escândalo Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

escândalo

Eleições 2016: Barbalha e o escândalo da compra de votos

Por Wanfil em Eleições 2016

03 de outubro de 2016

O município de Barbalha entrou para a crônica política das eleições 2016 por causa da prisão de uma assessora da primeira-dama do Ceará, Onélia Leite, e de outras duas pessoas, com maços de dinheiro e material de campanha para Fernando Santana, do PT, apoiado pelo governador Camilo Santana, na antevéspera da votação. Segundo a Polícia Federal, o grupo planejava comprar votos.

O caso ganhou repercussão nacional e as investigações continuam. Em nota, o governo do Estado se limitou a dizer que a assessora estava afastada das funções. Ciro Gomes acusou a PF de abuso. Barbalha é reduto eleitoral do governador e por isso, naturalmente, uma de suas prioridades para as eleições.

Com tudo isso, é bem possível que o peso do flagrante e da denúncia tenham interferido no resultado do pleito, apertadíssimo. Argemiro Sampaio, do PSDB, foi eleito com 49,44% dos votos, contra 48,91% de Fernando Santana.

Vencer em casa é sempre importante. Basta ver o empenho de Cid e Ciro Gomes para eleger Ivo Gomes. No caso de Camilo, porém, essa ligação com o berço político é menos evidente do que com seus aliados de Sobral.

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O lado bom do escândalo na Petrobras: “é necessário que venham escândalos”

Por Wanfil em Corrupção

17 de dezembro de 2014

“Ai do mundo por causa dos escândalos; porque é necessário que venham escândalos; mas ai do homem por quem o escândalo venha”. São Mateus – 18, 1.

Jesus, como sempre em suas passagens, é atemporal. Dois mil anos depois a máxima cabe como uma luva para uma reflexão sobre o escândalo na Petrobras, que revela ao país, em pormenores, como funciona a estrutura de corrupção instalada em serviços e obras públicas. É que o escândalo, apesar dos pesares, revela a natureza do pecado.

Fica comprovada a existência, por assim dizer (e para continuarmos nos exemplos religiosos), um método que pode ser resumido na distorção da Oração de São Francisco: “é dando que se recebe”. Não se trata de desvio acidental, de tentação momentânea, mas de padronização de certas práticas. Em cada obra, nas menores ações, estão embutidas as taxas e os custos da propina, como se fossem coisa normal.

Pelo menos agora está claro para os brasileiros que não existe nada mais mafioso do que as tais indicações políticas nas estatais, feitas para preencher cotas de partidos, que se repete em diversos outros lugares, como em bancos públicos.

No Banco do Nordeste, por exemplo, da presidência às diretorias do órgão, seus dirigentes são apadrinhados por partidos políticos. É a mesmíssima lógica verificada na Petrobras. No BNB, tem deputado mandando mais do que economistas. Pode até ser que por lá impere a lógica de mercado e a ética mais irretocável, mas nesses dias a desconfiança é uma forma de prudência. Principalmente quando vemos que se o padrão de governança na Petrobras, empresa de capital aberto, submetida ao controle de órgãos diversos, é o que é, imagine o resto.

E diante do que o país tem descobrindo, a contragosto de autoridades, dos envolvidos, da própria empresa e do governo federal, as prioridades na agenda política não deveriam ser a regulação da mídia, como querem os autoritários, ou o financiamento público de campanha, que é um modo de dar mais dinheiro nosso para quem não merece confiança. O que precisa ser feito é uma revisão no modelo de contratação de serviços públicos. Hoje, qualquer licitação carece da mínima credibilidade. Tudo é amarrado, combinado, direcionado, superfaturado. É isso o que tem que ser revisto. Também é preciso punir os corruptos de forma mais dura, com penas mais longas e atingindo seus patrimônios. É a parte do “ai do homem por quem o escândalo venha”.

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Cuidado senhores laranjas: sempre sobra pra vocês

Por Wanfil em Corrupção

23 de junho de 2012

Estátua de Lépido, a quem cabia carregar os “fardos infamantes” no lugar de Otávio e Marco Antônio, no Segundo Triunvirato.

O que Adalberto Vieira, ex-assessor do então deputado estadual José Guimarães flagrado em 2005 no notório caso dos dólares na cueca; Guedes Neto, ex-superintendente do Dnit, que chegou a ser preso numa operação da Polícia Federal em 2010; e Jurandir Santiago, ex-presidente do BNB e ex-adjunto da Secretaria da Cidades acusado de envolvimento no escândalo do “Banheiros Fantasmas” têm em comum?

Simples. Além dos problemas com a Justiça, todos foram levados aos cargos de confiança que ocuparam por padrinhos políticos que nada sofreram com a desgraça de seus apadrinhados. Ninguém foi condenado até o momento, é verdade, mas o constrangimento de ser indiciado por corrupção e de ter o nome exposto publicamente já serve para mostrar como certas atividades guardam riscos que muitas vezes são menosprezados.

O que parece coincidência, na verdade, é uma forma bastante conhecida das autoridades investigativas para “apagar” vestígios de participação em ilicitudes. Collor de Mello, por exemplo, nunca assinou nada que o desabonasse. Judicialmente, quem pagou o pato foram seus subalternos, inclusive a secretária particular. Se esses personagens que emprestam os nomes para que tubarões possam continuar nadando impunes fazem isso por ingenuidade, burrice ou ganância (ou tudo junto), cabe aos processos judiciais esclarecer.

Recentemente citei Shakespeare num post sobre o filme Coriolano. Vez por outra releio os clássicos do dramaturgo inglês do século XVI. E a cada vez, algo se mostra em sintonia com o presente. Na peça Júlio César, uma passagem ilustra perfeitamente o papel do laranja. Após o assassinato de César, Otávio e Marco Antônio conversam sobre Lépido, hábil guerreiro sem experiência política. Destaco algumas passagens em negrito.

Ato IV, Cena I

ANTÔNIO – (Sai Lépido.) É um homem fútil e de nulo mérito. Só serve para dar recados. Justo vos parece que o mundo dividido, como vai ser, em três, fique ele sendo dono de uma das partes?

OTÁVIO – Fazeis dele esse juízo? No entanto lhe pedistes a opinião (…).

ANTÔNIO – (…) Se sobre esse homem acumulamos honras, é para que nos poupemos do peso de fardos infamantes, que ele carrega tal como ouro o burro, que geme e sua sob a carga ingente e é tocado ou levado pela estrada que bem nos aprouver. Levado todo nosso tesouro ao ponto que queríamos, dos fardos o aliviamos e o deixamos como burro sem carga, para que à solta as orelhas sacuda e se regale nas pastagens do Estado.

OTÁVIO – Procedei como quiserdes; mas é um bom soldado, valente e experimentado.

ANTÔNIO – Meu cavalo, Otávio, também o é; por essa causa lhe dou sua ração. (…). Em muitas coisas Lépido é apenas isso. É necessário adestrá-lo, educá-lo, dirigi-lo; é um sujeito de espírito acanhado, que se alimenta só de rebotalhos, de imitações, apenas, fora de uso, já bastante surradas, que ele adota por moda. Só falai a seu respeito como de um instrumento manejável.

Todo laranja, ainda que não saiba (ou não queira ver) que é um laranja, ainda que imagine ser um servidor respeitado, não passa de um instrumento descartável. Vejam o episódio mais recente, com Jurandir Santiago. Ninguém mais assume sua indicação para o BNB. De uma hora para a outra virou órfão. Com os outros não foi diferente.

Portanto, senhores laranjas, cuidado. Quando o esquema é descoberto, aquele papel que você assinou ou o dinheiro que pediram para você sacar na boca do caixa, tudo aquilo que não era “nada demais”, será usado contra você. E seus padrinhos, livres dos “fardos infamantes”,  irão procurar novos Lépidos.

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Cuidado senhores laranjas: sempre sobra pra vocês

Por Wanfil em Corrupção

23 de junho de 2012

Estátua de Lépido, a quem cabia carregar os “fardos infamantes” no lugar de Otávio e Marco Antônio, no Segundo Triunvirato.

O que Adalberto Vieira, ex-assessor do então deputado estadual José Guimarães flagrado em 2005 no notório caso dos dólares na cueca; Guedes Neto, ex-superintendente do Dnit, que chegou a ser preso numa operação da Polícia Federal em 2010; e Jurandir Santiago, ex-presidente do BNB e ex-adjunto da Secretaria da Cidades acusado de envolvimento no escândalo do “Banheiros Fantasmas” têm em comum?

Simples. Além dos problemas com a Justiça, todos foram levados aos cargos de confiança que ocuparam por padrinhos políticos que nada sofreram com a desgraça de seus apadrinhados. Ninguém foi condenado até o momento, é verdade, mas o constrangimento de ser indiciado por corrupção e de ter o nome exposto publicamente já serve para mostrar como certas atividades guardam riscos que muitas vezes são menosprezados.

O que parece coincidência, na verdade, é uma forma bastante conhecida das autoridades investigativas para “apagar” vestígios de participação em ilicitudes. Collor de Mello, por exemplo, nunca assinou nada que o desabonasse. Judicialmente, quem pagou o pato foram seus subalternos, inclusive a secretária particular. Se esses personagens que emprestam os nomes para que tubarões possam continuar nadando impunes fazem isso por ingenuidade, burrice ou ganância (ou tudo junto), cabe aos processos judiciais esclarecer.

Recentemente citei Shakespeare num post sobre o filme Coriolano. Vez por outra releio os clássicos do dramaturgo inglês do século XVI. E a cada vez, algo se mostra em sintonia com o presente. Na peça Júlio César, uma passagem ilustra perfeitamente o papel do laranja. Após o assassinato de César, Otávio e Marco Antônio conversam sobre Lépido, hábil guerreiro sem experiência política. Destaco algumas passagens em negrito.

Ato IV, Cena I

ANTÔNIO – (Sai Lépido.) É um homem fútil e de nulo mérito. Só serve para dar recados. Justo vos parece que o mundo dividido, como vai ser, em três, fique ele sendo dono de uma das partes?

OTÁVIO – Fazeis dele esse juízo? No entanto lhe pedistes a opinião (…).

ANTÔNIO – (…) Se sobre esse homem acumulamos honras, é para que nos poupemos do peso de fardos infamantes, que ele carrega tal como ouro o burro, que geme e sua sob a carga ingente e é tocado ou levado pela estrada que bem nos aprouver. Levado todo nosso tesouro ao ponto que queríamos, dos fardos o aliviamos e o deixamos como burro sem carga, para que à solta as orelhas sacuda e se regale nas pastagens do Estado.

OTÁVIO – Procedei como quiserdes; mas é um bom soldado, valente e experimentado.

ANTÔNIO – Meu cavalo, Otávio, também o é; por essa causa lhe dou sua ração. (…). Em muitas coisas Lépido é apenas isso. É necessário adestrá-lo, educá-lo, dirigi-lo; é um sujeito de espírito acanhado, que se alimenta só de rebotalhos, de imitações, apenas, fora de uso, já bastante surradas, que ele adota por moda. Só falai a seu respeito como de um instrumento manejável.

Todo laranja, ainda que não saiba (ou não queira ver) que é um laranja, ainda que imagine ser um servidor respeitado, não passa de um instrumento descartável. Vejam o episódio mais recente, com Jurandir Santiago. Ninguém mais assume sua indicação para o BNB. De uma hora para a outra virou órfão. Com os outros não foi diferente.

Portanto, senhores laranjas, cuidado. Quando o esquema é descoberto, aquele papel que você assinou ou o dinheiro que pediram para você sacar na boca do caixa, tudo aquilo que não era “nada demais”, será usado contra você. E seus padrinhos, livres dos “fardos infamantes”,  irão procurar novos Lépidos.