esquerda Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

esquerda

Economia e eleições: agora (quase) todos são liberais

Por Wanfil em Eleições 2020

04 de dezembro de 2019

O IBGE informa que PIB brasileiro cresceu 0,6% no 3º trimestre de 2019, puxado pelo consumo das famílias e pelo investimento das empresas. Ainda é pouco, mas superou expectativas.

Tudo isso após um traumático período de recessão – a maior da história – produzido pela “nova matriz econômica” de Dilma Rousseff, Márcio Pochmann e Aloísio Mercadante, que apostavam na expansão dos gastos públicos (mesmo gerando pressão inflacionária e fiscal) para induzir o crescimento econômico. Deu no que deu.

Agora com as projeções indicando, para o próximo ano (ano eleitoral), mais redução de juros, crescimento um pouco mais acelerado, e recuo no desemprego, o discurso liberal de Paulo Guedes deverá se fortalecer. Não por acaso o governador Camilo Santana, mesmo sendo do PT e aliado do PDT, celebrou durante o relançamento do programa Ceará Veloz, no Palácio da Abolição, as virtudes de “um Estado cada vez menor, mas mais eficiente”. Se fossem vivos, Marx pregaria seu fuzilamento e Roberto Campos o aplaudiria.

Não discuto aqui nesse texto questões doutrinárias, muito menos convicções pessoais de políticos ou de quem quer que seja. O ponto é outro: puro instinto de sobrevivência. Ou se preferirem, adaptação às circunstâncias. O fato é que se nas eleições passadas o discurso mais duro no combate ao crime foi assimilado por candidatos de esquerda, pelo menos os mais competitivos, agora será a vez de modularem propostas mais ao gosto liberal. Podem esperar.

Publicidade

O progressismo linha dura de Camilo Santana

Por Wanfil em Ceará

26 de setembro de 2019

Se é verdade que o domínio da linguagem corresponde ao domínio do discurso, e este, por sua vez, permite a possibilidade de domínio do poder, as declarações do governador Camilo Santana diante de mais uma onda de ataques no Ceará são mais eloquentes do que podem parecer.

Políticos possuem uma especial capacidade submeter suas falas às circunstâncias. Se percebem que o ambiente mudou, modulam seus posicionamentos e ajustam a linguagem e o discurso. Camilo é do Partido dos Trabalhadores, portanto, um social-democrata mais à esquerda, ou um progressista, como seus adeptos preferem ser chamados. E todos conhecem o discurso do progressismo sobre segurança. Repressão não adianta, prisões aumentam o crime, punir é errado (o certo e recuperar), e por aí vai. Entretanto, é possível perceber que as expressões utilizadas pelo governador se deslocaram para uma abordagem mais linha dura.

Nas redes sociais, ainda na terça-feira, o petista chamou bandido de bandido (e não de suspeito), repetiu a palavra enfrentamento várias vezes, disse que a polícia vai trabalhar de forma firme e que “a possibilidade de regalias no sistema prisional é zero”. Falei sobre isso na coluna que faço para a Tribuna Band News Fortaleza. Agora, nesta quinta-feira, o site UOL estampou como manchete o seguinte: Governador do CE contraria PT e pede lei antiterrorismo após novos ataques.

Nada contra, pelo contrário. Aliás, é importante a presença mais assertiva do chefe do Executivo nesse momento de crise. Mas, politicamente, é preciso fazer a constatação: descontadas as diferenças de estilo e intensidade, trata-se inegavelmente de uma concessão ao discurso sobre segurança pública que ajudou a eleger Jair Bolsonaro. Não por acaso, a oposição tem elogiado a postura do governo cearense. Pudera. Se linguagem é poder, esse episódio revela que esse discurso mais duro no combate ao crime será a linha adotada, da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, nas próximas eleições. Como diz o ditado, em terra de sapo, de cócoras com ele.

Publicidade

Pornografia política explícita

Por Wanfil em Crônica

07 de Março de 2019

Muito debate, pouca serventia

A polêmica sobre o vídeo compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro, com três pessoas expondo nudez e mau gosto estético em via pública, com direito a um escatológico e grotesco banho de urina, mostra que até a pornografia na política brasileira também está a degenerar. O governo soltou nota com explicações, lideranças da oposição afetaram indignação.

Antes, desde tempos imemoriais, a variante política da pornografia na política era produzida como segredo como instrumento de chantagem, sedução, intriga, aliança ou manipulação. Agora é objeto de debates abertos. O que digo aqui é que pelo menos o distinto público era, no passado, poupado do conteúdo explícito desses espetáculos. A pornografia na política se limitava, para os de fora, ao seu caráter metafórico, aquela licenciosidade grupal de políticos e apaniguados com as indecências do poder.

Pois bem, obsessões que deveriam estar confinadas a espaços reservados, secretos, íntimos, agora estão nas ruas e nas redes sociais. “Tanto melhor”, dirão alguns, “que sejam desmascaradas”. Não sei, não. Algo me diz que tanta exposição pode atiçar os piores instintos da política nacional. Receio ter pesadelos com o Brasil inundado por uma ininterrupta e degradante golden shower.

Nada contra criticar ou defender certas práticas. O que impressiona é a dimensão que o assunto – convenhamos, sem importância real – tomou. E mais: no vídeo que agora centraliza o debate público no Brasil, curiosamente, há uma sintomática inversão de papéis. A direita cuidou de divulgar a imoralidade abjeta que condena e a esquerda se pôs a criticar algo que fere os bons costumes. Os reacionários não resistem a um vídeo pornográfico e nossos progressistas, que adoram cantar as glórias das liberdades sexuais e denunciam a suposta hipocrisia dos padrões normativos celebrados pelo conservadorismo, pedem o impeachment do presidente por quebra de decoro. Decoro!

Antes que me apedrejem, não generalizo direita e esquerda, mas é impossível particularizar, uma vez que os mais engajados na discussão formam verdadeiras legiões cuja ansiedade de expor o adversário é capaz de agredir até mesmo a lógica dos princípios que juram, cada uma, defender.

Há nisso boa dose de alucinação de parte a parte, afinal, se pensarmos bem, quem é que ainda se escandaliza com o uso da pornografia ou da nudez com a intenção de chocar o espírito conservador do brasileiro? De tão comuns de serem expostos, o escândalo, o sexo, a corrupção (variante pornográfica muito praticada ainda) e a sujeira política perderam o impacto no Brasil.

Por isso tudo é que o obsceno esforço de governistas e opositores, na falta de ideias melhores e de intimidade com soluções para os problemas reais e urgentes da nação, não passa de uma espécie de orgia acusatória onde os participantes se esbaldam com a voracidade típica das taras mais arraigadas.

Publicidade

Eleições: UECE divulga nota aos pupilos do senhor Reitor

Por Wanfil em Eleições 2018

18 de outubro de 2018

A Universidade Estadual do Ceará divulgou nota “em defesa da democracia” e contra a “iminente possibilidade de um profundo retrocesso social, político e econômico”. O texto cita ainda a “assustadora disseminação do ódio contra pessoas em razão das suas diferenças sociais, de gênero, étnico-raciais e ideológicas”, mas não aponta episódios – seja nas suas dependências  ou mesmo fora delas – em que essas ameaças tenham se materializado. Não há menção sobre quem seriam os seus agentes.

A nota, assinada em conjunto pelo reitor José Jackson Coelho Sampaio e o vice-reitor Hidelbrando dos Santos Soares, se resume ao um amontoado de chavões, que apesar de não apontar nomes de grupos ou de lideranças que estariam atuando para agravar os riscos alardeados no texto, se dirige indiretamente, por meio de insinuações, às eleições presidenciais.

A falta de objetividade é compensada por um jogo de associações induzidas, pois o alinhamento com o discurso da candidatura de Fernando Haddad (PT) contra Jair Bolsonaro (PSL). Que professores, alunos, servidores e reitores tenham suas preferências, isso não é da conta de ninguém, mas ao usar o site (pago com dinheiro de impostos) e o nome de uma universidade pública para promover argumentos utilizados por um candidato à Presidência da República, é um desrespeito às instituições e a pluralidade que a mesma nota afirma defender. Se o mesmo artifício fosse usado para espalhar mensagens cifradas de Bolsonaro contra Haddad, estaria errado do mesmo jeito.

Como todos sabem, as universidades, especialmente as públicas, e mais ainda nas áreas de humanas, são espaços dominados por uma – digamos assim – produção acadêmica mais à esquerda. Não por acaso os signatários da nota dizem que estão “sendo convocados a se posicionar”. Quem os convoca? Isso acontece há tanto tempo que, para seus dirigentes, parece não haver vida fora dessa redoma.

A nota que se anuncia como instrumento de resistência “contra a violência, a opressão e todas as formas de preconceito e discriminação”, não passa de pregação aos convertidos, de afago aos pupilos, de panfleto panfleto em “defesa dos bens e serviços públicos”, que curiosamente não se posiciona sobre temas como corrupção e aparelhamento, que tanto prejudicam bens e serviços públicos.

Publicidade

Esquerda e direita nas eleições do Ceará

Por Wanfil em Eleições 2018

17 de setembro de 2018

Nestas eleições o Brasil se divide em dois grandes grupos que ainda podem ser mais ou menos identificados a partir dos conceitos clássicos de esquerda e direita. O fenômeno parece um tanto mais restrito aos centros urbanos, mas seu impacto é inegável.

É verdade que as coisas são um pouco mais complexas, afinal, existem nestes trópicos conservadores liberais e progressistas (liberais nos costumes) que são estatistas na economia. É que por aqui a dualidade antagônica que distingue direita e esquerda guarda importantes diferenças (e distorções) com outros países, sobretudo com os EUA e nações europeias. De todo modo, mesmo simplificadas, essas noções servem para qualificar (ou desqualificar) alguns grupos políticos, além de servir de bússola (com ou sem Norte) para parte do eleitorado.

Entre os candidatos que se destacam nas pesquisas, representam o eleitorado de direita e de centro-direita, os candidatos Bolsonaro, Alckmin, Amoedo, Álvaro Dias e Henrique Meireles; e mais à esquerda, do extremo ao centro, estariam Ciro Gomes, Fernando Haddad e Marina Silva. Sempre há quem conteste essas, digamos assim, rotulações, até mesmo os candidatos, porém, grosso modo, certo ou errado, é assim que são vistos.

No Ceará essas clivagens são diferentes. Os grupos se dividem entre apoiadores ou opositores do governo. E só. A perspectiva de orientação ideológica praticamente desapareceu. É que a liderança apartidária e ideologicamente flutuante dos Ferreira Gomes ao longo dos anos, a omissão dos partidos na construção de identidades e o recente acordão fisiologista que reúne na coligação governistas partidos como o DEM, PT, PR e PCdoB, tornaram essas marcações mais fluidas e imprecisas.

E aí temos candidatos a deputado estadual que estava na oposição mas que agora é da base levantando a bandeira do conservadorismo, afirmando que é contra o aborto, mas apoiando candidato ao governo de partido que não é contra o aborto. Temos entidades empresariais que anunciam apoio a partidos que pregam aumento de impostos. Tem eleitor que vota no Cid, mas não vota no Eunício, porque não aceita a parceria entre PDT e MDB, mas escolhe candidato da oposição ao Camilo, que é alinhado com Cid. Já conversei com eleitor anti-Lula e anti-PT que vota em Camilo, alegando que o governador não é petista de coração.

A confusão é grande, porém, não é acidental. Esquerda e direita ainda existem no Ceará, é claro, mas estas estão ocupadas nas trincheiras das eleições presidenciais. Nas estaduais, quase não aparecem. A lógica do poder pelo poder, o excesso de pragmatismo eleitoreiro, o oportunismo descarado, tudo isso vai apagando as mais básicas linhas divisórias do pensamento político, que poderiam ajudar o eleitor a situar suas escolhas em parâmetros conhecidos. Sem debate de ideias, não há política.

(Texto publicado originalmente no portal Tribuna do Ceará)

Publicidade

Governo e oposição disputam para ver quem tem menos credibilidade

Por Wanfil em Ideologia

29 de junho de 2017

O governo Temer conseguiu aprovar o relatório da reforma trabalhista na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Em breve deverá ser votada em plenário. A oposição cerrou fileiras contra o projeto.

O tema é de relevância indiscutível, mas acaba servindo, ao final, pelo menos para a maioria, de pretexto. Governistas buscando sobrevida com uma agenda que fuja dos escândalos, opositores de olho nas eleições do ano que vem. Um fala de futuro, mas vive assombrado pelo passado; o outro convoca greves que são solenemente ignoradas pelos trabalhadores de verdade. Sem poder confiar em ninguém, o cidadão espera para ver como é que fica.

Uma coisa é certa, a história recente mostra: caso a não seja aprovada agora, a reforma voltará como prioridade em breve, não importa quem estiver no poder, mesmo partidos de esquerda. Foi assim com a privatização. Basta ver a alegria com que essas forças comemoram no Ceará o fato de uma empresa privada europeia ter arrematado as operações no Aeroporto Pinto Martins, embora fizessem da pregação contra as privatizações um ato de fé e convicção inabaláveis.

O PMDB é de direita? Não. O PSDB é de direita? Claro que não. São de centro esquerda. E onde está a direita? Um pouco no mercado, um pouco nas tais equipes econômicas que rearrumam a casa de tempos em tempos. Mas só um pouco, que nossa direita adora juros subsidiados.

Publicidade

Odebrecht mostra que o PT não inventou a corrupção? Certo. Mas questão não é bem essa…

Por Wanfil em Ideologia

13 de Abril de 2017

Os depoimentos de executivos da Odebrecht e especialmente de seus donos, Emílio e Marcelo, revelam que a corrupção é prática disseminada que atinge instâncias de poder, partidos políticos e ideologias distintas. Uma amiga, pessoa honesta e trabalhadora, me disse que é a comprovação de que a corrupção não começou com o PT, como, segundo ela, insinuam os grandes veículos de comunicação.

Com todo respeito, trata-se, com efeito, de um sofisma, uma vez que não há quem diga que a corrupção tenha começado com o PT. Seria ingenuidade demais até para o mais ferrenho antipetista.

Na verdade, esse argumento é uma fuga para muitos que acreditaram (ou que ainda acreditam) na ideia de que a ética fosse monopólio do PT em particular e da esquerda em geral. Hoje isso parece absurdo, mas basta ver como militantes e políticos do PSOL do do PCdoB falam, embora nunca tenham denunciado coisa alguma.

Muitos esquerdistas comuns, sem filiação, para não dar o braço a torcer ao fatos, com o orgulho ferido, olham para a queda do PT e afirmam que a sigla cedeu a práticas da direita (transferindo o pecado para o adversário) ou que, no máximo, por pragmatismo, lideranças do partido usaram as armas do inimigo para vencer a luta eleitoral e aí poder fazer as mudanças, no que foram impedidos pelas elites e tal.

Para esses, reconhecer que ser de esquerda não significa uma elevação moral, um desprendimento atávico do mundo material, uma condição natural de solidariedade e inteligência ou um estado de pureza ética, corresponde a declarar que estiveram enganados todo esse tempo, que depositaram esperanças num pensamento pueril, e isso é difícil demais para quem se via como refinado crítico da realidade.

Confessar ter acreditado no discurso de que o PT representaria a negação da corrupção por causa de rótulos ideológicos é admitir o próprio erro. Daí que acabem usando a prova de que o sonho era uma frágil ilusão como argumento de superioridade analítica, alardeando: “viram, a corrupção não começou com o PT”, para assim disfarçar o que antes pregavam com a certeza dos profetas: “o PT e a esquerda mudarão tudo isso o que está aí”.

Dizer que o PT não é pior do que os outros é o consolo de quem aceitou a farsa do monopólio da ética por uma ideologia que, não obstante, foi responsável pelos maiores crimes e ditaduras do século XX.

Publicidade

Desocupados, uni-vos!

Por Wanfil em Ideologia

04 de novembro de 2016

Na falta de trabalhadores e de uma revolução...

Na falta de trabalhadores e de uma revolução…

Uma minoria de estudantes da Universidade Federal do Ceará anunciou greve e decidiu ocupar prédios da instituição, em protesto contra medidas de ajuste fiscal do governo Michel Temer.

Minoria? Mas, Wanderley, tinha uma multidão na Reitoria! Bom, de fato era um bocado de gente. Manifestantes falam em duas mil pessoas. Não se sabe, porém, quantos eram estudantes mesmo. E de onde eram. De todo modo é minoria, uma vez que existem uns 30 mil alunos nos cursos de graduação e pós-graduação na UFC.

Trata-se, vamos ser claros, de uma manifestação de viés ideológico esquerdista, que reuniu movimentos sociais, militantes partidários e simpatizantes (ah, os jovens) usados como massa de manobra, aquela fauna que ama a cor vermelha e os ambientes esfumaçados, que grita emocionada palavras de ordem contra o capitalismo e contra a opressão da sociedade judaico-cristã enquanto dança.

Não há nada de errado nisso, muito menos em protestar contra um governo. O problema é quando resolvem “ocupar” prédios públicos, no sentido de invadir e restringir o uso de um espaço que não lhes pertence. Arbitrariedade que nas democracias ganha o ranço de expressão autoritária. Notem a diferença: milhões de pessoas protestaram contra a ex-presidente Dilma Rousseff sem violência alguma.

No fundo, as lideranças dessa presepada sabem que nada conseguirão além de algumas entrevistas e atrapalhar a vida de quem quer e precisa estudar de verdade. Sem contar os estudantes que precisam fazer o Enem. De todo modo, estão ali os “rebeldes” marcando posição enquanto brincam de revolução, fingindo não saber que a insustentável trajetória dos gastos públicos levou o país à maior recessão de sua história.

Pensam ser a vanguarda, mas são o passado. Foi-se o tempo em que a esquerda se inspirava na conclamação de Marx e Engels: “trabalhadores do mundo, uni-vos!” Sobrou-lhe estudantes sem ocupação (no sentido de ter aula), já que os trabalhadores lutam mesmo é para manter seus empregos ou conseguir um. E todos sabem de quem é a culpa.

Publicidade

‘Fora Temer’ inova com possibilidade de dinheiro honesto

Por Wanfil em Brasil

08 de setembro de 2016

O ‘Fora Temer’ em Fortaleza, neste de Sete de Setembro, mostrou que o momento político nacional já está produzindo frutos. Militantes de esquerda já podem voltar a falar contra a corrupção, embora não façam a defesa da Operação Lava Jato, nem portem cartazes de apoio ao juiz Sérgio Moro, o que é sintomático, convenhamos.

Outra novidade é a possibilidade de ganhar dinheiro longe das verbas ministeriais ou sinecuras políticas, como mostra o portal Tribuna do Ceará:

“A escolha da Praia de Iracema para ser o palco da manifestação, segundo os participantes, teve o intuito de mostrar aos moradores da região e turistas a quantidade de pessoas insatisfeitas e contrárias ao governo de Michel Temer. O vendedor ambulante Deoclécio Ferreira, que trabalha há 1 ano na Beira-Mar, disse apoiar o protesto e ainda conseguir tirar lucro nas vendas de água e refrigerante. ‘Estou vendendo mais, faturando’, comemora.”

É isso aí. Faturar sem cobrar propina em licitações viciadas é a melhor forma de evitar as prisões preventivas, as delações premiadas, as condenações por corrupção, a PF, o MP, a Lava Jato e o juiz Sério Moro.

Publicidade

Olha os protestos contra o aumento nas passagens de ônibus! Por que não protestam contra a corrupção?

Por Wanfil em Movimentos Sociais

16 de Janeiro de 2015

Alguns grupos têm feito protestos em diversas capitais brasileiras contra aumentos nas passagens de ônibus. Por algum motivo, parecem acreditar que tudo pode subir – combustível, salários, energia, inflação e impostos -, menos os preços do transporte coletivo, que devem permanecer em estado de congelamento. Qual a lógica dessa indignação seletiva?

Para responder essa questão é preciso verificar quem está a protestar. Em Fortaleza, onde a passagem subiu de R$ 2,20 para R$ 2,40, as manifestações foram organizadas por um tal Levante Popular da Juventude, junto com o MST (o que isso tem a ver com reforma agrária?) e de um troço chamado Motu (Movimento Organizado dos Trabalhadores e Trabalhadoras Urbanos).

O MST dispensa apresentações: é ligado ao PT e financiado com dinheiro público há anos. O Levante, pelas informações oferecidas em seu site, é um mistério: ninguém sabe quem comanda a entidade, muito menos quem paga a conta, mas quer transformar a sociedade sem criticar o governo federal, fato que já revela muita coisa. Já o Motu se define como “Organização Popular Anticapitalista, feminista, em constante luta pelo socialismo”. Onde está escrito isso? Ora, no Facebook da entidade! Sabe como é, a luta anticapitalista não dispensa algumas conquistas do capitalismo. (Cartão de crédito é outra coisa que ainda estou pra ver um revolucionário dispensar).

Esses grupelhos tem em comum o perfil esquerdista, com suas frases feitas que emulam um espírito crítico, mas que no fundo disfarçam seu peleguismo. São militantes profissionais a serviço do projeto de poder em curso no Brasil. No fundo, querem mudar o foco das atenções, concentradas em escândalos de corrupção e no pacote de maldades de dona Dilma. Aproveitam o reajuste nas passagens, algo natural, para passar a impressão de que o grande problema  no Brasil fosse esse; como se não estivéssemos com a economia estagnada, como se não fossem assassinados 50 mil brasileiros por ano.

Por que não protestam contra a roubalheira na Petrobras ou contra o choque fiscal do governo federal? Por que não protestam contra o aumento de impostos, cobrando do governo o fim dos ministérios inúteis? Se dizem lutar contra o capitalismo, por que não protestaram contra a nomeação de Joaquim Levy? Não se sentiram traídos? Ora, a explicação é simples: é porque fazem parte do consórcio que reelegeu Dilma. A causa de um é a causa do outro: fazem e acontecem, culpam adversários pelos próprios erros, roubam e deixam roubar, para depois escolherem algum tema e posarem de criaturas preocupadas com a justiça social.

Pela natureza do protesto é que se conhece a intenção de seus promotores.

Publicidade

Olha os protestos contra o aumento nas passagens de ônibus! Por que não protestam contra a corrupção?

Por Wanfil em Movimentos Sociais

16 de Janeiro de 2015

Alguns grupos têm feito protestos em diversas capitais brasileiras contra aumentos nas passagens de ônibus. Por algum motivo, parecem acreditar que tudo pode subir – combustível, salários, energia, inflação e impostos -, menos os preços do transporte coletivo, que devem permanecer em estado de congelamento. Qual a lógica dessa indignação seletiva?

Para responder essa questão é preciso verificar quem está a protestar. Em Fortaleza, onde a passagem subiu de R$ 2,20 para R$ 2,40, as manifestações foram organizadas por um tal Levante Popular da Juventude, junto com o MST (o que isso tem a ver com reforma agrária?) e de um troço chamado Motu (Movimento Organizado dos Trabalhadores e Trabalhadoras Urbanos).

O MST dispensa apresentações: é ligado ao PT e financiado com dinheiro público há anos. O Levante, pelas informações oferecidas em seu site, é um mistério: ninguém sabe quem comanda a entidade, muito menos quem paga a conta, mas quer transformar a sociedade sem criticar o governo federal, fato que já revela muita coisa. Já o Motu se define como “Organização Popular Anticapitalista, feminista, em constante luta pelo socialismo”. Onde está escrito isso? Ora, no Facebook da entidade! Sabe como é, a luta anticapitalista não dispensa algumas conquistas do capitalismo. (Cartão de crédito é outra coisa que ainda estou pra ver um revolucionário dispensar).

Esses grupelhos tem em comum o perfil esquerdista, com suas frases feitas que emulam um espírito crítico, mas que no fundo disfarçam seu peleguismo. São militantes profissionais a serviço do projeto de poder em curso no Brasil. No fundo, querem mudar o foco das atenções, concentradas em escândalos de corrupção e no pacote de maldades de dona Dilma. Aproveitam o reajuste nas passagens, algo natural, para passar a impressão de que o grande problema  no Brasil fosse esse; como se não estivéssemos com a economia estagnada, como se não fossem assassinados 50 mil brasileiros por ano.

Por que não protestam contra a roubalheira na Petrobras ou contra o choque fiscal do governo federal? Por que não protestam contra o aumento de impostos, cobrando do governo o fim dos ministérios inúteis? Se dizem lutar contra o capitalismo, por que não protestaram contra a nomeação de Joaquim Levy? Não se sentiram traídos? Ora, a explicação é simples: é porque fazem parte do consórcio que reelegeu Dilma. A causa de um é a causa do outro: fazem e acontecem, culpam adversários pelos próprios erros, roubam e deixam roubar, para depois escolherem algum tema e posarem de criaturas preocupadas com a justiça social.

Pela natureza do protesto é que se conhece a intenção de seus promotores.