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crise Archives - Página 5 de 6 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

crise

Por que Camilo procura na oposição nomes para a Saúde?

Por Wanfil em Ceará

29 de junho de 2015

Além de uma crise sem precedentes na área da Saúde, o governador Camilo Santana recebeu ainda como herança de seu aliado Cid Gomes, o modelo administrativo da saúde pública no Ceará. Assim, boa parte dos recursos para o setor é destinada ao ISGH, entidade que cresceu na condição de parceira do governo estadual e da Prefeitura de Fortaleza sob o comando de Henrique Javi, hoje secretário interino da pasta. Resumindo: os contratos são firmados por gestores públicos que, antes disso, trabalhavam para a contratada. Tem cara de conflito de interesses, cheiro de conflito de interesses, jeito de conflito de interesses, mas segundo os envolvidos, não é nada disso. Então, tá.

De todo modo, foi nesse contexto que o petista Camilo Santana optou por procurar, desde o início de seu mandato, alguém de fora do staff cidista ou da aliança que o elegeu para comandar a pasta da Saúde. Nomeou o médico Carlile Lavor, referência internacional, ex-presidente do PSDB estadual, que ficou no cargo poucos meses. Ao sair, Carlile alegou dificuldades para redesenhar o modelo vigente. A oposição passou a cobrar explicações e o Ministério Público Federal recomendou que os contratos com o ISGH fossem auditados.

Pois bem. Um mês e meio após a saída de Carlile, o governador busca na pessoa do médico Carlos Roberto Martins, o Dr. Cabeto, cardiologista respeitadíssimo e profissional competente, o nome para dar respaldo à Secretaria da Saúde. Segundo o noticiário, Cabeto, que é filiado ao PSDB, não toparia ser secretário, mas aceitaria colaborar com outra função.

Tanto Carlile como Cabeto são quadros técnicos de qualidade indiscutível. Porém, é impossível dissociá-los da condição políticas que ambos assumiram. Ambos são do PSDB, sigla de oposição ao governo Camilo. Mesmo que assuma como adjunto, Cabeto, até pelo peso do nome, seria novamente alguém de fora a figurar no comando da área.

Não existe ninguém com currículo e que seja de confiança entre os governistas? Sei não, fica estranho. Parece que o governador, por alguma razão não explicitada, prefere pinçar das hostes oposicionistas o perfil ideal para mudar os rumos da saúde no Ceará. Por que será, hein?

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Planos de saúde servem pra quê?

Por Wanfil em Crônica

23 de junho de 2015

Com o caos instalado na saúde pública, milhões de brasileiros são obrigados a contratar planos privados de saúde. Não que as operadoras sejam lá grande coisa: nesse cálculo, o que vale é fugir do pior serviço. Assim, para não correr o risco de depender do SUS, as pessoas aceitam pagar, além dos impostos para os governos, mensalidades que variam de acordo com os planos, mas que invariavelmente comprometem uma parcela considerável do orçamento das famílias.

No Ceará faltam antibióticos nos hospitais públicos. Nos privados antibiótico não falta, mas a ilusão de que planos caríssimos podem ser a salvação contra o pior não resiste, por exemplo, à falta leitos infantis. Não é por acaso que as empresas de home care (atendimento domiciliar) crescem transformando residências em pequenos hospitais, com aluguel de equipamentos e venda de remédios e serviços.

Tenho uma filha “internada” em casa para tratamento contra uma pneumonia, utilizando a estrutura de um home care. Em quatro dias, o gasto será parecido com um mês do plano que pago há muitos anos, mas que me deixou na mão, sem leito. A alternativa, segundo a operadora, seria esperar indefinidamente na enfermaria improvisada de uma emergência. No final do mês, a única certeza relacionada ao plano contratado se confirmará: a mensalidade por um plano com direito a apartamento.

Planos de saúde servem para isso: para trocar o muito ruim pelo menos ruim. A crise na saúde é generalizada e sua metástase já chegou aos planos. Excesso de burocracia, impostos, falta de fiscalização, crise econômica e má gestão em alguns casos, comprometem a qualidade desses serviços. E de tão comum, essa situação virou parte do panorama nacional. Na emergência em que minha filha foi atendida, pais e mães consolavam-se: “Se está assim aqui, imagine no SUS”.

Quando a satisfação de um serviço é medida nestes termos, é a decadência total. Não tem mais cura.

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Ceará suplica e Ministério da Saúde libera uns trocados

Por Wanfil em Ceará

28 de Maio de 2015

Para conseguir manter a estrutura da saúde pública no Ceará, que foi ampliada nos últimos anos sem que houvesse recursos próprios suficientes, situação agravada ainda pela queda nos repasses federais, o governador Camilo Santana, do PT, e o prefeito de fortaleza, Roberto Cláudio, do Pros, foram à Brasília pedir ajuda ao ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Conseguiram R$ 25,7 milhões, que serão divididos entre o Governo do Estado, a Prefeitura de Fortaleza e mais 25 municípios do interior. Obviamente, esse montante é insuficiente. Só para efeito de comparação, se esse dinheiro fosse destinado somente para a capital, daria para bancar apenas um mês os gastos do IJF.

Política do “salve-se quem puder”
Isso não invalida o esforço do governador e do prefeito, que estão no papel de gestores. Aliás, não deveria nem ser necessário que eles fossem bater à porta da presidente Dilma e do Ministério da Saúde para pedir mais recursos. Depois das imagens de pacientes amontoados nos corredores dos hospitais do Ceará, que repercutiram nacionalmente, a ajuda tinha que ser oferecida espontaneamente.

Mas como o governo federal tem seus próprios problemas de caixa, a situação fica assim: leva alguns trocados quem perturbar mais. Isso não é planejamento, não é aliança estratégia, programa de governo, método de gestão, nada disso. É o improviso do salve-se quem puder. E é exatamente por isso, pela falta de competência e de visão das autoridades, especialmente na última década, que chegamos a esse ponto.

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Camilo, ouça o Barão de Itararé: “De onde menos se espera, é que não vem nada mesmo”

Por Wanfil em Ceará

22 de Maio de 2015

Uma comitiva formada por doze deputados estaduais e o governador Camilo Santana visitou, nesta sexta-feira, as obras do Cinturão das Águas, na região do Cariri, no Sul do Ceará. Com o quadro de seca cada vez mais grave, é fundamental conferir de perto o andamento desse projeto, última esperança para cidades que já estão sem água pelo interior do Estado. Pelo menos é um modo de chamar a atenção e mostrar a expectativa pelo empreendimento.

Cinturão só com Transposição
A previsão é que a obra fique pronta até o segundo semestre de 2016. O problema é que, para funcionar, o Cinturão das Águas necessita antes da conclusão da transposição do rio São Francisco, que deveria ter ficado pronta lá em 2010, quando não havia crise econômica e as contas públicas ainda eram razoáveis. A transposição foi depois adiada para 2012, 2014, 2016…

Pressão limitada
Assim, por precaução, o governador Camilo Santana disse assim durante a visita: “Vamos ver se a gente consegue pressionar para que o prazo seja cumprido”. É isso aí, como não dá para confiar na palavra empenhada por Dilma na campanha eleitoral, tem que marcar colado mesmo. Mas aí o governador, ainda que se reconheça a disposição em cobrar a gestão federal, esbarra nos limites da sua condição de aliado, que o impede de ir às últimas consequências.

A lição de Itararé
Como agora a prioridade da União não é a saúde, o combate à seca ou a educação, mas o corte de gastos por causa da crise criada pelos erros do próprio governo, é melhor nossas autoridades estaduais não se iludirem (e ao público) com a frágil esperança de que prazos sejam cumpridos, investimentos realizados ou repasses corrigidos. Como já dizia o Barão de Itararé, “de onde menos se espera, é que não vem nada mesmo”.

Cinturão das Águas depende da transposição do São Francisco. Melhor esperar sentado a seca acabar.

O Cinturão das Águas aguarda a transposição do rio São Francisco, adiada desde 2010. Melhor esperar sentado a seca acabar sozinha.

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Dilma diz que irá avaliar crise da saúde e Camilo fica satisfeito. Preparem os bolsos!

Por Wanfil em Ceará

20 de Maio de 2015

Dilma Rousseff recebe Camilo Santana estão satisfeito. Você está? / Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.

Olha como Dilma Rousseff e Camilo Santana estão satisfeitos. E você, também está? / Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.

Leio no site do Governo do Ceará que o governador Camilo Santana, do PT, saiu satisfeito da reunião que teve nesta quarta-feira (20) com a presidente Dilma Rousseff, também do PT, para discutir a crise da saúde no Ceará.

Qual o motivo dessa satisfação? “Ela compreendeu os números da saúde do Ceará e recomendou que a Casa Civil e o Ministério fizessem uma avaliação”, explicou Camilo. O problema é que isso não tem efeito prático nenhum. Pelo contrário. Façamos algumas considerações.

Essa papo de avaliação é conversa mole. Primeiro, Aloísio Mercadante, ministro da Casa Civil, não apita nada. É um zumbi no Planalto, agora que a articulação política está com o vice-presidente Michel Temer, do PMDB. Segundo, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, disse na semana passada que o Ceará recebe o suficiente para dar um atendimento de qualidade à população. Terceiro, a presidente Dilma pretende fazer um corte no orçamento entre 70 e 80 bilhões de reais. Portanto, se depender desse trio, mais verbas, nem sonhando!

Como diante disso Camilo se mostrou satisfeito, é provável que todos tenham achado muito sensata a ideia do cearense de estudar uma nova fonte de financiamento para a saúde, inspirada na extinta CPMF. É assim: Dilma gasta mal o dinheiro dos pagadores de impostos, desrespeita a Lei de Responsabilidade Fiscal, cria um déficit recorde e depois lança um pacote de cortes que atinge a saúde pública em todo o país. Tudo com o apoio do governo local, que nos últimos oito anos gastou mal o dinheiro que tinha para a área e fez da Secretaria da Saúde moeda de troca para contemplar o apoio político do PC do B. Depois, com a crise estourando nos hospitais, criam mais um imposto para espetar no bolso dos brasileiros.

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A Saúde no chão: quem são os culpados?

Por Wanfil em Ceará

11 de Maio de 2015

As más notícias e as denúncias sobre o sistema de saúde pública do Ceará se acumulam em velocidade atordoante. Logo de cara, basta dizer que a secretaria está sem secretário: Carlile Lavor pediu demissão há uma semana e o governo procura um substituto. É a expressão política e administrativa de uma realidade que se impõe como desgraça sobre a população. Vejamos os pontos abaixo.

O Sindicato dos Médicos divulga diariamente boletins com o número de pacientes atendidos em corredores nas emergências dos hospitais de Fortaleza. Sempre na casa das centenas. A diretoria do HGF ameaçou suspender cirurgias eletivas por falta de insumos básicos, como seringas e antibióticos (médicos receberam em maio, o salário de fevereiro). Em Juazeiro do Norte, a Justiça determinou uma intervenção no setor para apurar possíveis irregularidades em licitações. Os hospitais regionais não funcionam como deveriam, isso quando funcionam (prefeitos são unânimes em dizer que não há como os municípios custearem esses equipamentos). A quantidade de leitos do SUS diminuiu. As UPAS estão lotadas de pacientes que não conseguem vagas no hospitais. No IJF, pacientes são atendidos no chão – isso mesmo, no chão! O hospital nega a falta de macas, assim como a Secretaria da Saúde nega a crise, que para o resto dos cearenses é real e inegável. Diante desse quadro desolador, emergencial e desesperador, cabe perguntar: quem são os culpados por tudo isso?

Vamos começar pelo óbvio: não são os pacientes que insistem em ficar doentes, nem os médicos que trabalham sem condições adequadas. (Aqui vale um adendo. Lembram do programa Mais Médicos? Pois é. Tudo lorota para dar a impressão de que o problema era a má vontade dos médicos).

Agora vamos aos suspeitos:

1) Governador Camilo Santana (PT) – Pelo cargo que ocupa é o nome a ser cobrado. No entanto, convenhamos, Santana está apenas no quinto mês de seu mandato. Parafraseando Nelson Rodrigues, crises assim não se improvisam, são produzidas por anos de desacertos. Apesar disso, mesmo tendo herdado o abacaxi, Camilo não pode alegar inocência, afinal, é aliado da gestão passada, elogiada como referência na saúde durante sua campanha eleitoral;

2) Ex-secretário Carlile Lavor – Vale o mesmo raciocínio, com a diferença de que o ex-titular da área pode alegar que assumiu sem saber que a situação estava tão ruim. Mesmo assim, por ter desistido poucos meses depois, também não pode alegar inocência. No mínimo, contribuiu para agravar o quadro com uma crise política;

3) Ex-governador Cid Gomes – principal suspeito. Governador por dois mandatos, precedeu a atual gestão. É responsável pelo atual desenho da estrutura da saúde no Ceará, com investimentos elevados na construção de hospitais regionais e unidades menores de atendimento pelo interior, que supostamente desafogariam os hospitais da capital. Não deu certo. De todo modo, todos os avanços desse modelo alegados pela propaganda eleitoral de Camilo Santana foram atribuídos a Cid. Se ele agora não funciona, é razoável que se faça a mesma deferência;

4) Ex-secretário Ciro Gomes – Sem entender da área, Ciro assumiu a pasta da saúde no final do segundo mandato de Cid na condição de irmão do governador e de liderança com “costas largas”, conforme ele mesmo se definiu. Se Cid foi o responsável maior pelas ações de saúde, como foi dito na propaganda de Camilo, Ciro foi seu principal aliado na hora de maquiar problemas que já começavam a estourar no ano passado. Conseguiu disfarçar o quadro até depois das eleições;

5) Prefeitos – Estão mais para vítimas do que para culpados. Como a maioria é governista e passou os últimos anos elogiando a política de saúde implementada pela gestão Cid Gomes, carrega consigo o feito de cavar a própria sepultura, pois precisam explicar aos seus eleitores agora, porque as coisas chegaram a esse ponto, se eles diziam que estava tudo melhorando. Essa condição não serve, entretanto, para a capital Fortaleza, que possui realidade orçamentária distinta;

6) Presidente Dilma Rousseff – é a principal responsável pelo corte de verbas que sufoca estados e municípios hoje, por causa do ajuste fiscal executado para cobrir cobrir o rombo nas contas públicas causados pelos erros da própria presidente. Não figura como suspeita, pois é notoriamente culpada. Resta ver quem foram seus cúmplices no desmantelamento do sistema de saúde brasileiro.

7) Bancadas estadual e federal cearense: a pior representação federal da história, com uma ou duas exceções, se notabilizou pela omissão e a capacidade de aplaudir governadores e presidentes, cobrindo-os de elogios e prometendo aos eleitores dias de fartura. A representação estadual mais submissa ao Executivo de que se tem notícia (novamente com raras exceções) foi pródiga em elogiar sem fiscalizar. O resultado é esse que temos agora. São incapazes de cobrar ou denunciar qualquer problema, quiçá de reconhecer que o problema existe.

8) Todos juntos: pelo tamanho, intensidade e gravidade, o mais justo, a meu ver, é  reunir os suspeitos acima e considerá-los, juntos, responsáveis pelo colapso na saúde do Ceará, variando aí apenas o tamanho da responsabilidade de cada um, com a verificação de atenuantes e agravantes.

Na prática, o grupo político que deixou o Ceará com os piores índices de violência da história, é o mesmo que deixou a saúde assim, literalmente no chão, conforme fotos dos IJF que circulam desde o domingo nas redes sociais. Encerro por aqui. Olhem a imagem e tirem suas conclusões:

A saúde no chão: pacientes no IJF
A saúde no chão: pacientes no IJF
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Atenção, base aliada: mais da metade dos nordestinos reprova a gestão Dilma, aponta Datafolha. E agora?

Por Wanfil em Pesquisa

18 de Março de 2015

Pesquisa do instituto Datafolha publicado nesta quarta-feira pelo jornal Folha de São Paulo dá números ao que todos já sabiam: a popularidade da presidente Dilma Rousseff, do PT, desabou neste início de segundo mandato. Nada menos do que 62% dos brasileiros consideram a gestão ruim ou péssima e somente 13% entendem que é boa ou ótima.

Quem quer seguir Dilma?
Agora vejam esse gráfico, também publicado na Folha:

Datafolha Dilma regiões

Olha aí a região Nordeste com 55% de reprovação ao governo Dilma. Mais da metade da população, o que significa dizer que é um sentimento que não se reduz a um estrato social (ver o próximo gráfico).

Se até o ano passado a presidente era bajulada por políticos da região como ativo eleitoral, agora as coisas mudaram. E a perspectiva é de que essa rejeição aumente na proporção que os efeitos da crise econômica se intensificarem. Nesses casos, via de regra, o instinto de sobrevivência de políticos sugere distância de quem é mal visto pelos eleitores. E agora base aliada, o que fazer? E agora deputado que corria para tirar fotos ao lado da presidente, a quem apelar? E agora prefeito ou candidato a prefeito, que parcerias serão prometidas nas eleições do ano que vem?

Camilo Santana e petistas em geral estão obrigados a defender a correligionária. Cid Gomes, do PROS, até agora parceiro de Dilma, já percebeu a fria em que se meteu: desgastado por ser obrigado a cortar verbas do Ministério da Educação, isolado após criticar a Câmara dos Deputados, só tem a perder estando ao lado da “presidente mais ágil que já houve”. Vamos ver se o PROS do Ceará continua ardente aliado da presidente sem apoio popular. Já o PMDB está em pé de guera com o PT, o que libera seus filiados a adotar uma postura mais independente, sem esquecer que o partido é especialista em pressentir naufrágios eleitorais, para mudar de lado quando preciso.

Essa elite!
Agora um segundo gráfico, publicado pela Folha, com base na pesquisa do Datafolha:

Datafolha Dilma rendaPois é. Você que viu nas redes sociais governistas e simpatizantes menosprezando os protestos de domingo como coisa da elite, da Aldeota, dos eleitores da oposição chateados com a ascensão da classe C, olhe aí os números: 60% dos que ganham até dois salários mínimos reprovam Dilma. Essa é a elite dos cegos que não querem ver.

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Ministro Cid Gomes é salvo por uma traqueobronquite aguda

Por Wanfil em Política

12 de Março de 2015

Assim como o diretor da escola não acredita que Ferris Bueller estava doente, o deputado Eduardo Cunha desconfia da enfermidade de Cid.

Assim como o diretor da escola não acreditava que Ferris Bueller estava doente, o deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara, desconfia da enfermidade de Cid.

Quando o ministro da Educação, Cid Gomes, disse que a grande dificuldade do governo federal era ter que lidar com uns 300 ou 400 achacadores na Câmara dos Deputados, certamente não imaginou o tamanho da encrenca em que se meteria.

Convocado pelos parlamentares a dar explicações ontem, quarta-feira, dia 11, o ex-governador do Ceará não compareceu por motivos de saúde, estando, inclusive, internado para tratamento de “sinusite, traqueobronquite aguda e pneumopatia”, conforme boletim médico do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Havia uma expectativa sobre a postura de Cid: se confirmasse as declarações em plenário, aumentaria a crise política que abala a gestão Dilma; se pedisse desculpas, vestiria a carapuça de bravateiro. Se confirmasse e não fosse desautorizado pela presidente, o governo estaria ratificando a opinião do ministro; se fosse advertido publicamente pela chefa e ainda assim não se retratasse, a demissão seria inevitável. O impasse não foi resolvido, mas Cid ganhou um tempinho.

Desconfiança
Embora a internação tenha sido confirmada pelo Sírio-Libanês, para os deputados, a coincidência de ser internado justamente na véspera do dia em que falaria aos deputados, deixou no ar a impressão de manobra para não ir ao Congresso. Por isso, em resposta, a Câmara quer criar uma comissão de parlamentares médicos para conferir a veracidade da doença ou exigir um laudo médico para dirimir dúvidas. Um constrangimento desconcertante, como poucas vezes se viu.

Teto de vidro
Muita gente concorda com o que Cid disse sobre os deputados. Particularmente, também não confio na maioria dos congressistas, mas não creio na tese do achacamento, pois assim o governo federal ficaria na condição de vítima impotente de vícios alheios e não de comparsa de seus aliados.

O problema é que ao externar sua opinião, o ministro criou uma saia justa para o governo, que precisa como nunca aprovar o pacote de maldades na economia para cobrir o rombo nas contas públicas. Além do mais, quem tem teto de vidro não joga a primeira pedra: a maioria dos 39 ministérios do governo do qual Cid faz parte foram loteados no balcão de negócios do “toma lá, dá cá” institucionalizado em Brasília.

Dessa lambança toda, o fato mais evidente é que no momento o ministro da educação virou uma dor de cabeça para o Planalto. Se não tomar cuidado, a traqueobronquite aguda que agora ajudou Cid, poderá, logo ali adiante, lhe custar o cargo.

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Dilma repete Collor e potencializa protestos. Tiro no pé!

Por Wanfil em Política

09 de Março de 2015

Dilma pede paciência ao povo. Collor pediu para não ficar só e a resposta foi o povo impaciente nas ruas num domingo.

Dilma pede paciência ao povo. Collor pediu para não ficar só e a resposta foi o povo impaciente nas ruas num domingo. Lula também não quis esperar.

O pronunciamento da presidente Dilma feito neste domingo (8), Dia das Mulheres, não amenizou ânimos ou plantou esperanças, pelo contrário, serviu mesmo foi de catalisador para uma onda de críticas nas redes sociais, que por sua vez reforçaram as convocações para os protestos contra o governo marcados para o próximo domingo, dia 15, em diversas capitais.

Não é para menos. Dilma tentou fazer do pacote de maldades na economia uma prova de competência administrativa e do estelionato eleitoral uma virtude incompreendida pela maioria. Não colou, claro. Como confessar inépcia seria também desastroso para a presidente, melhor seria ter guardado silêncio, até porque o noticiário estava centrado na lista de parlamentares envolvidos no escândalo da Petrobras. Com o discurso, Dilma voltou a protagonizar a decepção geral e a atiçar a indignação do público contra sua própria gestão.

Duas falas da presidente chamaram minha atenção:

– Não é a primeira vez que o Brasil passa por isso;
Peço a vocês que nos unamos e que confiem na condução deste processo pelo governo, pelo Congresso, e por todas as forças vivas do nosso país – e uma delas é você!

Lembram outro chamado de um presidente fragilizado, com acentuada queda de popularidade e sem apoio político, antes de completar a metade do mandato: Fernando Collor de Mello. De fato não é a primeira vez que o Brasil passa por isso. Relembremos.

No dia 21 de junho de 1992, o “caçador de marajás”, acuado por denúncias de corrupção (em níveis muito inferiores aos que temos hoje) e desgastado por uma crise econômica, suplicou à nação em pronunciamento oficial:

– Não me deixem só. Eu preciso de vocês.

É ou não é um pedido de união e confiança semelhante ao feito por Dilma, 23 anos depois? Ainda em 1992, no dia 13 de agosto, Collor discursou pedindo novamente a ajuda dos brasileiros:

Que saiam no próximo domingo de casa com alguma das peças de roupa nas cores da nossa bandeira. Que exponham nas janelas, que exponham nas suas janelas toalhas, panos, o que tiver nas cores da nossa bandeira.

A fala ajudou a mobilizar a população, que saiu às ruas no dia 16 de agosto, um domingo, em protestos por todo o país, vestida de preto. Depois veio o impeachment.

Qualquer semelhança….

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Crise na Segurança? Já?! – Ou: “De onde menos se espera…”

Por Wanfil em Segurança

25 de Fevereiro de 2015

No que diz respeito à segurança pública, os cearenses estão como São Tomé: não adianta mais prometer-lhes resultados, eles só acreditam vendo. Imagem: A Incredulidade de São Tomé, de Caravaggio (1599)

No que diz respeito à segurança pública, os cearenses estão como São Tomé: só acreditam vendo.
Imagem: A Incredulidade de São Tomé, de Caravaggio (1599)

Boatos sobre uma crise na Secretaria de Segurança do Ceará se alastraram como fogo na palha nos últimos dias, especialmente com o mistério em torno da demissão do secretário executivo da pasta, Odécio Carneiro. Versões e dúvidas se multiplicam. Seguem algumas:

1) Odécio teria descoberto um esquema de desvio de recursos feito na gestão passada e por isso teria perdido o cargo. Hipótese reforçada pela falta de explicações sobre a sua saída. Foi demitido ou pediu demissão? Qual o motivo?

2) Delci Teixeira, titular da secretaria, teria discutido com o governador Camilo Santana, reclamando de falta de autonomia, chegando a colocar o cargo à disposição;

3) O governo já estaria com o nome de um possível substituto para Delci, enfraquecido pelo aumento da violência já no início do governo. Em dois meses de gestão Camilo (que prometeu cuidar pessoalmente da área), foram registrados mais de 700 homicídios no Ceará;

4) A crise na segurança não estaria restrita a conflitos com a tropa, mas instalada em seu próprio comando.

Desconfiança
Diante disso, em entrevista, o governador disse que o secretário tem total autonomia para nomear e demitir quem quiser. Nada mais. Assim fica tudo muito incerto e sujeito a especulações. O governo precisa abrir o olho, pois boatos só prosperam onde existem dúvidas. E por que essas dúvidas existem? Simples. É que há uma desconfiança generalizada da população no que diz respeito a segurança pública. Primeiro, porque sente na pele a violência; segundo, porque está cansada de discursos.

Trata-se, com efeito, da área mais complicada e com os piores resultados durante a gestão do ex-governador Cid Gomes. E como a atual administração é de continuidade, ou seja, como não está disposta a passar a limpo questões que possam causar constrangimentos ao antecessor, fica a expectativa. É uma desconfiança natural que faz lembrar aquela máxima de Apparício Torelly, o Barão de Itararé:

De onde menos se espera, daí é que não sai nada.

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Crise na Segurança? Já?! – Ou: “De onde menos se espera…”

Por Wanfil em Segurança

25 de Fevereiro de 2015

No que diz respeito à segurança pública, os cearenses estão como São Tomé: não adianta mais prometer-lhes resultados, eles só acreditam vendo. Imagem: A Incredulidade de São Tomé, de Caravaggio (1599)

No que diz respeito à segurança pública, os cearenses estão como São Tomé: só acreditam vendo.
Imagem: A Incredulidade de São Tomé, de Caravaggio (1599)

Boatos sobre uma crise na Secretaria de Segurança do Ceará se alastraram como fogo na palha nos últimos dias, especialmente com o mistério em torno da demissão do secretário executivo da pasta, Odécio Carneiro. Versões e dúvidas se multiplicam. Seguem algumas:

1) Odécio teria descoberto um esquema de desvio de recursos feito na gestão passada e por isso teria perdido o cargo. Hipótese reforçada pela falta de explicações sobre a sua saída. Foi demitido ou pediu demissão? Qual o motivo?

2) Delci Teixeira, titular da secretaria, teria discutido com o governador Camilo Santana, reclamando de falta de autonomia, chegando a colocar o cargo à disposição;

3) O governo já estaria com o nome de um possível substituto para Delci, enfraquecido pelo aumento da violência já no início do governo. Em dois meses de gestão Camilo (que prometeu cuidar pessoalmente da área), foram registrados mais de 700 homicídios no Ceará;

4) A crise na segurança não estaria restrita a conflitos com a tropa, mas instalada em seu próprio comando.

Desconfiança
Diante disso, em entrevista, o governador disse que o secretário tem total autonomia para nomear e demitir quem quiser. Nada mais. Assim fica tudo muito incerto e sujeito a especulações. O governo precisa abrir o olho, pois boatos só prosperam onde existem dúvidas. E por que essas dúvidas existem? Simples. É que há uma desconfiança generalizada da população no que diz respeito a segurança pública. Primeiro, porque sente na pele a violência; segundo, porque está cansada de discursos.

Trata-se, com efeito, da área mais complicada e com os piores resultados durante a gestão do ex-governador Cid Gomes. E como a atual administração é de continuidade, ou seja, como não está disposta a passar a limpo questões que possam causar constrangimentos ao antecessor, fica a expectativa. É uma desconfiança natural que faz lembrar aquela máxima de Apparício Torelly, o Barão de Itararé:

De onde menos se espera, daí é que não sai nada.