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ensino superior Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

ensino superior

A faculdade de cortar faculdades

Por Wanfil em Educação

13 de Maio de 2019

Governo, deputados e reitores no Ceará unidos contra cortes nas universidades federais. Só nas federais! Foto: Divulgação

Parte da bancada federal do Ceará se reuniu com governador Camilo Santana e com reitores de instituições federais no Estado para discutir ações que possam reverter o bloqueio de recursos para o ensino superior anunciado pelo Governo Federal.

Dos 22 deputados federais, oito estiveram no encontro. O destaque foi a presença do senador Cid Gomes. Para o coordenador da bancada, Domingos Neto, “é necessário que os deputados façam uma forte pressão” para “um recuo do corte”. Para o governador, a educação deve “ser colocada como prioridade absoluta, inclusive o ensino superior”.

A falta de clareza e das contradições nos anúncios que o Ministério da Educação faz potencializa a confusão. É impressionante. Por isso é compreensível a ansiedade nas instituições. Nesse ponto o  governo federal poderia aprender com o governo do Ceará.

Em 2015 a UECE divulgou uma nota sobre corte de verbas. Reproduzo um trecho (grifos meus):

Comunicado da Reitoria sobre ajuste do custeio da Uece aos cortes efetuados no orçamento estadual

Como é do conhecimento de todos, os governos federal, estaduais e municipais atravessam momento de extremas dificuldades financeiras, anunciando ajustes e cortes, em frequência quase diária. As instituições públicas, vinculadas a estes governos, vivem situação semelhante. A decisão do Governo do Ceará, linear para todos os órgãos, exceto saúde e educação básica, foi de um corte de 25% em relação ao custeio executado em 2014.” 

Viram quanta compreensão? Tudo explicadinho. Nem precisou que parlamentares da base governista estadual fizessem forte pressão para reverter o corte, nem que governo tratasse isonomicamente ensino superior e educação básica.

Pode até parecer que existem dois pesos e duas medidas, mas não é nada disso. Pelo visto, a repercussão política no Ceará sobre cortes (ou bloqueios) de verbas em certas universidades depende da faculdade – por parte de quem corta – de saber comunicar que o dinheiro acabou.

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UFC destina 50% de suas vagas para cotas em 2014: confusão entre causa e efeito

Por Wanfil em Educação

07 de outubro de 2013

O Conselho Universitário da Universidade Federal do Ceará decidiu destinar 50% de suas vagas para cotas já a partir de 2014, conforme determina a Lei nº 12.711/2012, antecipando-se assim ao Decreto nº 7.824/2012, que dava prazo até agosto de 2106 para a implantação desse sistema.

Na prática, de acordo com a legislação, o negócio é barrar o pessoal mais bem preparado das escolas privadas, valendo-se de critérios de exclusão baseados na origem do aluno, cor da pele e renda, para garantir o acesso dos alunos da rede pública nas universidades federais, especialmente nos cursos mais disputados.

A medida trata o efeito, mas ignora a causa do problema. Ora, o que impede os alunos das escolas públicas de competir em condições de igualdade com os demais é a má qualidade do ensino que recebem. Em vez de corrigir essa deficiência, opta-se por empurrá-la para dentro das universidades, dando ao truque o cativante nome de inclusão social.

Pode-se argumentar, em favor da lei, que se trata de uma política compensatória.  O site da UFC lembra que o sistema de cotas é “válido inicialmente por dez anos, desde agosto de 2012“. Seria o tempo, suponho, de melhorar o ensino público. Como ninguém acredita muito nisso, foi preciso a ressalva do ‘inicialmente’, deixando claro que o programa poderá ser esticado indefinidamente.

Quer dizer, Wanfil, que alunos da rede pública não devem ir para as faculdades? Claro que devem, por seus esforços e pelo resultado da boa aplicação dos impostos que pagamos para custear o ensino dito “gratuito”. O que não pode é penalizar alunos da rede particular só para o governo fingir que está mudando a realidade da educação.

Também no site da UFC, o Pró-Reitor de Graduação da UFC, Custódio Almeida, acredita que a universidade manterá seu padrão de excelência, graças à grande concorrência nos cursos da UFC, que mantém as notas de corte elevadas. No curso de Medicina (…), a nota de corte na ampla concorrência foi 784.7. Entre as quatro classes de cotas, a que teve menor nota de corte foi 751.04 – o que garantiria acesso a qualquer um dos demais cursos da instituição, com exceção de Direito Diurno, na ampla concorrência”.

Bom, se é assim, se esses estudantes poderiam entrar pelo concurso da ampla concorrência, porque reservar-lhes as cotas? Leia mais

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UFC destina 50% de suas vagas para cotas em 2014: confusão entre causa e efeito

Por Wanfil em Educação

07 de outubro de 2013

O Conselho Universitário da Universidade Federal do Ceará decidiu destinar 50% de suas vagas para cotas já a partir de 2014, conforme determina a Lei nº 12.711/2012, antecipando-se assim ao Decreto nº 7.824/2012, que dava prazo até agosto de 2106 para a implantação desse sistema.

Na prática, de acordo com a legislação, o negócio é barrar o pessoal mais bem preparado das escolas privadas, valendo-se de critérios de exclusão baseados na origem do aluno, cor da pele e renda, para garantir o acesso dos alunos da rede pública nas universidades federais, especialmente nos cursos mais disputados.

A medida trata o efeito, mas ignora a causa do problema. Ora, o que impede os alunos das escolas públicas de competir em condições de igualdade com os demais é a má qualidade do ensino que recebem. Em vez de corrigir essa deficiência, opta-se por empurrá-la para dentro das universidades, dando ao truque o cativante nome de inclusão social.

Pode-se argumentar, em favor da lei, que se trata de uma política compensatória.  O site da UFC lembra que o sistema de cotas é “válido inicialmente por dez anos, desde agosto de 2012“. Seria o tempo, suponho, de melhorar o ensino público. Como ninguém acredita muito nisso, foi preciso a ressalva do ‘inicialmente’, deixando claro que o programa poderá ser esticado indefinidamente.

Quer dizer, Wanfil, que alunos da rede pública não devem ir para as faculdades? Claro que devem, por seus esforços e pelo resultado da boa aplicação dos impostos que pagamos para custear o ensino dito “gratuito”. O que não pode é penalizar alunos da rede particular só para o governo fingir que está mudando a realidade da educação.

Também no site da UFC, o Pró-Reitor de Graduação da UFC, Custódio Almeida, acredita que a universidade manterá seu padrão de excelência, graças à grande concorrência nos cursos da UFC, que mantém as notas de corte elevadas. No curso de Medicina (…), a nota de corte na ampla concorrência foi 784.7. Entre as quatro classes de cotas, a que teve menor nota de corte foi 751.04 – o que garantiria acesso a qualquer um dos demais cursos da instituição, com exceção de Direito Diurno, na ampla concorrência”.

Bom, se é assim, se esses estudantes poderiam entrar pelo concurso da ampla concorrência, porque reservar-lhes as cotas? (mais…)