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crise Archives - Página 4 de 6 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

crise

Não é questão de ser antipetista

Por Wanfil em Partidos

29 de novembro de 2015

A importância do Partido dos Trabalhadores na história do Brasil é indiscutível. Nascido distante das estruturas de poder, o PT chegou à Presidência da República e tornou-se referência simbólica capaz de substituir debates importantes pela simples retórica de um embate entre petistas e antipetistas, dualismo traduzido por vários de seus líderes na figura do “Nós” contra “Eles”. Com os escândalos do mensalão e do petrolão, o descontrole fiscal, a crise econômica, a perda de popularidade e a Operação Lava Jato, essa polarização se voltou contra o partido e o cristal quebrou.

Acontece que ser importante e ter história, no final, não significa ser eficiente ou estável. Olhando as coisas de modo pragmático, a gestão Dilma levou as contas públicas para o buraco e agora, catatônica, não consegue nem sequer apontar rumo para alguma saída. O ajuste fiscal anunciado como salvação é torpedeado pelo próprio petismo. A essa altura também não existem mais dúvidas sobre a incapacidade gerencial e a falta de liderança política da presidente, deficiências que poderiam ser mais ou menos compensadas pelo partido, mas como ficou ainda mais claro após a prisão do senador Delcídio Amaral, o petismo convulsiona em estado terminal. Não é questão de gostar ou não gostar, de ser petista ou antipetista, mas de constatar fatos.

A dúvida é: diante da paralisia do governo, fazer o quê? Um bom amigo me pergunta: “Se tirar o PT, se tirar a Dilma, tudo se resolve? A corrupção acaba? O problema é só o PT?”.

A resposta é difícil, porque dúbia. É preciso cuidado para não voltar, pela força do hábito, à infrutífera discussão do “Nós” contra “Eles”. A corrupção certamente não acaba, mas nas atuais circunstâncias, é necessária ação imediata para retomar a credibilidade do governo e aprovar ajustes necessários para corrigir as contas. E o primeiro passo para isso é admitir que o PT representa agora, pelo lugar que ocupa e os problemas que o engolem, o maior empecilho para que soluções de curto e médio prazo sejam tomadas. Nesta semana, o governo Dilma tentará desesperadamente mudar no Congresso a meta fiscal, para conseguir terminar o ano no vermelho sem incorrer em crime. Acabou.

No longo prazo, a volta do PT para a oposição poderia ser a única forma de resgatar um pouco de sua força. Desconfio que, se renunciasse ao mandato, Dilma, uma pedetista, daria ao PT uma remota chance de salvação. Há momentos em que a necessidade fala mais alto, além das preferências partidárias, das cores, bandeiras, times e tudo em quanto. O Brasil caminha para um desastre econômico sem precedentes. A prioridade é estabilizar o quadro para depois discutir o que fazer.

Ao meu amigo petista, eu respondi: “Ou vocês mudam de casa ou pedem para que os líderes do partido respondam pelo que fizeram. Para sobreviver, vocês precisam se livrar deles.” O Brasil também.

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Só comparando: quanto custa estabilizar um sistema socioeducativo?

Por Wanfil em Ceará

10 de novembro de 2015

O Governo do Ceará anunciou uma série de medidas para conter as rebeliões nos centros de detenção de “jovens em conflito com a lei”, batizado de Plano de Estabilização do Sistema Socioeducativo. O descontrole chegou ao ponto de um adolescente internado morrer baleado, sem que ninguém saiba de onde saiu o disparo.

Esses centros são administrados pela  Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), cujo titular é Josbertini Clementino, que substituiu Evandro Leitão ainda em 2013, no governo Cid Gomes, pela cota do PDT.

Entre as medidas anunciadas está o investimento de aproximadamente R$ 4,2 milhões em infraestrutura, incluindo reformas de algumas unidades que já estavam em andamento.

Isso é muito ou é pouco? Não sei ao certo. É menos do que os R$ 5 milhões de contratos com a Petrobras que o delator Ricardo Pessoa, dono da UTC e chefe do “clube das empreiteiras” enroladas na Operação Lava Jato, disse ter repassado a Edinho Silva, tesoureiro da campanha da presidente Dilma Rousseff e atual ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, no primeiro turno da última campanha eleitoral.

E o que uma coisa tem a ver com a outra, Wanfil? Nada. Lembrei de Edinho Silva por causa de algumas declarações que ele deu tentando menosprezar a greve dos caminhoneiros, não obstante o fato de que se ele a considerasse realmente irrelevante, não precisaria se pronuncia a respeito. Em seguida, inevitavelmente, lembrei-me de Ricardo Pessoa, que o implicou na Lava Jato.

Vejam só como funcionam essas associações. É que agora, sempre que gestores falam em investimentos, automaticamente uso os valores das propinas citadas nas delações premiadas como parâmetro.

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A polêmica dos depósitos judiciais: os fins não podem justificar os meios

Por Wanfil em Ceará

03 de novembro de 2015

O governo busca soluções mágicas para a crise. Mas mágicas, como bem revelou Mister M, não existem.

O governo busca soluções mágicas para a crise. Mas mágicas, como bem revelou Mister M, não existem.

Na última quinta-feira a Assembleia Legislativa aprovou, sem maiores discussões e a toque de caixa, uma lei que transfere do Tribunal de Justiça para o Governo do Estado o controle sobre os chamados depósitos judiciais (cerca de R$1,2 bilhão). E não é só isso: se antes o Judiciário podia usar até 30% desses recursos, agora o Executivo poderá utilizar até 70% desses recursos.

Os depósitos judiciais constituem um fundo privado abastecido em grande parte com dinheiro que pessoas e empresas depositam em juízo, enquanto seus processos correm nos tribunais. Ou seja, não é dinheiro do orçamento público. Naturalmente, a medida causou polêmica.

Inconstitucional
Defensores do projeto alegam que a grana fica parada nos bancos e que melhor seria usá-la em prol do interesse coletivo. No presente caso, para cobrir gastos na previdência estadual e pagar “despesas de capital” não especificadas. Para os críticos do projeto, o custeio da previdência e gastos com obras já deveriam constar no orçamento.

O governo diz que, diante da crise, é preciso buscar novas fontes de recursos. A oposição lembra que os fins não podem justificar os meios, alegando que a medida é inconstitucional. Nesse sentido, a oposição está respaldada pelo Supremo Tribunal Federal. No mesmo dia em que o projeto foi aprovado no Ceará, o ministro Teori Zavascki suspendeu, em caráter liminar, lei semelhante em Minas Gerais por causar “insegurança jurídica” e “risco para o direito de propriedade dos depositantes”.

Confisco e desconfiança
O fato é que os problemas financeiros no caixa estadual decorrentes da crise econômica podem assumir perigosa dimensão. Por isso a pressa e a disposição de apostar em medidas, digamos, criativas, capazes de gerar dúvidas pertinentes.

Por exemplo: o uso de dinheiro de particulares para financiar investimentos e custeio de serviços públicos abre uma brecha perigosa. Hoje são os depósitos judiciais, amanhã, poderá ser a poupança, ressuscitando o trauma do confisco feito pelo ex-presidente Collor de Mello. A lógica é a mesma: fins justificando os meios. Não deu certo antes e Zélia Cardoso (ministra de Collor) caiu em desgraça.

O Estado garante que se houver necessidade de devolver dinheiro aos depositantes em valores que ultrapassem os 30% do fundo em caixa, ele mesmo irá repor a quantia em até cinco dias. Ora, se o próprio governo admite dificuldades, quem haverá de confiar nessa garantia?

A busca continua
No final, diante de tantas dúvidas e dificuldades, inclusive jurídicas, e a exemplo que tem acontecido com a proposta de recriação da CPMF, é bom o Governo do Ceará continuar procurando outras alternativas para equilibrar suas contas. Buscar dinheiro que já tem dono pode parecer o caminho mais rápido, mas, definitivamente, não é o mais seguro. Não passa de ilusão.

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Luizianne rebate críticas de Ivo Gomes à gestão Camilo: “Por que o Ciro não resolveu?”

Por Wanfil em Política

26 de outubro de 2015

A deputada federal Luizianne Lins, ex-prefeita de Fortaleza, falou em entrevista concedida à rádio Tribuna Band News FM (101.7) sobre as críticas feitas pelo deputado estadual Ivo Gomes, do Pros, na última quinta-feira (22), sobre a situação do Hospital Regional de Quixeramobim: “Eu não engulo a desculpa de que o governo não tem dinheiro para o custeio. Tem que se virar! Porque tem dinheiro sim! Eu sei que tem”.

No sábado, durante evento na região do Cariri, o governador, claro, não quis polemizar e disse não comentaria o caso. Até o momento, passados quatro dias, o próprio PT fez ouvidos moucos ao carão de Ivo, silêncio agora quebrado por Luizianne (grifos meus):

A pergunta é: se tem dinheiro para saúde, por que Ciro Gomes, irmão mais velho de Ivo Gomes, (…) quando foi secretário da Saúde não resolveu o problema? (…) É muito bom você jogar nas costas do outros. O deputado Ivo Gomes detonava a gestão da educação pública em Fortaleza, foi secretário municipal [da Educação], entrou calado e saiu mudo! (…) Pra mim ele não tem legitimidade para falar, nunca resolveram problema de nada, adoram falar e saem dos cargos. O Ivo passou pela Secretaria Municipal de Educação e já foi para Secretaria [estadual] das Cidades e também saiu. Aí quando sai fica falando dos outros. Vamos aprender, gente, a se controlar e parar de falar o que não é capaz de fazer.

O PT sempre se destacou pelo sentimento de grupo. Ao mesmo tempo em que a sigla se divide em debates internos, com suas correntes, na hora de se defender de ameaças externas, o conjunto prevalecia. Mesmo agora, com o partido alquebrado por denúncias de corrupção, todo petista ainda defende (ou pelo menos preserva) a figura de Lula, por se tratar de um símbolo de unidade que ainda lhes resta.

Talvez Camilo, tido como cidista, não seja visto internamente como um petista legítimo. Ou então a relação de dependência com a família Ferreira Gomes tenha se intensificado tanto nesse momento de crise, que o partido se sinta constrangido de para reagir. Aliás, no sábado, lá estava Cid ao lado de Camilo, mostrando que está tudo em ordem, na velha tática do bate e assopra.

De resto, é sintomático que venha a ser Luizianne, rompida com Cid e adversária de Roberto Cláudio (PDT), prefeito de Fortaleza que não poupa críticas à Luizianne e aliado de Camilo, a única liderança partidária que venha a público defender a gestão estadual. Algo está fora da ordem.

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Agência Fitch rebaixa notas do BNB e BNDES. Em terra de sapo, de cócoras com ele…

Por Wanfil em Economia

22 de outubro de 2015

A agência internacional de classificação de riscos Fitch, em comunicado à imprensa, informou ter rebaixado de BBB para BBB- os ratings do Banco do Nordeste, BNDES, Caixa Econômica, Banco do Brasil e Banco da Amazônia. Instituições privadas tiveram queda no chamado rating de viabilidade: Bradesco (o banco onde trabalhou o ministro Levy), Safra, Itaú-Unibanco Holding, Itaú Unibanco e Itaú BBA.

Na prática, todos foram tragados pelo recente rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela mesma Fitch, confirmando tendência adiantada pela Standart & Poor’s, que foi além e já classifica o país com grau de especulação.

O rebaixamento dos bancos já era esperado. É que ainda que sejam administrados e tenham crescido com lucros recordes nos últimos anos, estão agora sob o mesmo risco de uma eventual crise de liquidez no Brasil em recessão. Como diz o ditado, “em terra de sapo, de cócoras com ele”. Nesse caso, não por conveniência, mas por contaminação. De todo modo, acocorados estão todos.

A ironia é que os bancos privados estão entre os maiores doadores para a campanha de Dilma, responsável pela crise que arrasta todos. E os bancos públicos, como bem mostram as pedaladas fiscais na Caixa e no BB, bom, não dá para confiar mesmo. Na maioria, são as raposas cuidando do galinheiro.

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A reforma ministerial deformada e o “prestígio” do Ceará

Por Wanfil em Política

30 de setembro de 2015

Esplanada dos Ministérios deformada: o velho balcão de negócios elevado a programa de governo

Atrás do Congresso, a  Esplanada dos Ministérios deformada: o velho balcão de negócios elevado a programa de governo

Enquanto a presidente Dilma Rousseff dava palpites em Nova Iorque sobre a reforma nas Nações Unidas, a reforma ministerial aqui no Brasil se arrasta em meio a disputas políticas e falta de rumo.

Pela nova configuração que se desenha o PMDB passa a ser o partido forte na gestão federal, como prêmio para a sigla não endossar agora o impeachment. Já os espaços de articulação política ocupados pelo PT ficam com pessoas ligadas ao ex-presidente Lula, que assume de vez o papel de eminência parda, isolando a presidente Dilma e seus auxiliares mais próximos. O dilmista Aloizio Mercadante, por exemplo, que recentemente havia sido elogiado pelo Planalto, perdeu o cargo na Casa Civil, que vai para o lulista Jacques Wagner.

No que diz respeito ao Ceará, o novo ministério aguarda algumas novidades, sobre as quais falo a seguir.

Governo do Ceará na dependência de Cunha
Na Saúde deve assumir um nome indicado pelo deputado Eduardo Cunha, pela cota do PMDB na Câmara Federal. Como todos sabem, Cunha é desafeto de Cid Gomes, que o acusou de se achacador e que por isso foi demitido do Ministério da Educação.

Caso isso se confirme,  ironia será ver o governador do Ceará, Camilo Santana, que no episódio da briga entre Cunha e Cid foi à Brasília prestar solidariedade ao ex-governador, além de também ser crítico do PMDB, ser obrigado a pedir recursos para a Saúde a um preposto de Cunha.

Parece prestígio, mas não é
Na dança das cadeiras na Esplanada dos Ministérios, o deputado federal André Figueiredo é apontado para assumir a pasta das Comunicações, como recibo da compra da permanência do PDT na base. Na Integração Nacional, o comando pode fica com alguém indicado pelo senador Eunício Oliveira, pela cota do PMDB no Senado. O mais otimista já enxergam nisso sinais de prestígio do Ceará.

É preciso cuidado para não cair nessa conversa. O prestígio do Ceará junto ao governo federal pode ser medido pelo golpe da refinaria, pela reforma do aeroporto que acabou em puxadinho ou pelo contingenciamento de verbas que prejudica a Transposição do São Francisco, tudo sob o silêncio conivente dos aliados locais. A nomeação de cearenses para esse ou aquele cargo atende somente a interesses partidários, independente de critérios técnicos e é completamente alheia a qualquer coisa minimamente parecida com um planejamento em políticas públicas para o Ceará. Quem tem prestígio é o “toma lá, dá cá” do fisiologismo.

Nau à deriva
Por último, o modo como a reforma ministerial em curso tem sido conduzida revela que o uso tradicional balcão de negócios  para buscar apoio  se transformou, ele mesmo, em agenda de governo. Por que o ministro da Saúde caiu? Por que o Ministério das Comunicações vai  mudar de comando? Metas não cumpridas? Não. É para dar espaço a aliados comprados.

Se antes os fins (governabilidade) pareciam justificar os meios (fisiologismo), agora os meios definitivamente se transformaram em fim.

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E agora, Camilo?

Por Wanfil em Crônica

15 de setembro de 2015

Durante a campanha eleitoral, o governador do Ceará dizia assim: “Sou Camilo Santana, candidato a governador com apoio do governador Cid, da presidente Dilma e do Lula, para fazer o Ceará seguir avançando com novos projetos e melhores serviços”.

Ao assumir no início do ano e ver que as contas estaduais necessitavam de reforço, Camilo pressionou, na medida de suas limitações, o governo federal por mais verbas. Conseguiu pouco dinheiro e muitas promessas.

Agora, com o anúncio do pacote de maldades do governo federal para cobrir o rombo nas contas públicas, não apenas novos projetos foram cortados e os serviços piorados, como mais impostos foram propostos. A recessão e o colapso nas contas públicas acabaram com qualquer ilusão de ajuda federal.

Aliás, a recessão se mostrou mais aguda no Ceará, com uma queda de 5,3% do PIB estadual no 2º trimestre. Em busca de algum alívio, o governador cearense foi a Brasília juntar forças com a presidente Dilma na tentativa de recriar a CPMF, ou seja, de cobrar do distinto público, a conta da incompetência dos companheiros. A refinaria não veio, mas isso foi só o começo. Resta torcer para a transposição não atrasar novamente, mas a essa altura, é difícil acreditar.

Diante disso tudo, lembrei do José, aquele da poesia de Drummond, aquele da festa que acaba e fica sem saber o que fazer.

E agora, Camilo?

A eleição passou,
O recessão chegou,
Tudo subiu,
O dinheiro acabou,
e agora Ceará,
e agora você?
você que votou,
que confiou nos outros,
você que persiste,
que luta calado,
e agora, Ceará?

Está sem nada,
esperando o discurso,
procurando o caminho,
já não pode investir,
e não pode reclamar,
não pode viver a esperar
por quem não veio ajudar,
ficar em paz já não pode.

A violência cresceu,
o imposto aumentou,
a obra atrasou,
metrô e transposição,
sobrou conversa,
faltou ação.
Água tem pouca,
refinaria não vem,
e por isso fica
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, Camilo?

Se você protestasse,
se você se indignasse,
se você cansasse…
Mas você não cansa
de acreditar e esquecer

Onde estão os pródigos
anunciantes da redenção?
Onde estão os Ferreiras,
os Arrudas,
os Santanas,
os Oliveiras e Pimenteis?
Cadê os Silvas elitizados
e os Rousseffs improvisados?
Onde estão os aliados?
Estão eleitos e nomeados,
mas em profundo silêncio.

Sem a parte que lhe cabe,
qual sócio enganado,
sem as promessas devidas,
sem oposição decidida,
você bate palmas,
aguardando o porvir que não chega.
Você aplaude, Ceará!
Ceará, palmas pra quem?

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Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa

Por Wanfil em Crônica

10 de setembro de 2015

Ao maquiar as contas públicas para conseguir sua reeleição, a presidente Dilma Rousseff destruiu o frágil equilíbrio entre gastos e despesas da União. Agora estamos em recessão, com previsão de mais recessão para o próximo ano, situação devidamente registrada pelo humilhante rebaixamento do Brasil no rating da Standard & Poor´s. Junto com a credibilidade da presidente, foi-se a economia nacional.

Ainda que fosse excepcionalmente preparada, Dilma, sozinha, não conseguiria criar e manter uma farsa dessa magnitude. Foi preciso o empenho de muitos agentes para levar adiante o engodo do “desenvolvimentismo” brasileiro. De partidos a intelectuais, de inocentes úteis e a militantes profissionais.

Digo isso porque vejo aqui e ali parceiros, aliados e simpatizantes da presidente arriscando críticas ao desgoverno, à frouxidão fiscal da gestão, à inabilidade política da cúpula palaciana, ao tamanho da máquina, ao loteamento de cargos e à corrupção, como se tudo isso fosse novidade e como se não tivessem eles, os entusiastas do governismo, nada a ver com o desastre em curso. Gente que até poucos meses atrás garantia que a petista representava a continuidade de um modelo econômico sólido, amparado em convicções técnicas modernas, justas e inovadoras.

Profissionais diversos, como jornalistas e professores, além de políticos e autoridades, aderem agora ao coro dos descontentes ou se fazem de meros expectadores, sem assumirem, convenientemente, a parcela de responsabilidade que lhes cabe. Não é só Dilma que deve desculpas aos brasileiros. Falta de aviso não foi e nada do que acontece agora era segredo em 2014. Basta lembrar o caso da economista demitida pelo Santander após descrever com franqueza o cenário econômico. Mesmo assim, os passageiros do trem da alegria preferiram fechar os olhos, em nome de um mal menor, que de menor não tem nada, pelo contrário.

No Ceará, até ontem, aplaudiam obras inacabadas, fazendo pouco caso de seus atrasos inexplicáveis; publicavam e depois publicavam de novo releases discorrendo sobre as maravilhas da refinaria que não veio, como se fosse fato consumado; diziam-se admiradores sapientes da competência administrativa da “presidenta”. E agora, onde estão? Por que não pedem, junto com Dilma, desculpas?

Vejo-os por aí, em artigos de jornal e depoimentos nas redes sociais, dissimulados, disfarçando para melhor passarem, fugindo de si mesmos. Me fazem lembrar de um trecho famoso da prece católica – Confiteor (“Eu confesso”, em latim):

Pequei muitas vezes, por pensamentos, palavras e obras, por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa (peccavi nimis cogitatione verbo, et opere: mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa).

Me parece um tanto dramática, mas no presente, serve à perfeição, pois lembra que as decisões individuais possuem consequências (notem que a culpa não é do demônio, que na versão da teologia marxista, também pode ser chamado de mercado). A culpa não é só da presidente Dilma, mas isso, ninguém confessa.

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Manifestação contra o impeachment: a derrota numérica e moral do PT, CUT, MST e UNE

Por Wanfil em Política

21 de agosto de 2015

Que as manifestações contra o impeachment de Dilma seriam muito menores do que aqueles que pedem a saída da presidente, isso todos já sabiam, uma vez que a gestão da petista tem batido seguidos recordes de impopularidade.

Sendo impossível superar os adversários em número, e sem poder abordar, por motivos óbvios, temas como a corrupção, restou ao engajamento chapa-branca organizado pelo Partido dos Trabalhadores e entidades sob o seu comando, notadamente CUT, MST e UNE, rotular de golpe elitista os protestos anti-Dilma.

Militantes profissionais
Mas para que essa estratégia pudesse prosperar seria necessário credibilidade. Entretanto, nesse ponto os organizadores das manifestações de solidariedade à presidente falharam. A começar pela data e hora escolhidas: começo de tarde de uma quinta-feira, ou seja, em pleno horário de expediente, condições que exclui, de cara, o trabalhador comum. A mensagem para o público foi a de que estavam ali, na maioria, militantes “profissionais”, afinal, sábado e domingo é dia de folga até para esses trabalhadores de passeata.

Outro ponto salta aos olhos: de um a profusão de bandeiras vermelhas, enquanto nos atos pelo impeachment prevaleceu o verde-amarelo. De um lado a militância que coloca o partido acima de tudo, do outro, a defesa do país. Qual das duas imagens é capaz de influenciar mais os cidadãos?

Contradição e incoerência
Outro problema foram as contradições entre a defesa do governo e críticas ao ajuste fiscal. Se a administração está errada, por que então mantê-la, mesmo diante de tantos escândalos?

Os que marcharam contra Dilma também expõem contradições internas, no entanto, são unânimes na convicção de que o governo é ruim e mentiroso. No caso dos aliados do petismo, não existe a convicção de que o governo seja minimamente bom em algo, pelo contrário, como se viu, muitos deles também o reprovam. Segundo o Datafolha, na marcha do PT em São Paulo, apenas 54% aprovam Dilma.

Nos embates de guerrilha, a vitória consiste em derrubar o moral do inimigo. Nesse sentido, as manifestações governistas foram duplamente vencidas, já que nem em suas próprias fileiras elas foram eficazes.

Os fatos
Por último, CUT, UNE, MST e PT foram às ruas no mesmo dia em que o IBGE informou aos brasileiros que o desemprego subiu para 7,5%, maior índice desde 2009. Depois, no momento de trabalhar a repercussão dos atos, o Caged apresentou dados sobre a quantidade de vagas de trabalho cortadas no mês de julho passado. Foram 157.905 carteiras que deram baixa, o pior resultado desde 1992.

Moral da história: para ajudar o governo, não bastam palavras de ordem e militantes profissionais. Seria preciso uma boa notícia que fosse para mostrar, um rumo a apontar, uma luz no fim do túnel. Mas isso está em falta, por obra e graça deste governo. Sem isso, não há como escapar do vexame.

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Muito além dos protestos

Por Wanfil em Política

17 de agosto de 2015

Mais uma vez centenas de milhares de pessoas protestaram contra o governo Dilma em todo o país. Não obstante as polêmicas sobre o tamanho da mobilização – se maiores, iguais ou menores do que as anteriores –, o que importa para os agentes políticos no Brasil é o fato de que essas multidões que saíram às ruas são uma pequena amostra da insatisfação geral registrada por pesquisas de opinião, e que mostra que o problema, para o governo, vai muito além do tamanho ou das camadas sociais ali representadas, notadamente de classe média, chegando a dois pontos elementares: a quebra na relação de confiança entre sociedade e governo e a persistência com que os protestos se repetem, que indica um estado de ânimo disposto a se prolongar no tempo.

Processo
Como esta foi a terceira manifestação somente em 2015 – sempre com boa presença de público –, fica cada vez mais evidente que não se trata de um fenômeno pontual ou restrito, mas de um sentimento constante que se irradia por todo o país, um processo contínuo que se desenvolve sem contrapontos capazes de contê-lo.

O máximo que o governo conseguiu até aqui para mostrar alguma reação foi o apoio provisório do senador Renan Calheiros (PMDB), conchavo que fez do alagoano um dos alvos nos protestos de domingo. Quando o apoio a uma gestão é prejudicial à imagem de alguém como Renan, é sinal de que se chegou ao fundo do poço.

Instinto de sobrevivência
Em ambientes assim, com o governo desacreditado, o instinto de autopreservação de políticos em geral é buscar distância dele e evitar críticas aos movimentos de contestação, ou até mesmo apoiá-los. No que diz respeito a aliados, não se trata de um movimento brusco, feito às pressas, pois o governo ainda tem as suas armas, especialmente no que diz respeito a cargos e verbas.

Por isso, tudo é feito por etapas. As declarações de apoio começam a ficar mais raras, depois críticas começam a aparecer, entremeadas com sugestões ambíguas, e por fim o silêncio passa a predominar.

Em meados de julho passado, governadores do Nordeste em busca de verbas para amenizar os efeitos do ajuste fiscal, assinaram uma carta contra o impeachment de Dilma. O que dizem agora? O tema definitivamente se consolidou como pauta dos manifestantes. Até o momento, nenhum dos signatários veio a público repudiar os protestos. Inteligentes, não darão murro em ponta de faca. Pelo menos, não de graça.

Collor
As primeiras denúncias de corrupção contra o governo do ex-presidente Collor surgiram no início de seu mandato, em junho de 1990. O impeachment foi aprovado em setembro de 1992. Não quer dizer que a história irá se repetir (os protestos naquele período começaram mais tarde), mas é o parâmetro mais próximo que se tem a servir de referência para comprar com a situação política atual. E isso, por si só, diz muito.

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Muito além dos protestos

Por Wanfil em Política

17 de agosto de 2015

Mais uma vez centenas de milhares de pessoas protestaram contra o governo Dilma em todo o país. Não obstante as polêmicas sobre o tamanho da mobilização – se maiores, iguais ou menores do que as anteriores –, o que importa para os agentes políticos no Brasil é o fato de que essas multidões que saíram às ruas são uma pequena amostra da insatisfação geral registrada por pesquisas de opinião, e que mostra que o problema, para o governo, vai muito além do tamanho ou das camadas sociais ali representadas, notadamente de classe média, chegando a dois pontos elementares: a quebra na relação de confiança entre sociedade e governo e a persistência com que os protestos se repetem, que indica um estado de ânimo disposto a se prolongar no tempo.

Processo
Como esta foi a terceira manifestação somente em 2015 – sempre com boa presença de público –, fica cada vez mais evidente que não se trata de um fenômeno pontual ou restrito, mas de um sentimento constante que se irradia por todo o país, um processo contínuo que se desenvolve sem contrapontos capazes de contê-lo.

O máximo que o governo conseguiu até aqui para mostrar alguma reação foi o apoio provisório do senador Renan Calheiros (PMDB), conchavo que fez do alagoano um dos alvos nos protestos de domingo. Quando o apoio a uma gestão é prejudicial à imagem de alguém como Renan, é sinal de que se chegou ao fundo do poço.

Instinto de sobrevivência
Em ambientes assim, com o governo desacreditado, o instinto de autopreservação de políticos em geral é buscar distância dele e evitar críticas aos movimentos de contestação, ou até mesmo apoiá-los. No que diz respeito a aliados, não se trata de um movimento brusco, feito às pressas, pois o governo ainda tem as suas armas, especialmente no que diz respeito a cargos e verbas.

Por isso, tudo é feito por etapas. As declarações de apoio começam a ficar mais raras, depois críticas começam a aparecer, entremeadas com sugestões ambíguas, e por fim o silêncio passa a predominar.

Em meados de julho passado, governadores do Nordeste em busca de verbas para amenizar os efeitos do ajuste fiscal, assinaram uma carta contra o impeachment de Dilma. O que dizem agora? O tema definitivamente se consolidou como pauta dos manifestantes. Até o momento, nenhum dos signatários veio a público repudiar os protestos. Inteligentes, não darão murro em ponta de faca. Pelo menos, não de graça.

Collor
As primeiras denúncias de corrupção contra o governo do ex-presidente Collor surgiram no início de seu mandato, em junho de 1990. O impeachment foi aprovado em setembro de 1992. Não quer dizer que a história irá se repetir (os protestos naquele período começaram mais tarde), mas é o parâmetro mais próximo que se tem a servir de referência para comprar com a situação política atual. E isso, por si só, diz muito.