaças de interferência na PF dirigidas ao então ministro Sérgio Moro…

A sucessão de crises políticas alimentadas pelo presidente Jair Bolsonaro e seu entorno durante a crise de saúde causada pela pandemia do coronavírus, pressupõe a existência de alguma intenção, algum objetivo. Não pode ser assim à toa, por mais que poss parece sem sentido. Como disse Polônio a respeito de Hamlet, “embora seja loucura, tem lá o seu método”.

Vejamos algumas possibilidades: 1) o objetivo é manter um estado permanente de polarização, que serve para aglutinar sua base “anti-sistema”; 2) evitar o aprofundamento de uma crise, colocando outra em seu lugar e assim sucessivamente; 3) impedir que a oposição concentre esforços numa pauta única; 4) dispersar as atenções com polêmicas, enquanto trabalha uma agenda sigilosa; 5) banalizar o próprio sentido de crise com intrigas vazias, como antídoto contra crises de verdade.

Como toda ação corresponde a uma reação, a duração prolongada e a intensidade desse, vá lá, método de gestão, com uma crise saindo de dentro da outra incessantemente, como numa gigantesca e metafórica boneca russa, tem causado efeitos que talvez o presidente não tenha imaginado.

A estratégia tem efeitos colaterais. Vamos a alguns: 1) o mercado e parte do eleitorado antipetista passa a ver na figura presidencial um foco de instabilidade que atrapalha a economia tanto quando o coronavírus; 2) transmite a ideia de que o combate a pandemia não é prioridade, ou seja, de indiferença; 3) o excesso de frentes polêmicas é percebido como falta de rumo; 3) a falta de rumo gera desconfiança; 4) a profusão de confusões passa a ser, ela mesma, a pauta central dos adversários do governo, que o acusam de despreparado governante; 5) isola e enfraquece a autoridade do governo para reagir contra crises de verdade.

Existe ainda outra opção: tudo seja obra do acaso, um caos que nasce do improviso e da teimosia cega. Nesse caso, teríamos que admitir que, para não eleger uma quadrilha de assaltantes que ameaçava retornar ao poder, o país elegeu alguém desprovido das qualidades para o exercício da liderança. E agora temos o que temos.

Somente o fato de vivermos semelhante impasse já sinal de que estamos a mercê de uma loucura sem método. Não há sanidade que resista.

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Centrão leva o Dnocs: entre a “velha política” e o “novo normal”

Por Wanfil em Política

07 de Maio de 2020

Dnocs: moeda de troca para apoio político. É o “velho normal” – Foto: Divulgação

Em meio à pandemia do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro trocou o comando do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). Seu novo diretor geral foi indicado pelo Centrão, grupo de partidos fisiologicos que até outro dia era acusado pelo presidente de praticar a “velha política”, ou seja, de trocar apoio no Congresso por cargos e verbas. O famoso “toma lá, da cá”.

Bolsonaro até montou um ministério sem loteamento partidário, mas com o tempo, e as confusões, perdeu a própria base parlamentar, a começar pelo racha no PSL, seu ex-partido. Isolado, sem alternativas, faz agora o que Dilma e Temer já fizeram, com maior ou menor grau de sucesso na relação (lá vai!) custo/benefício.

A troca no Dnocs não chamou muita atenção por causa da urgência no combate ao coronavírus, que é o que importa agora. Para nossa sorte, as chuvas foram boas. Porém, a mudança de critérios para nomeações federais é indicativa de que outros órgãos federais estão sujeitos a negociações e mudanças para abrigar os nonvos aliados.

Por enquanto, nada disso deve impactar na correlação de forças políticas no Ceará. É que por aqui, pelas mesmas razões, a maioria desses partidos apoia a gestão estadual. O Centrão não tem, definitivamente, preconceito ideológico.

Muito se fala que depois do coronavírus, nada será como antes, ou que teremos um “novo normal”. Nem tudo, como podemos constatar. Pelo menos na política, algumas práticas não mudam nem por força de uma pandemia como a que vivemos.

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O lockdown envergonhado

Por Wanfil em Saúde

06 de Maio de 2020

Lockdown leva em conta a associação entre redução do isolamento e aumento do coronavírus

O governador Camilo Santana e o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, anunciaram medidas de “isolamento social rígido”, diante do avanço mais acelerado do coronavírus. O termo “lockdown” (confinamento), mundialmente popularizado pela pandemia da Covid-19, não foi utilizado.

Esse cuidado com as palavras deve ter lá as suas razões. Como eu disse em minha coluna na rádio Tribuna Band News nesta quarta-feira, “do ponto de vista político, é uma medida arriscada, já que limita momentaneamente algumas liberdades individuais, algo que pode soar antipático para uma parcela da população. Sem esquecer das pressões de alguns setores para a retomada da atividade econômica. No entanto, felizmente, a responsabilidade tem falado mais alto na maioria dos países e dos estados”.

De todo modo, parafraseando o jornalista Elio Gaspari, autor de “A ditadura envergonhada”, temos por aqui o “lockdown evnergonhado”, com a crucial diferença de que no combate ao coronavírus as medidas restritivas adotadas no Ceará têm base legal, justificativas técnicas (números e evidências científicas), imperativos morais (salvar vidas) e lógicos, pois são imprescindíveis diante do avanço da epidemia. Vergonha seria a omissão.

A razão para o lockdown no Ceará é óbvia: o crescimento verificado na curva de contágio coincide com redução da adesão ao isolamento social. Quanto mais gente circulando, maior a propagação da doença, quanto maior a sua propagação, maiores as chances de colapsar o sistema de saúde.

As autoridades afirmam que o ideal é que 70% da população aderisse ao isolamento social, mas esse índice está na casa dos 50%. Como todos sabem, um grande contongente de pessoas economicamente mais vulneráveis não têm condições de ficar em casa (as filas nas agências da Caixa Econômica comprovam isso). O tamanho desse grupo dentro da metade que não segue o isolamento pode ser determinante para a eficácia das novas regras. No entanto, todo esforço ajuda.

Volto à minha coluna na rádio: “Tempos extraordinários exigem medidas extraordinárias, e isso requer, além das ações do poder público, maturidade dos cidadãos e das instituições, especialmente os que podem ficar em casa, cada um assumindo sua cota de sacrifícios e de responsabilidade, para não colocar a vida dos outros em risco e para preservar o maior número possível de vidas”.

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Sérgio Moro adota estratégia oposta a de Mandetta e surpreende Bolsonaro

Por Wanfil em Política

27 de Abril de 2020

Os agora ex-ministros Sergio Moro e Luiz Mandetta: estratégias distintas. Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

Ao pedir demissão em público e disparar contra o presidente Jair Bolsonaro, o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, optou por uma estratégia oposta a do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (demitido dias antes), e com isso pegou o Palácio do Planalto de surpresa. Tudo, nunca é demais lembrar, em plena pandemia de coronavírus.

Mandetta preferiu o papel de defensor da ciência vítima de incompreensões e do ciúme, porém, evitou fazer críticas diretas, ciente de que elas viriam de outros lugares. É um estilo mais tradicional. Cálculo de longo prazo. Em resposta, Bolsonaro nomeou um técnico da área, com alta qualificação em gestão (e convenientemente avesso a entrevistas). Ganhou tempo.

Moro saiu atirando para preservar a imagem que o consagrou: a de guardião da legalidade que não teme nem mesmo as maiores autoridades. (Vivo, Mandetta solidarizou-se com Moro e postou: “Outras lutas virão”. Soou como uma potencial chapa). O governo, zonzo, ainda tenta encontrar resposta. Ensaiou uma guerra de versões para desqualificar o inimigo e as acusações de tentativa de interferência política na Polícia Federal, mas foi desmentido por postagens divulgadas à queima-roupa pelo ex-juiz da Lava Jato. (Ação que, de quebra, deixou uma dúvida: o que mais ele teria guardado?).

Mandetta é político de larga experiência. Já disputou eleições e chegou ao parlamento, atuou no Executivo, é próximo a lideranças importantes do seu partido, o Democratas velho de guerra. Já Moro tem outro tipo de formação. Não tem histórico de militância partidária, não é herdeiro ou parente de famílias que dominam currais eleitorais, não foi adestrado no movimento estudantil nem foi sindicalista, algumas das escolas mais clássicas de formação política no Brasil. Aprendeu a operar na magistratura. Entende assim que sua autoridade depende da credibilidade que possa inspirar. Aprendeu como as estratégias de acusação e defesa buscam se antecipar aos adversários no curso dos processos.

Não é formalmente um político, tem dificuldades para lidar com políticos, mas atua politicamente, provavelmente com objetivos políticos, mas com bagagem trazida de outra arena. Em parte, foi por isso que não durou no cargo. É como já dizia o grande poeta Sá de Miranda, lá nos idos do Século XVI, na sua Carta para D. João III:
“Homem de um só parecer,
dum só rosto e d’ua fé,
d’antes quebrar que torcer
outra coisa pode ser,
mas da corte homem não é.”

A corte, nesse caso, não é o tribunal, mas a entourage que cerca os mandatários pelos palácios onde a regra sempre foi, desde o tempo das velhas monarquias, ser maleável às conveniências do poder.

Não que Moro seja a encarnação da virtude em meio ao pecado. Mistificações são artifícios pueris, embora muito presentes. Na verdade, o paralelo com o poema é para evidenciar que Moro, com a força que tem no imaginário brasileiro, ainda precisa de algum tempo para assimilar melhor as diferenças entre os tribunais e as instituições políticas. Por enquanto, tem sido algo favorável a ele, mas depois poderá ser um problema.

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Não existe imunização contra o colapso do sistema de saúde

Por Wanfil em Crônica

16 de Abril de 2020

O secretário de Saúde do Ceará, Dr. Cabeto, de competência e seriedade indiscutiveis, afirmou que o sistema de saúde colapsou, ou seja, que falta UTI. Governos correm contra o tempo para tentar viabilizar novas vagas. Com o mundo inteiro disputando insumos da área de saúde, faltam material e equipamentos para dar conta da demanda. Mesmo quem tem dinheiro sobrando, como os EUA, vive esse dilema.

Um bom amigo, curado de coronavírus, assintomático, desabafou aliviado: “Pelo menos agora estou imunizado”. Respondi, realista (pessismista, diriam alguns; alarmista, diriam outros), que isso não importa, pois se ele sofresse um infarto ou um acidente grave, correria grande risco de morrer sem os cuidados que só podem ser oferecidos numa Unidade de Terapia Intensiva.

“Mas aí seria muito azar!”. Respondi que não seria, porque as pessoas continuam tendo derrames e dengue hemorrágica, e se acidentam, e são baleadas, entre outroas coisas, necessitando ser socorridas num sistema sobrecarregado de pacientes com deficiência respiratória em decorrência do coronavírus. Falta UTI, não importa se o sujeito tem imunização, não importa o que dizem o presidente da República ou militante partidário. Falta UTI. Isso é o que significa colapso.

Outra amiga, colega de trabalho, a jornalista Isabela Martin, que apesar dos cuidados, contraiu coronvírus, sem consequências mais graves, graças a Deus, foi direto ao ponto ao relatar seu caso no Instagram: “Se há uma verdade conhecida sobre esse vírus é que se assemelha a uma roleta russa. Não dá pra saber quem será um paciente assintomático, ou de sintomas leves, e quem irá perecer da doença e dos problemas logísticos de saúde dela decorrentes”. E o título de sua publicação, resumiu tudo isso de um modo perfeito: “O coronavírus me testou. Eu não testei o coronavírus”.

Não queira testá-lo. Se puder, fique em casa.

 

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A Fortaleza de todos nós

Por Wanfil em História

13 de Abril de 2020

Mapa da Vila de Nossa Senhora da Assunção: no canto superior direito está o forte que virou Fortaleza (Arquivo Histórico Ultramarino, Portugal)

Neste dia 13 de abril de 2020, Fortaleza, a capital do Ceará, completa 294 anos de idade, conforme os registros oficiais. Seu embrião foi o Forte Schoonenborch, construído em 1649 pelos holandeses, posteriormente tomado pelos portugueses (1654), que o reconstruíram com o nome de “Forte de Nossa Senhora da Assunção”. É interessante observar como o nome, às vezes, é mesmo destino.

O pequeno forte robusteceu-se como “Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção”, reunindo as funções de provedor da segurança e defesa, com as obrigações de centro político e administrativo. O coração que irrigou de vida o seu entorno, conferindo personalidade própria o antigo povoado que tornou-se, em 13 de abril de 1726, a Vila Nova da Fortaleza de N. S.ra da Assumpssão, a Fortaleza que cresceu na luta contra inimigos e intempéries, a força do viver.

No caso de Fortaleza, pensando bem, o nome é mais que destino: é construção. A firmeza de propósito evoluiu para fortificação moral, do caráter de um povo. No Século 21, uma pandemia coloca nossa Fortaleza em estado de alerta, de luta e espera, exigindo, como fez tantas vezes em sua história, paciência e determinação da sua gente. Não é fácil, há percalços, erros e acertos, avanços e retrocessos, pois é assim que se fazem as nações e foi assim nos fortalecemos. Não será diferente agora. Passam os governos, as disputas, as modas, as pessoas, e seguimos enquanto cearenses, fortalezenses, com a mesma disposição de sempre, porque somos a Fortaleza de todos nós.

Parabéns para a nossa capital, que simboliza o nosso espírito, as experiências que dividimos, a soma das nossas regiões, de todo o Ceará.

 

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Uma Páscoa entre a Quaresma e a quarentena

Por Wanfil em Crônica

10 de Abril de 2020

Depois de toda Quaresma, sempre vem uma Páscoa. Photo on VisualHunt

A Quaresma é o período de 40 dias que antecede a Páscoa, quando os cristãos comemoram a ressureição de Jesus. Simbolicamente, em muitas passagens do Velho e do Novo Testamento, os intervalos quaresmais correspondem a travessias que exigem paciência e sacrifícios, mas que depois são recompensadas com a graça da superação.

No Divúlio, a chuva caiu por 40 dias e 40 noites, vividos por Noé em sua arca; a fuga do Egito para a Terra Prometida, guiada por Moisés, durou 40 anos; Jesus passou 40 dias no deserto antes de começar sua pregação. Mesmo para quem segue outras relilgiões, tais relatos e personagens (assim como acontece com outros credos) guardam profundos significados morais que nos servem de lições até os dias de hoje.

Já as quarentenas possuem um sentido prático bem definido: são os períodos de isolamento (de individuos ou de grupos sociais) para conter a disseminação de doenças contagiosas. Curiosamente, não é necessário que sejam quarenta dias. O nome se popularizou por causa de medidas tomadas nos portos de Veneza por causa de um surto de peste bubônica (a peste negra), ainda na Idade Média, quando navios eram obrigados a esperar 40 dias, ou um “quarantino”, em italiano, para poderem desembarcar. Não foi uma decisão científica, claro, mas uma vez que a peste era vista como castigo divino, alguns estudiosos entendem que essa opção pelos 40 dias resultou da associação com referências bíblicas. Faz sentido.

A atual pandemia fechou os portos do mundo, em pleno Século 21. A duração da quarentena que vivemos neste 2020 é indefinida. Sabemos que não é castigo de Deus, mas uma manifestação da natureza, que é perfeita e para muitos (eu incluso), obra de Deus. Assim como a inteligência humana. É preciso esperar, separados fisicamente, mas unidos no mesmo objetivo, nos orientam os maiores epidemiologistas e especialistas mundiais em quarentenas, antes da cura ou, pelo menos, antes da calmaria. É preciso esperar, unidos em espírito, diziam os antigos em suas quaresmas, antes da salvação.

Atravessamos a quaresma, atravessemos a quarentena. Que possamos todos, cada um, cada nação, enxergar as lições de que precisamos.

Felliz Páscoa.

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Uma Páscoa entre a Quaresma e a quarentena

Por Wanfil em Crônica

10 de Abril de 2020

Depois de toda Quaresma, sempre vem uma Páscoa. Photo on VisualHunt

A Quaresma é o período de 40 dias que antecede a Páscoa, quando os cristãos comemoram a ressureição de Jesus. Simbolicamente, em muitas passagens do Velho e do Novo Testamento, os intervalos quaresmais correspondem a travessias que exigem paciência e sacrifícios, mas que depois são recompensadas com a graça da superação.

No Divúlio, a chuva caiu por 40 dias e 40 noites, vividos por Noé em sua arca; a fuga do Egito para a Terra Prometida, guiada por Moisés, durou 40 anos; Jesus passou 40 dias no deserto antes de começar sua pregação. Mesmo para quem segue outras relilgiões, tais relatos e personagens (assim como acontece com outros credos) guardam profundos significados morais que nos servem de lições até os dias de hoje.

Já as quarentenas possuem um sentido prático bem definido: são os períodos de isolamento (de individuos ou de grupos sociais) para conter a disseminação de doenças contagiosas. Curiosamente, não é necessário que sejam quarenta dias. O nome se popularizou por causa de medidas tomadas nos portos de Veneza por causa de um surto de peste bubônica (a peste negra), ainda na Idade Média, quando navios eram obrigados a esperar 40 dias, ou um “quarantino”, em italiano, para poderem desembarcar. Não foi uma decisão científica, claro, mas uma vez que a peste era vista como castigo divino, alguns estudiosos entendem que essa opção pelos 40 dias resultou da associação com referências bíblicas. Faz sentido.

A atual pandemia fechou os portos do mundo, em pleno Século 21. A duração da quarentena que vivemos neste 2020 é indefinida. Sabemos que não é castigo de Deus, mas uma manifestação da natureza, que é perfeita e para muitos (eu incluso), obra de Deus. Assim como a inteligência humana. É preciso esperar, separados fisicamente, mas unidos no mesmo objetivo, nos orientam os maiores epidemiologistas e especialistas mundiais em quarentenas, antes da cura ou, pelo menos, antes da calmaria. É preciso esperar, unidos em espírito, diziam os antigos em suas quaresmas, antes da salvação.

Atravessamos a quaresma, atravessemos a quarentena. Que possamos todos, cada um, cada nação, enxergar as lições de que precisamos.

Felliz Páscoa.