Estadão Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Estadão

As entrelinhas de Camilo na entrevista ao Estadão: Ciro erra, mas o PT erra mais

Por Wanfil em Política

22 de outubro de 2019

Camilo entre Ciro e o PT: a política, às vezes, é exercício de equilibrismo em terreno irregular. Imagem: recombiner on Visualhunt / CC BY-NC-SA

O governador Camilo Santana concedeu entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, com grande repercussão no Ceará: Estratégia de Ciro de atacar o PT ‘está errada’, diz Camilo. Por alguns instantes, o impacto da manchete pode ser compreendido como uma defesa do partido diante das pesadas acusações feitas pelo aliado e padrinho político.

Nessas horas, para manter a prudência, sempre me recordo de Nelson Rodrigues: “Ah, como é falsa a entrevista verdadeira”. É que o entrevistado, ciente da publicidade de suas palavras, modula opiniões ao sabor das conveniências ou das responsabilidades. Isso é normal. Em certos casos é até recomendável. Imagine então quando o assunto é política.

Na entrevista ao Estadão, eis a pergunta cuja resposta gerou a manchete: Os sucessivos ataques de Ciro ao PT podem causar algum abalo na relação entre o senhor e os Ferreira Gomes? 

O que poderia dizer o governador? Que lado escolher? Ciro diz com frequência que Lula é corrupto e que a cúpula do PT é uma quadrilha. Logicamente o governador discordou da “estratégia”, sem fazer juízo sobre conteúdos. E discorda por que? Porque “nenhuma candidatura se constituirá à esquerda, centro-esquerda, se não tiver o PT como aliado”. Faz sentido. Mas na prática, o que isso significa? Camilo não deixa dúvidas: “Defendi lá atrás que Ciro fosse candidato, defendi a chapa Ciro-Haddad. Era o momento de se unir em torno de um projeto”.

Resumindo, para Camilo Santana, Ciro erra ao atacar o PT, que errou primeiro ao não apoiar Ciro (e perder para Bolsonaro). É um exercício de equilibrismo. Ocorre que o ex-presidente Lula discorda da tese. Em entrevista ao UOL na semana passada, o chefe petista disparou contra Ciro: “Toda vez que disputa uma eleição, procura um partido e entra. Não tem perfil ideológico. O PT não aceita isso”.

No Ceará, PT e PDT são aliados, com os petistas a serviço do projeto político liderado por Ciro  e Cid Gomes. Uma vez que a reprodução de uma parceria nacional nessas condições é impossível, o jeito é sustentar que a aliança cearense deveria servir de modelo, afinal, mesmo sem controlar a máquina eleitoral, o PT acabou elegendo um governador.

Acontece que o cenário nacional é bem diferente do estadual. Se no Ceará o cirismo é maior que o petismo, no Brasil, o lulismo, ainda que alquebrado por causa de escândalos de corrupção, é maior que o cirismo.

Publicidade

Cid mostra como fazer oposição

Por Wanfil em Política

19 de novembro de 2018

Cid Gomes – (Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil)

Em entrevista ao jornal o Estado de São Paulo, o senador eleito Cid Gomes (PDT) falou sobre a formação de uma frente de partidos que não sejam “nem oposição sistemática nem situação automática”.

Por oposição sistemática, entenda-se PT, que de acordo com Cid, tem “posição histórica” nesse sentido “quando não são eles no governo”. A proposta, resumindo, é criar um centro de oposição responsável, programática e suprapartidária, para fiscalizar e analisar as propostas e projetos do novo governo.

Sobre isso, dois pontos a observar. Primeiro, o PDT continua a bater mais no PT do que em Bolsonaro; segundo, a ideia deveria ser vir de inspiração para a oposição no Ceará, esvaziada na última legislatura pela cooptação descarada promovida pelos aliados PT e PDT (ainda parceiros no estado). De 14 deputados estaduais opositores eleitos na primeira gestão de Camilo Santana (PT), restaram apenas seis nessa condição ao final do mandato. MDB, PR e SD mudaram de lado. Agora, para a segunda gestão, foram eleitos oito para a oposição.

É isso. Sem uma estratégia para sobreviver, sem um plano de atuação que mantenha vivo o debate político, a oposição tende a ser engolida pela agenda oficial. Cid Gomes aponta um caminho para mobilizar atenções no Congresso. Por aqui, a oposição pode propor uma frente parlamentar que não seja “oposição sistemática” e que possa contar, eventualmente, com nomes que não sejam “situação automática”.

Se isso é bom para o Brasil, por que não seria para o Ceará?

Publicidade

A diferença da segurança pública cearense no Facebook e no mundo real

Por Wanfil em Segurança

23 de agosto de 2017

No Facebook

Todas as terças o governador Camilo Santana interage com internautas via Facebook. A ideia é bacana e naturalmente as ações de governo são apresentadas ao público. No que diz respeito a segurança pública, Camilo cita investimentos e faz declarações sobre o combate contra a criminalidade.

Disse em abril passado que deseja”botar o bandido na cadeia ou botar o bandido pra correr do estado do Ceará“. Ontem anunciou novidades: “Já foram entregues nove batalhões fixos, regionalizados, com equipes de até 35 homens. A ação do Raio tem sido tão eficiente, positiva, que tomamos a decisão de implantar o sistema em todos os municípios com mais de 50 mil habitantes”.

Essa é a segurança pública do Ceará no Facebook: um prodígio de ações e determinação.

No mundo real

Os homicídios aumentaram 6,8% no Brasil, na comparação entre o primeiro semestre de 2016 e deste ano. Pernambuco – com aumento de 38%; Ceará – com alta de 32%; e Rio Grande do Norte – com 26%, puxaram os índices para cima. A informação foi divulgada pelo Estadão, a partir de dados fornecidos pelas secretarias estaduais de segurança. 

Para quem diz que o problema é nacional, insinuando que se repete em todo o país com a mesma intensidade, vale destacar que em Tocantins os assassinatos caíram 42%. E no próprio Nordeste há bons resultados, como em Sergipe, que reduziu os assassinatos em 12% e na Paraíba, com recuo de 10%.

Confira a tabela do Estadão:

Os investimentos existem, assim como acontecia no governo Cid Gomes, com resultados desastrosos. O Raio sozinho não pode compensar as deficiências de planejamento e gestão da Segurança e da Justiça. Como podemos ver, não são os bandidos que estão correndo, mas os homicídios.

A distância entre o virtual e o real pode ser explicada pela necessidade de se construir um discurso político e também eleitoral para a segurança.

Publicidade

Ciro Gomes quer fazer do PDT o novo PT

Por Wanfil em Política

01 de novembro de 2016

Eles se entendem: para o PT, a aposta em Ciro é a única esperança de continuar no poder

Eles se entendem: para o PT, a aposta em Ciro é a única esperança de continuar no poder. Foto: divulgação

Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, ex-governador do Ceará, ex-secretário estadual da saúde, ex-assessor informal de Segurança Pública e pré-candidato à Presidência da República, trabalha para atrair governadores do PT para as fileiras de seu mais recente partido, o PDT, informa o jornal O Estado de São Paulo desta terça-feira.

Com a surra que o PT sofreu nas eleições, integrantes do partido estudam uma debandada em busca da sobrevivência política. Além dos cinco governadores da legenda (Ceará, Piauí, Bahia, Minas Gerais e Acre), o Estadão informa ainda que 40 dos 58 parlamentares da bancada federal petista avaliam a possibilidade de mudar de partido.

Segundo a reportagem, o governador cearense Camilo Santana estaria de malas prontas para o PSB, onde tentaria concorrer ao Senado, uma fez que sua reeleição é incerta, abrindo caminho para Cid Gomes disputa novamente o governo estadual.

Em tese, tudo faz sentido, afinal, o PDT e o PT foram parceiros no governo e na defesa de Dilma Rousseff. O PDT quer ser o novo PT. E o que restar do PT aposta no PDT para continuar no poder enquanto sonha em se recuperar. Falta saber o que a cúpula petista no Ceará acha disso tudo.

Publicidade

Ciro Gomes: “A natureza do PT é ter candidatura própria”

Por Wanfil em Política

28 de Março de 2016

O pré-candidato do PDT à presidência da República concedeu entrevista ao Estadão na última quinta-feira (25), para falar sobre a conjuntura nacional. Destaco aqui um pensamento interessante de Ciro a respeito do PT, já no final da conversa com os repórteres Igor Gadelha e Caio Junqueira.

Estadão – O senhor acredita em um futuro apoio do PT à sua candidatura em 2018 como o presidente do PDT, Carlos Lupi, tem defendido?
Ciro – Só se eu fosse uma criança imbecil iria entrar numa bobagem dessa. A natureza do PT é de ter candidato e não apoiar ninguém.

Quem discorda?
É uma leitura que considero correta. Servir de linha auxiliar a projeto de terceiros é algo raro de se ver no petismo. Embora o ex-governador fale do cenário nacional, essa percepção serve para outras instâncias do partido, como percebemos nas declarações da ex-prefeita Luizianne Lins em defesa de candidatura própria do PT em Fortaleza.

O partido até poderá apoiar a reeleição de Roberto Cláudio, do PDT, por causa de fatores ligados à crise política, mas se o fizer, será contrariando sua própria natureza.

A quem interessar, aqui está a íntegra da entrevista.

leia tudo sobre

Publicidade

Ciro Gomes: “A natureza do PT é ter candidatura própria”

Por Wanfil em Política

28 de Março de 2016

O pré-candidato do PDT à presidência da República concedeu entrevista ao Estadão na última quinta-feira (25), para falar sobre a conjuntura nacional. Destaco aqui um pensamento interessante de Ciro a respeito do PT, já no final da conversa com os repórteres Igor Gadelha e Caio Junqueira.

Estadão – O senhor acredita em um futuro apoio do PT à sua candidatura em 2018 como o presidente do PDT, Carlos Lupi, tem defendido?
Ciro – Só se eu fosse uma criança imbecil iria entrar numa bobagem dessa. A natureza do PT é de ter candidato e não apoiar ninguém.

Quem discorda?
É uma leitura que considero correta. Servir de linha auxiliar a projeto de terceiros é algo raro de se ver no petismo. Embora o ex-governador fale do cenário nacional, essa percepção serve para outras instâncias do partido, como percebemos nas declarações da ex-prefeita Luizianne Lins em defesa de candidatura própria do PT em Fortaleza.

O partido até poderá apoiar a reeleição de Roberto Cláudio, do PDT, por causa de fatores ligados à crise política, mas se o fizer, será contrariando sua própria natureza.

A quem interessar, aqui está a íntegra da entrevista.