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crise Archives - Página 6 de 6 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

crise

Governo do Ceará processa policiais que declaram voto na oposição: perseguição que apequena a gestão

Por Wanfil em Eleições 2014

23 de outubro de 2014

O TSE pediu reforço de tropas do Exército para o segundo turno no Ceará, por entender que as autoridades locais não possuem as condições de garantir a normalidade do processo eleitoral. Numa atitude sensata, o governo estadual concordou com a medida, reconhecendo, ainda que indiretamente, que as coisas realmente fogem ao seu controle. De certo modo, deu a entender que deseja a restauração de um ambiente de relativa tranquilidade, contribuindo para acalmar os ânimos mais exaltados.

O surto de sensatez, porém, durou pouco, pois logo em seguida a Secretaria de Segurança abriu processo administrativo contra 18 policiais militares que apoiaram publicamente o ​Capitão Wagner, eleito deputado estadual com votação recorde, e Flávio Sabino, eleito deputado federal. Ambos são do PR e apoiam Eunício Oliveira para o Governo do Estado. Segundo a SSPDS, PMs não podem fazer manifestações político-partidárias. É estranho, uma vez que podem ser candidatos. Mas o problema mesmo é que o rigor da medida recai apenas sobre policiais ligados à oposição, pois os que declararam publicamente apoio ao candidato governista Camilo Santana, do PT, não foram incluídos na lista de processados. São dois pesos e duas medidas. É inegável, portanto, que se trata de perseguição política.

É mais um capítulo na crise de comando entre governo e setores das polícias no Ceará. Ainda que acredite estar com a razão, o momento escolhido para processar os policiais, na véspera de uma votação e com todas as suspeitas que existem de parcialidade, foi inadequado. Além disso é inadmissível permitir que a estrutura administrativa responsável pela área seja contaminada pelo calor das emoções da disputa eleitoral, agindo como agente político, colocando gasolina na fogueira e deixando de lado qualquer pudor sobre a isenção que se espera dos órgãos de estado.

Desse modo, denúncias de que o governo estadual e a prefeitura de Fortaleza estariam pressionando seus funcionários a apoiarem Camilo Santana ganham força, afinal, se até policiais são perseguidos, imagine o resto. E as denúncias existem. Se não correspondem aos fatos, pelo menos agora possuem verossimilhança. O governo assim dá um tiro no próprio pé e perde a credibilidade quando se apequena no papel de instituição a serviço de uma militância partidária. Para complicar a situação e desacreditar de vez qualquer ideia de neutralidade institucional, o governador Cid Gomes, que deveria zelar pela ordem e pela imagem da gestão, deixou o cargo justamente para fazer… campanha eleitoral! Os liderados refletem as ações da liderança.

E por fim, essa confusão atrapalha mesmo o próprio candidato oficial, pois ao fazer da eleição um componente de acirramento na crise de comando na segurança, ao apostar na divisão entre governistas e oposicionistas dentro das corporações policiais, o governo acaba inviabilizando o diálogo de Camilo com a categoria, sua principal promessa para a área.

Depois alguns governistas mais afoitos saem acusando os outros de armação, sem perceber que os fatos têm consequências que ultrapassam a passionalidade das campanhas eleitorais.

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MP pede tropas federais para garantir eleições limpas no Ceará: a que ponto chegamos!

Por Wanfil em Eleições 2014

14 de outubro de 2014

Diante do risco de não haver uma eleição institucionalmente isenta e íntegra no Ceará, a Procuradoria Regional Eleitoral encaminhou ao TRE “requisição de força federal necessária ao cumprimento da lei e das decisões da Justiça Eleitoral”. É um vexame para o Executivo estadual. Aliás, mais um para sua coleção de constrangimentos.

A solicitação ainda será examinada pelo tribunal. Razões não faltam para justificar o pedido e o procurador Rômulo Conrado os elenca de forma clara e objetiva, a começar pelo fato de que o secretário de Segurança Pública do Ceará, que no início do ano chegou a participar de encontro partidário do Pros e do PT, é investigado por “possível prática de abuso de poder político”, em razão de “fatos relacionados à atuação da Polícia Militar durante o 1° Turno das Eleições de 2014”. Existe a suspeita de que viaturas tenham recebido ordens de não fazer patrulhamento ostensivo em determinados locais de votação. Nas palavras do Ministério Público o caso configura “omissão institucionalizada”, deixando de coibir ou impedir crimes eleitorais típicos desses processos.

No ofício da Procuradoria estão relacionadas as identificações de diversas viaturas que ficaram paradas por horas, sem circular, no dia da eleição, contrariando diretrizes da própria Polícia Militar do Estado do Ceará, que “preveem horário de ponto base de 15 (quinze) minutos, em condição expectante, conforme cartão-programa, alternadamente com 45 (quarenta e cinco) minutos de patrulhamento ostensivo e visitas operacionais”.

No pedido, há ainda menções a um possível “cerceamento das atividades funcionais” de policiais que tenham realizado “detenções de cabos eleitorais ligados ao candidato apoiado” pelo governo estadual, citando a exoneração do ex-Controlador-Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública do Estado Santiago Amaral Fernandes, que afirma ter sido afastado por não ter instaurado processos administrativos contra policiais que declaravam apoio ao candidato de oposição.

Para o MP outro fato agravante é o clima de acirramento entre o “grupo político liderado pelo governador Cid Gomes” e o deputado estadual eleito Capitão Wagner, que apoia o candidato de oposição Eunício Oliveira (PMDB), e é acusado por autoridades do governo de comandar atos de perseguição contra aliados da coligação governista. Como eu venho dizendo, se o próprio governador assume publicamente que não tem o controle da polícia, admitindo que ela estaria sob a influência de Wagner, é preciso então que as autoridades eleitorais se manifestem, pois o segundo turno está bem aí. É o que cobra o Ministério Público ao TRE, com razão.

Por fim, o procurador Rômulo Conrado encerra com um conclusão óbvia que, por si só, e como eu mesmo assinalei em outros textos, bastaria para comprovar que as eleições no primeiro turno não foram limpas: “Destaca-se, nesse sentido, a informação de que a maioria das prisões por crimes verificada no dia das eleições incidiu sobre candidatos ou simpatizantes ligados ao atual Governador do Estado do Ceará, tornando imprescindível a atuação de força policial isenta e eficiente”.

Notas breves

1 – Ao decidir agir como cabo eleitoral, deixando de lado a compostura que se espera de um governante e dando declarações contra o adversário incompatíveis com suas funções, Cid Gomes perdeu a autoridade moral para ser o fiador de um processo eleitoral isento. Toda suspeita sobre a parcialidade do governo ganha verossimilhança, por força de sua atuação. O MP nem sequer lembrou que Cid foi pessoalmente a uma delegacia em Sobral pressionar pela soltura de um vereador preso acusado de crime eleitoral. Não foi preciso. Todos viram;

2 – Ao justificar a quantidade de prisões de aliados acusando setores da polícia sem apresentar provas, o governo acaba transferindo para o processo eleitoral e para seu candidato, Camilo Santana, seu maior problema: a crise de segurança que vive o Ceará;

3 – Eunício Oliveira apoia o pedido de reforço federal para garantir eleições isentas. Camilo Santana não descarta a necessidade da medida. Só Cid Gomes diz que a ideia atenta contra o bom senso. A insensatez, nesse caso, é deixar o eleitor ir às urnas sem a garantia de que sua vontade seja respeitada nos termos da lei eleitoral.

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Consagração do protesto-arruaça revela profunda crise de autoridade

Por Wanfil em Ceará

23 de Maio de 2014

Fortaleza foi mais uma vez vítima de uma ação violenta promovida por “estudantes” e pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, que tocaram o terror na cidade na tarde desta quinta-feira. As causas? Uns querem passe livre para andar de ônibus, os outros pedem reajuste salarial. Mas grande mesmo foi a ação do sindicato. Os estudantes (queria ver as notas…) foram no embalo.

Qual a diferença entre um sindicato que bloqueia vias públicas, ameaça jornalistas e transeuntes, apedreja carros, ataca prédios e enfrenta a polícia, de uma torcida organizada de futebol que barbariza nos estádios? Apesar dos métodos serem parecidos, há uma diferença que transforma, com razão, “torcedores” arruaceiros em vândalos criminosos, mas que magicamente faz de arruaceiros sindicalizados meros trabalhadores reivindicado melhores dias. Por que isso?

Caldo ideológico
Simples. É que existe uma distinção ideológica segundo a qual tudo o que diz respeito a sindicatos e afins deriva da luta de classes. O Brasil é definitivamente um subproduto cultural do marxismo. Em nome de um entendimento enviesado do que seria a “justiça social”, esses movimentos entendem que estão acima das leis, que são vistas, não raro, como entraves, poias constituídas pelas elites e tal. E assim, o interesse de classe lhes conferiria um senso de justiça telúrico e inquestionável.

Quantas vezes o MST jã não invadiu órgãos públicos cobrando repasse de verbas para assentamentos, sem prestar conta de como gastam esses recurso? E todos acham isso justíssimo. E ninguém toma providência para não parecer – cruz, credo! – de direita! Cotas raciais estabeleceram critérios legais de distinção pela cor e tudo é muito lindo. E como em nome de uma causa justa tudo é permitido, por que não impedir outras pessoas de ir e vir? Por que não apedrejar portas de jornais, como fez esse mesmo sindicato com o Diário do Nordeste em 2012? Aliás, por que não agredir profissionais da imprensa que estão registrando o vandalismo sem endossá-lo?

Quantos desses “manifestantes” foram presos ou pelo menos multados por seus atos de afronta à lei? Nenhum, pois na cabeça da maioria, eles não cometeram crimes, apenas… protestaram. De tanto adular o coitadismo dos movimentos sociais (que não representam a sociedade civil coisa nenhuma, mas sim interesses próprios e particulares), o poder público e a sociedade agora são reféns dessas, digamos, reivindicações truculentas.

Pega fogo, cabaré!
Se por um lado a base para a disseminação da violência desvairada como método válido de protesto para alguns grupos (só para alguns) é o refugo ideológico do marxismo, é preciso reconhecer que as velhas práticas da política brasileira, especialmente a corrupção e a impunidade, também agem para desgastar a tessitura das instituições, das autoridades e da própria ordem legal. Afinal, porque exigir compostura somente de vândalos, sem estender essa cobrança aos governantes? Ora, que se danem então, conclui o sujeito comum. “Pega fogo, cabaré”, diria um cearense mais exaltado.

Sim, é inegável o sentimento generalizado de descontentamento entre os brasileiros com os rumos do país. O cidadão comum saturou, chegou ao seu limite. Tanto que o inimaginável aconteceu: a Copa do Mundo da Fifa, que pretendia ser vitrine de um sucesso de um Brasil que não existe (a tal potência mais rica do que a Inglaterra), acabou virando vidraça. E disso se aproveitam diferentes grupos de arruaceiros, que acreditam que podem impor suas próprias regras aos demais, como se não existissem leis garantindo o direito à greve e a liberdade para protestar. É mais um passo rumo à degradação e não há quem saiba mais aonde poderemos chegar.

Crise de autoridade
Não, leis não faltam. Na verdade, sobram leis. O que falta é autoridade política, moral e institucional de quem deveria zelar pela ordem institucional no país e no Ceará. Como estão todos, ou quase todos, desmoralizados e desacreditados, aos poucos, e às vésperas da Copa, a desordem vai imperando.

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Oposição no Ceará não decola nem com a ajuda da crise governista

Por Wanfil em Eleições 2014

19 de Maio de 2014

No Ceará, uma combinação de eventos criou o cenário dos sonhos para qualquer oposição: crise na segurança pública, desaprovação na saúde, racha entre Pros e PMDB, luta autofágica entre o comando estadual e a direção nacional do Pros, atrasos nas obras para a Copa, protestos, inflação, queda na popularidade da presidente Dilma e CPI da Petrobras.

É o ambiente perfeito para opositores crescerem no rastro do descontentamento geral. E mesmo assim, no âmbito estadual, o principal risco para o governo são os inimigos internos.

Mais do mesmo
PSDB e PR promovem encontros regionais, sinalizando que a oposição no Ceará começa a se mexer. Antes tarde, do que nunca. É que alguns nomes desses partidos esperavam embarcar na candidatura de Eunício Oliveira (PMDB) para, em caso de vitória, comemorar no palanque alheio.

Convém lembrar que Cid pode até romper com Eunício, mas o peemedebista nunca foi opositor do governador. Pelo contrário, foi fiel aliado nos últimos anos. Se agora ficarem em lados opostos, será somente por causa de conveniências particulares e não de divergências morais ou ideológicas.

Para a oposição, portanto, seria um contrassenso apoiar uma força que representa, no fundo, mais do mesmo.

Estratégia
Por outro lado, a oposição precisam trabalhar com o que têm. E aí não sobra muita coisa. Antes de mais nada, precisam sabe o que realmente querem, para assim definirem suas estratégias eleitorais.

Por enquanto, surge como potencial candidato da oposição o nome do ex-prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (PR). A seu favor pesa o fato de ter boa aceitação na Região Metropolitana e disposição par fazer o que quase ninguém tem coragem de fazer no Ceará: criticar com veemência Cid e Ciro Gomes. A outra pessoa com essa mesma disposição é a ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), cujo partido, no entanto, serve ao governo estadual.

Essa é uma opção. Seria a melhor? Isso é lá com eles. No mais, tudo é hipótese. Outra opção seria apostar em um nome novo, alguém sem vínculos com a política e de sucesso profissional, com perfil realizador, para tentar um discurso de renovação. Mas quem?

O fato é que, como diz um antigo lugar comum da política, time que não entra em campo, não tem torcida. Nesse sentido, o PT é referência. Quando estava na oposição, a sigla nunca deixava de apresentar candidatos, mesmo sabendo que perderia, só para marcar posição. O resto é história.

Definição
Nas democracias, o papel da oposição nas eleições é fundamental para o debate de ideias e para a alternância no poder. É claro que, para isso, é necessário deixar claro quais são as suas diferenças em relação a quem está no governo.

Espaço para atuar não falta. No Ceará, bastaram algumas propagandas partidárias do PSDB, PR e PSB criticando a segurança pública, para afetar a postura de infalibilidade da atual gestão, que apelou à Justiça e perdeu.

Se pretende ter autoridade para criticar, a oposição não deve mesmo esperar por terceiros e deixar de lado a tentação de pegar carona em candidaturas outras. Caso contrário, acabará como mera espectadora da briga entre os partidos aliados.

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As prioridades do governo precisam estar em sintonia com as da população: segurança e seca

Por Wanfil em Ceará

04 de junho de 2013

Texto base para o meu comentário desta terça-feira em minha coluna diária da rádio Tribuna BandNews FM 101.7.

O governador Cid Gomes e os secretários estaduais prosseguem nesta terça com o segundo dia da reunião de avaliação do Monitoramento de Ações e Programas Prioritários (Mapp).

A previsão de investimentos anunciada para 2013 é da ordem de sete bilhões de reais. Entre os projetos estão a construção de escolas, as novas obras do metrô de Fortaleza e o início do Cinturão das Águas.

Máquina grande dificulta o foco

No entanto, o próprio governador enfatiza que é seu papel cobrar mais velocidade nesses projetos, uma vez que estamos no sexto mês do ano e apenas 14% do previsto foi executado.

A iniciativa de apresentar esses dados publicamente é acertada e o exercício das cobranças é de fato uma das atribuições do chefe de governo. Ocorre que essa função é prejudicada pelo grande número de secretarias e órgãos vinculados de primeiro escalão que existem para serem monitorados com a devida atenção. São 67 órgãos, contando-se aí as Casas Civil e Militar e a Chefia de Gabinete do governador.

Em tempo: não digo que alguns desses cargos sejam necessários ou desnecessários, trata-se apenas de uma observação de ordem numérica. As eventuais conveniências políticas desse organograma são questões que não mudam a natureza das observações aqui feitas.

Eleger prioridades

Como o governo tem que atuar em muitas frentes, pois seus serviços não podem parar, precisa eleger prioridades, de forma a não se perder, dispersando energia na imensidão da máquina. Essa é uma necessidade imposta pelos fatos, já que os números indicam que, no atual ritmo, nem tudo será feito no prazo estipulado.

Dada essa realidade, é preciso deixar claro que alguns pontos devem ter um acompanhamento mais amiúde para evitar atrasos, ineficiência ou desperdícios. O governo fala em prioridades, mas sempre apontando para obras que ainda sairão do papel, para um tempo distante, enquanto alguns problemas exigem uma atenção especial agora, ou seja, prioridade absoluta.

E aí parece haver um descompasso entre discurso e realidade, pois há nítida dificuldade em reconhecer que existe uma crise grave na área da segurança pública e que a gestão hídrica enfrenta uma situação desesperadora, não podendo, as duas, se dar ao luxo de ter uma execução orçamentária pífia. Isso não significa relaxar com outras áreas, mas implica em dizer que essas terão acompanhamento constante e integral. Prioridade não é a Copa ou ações de longo prazo, prioridade é agir imediatamente  nesses focos de instabilidade.

O Senado Federal agora corre contra o relógio para debater o projeto que perdoa as dívidas dos pequenos agricultores no Nordeste. A Comissão Especial da Seca da Assembleia Legislativa está terminando um relatório que apresenta sugestões urgentes para socorrer 30 municípios ameaçados de colapso no abastecimento d’água. Isso é o Legislativo pressionado a atuar diante da falta de respostas satisfatórias do Executivo.

Avaliar o que será feito é importante. Cobrar celeridade é justo. Planejar ações e estabelecer cronogramas é necessário. Mas os órgãos relacionados aos problemas da seca e da segurança mereceriam uma reunião de monitoramento em separado, com ênfase nas ações imediatas. Quando o avião está caindo, o prédio balançando ou o fogo queimando, as únicas ações que se esperam são aquelas que salvem as pessoas do perigo iminente.

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Ah, se o problema da segurança no Ceará fosse apenas denúncias de milícias…

Por Wanfil em Segurança, Tribuna Band News FM

25 de Maio de 2013

Meu comentário deste sábado na rádio Tribuna BandNews FM 101.7

Durante toda esta semana falamos sobre a questão da segurança pública, como parte da série especial Por um Ceará mais Seguro, do Sistema Jangadeiro.

As matérias mostraram que as autoridades da área estão cientes da gravidade da situação. Vimos ainda que outros estados conseguiram, com razoável sucesso, mobilizar a sociedade na tarefa de reduzir a criminalidade.

Mas, diante disso, fica a pergunta: O que falta então para fazer recuar a violência no Ceará?

Acusei aqui na coluna para a politização negativa desse debate, que acaba se perdendo em discussões sem efeito prático. Agora os responsáveis por garantir a segurança no estado pautam o problema a partir de denúncias de supostas milícias formadas por policiais militares, como se essa fosse a causa dos absurdos índices criminalísticos no estado.

Se existem milícias, que sejam investigadas, claro, e que seus membros sejam punidos, mas a verdade é que nem de longe essa será a solução para o descontrole que se vê nas ruas.

Em entrevista exibida aqui na Tribuna BandNews, o promotor de Justiça José Filho revelou que 92% dos assassinatos cometidos no estado não tem seus autores identificados. Ou seja, existe uma grave deficiência nos setores investigativos da polícia, falha que resulta em mais impunidade, em mais estímulo para os criminosos.

Esse é apenas um exemplo, entre tantos outros, de erros que podem ser estudados e devidamente corrigidos. Os desafios são grandes e se acumulam. As medidas adotadas até o momento não surtem efeito. E o pior é que, diante do agravamento da situação, boa parte das lideranças políticas do Ceará fecha os olhos para a realidade que os desafia e que assusta a população. Preferem acreditar que a gestão vai bem e que tudo não passa de intriga de adversários. Como diz o ditado, o pior cego é o que não quer ver.

Todas as matérias da série por um ceará mais seguro podem ser conferidas no site Tribuna do Ceará.

Para ouvir o comentário:

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Debate sobre segurança no Ceará não pode virar briga pessoal entre Ciro e Capitão Wagner

Por Wanfil em Segurança

21 de Maio de 2013

As acusações do ex-governador Ciro Gomes contra o vereador Capitão Wagner, pelas quais o parlamentar seria chefe de uma milícia criminosa, ofuscaram a notícia de que Fortaleza, segundo avaliação de risco divulgada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), é a cidade-sede mais perigosa para turistas na Copa das Confederações, no mês que vem.

Eis o único efeito prático da acalorada discussão entre essas duas figuras públicas: mudar o foco do noticiário. Se para os turistas a coisa não é boa, imagine para quem vive no local…

Não é impulso, é cálculo

Ciro é conhecido pelas declarações polêmicas e impulsivas, no entanto, essas últimas estão em perfeita sintonia com as recentes manifestações de outras autoridades do governo estadual, todas convergindo para a denúncia de supostos interesses políticos na área de segurança, numa sincronia que não pode ser creditada ao acaso, mas que antes revela método e cálculo nessas abordagens.

O próprio governador Cid Gomes e o secretário de Planejamento Eduardo Diogo já disseram que uma greve de policiais militares será punida com a prisão dos envolvidos, no que agora são repetidos por Ciro, com o seu peculiar estilo de sempre: “cabeças rolarão”.

Diogo estreitou o alvo para “meia dúzia” de líderes. Ciro agora aponta Wagner como a cabeça por trás de uma espécie de complô contra o governo estadual, mas não apresenta provas para os crimes que denuncia. Assim, além de mudar o enfoque e de colocar em pauta a versão do governo para os problemas de segurança, as intervenções de Ciro ainda possuem a vantagem adicional de preservar a imagem de Cid, principal autoridade responsável por dar respostas a eles.

Em resposta, Wagner afirma que irá acionar a Justiça e chama Ciro, nas redes sociais, de “comentarista esportivo” e de “desequilibrado”, na intenção de desqualificá-lo para o debate, sem atentar para o fato de que o ex-ministro não possui cargo no governo, o que bastaria para evitá-lo como interlocutor.

De tudo isso, temos os seguintes resultados:

a) a impressão de que o problema da explosão de criminalidade no Ceará não passa de uma briga entre policiais e o irmão do governador, ou seja, uma questão meramente pessoal, destituída de qualquer conteúdo mais profundo;

b) a fuga do que realmente interessa tratar: formas de recuar os índices de violência que avançam e que já colocam o Ceará como o estado mais violento do Nordeste;

c) a decomposição da autoridade do secretário efetivo de Segurança, coronel Francisco Bezerra, diante do protagonismo de Ciro, que passa a atuar como um secretário informal da pasta.

Enquanto eles brigam, perdemos a guerra

Não quero menosprezar os riscos desse impasse entre a cúpula do governo e os policiais militares. Nem sequer entro no mérito da questão, pois, a essa altura, pouco importa ao cidadão quem tem razão. Parece estranho dizer isso, mas é a verdade. Seria como ver o país ser invadido por um exército inimigo enquanto lideranças civis e militares permanecessem inertes, ocupadas demais em trocar acusações entre si.

Os gravíssimos problemas de segurança pública no Ceará e a falta de eficácia das medidas adotadas nos últimos anos não podem ser resolvidos a partir das premissas colocadas na briga entre Ciro Gomes e Capitão Wagner. Nada disso mudará a constatação de que a situação aqui é crítica, fato, inclusive, que já ultrapassa as fronteiras do Estado, tornada pública até pela Abin.

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A desconfiança mútua entre comandantes e comandados só piora a crise de segurança no Ceará

Por Wanfil em Segurança

13 de Maio de 2013

Os problemas atualmente constatados na área de Segurança Pública no Ceará já configuram, para análises futuras de historiadores, uma página de constrangedora ironia para um governo que ascendeu ao poder justamente prometendo um policiamento mais eficaz e humano, o que pressupõe uma relação harmônica entre o Estado e as suas forças policiais. Apesar dos investimentos e das boas intenções, aconteceu o contrário: as relações entre as partes degeneraram a ponto de não haver mais tempo hábil para uma conciliação até o final da atual gestão, isso num ambiente onde os índices de criminalidade registram inédito aumento na criminalidade.

Canais obstruídos

A situação é de tal maneira inusitada que o governador Cid Gomes se comprometeu a receber um grupo formado por esposas de policiais militares para uma audiência de reivindicações, após elas terem realizado mais um protesto em Fortaleza. Cid as receberá, contudo, desde que novas manifestações não aconteçam e com a ressalva de que qualquer menção a uma nova greve da polícia será devidamente tratada como motim, o que me parece lógico.

Por outro lado, e em sentido contrário, o deputado Capitão Wagner, eleito após se notabilizar na greve da PM em 2012, diz que os militares não são recebidos pelo secretário Francisco Bezerra e já fala em possibilidade de nova paralisação, o que soa, por mais que ele negue, uma ameaça.

É evidente que o canal de diálogo entre comandados e comandantes está obstruído, de tal modo que é preciso se valer das esposas dos membros da categoria para tentar alguma conversação. Ora, elas não constam dos quadros das forças policiais e não são servidoras do Estado, portanto, qualquer acordo fechado com elas necessita não possuirá validade legal. Mais do que isso, a situação revela que a autoridade do governo sobre as forças policiais não existe mais, o que abre as portas para o imprevisível.

O preceito do interesse público

Nesse imbróglio, existem questões pertinentes que devem ser observadas, mas que demandariam um texto mais longo, o que não é o caso agora. Temas como hierarquia militar, planejamento orçamentário, eficácia gerencial, doutrina de segurança estabelecida em metas, legislação, condições de trabalho para o efetivo policial, entre outros. Tudo, no entanto, é bom lembrar, deve estar subordinado a um preceito elementar: o interesse público na preservação da ordem e da segurança da população.

O governo deveria desobstruir os canais de diálogos e se mostrar aberto a ouvir críticas e sugestões, mas se fecha desconfiado. Da mesma forma, policiais deveriam ir para a mesa de negociação desarmados (no sentido figurado), dispostos a entender eventuais limitações do poder público, cientes ainda de que, na condição de militares, existem limites legais para suas formas de reivindicação. Sobretudo, as partes precisam se respeitar para que a situação da segurança pública, que é responsabilidade de ambos, não deteriore ainda mais.

O inaceitável é a aposta, dos dois lados, de que o medo das pessoas possa servir de instrumento de pressão política.

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Por que devemos tratar bem os presos?

Por Wanfil em Segurança

21 de Março de 2013

Em menos de duas semanas, 14 detentos foram assassinados em prisões do Ceará. Desse total, dez foram mortos por causa de um motim iniciado após o descumprimento de regras de convivência estabelecidas pelos próprios presos, dentro de uma penitenciária, que é um órgão público. Como se sabe, bandidos impõem códigos de ética bem inflexíveis nas cadeias. Em contrapartida, os códigos do sistema carcerários são absurdamente frouxos. Essa inversão, por si mesma, já diz muito.

Particularmente, não fico nem um pouco sensibilizado com o infortúnio dos que enveredaram pela seara do crime. No máximo, lamento o potencial humano perdido. Fico mesmo chateado é com o destino das vítimas desses que agem à margem da lei. Isso não significa, entretanto, que eu defenda a selvageria que impera nos presídios brasileiros em geral e nos cearenses em particular.

Acerto de contas entre bandidos é algo previsível de acontecer entre aqueles que se associam para viver sob o signo da violência, mas é inaceitável que isso ocorra dentro de um presídio, onde o que tem que valer é as leis do país e não a lei dos bandidos. Aceitar que presídios funcionem com códigos particulares de justiça é admitir a superioridade dos presos na execução de sentenças.

É exatamente isso o que está em jogo: Quem manda nos presídios? A Constituição e o Código Penal ou as regras impostas por criminosos em um local sob os cuidados do Estado? Em outras palavras: se o governo não consegue fazer valer o Estado de Direito dentro de um espaço limitado, o que dirá fora, nas ruas. Por esse ângulo, preservar a ordem nas prisões é, sobretudo, um ato de auto-preservação social.

Quando a Secretaria de Justiça do Ceará afirma que é “praticamente impossível” coibir crimes dentro das penitenciárias, está apenas reforçando a ousadia dos criminosos, admitindo um vácuo que será preenchido pelos líderes dos detentos.

Se as prisões viraram “escolas do crime”, a maior lição que um preso pode aprender na cadeia é que a autoridade devidamente constituída é impotente e omissa. Quando ele sai, ou quando entra em contato com seus comparsas soltos, essa é a mensagem que prevalece. A falta de controle nas prisões é irmã siamesa da impunidade. Não é por acaso que detentos conseguem comandar quadrilhas que agem do lado de fora das prisões. Isso decorre de uma degradação institucional que começa com os justiçamentos entre presos.

Tratar bem os bandidos não é adulá-los como coitados, como fazem certas ONGs, pastorais e humanistas do miolo mole. Também não é defender leis mais brandas, nem esperar que magistrados façam “justiça social”. É fazê-los entender que é que manda ali dentro, que eles, querendo ou não, serão obrigados a viver conforme determina a lei da civilização. E cabe aos gestores dessas instituições a sua correta aplicação. Caso contrário, que saiam de onde estão.

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As mudanças na poupança e o recado do governo: “Não poupe, gaste!”

Por Wanfil em Economia

05 de Maio de 2012

O canto da Fazenda: "Não poupe, compre, parcele, os juros caíram, comprometa sua renda. A produção aumentará, empregos serão criados, a economia aquece." Ah, se fosse simples assim...

As regras para a poupança no Brasil mudaram. Em resumo, a aplicação remunerará menos, pouco importa os contorcionismos retóricos do senhor Guido Mantega.

O movimento é simples, o recado é claro. O governo Dilma pretende, numa ponta, desestimular a poupança, e na outra, aumentar o consumo com redução de juros. É uma aposta no endividamento do brasileiro assalariado para manter a economia aquecida, reanimar a produção industrial em queda e o PIB estagnado.

Gaste, não poupe

É bom lembrar ainda que esse endividamento em grande parte financia a aquisição de bens de consumo, até mesmo os não duráveis, como alimentos em supermercados. É comprometimento de salário.

Aliás, esse é um dos segredos da estabilidade brasileira. Banco empresta pesado só para o governo, à juros altos. É o cliente perfeito. Para os pobres, destina apenas micro-crédito com o spread nas alturas.

Se o trabalhador precisar de grana, vai conseguir no máximo um crediário com desconto direto na folha. Sem dinheiro poupado, os brasileiros se acostumaram a comprar com dinheiro emprestado, para pagar aos poucos. E os bancos sabem disso.

Música repetida

Quem acompanha a economia e a política econômica no Brasil sabe que não há nada de novo desde o fim da hiperinflação e a implantação do Plano Real. São os mesmíssimos problemas, com os mesmíssimos remédios, variando apenas a intensidade das doses aplicadas. Lembram da história sobre a necessidade de reformas? Pois é, elas nunca aconteceram. Leia mais

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As mudanças na poupança e o recado do governo: “Não poupe, gaste!”

Por Wanfil em Economia

05 de Maio de 2012

O canto da Fazenda: "Não poupe, compre, parcele, os juros caíram, comprometa sua renda. A produção aumentará, empregos serão criados, a economia aquece." Ah, se fosse simples assim...

As regras para a poupança no Brasil mudaram. Em resumo, a aplicação remunerará menos, pouco importa os contorcionismos retóricos do senhor Guido Mantega.

O movimento é simples, o recado é claro. O governo Dilma pretende, numa ponta, desestimular a poupança, e na outra, aumentar o consumo com redução de juros. É uma aposta no endividamento do brasileiro assalariado para manter a economia aquecida, reanimar a produção industrial em queda e o PIB estagnado.

Gaste, não poupe

É bom lembrar ainda que esse endividamento em grande parte financia a aquisição de bens de consumo, até mesmo os não duráveis, como alimentos em supermercados. É comprometimento de salário.

Aliás, esse é um dos segredos da estabilidade brasileira. Banco empresta pesado só para o governo, à juros altos. É o cliente perfeito. Para os pobres, destina apenas micro-crédito com o spread nas alturas.

Se o trabalhador precisar de grana, vai conseguir no máximo um crediário com desconto direto na folha. Sem dinheiro poupado, os brasileiros se acostumaram a comprar com dinheiro emprestado, para pagar aos poucos. E os bancos sabem disso.

Música repetida

Quem acompanha a economia e a política econômica no Brasil sabe que não há nada de novo desde o fim da hiperinflação e a implantação do Plano Real. São os mesmíssimos problemas, com os mesmíssimos remédios, variando apenas a intensidade das doses aplicadas. Lembram da história sobre a necessidade de reformas? Pois é, elas nunca aconteceram. (mais…)