Corrupção Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Corrupção

Tá cheio de Queiroz por aí

Por Wanfil em Corrupção

24 de junho de 2020

Fabrício Queiroz – Imagem: reprodução SBT / Arte: Wanfil

A prisão de Fabrício Queiroz resgatou notícias sobre um esporte nacional de larga tradição na política nacional: a rachadinha nos gabinetes parlamentares. A prática consiste em combinar um salário com assessores, pagar a mais alto no contracheque – com verba pública, claro – e embolsar a diferença.

Quem acompanha os bastidores mais de perto sabe ou desconfia que esses esquemas se repetem por todo o país, em volume incalculável. A própria investigação que aponta para Queiroz mostrou uma penca de deputados estaduais do Rio de Janeiro, de variadas colorações ideológicas, fazendo a mesmíssima coisa.

Queiroz tem particularidades que justificam sua notoriedade: é próximo a família Bolsonaro; há indícios de conexões com milícias, o que acrescenta um elemento de sordidez ao caso; buscou refúgio numa casa do advogado do presidente da República. Com isso, as atenções recaíram mais sobre o personagem da acusação do que sobre para a facilidade com que a rachadinha se espalha Brasil afora.

Há também uma conveniência esperta. Repare que praticamente ninguém aproveita o caso para peguntar como é que essas contratações permitem assim tantos furos de controle. E para sugerir mecanismos mais eficazes desses gastos. Será que nossos parlamentares precisam mesmo de dezenas de assessores que nem sequer cabem reunidos nos seus gabinetes? Quantos batem ponto? Trabalham mesmo? Quem é que fiscaliza isso? Hoje em dia, o pagador de impostos que precisa correr para provar ao Fisco que não é sonegador, tem que confiar na palavra dos Excelentíssimos.

As listas de servidores das assembleias estaduais e câmaras municipais no Brasil – e o Ceará não é uma exceção – estão abarrotadas de funcionários que ninguém vê ou que devolvem parte do salário. Seja pelo centro, pela direita ou pela esquerda, tá cheio de Queiroz por aí.

Publicidade

Todo castigo é pouco

Por Wanfil em Legislação

20 de novembro de 2019

Parece gado no curral, mas são eleitores obrigados a cadastrar digitais, sob pena de punição – Foto: Tribuna do Ceará

O castigo é a sina do eleitor brasileiro. Mesmo que não queira, ainda que repudie os candidatos e odeie a política, ou considere os partidos farinha do mesmo saco, esse eleitor frustrado, ressentido, indiferente e apático é obrigado a votar. E como se não bastasse, em nome da modernidade, é forçado a fazer o cadastro biométrico, de modo que as urnas eletrônicas possam identificar o eleitor pelas digitais. No Brasil, até o suprassumo da tecnologia serve à nossa obsessão pela burocracia.

Por isso, nos últimos dias em Fortaleza, levas de eleitores desolados aguardam em filas quilométricas a vez de digitalizarem seus polegares. Quem não o fizer, não importa o motivo, se não cumprir com a obrigação eleitoral, terá o título cancelado e ficará impossibilitado de votar e ser votado, não poderá emitir passaporte, nem fazer matrícula em instituições públicas de ensino, será proibido de contrair empréstimos em bancos oficiais, receber o bolsa família ou assumir cargo público. E se já for servidor, não receberá o salário até regularizar a situação. Tá bom assim? Tome castigo.

Agora reparem a diferença: no lugar do eleitor, pense agora nos excelentíssimos eleitos. Não em qualquer um, mas nos que são corruptos notórios, desses que respondem a vários inquéritos ou que até tenham sido condenados por desvios milionários ou cassados por crime de responsabilidade. Pois bem, esses eleitos, apesar de tudo o que fizeram, a despeito da própria notoriedade, ainda assim terão direito a uma aposentadoria com salário nababesco e repleta de regalias. E mesmo que tenham sido sentenciados em segunda instância por lavagem de dinheiro, de acordo com a mais recente alteração de jurisprudência no STF, os corruptos terão o benefício da presunção de inocência até que os processos transitem em julgado. Isso se as ações não prescreverem no meio do caminho.

Castigo rápido, só para eleitores. Pela lei brasileira, quem merece desconfiança é o cidadão obrigado a votar.

Publicidade

CPI da Lava Jato é pauta que une PT e PDT

Por Wanfil em Política

17 de setembro de 2019

Divergências à parte, descontados alguns discursos, ninguém solta a mão de ninguém

A ambiguidade é um recurso muito usado na política, afinal, é a arte do possível, mas em excesso pode causar contradições que levam ao descrédito.

Explico: enquanto Ciro Gomes chama Lula de corrupto, Fernando Haddad de fraude e o PT de quadrilha, seu partido PDT une forças com esse mesmo PT por uma CPI na Câmara dos Deputados para investigar a Lava Jato e o ex-juiz Sérgio Moro, atualmente ministro da Justiça. Acusar os ex-aliados de corrupção e ao mesmo tempo ajudá-los a constranger os investigadores que revelaram seu esquema criminoso, é ultrapassar a linha que separa ambiguidade de contradição.

O PDT até pode alegar que reconhecer o crimes do petismo não implica em concordar com os métodos da Lava Jato. É verdade, e para isso é possível apelar a outras instâncias, como o STF. Mas ao optar pela ação política, via comissão parlamentar de inquérito, em aliança com os principais investigados pela Lava Jato, os pedetistas assumem, ou endossam, um discurso contraditório ao seu, pois o PT alega inocência e se diz vítima de perseguição de uma conspiração judiciária.

No fim das contas, a conclusão não pode ser outra: discursos públicos, discordâncias, troca de farpas e ressentimentos à parte, no que interessa mesmo, PT e PDT estão sempre juntos.

Cearenses que defendem a CPI da Lava Jato

Para selar a parceria, um dos autores do pedido de CPI é o deputado federal André Figueiredo, do PDT do Ceará. De resto, da bancada cearense, também assinam o pedido para investigar a investigação contra a corrupção os deputados Aníbal Gomes (MDB), Denis Bezerra (PSB), Domingos Neto (PSD), Eduardo Bismarck (PDT), Idilvan Alencar (PDT), José Aírton (PT), José Guimarães (PT), Júnior Mano (PL), Leônidas Cristino (PDT), Luizianne Lins (PT), Moses Rodrigues (MDB), Robério Monteiro (PDT).

Publicidade

Governadores do Nordeste: pauta administrativa, gestos políticos

Por Wanfil em Política

29 de julho de 2019

Governadores do Nordeste implantam consórcio administrativo – Foto: divulgação

Governadores do Nordeste estiveram reunidos nesta segunda-feira, na Bahia, para a implantação do Consórcio Nordeste, uma parceria administrativa entre os estados da região.

Apesar da pauta técnica, as atenções sempre se voltam para a política. Como todos sabem, os laços que unem o grupo são maiores que a questão regional: há também, ou sobretudo, a sintonia ideológica e a condição de opositores ao governo federal.

Nada contra. Na verdade, é legítimo. Porém, é preciso sempre muita atenção para não confundir os limites entre a militância pessoal e os cargos representativos que ocupam. Não raro, os governadores extrapolam temas de gestão para abordar assuntos controversos e de interesse restrito, como quando criticaram o Judiciário para defender o ex-presidente Lula, julgado e condenado em mais de uma instância, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Camilo Santana em Curitiba: recado aos correligionários cearenses (Divulgação)

Lula Livre
Por falar nisso, o governador Camilo Santana (PT-CE), que se recupera de uma virose e por isso não participou da reunião, esteve em Curitiba na semana passada para visitar Lula na carceragem da Polícia Federal. De megafone na mão, entoou palavras de ordem em solidariedade ao líder petista. Cada um tem o direito de acreditar no que quiser, mas quando se trata de políticos, toda ação pública tem por objetivo passar um ou mais mensagens.

Do ponto de vista jurídico, as opiniões dos governadores nordestinos a respeito do caso não têm efeito prático algum. Eles sabem disso, como sabem que boa parte do eleitorado da região simpatiza com o ex-presidente.

No caso de Camilo, é provável que a performance seja ainda um aceno ao petismo no Ceará, comandado pelos deputados José Guimarães e Luizianne Lins – esta disposta a lançar candidatura à Prefeitura de Fortaleza contra Roberto Cláudio, aliado do governador e nome do PDT, que não defende a inocência do ex-presidente, muito pelo contrário.

É claro que o governador tem a força do cargo, que nunca pode ser desprezada, mas na dinâmica interna do partido, não é voz determinante para definir rumos. O ato público em Curitiba mostra compromisso com a sigla, reforçando a imagem de Camilo junto aos correligionários, muito embora a defesa cega de Lula não passe, para o petismo, de uma obrigação incondicional.

Publicidade

Lula, o homem que virou “ismo”

Por Wanfil em Política

09 de Abril de 2018

O Lulismo em ação para tentar salvar Lula da prisão – Foto: Agência Brasil

No inusitado comício no dia de sua prisão, o ex-presidente Lula fez uma revelação: Não pararei porque não eu sou mais um ser humano. Eu sou uma ideia, uma ideia misturada com a ideia de vocês. A morte de um combatente não para a revolução.

Foi o anúncio da transmutação do indivíduo de carne e osso, por enquanto circunscrito aos limites do cárcere, em expressão metafísica de um ideal confuso, sem postulados claros, representado essencialmente pela imagem do seu próprio criador e, por extensão, pelo desejo de impunidade.

Lula desse modo assumiu de vez como persona o lulismo, expressão que antes identificava o mero culto personalista da esquerda ao chefe máximo. Personalismo que está na raiz de outros “ismos” presentes na cultura política brasileira, como caudilhismo, patrimonialismo, clientelismo, paternalismo, getulismo, sebastianismo (esse importado de Portugal) e populismo, entre outros. No fundo, mais do mesmo, a velha exaltação ao líder infalível, ao escolhido pela História, ao perseguido, ao redentor que se sacrifica em nome do povo, tão cara às ideologias revolucionárias. Como sempre, tudo farsa, manipulação.

Na verdade, o ex-presidente condenado por corrupção tenta mobilizar seguidores a partir de um discurso que se faz de desapego altruísta, mas que é feito primordialmente daquele sentimento bem egoísta de autopreservação a todo custo. Se isso significa expor a massa de manobra a um conflito com a polícia, pouco importa.

Ao proclamar que o pronome pessoal se transformou definitivamente em sufixo, em substantivo abstrato, que o sujeito renasceu como doutrina, ainda que vazia – Lula procura mobilizar apoiadores em atos de uma suposta resistência, para dar aos seus aliados no STF uma desculpa para retomar a discussão sobre a jurisprudência da prisão a partir de condenação em segunda instância e livrá-lo da cadeia.

Resumindo, citando outro “ismo” famoso, é puro casuísmo.

Publicidade

Seu candidato é contra ou a favor da prisão de condenados em segunda instância?

Por Wanfil em Política

03 de Abril de 2018

O STF julga nesta quarta-feira o habeas corpus de Lula, o ex-presidente condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Na prática, os ministros decidirão se preservam ou se derrubam a recente jurisprudência, firmada pelo próprio Supremo, pela execução de pena após condenação em segunda instância. Não por acaso, corruptos de outros partidos – de situação e de oposição – torcem pelo petista.

Mas qualquer que seja o resultado do julgamento, o fato é que o debate sobre a punição em tempo hábil de criminosos do colarinho branco será um dos principais temas nas eleições deste ano. Como todos sabem, hoje no Brasil o caminho mais seguro para a impunidade é a procrastinação dos processos com malabarismos jurídicos até que estes prescrevam. E a impunidade é a principal força incentivadora da corrupção. Por isso, cada candidato a presidente terá que se posicionar sobre a questão.

Pensando bem, não só eles. O que dizem os pré-candidatos, ou possíveis candidatos, a governador, senador e a deputado estadual e federal no Ceará? Eunício Oliveira, Camilo Santana, Aílton Lopes, Cid e Ciro Gomes, Capitão Wagner, para citar os mais conhecidos, são a favor ou são contra a prisão de corruptos condenados em segunda instância?

Dos senadores em exercício, apenas Tasso Jereissati se manifestou publicamente a favor da prisão em segunda instância. Na bancada federal, silêncio. Ciro já disse que concorda com o habeas corpus. Camilo não pode ser contra Lula porque no PT ninguém pode ser contra Lula.

Cada um pode pensar e defender o que quiser, mas é fundamental que sua posição fique clara, afinal, o fim da impunidade é de interesse dos eleitores.

Publicidade

Os possíveis efeitos da condenação de Lula para as eleições no Ceará

Por Wanfil em Política

24 de Janeiro de 2018

Quais os efeitos políticos da condenação de Lula pelo TRF-4 para as eleições no Ceará? Difícil dizer. Na verdade, é impossível prever algo agora. O que sobram do calor de fatos juridicamente amparados por provas, segundo entendimento da Justiça Federal, são dúvidas para partidos e candidatos. E a principal, para esses, é a seguinte: caso dispute a Presidência com base em liminares ou se confirme seu impedimento em razão da Lei da Ficha Limpa, Lula ainda seria um bom cabo eleitoral? Que personagem os eleitores enxergariam nas propagandas de campanha: o operário que venceu ou o ex-presidente que traiu a própria história?

Vai depender muito da forma como as forças políticas irão trabalhar esse carimbo de condenado por corrupção. E conforme as coisas se desenrolem, o que hoje parece vantagem para uns, amanhã poderá se revelar um baita constrangimento.

Por exemplo: um candidato ao Senado que posar para fotos ao lado do presidente do Bolsa-família, correrá o risco de vincular sua imagem a do chefe do maior esquema de corrupção já revelado.

Essa incerteza, aliás, já produz resultados. Camilo Santana, Ciro Gomes e Eunício Oliveira manifestaram nos últimos dias solidariedade ao ex-presidente, mas evitaram, por razões distintas, porém sintomáticas, endossar as críticas que seus apoiadores fazem ao judiciário. Defendem o Lula do passado, sem firmar compromisso com o Lula condenado por dois tribunais, pois isso poderá ser interpretado como apoio à corrupção. Se o petista conseguir virar o jogo da imagem pública, todos voltam a brigar por sua companhia.

Partidos e candidatos não esperam mais, portanto, pela próxima manifestação da Justiça, mas pelas repercussões de sua aplicação junto aos eleitores.

Publicidade

A impopularidade de Temer como salvação dos que acabam esquecidos

Por Wanfil em Política

29 de setembro de 2017

Michel Temer voltou a bater recorde de impopularidade: 77% dos brasileiros o reprovam, segundo o Ibope. Nem sua companheira de chapa Dilma Rousseff, no auge da recessão, com índices de desemprego, juros e inflação maiores que os atuais, conseguiu ser assim rejeitada.

Evolução que desafia a clássica associação entre desempenho econômico e popularidade. Um efeito colateral desse cenário é a percepção de que os escândalos no entorno presidencial, revelados em proporção endêmica, acabam por ofuscar os casos locais, com a exceção talvez do Rio de Janeiro. Não há pesquisas, mas parece que lideranças políticas regionais não se desgastaram na mesma proporção.

Basta ver como no Ceará casos de considerável potencial para abalar qualquer popularidade não passaram de incômodos sem grandes consequências para seus beneficiários. Compra de votos nas eleições passadas, fichas sujas ocupando cargos importantes na administração estadual, políticos graduados citados em delações com riqueza de detalhes, autoridades investigadas ou até condenadas, nada disso perturba o doce exercício de poder no Estado. Aliás, todos esses andam por aí a desfilar tranquilamente, sem a menor preocupação com vaias, quando não dão lições de moral em nome da ética e da honestidade.

Ninguém os perturba, muito pelo contrário: são tratados com toda a deferência que seus cargos exigem. É que é mais fácil ficar indignado com quem está longe, distante, do que com quem está aqui ao alcance do nosso repúdio.

Publicidade

Lula x Moro: onde estão os aliados do ex-presidente no Ceará?

Por Wanfil em Política

11 de Maio de 2017

Lula fala a Moro e aliados no Ceará silenciam…

O depoimento do réu Lula ao juiz Sérgio Moro dominou o noticiário e as redes sociais. Via de regra, as opiniões sobre a suposta culpa ou inocência do ex-presidente já estão formadas, independente do resultado do processo. É que para o grande público, política é mais paixão do que razão. Diferente dos profissionais da política, que costumam calcular suas posições, geralmente de olho nas próximas eleições.

Assim, é muito interessante observar as reações daqueles que foram os principais aliados locais do ex-presidente durante os seus mandatos.

Deputados do PT, por dever de ofício e senso de autopreservação, defenderam o ex-presidente na Assembleia Legislativa, antes e depois do interrogatório. Lideranças do partido também se manifestaram nesse sentido. Era de se esperar.

Curioso foi o silêncio do PDT e até do PCdoB. Seus parlamentares, lideranças, prefeitos, ex-ministros, ex-senadores (os do PMDB não contam, já que pularam fora antes com o impeachment, embora fossem muito próximos, lembram?). Ninguém publicou nada, deu entrevista ou discursou prestando solidariedade ou em desagravo ao petista, muito menos criticando Moro.

Parece que, no Ceará, esses “companheiros” (alguns ainda no PT) preferem não botar a mão no fogo por Lula. Ou então não podem, ou não devem, na medida em que estão mais integrados hoje ao projeto eleitoral de Ciro Gomes. Sem Lula no páreo, o ex-governador – que patina nas mais recentes pesquisas – poderia liderar uma frente de esquerda na corrida ao Palácio do Planalto, herdando ainda parte dos votos do petista, que atualmente lidera essas mesmas pesquisas.

Com aliados assim, quem precisa de adversários?

Publicidade

Páscoa de escândalos

Por Wanfil em Crônica

14 de Abril de 2017

A Última Ceia, de Leonardo Da Vinci: Jesus e o escândalo como instrumento de depuração

A Semana Santa, período em que os cristãos recordam a crucificação e a ressurreição de Jesus, foi marcada também neste ano pela divulgação dos estarrecedores depoimentos de Emílio e Marcelo Odebrecht, no maior escândalo de corrupção de que se tem notícia no Brasil.

Símbolos, alegorias e personagens religiosos, com sua lições e exemplos, são importantes instrumentos de reflexão que servem às mais diversas circunstâncias, da vida privada ao convívio social, das questões familiares à política.

Nada mais apropriado, portanto, do que buscar na figura de Jesus um alento para as turbulências do presente. Em uma de suas passagens mais famosas e polêmicas, Cristo disse : “Ai do mundo por causa dos escândalos; porque é necessário que venham escândalos; mas ai do homem por quem o escândalo venha”. Faz sentido. Sendo o erro ou o crime inevitáveis, porque somos falíveis, ele pode e deve servir de aprendizado pela dor.

A corrupção é a maior chaga na política brasileira e a revelação de sua extensão causa justa indignação. É preciso, pois, punir quem traz o escândalo; é necessário punir os corruptos na Justiça com condenações e na política, não mais os elegendo. Mas também precisamos refletir em como chegamos até aqui, com todos – indivíduos e instituições – revendo com sinceridade nossos papéis e condutas, de modo que possamos ressuscitar a política como atividade voltada para o bem comum, para o debate saudável, para o crescimento do Ceará e do Brasil.

Feliz Páscoa a todos.

Publicidade

Páscoa de escândalos

Por Wanfil em Crônica

14 de Abril de 2017

A Última Ceia, de Leonardo Da Vinci: Jesus e o escândalo como instrumento de depuração

A Semana Santa, período em que os cristãos recordam a crucificação e a ressurreição de Jesus, foi marcada também neste ano pela divulgação dos estarrecedores depoimentos de Emílio e Marcelo Odebrecht, no maior escândalo de corrupção de que se tem notícia no Brasil.

Símbolos, alegorias e personagens religiosos, com sua lições e exemplos, são importantes instrumentos de reflexão que servem às mais diversas circunstâncias, da vida privada ao convívio social, das questões familiares à política.

Nada mais apropriado, portanto, do que buscar na figura de Jesus um alento para as turbulências do presente. Em uma de suas passagens mais famosas e polêmicas, Cristo disse : “Ai do mundo por causa dos escândalos; porque é necessário que venham escândalos; mas ai do homem por quem o escândalo venha”. Faz sentido. Sendo o erro ou o crime inevitáveis, porque somos falíveis, ele pode e deve servir de aprendizado pela dor.

A corrupção é a maior chaga na política brasileira e a revelação de sua extensão causa justa indignação. É preciso, pois, punir quem traz o escândalo; é necessário punir os corruptos na Justiça com condenações e na política, não mais os elegendo. Mas também precisamos refletir em como chegamos até aqui, com todos – indivíduos e instituições – revendo com sinceridade nossos papéis e condutas, de modo que possamos ressuscitar a política como atividade voltada para o bem comum, para o debate saudável, para o crescimento do Ceará e do Brasil.

Feliz Páscoa a todos.