Fortaleza Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Fortaleza

Senador Cid Gomes surpreende e se licencia do cargo. O que realmente aconteceu?

Por Wanfil em Eleições 2020

04 de dezembro de 2019

Senador Cid Gomes (PDT) – Agência Senado

É a pergunta que todos se fazem após o pedido de licença feito antes mesmo de Cid Gomes completar um ano no Senado, às vésperas do recesso parlamentar e em meio a votações importantes no Congresso.

Negócios particulares e reestruturação do PDT no Ceará foram as justificativas anunciadas pela imprensa. A decisão, obviamente, antecipa o processo eleitoral junto ao grupo governista, algo que não combina com o estilo – e o histórico – do próprio Cid. Fica no ar uma impressão de urgência.

Não é o caso de falar em precipitação, que isso seria coisa de amador. Pelo visto, a situação exige dedicação integral de quem realmente decide (quase escrevi “deCID”). Apesar de surpreendente, esse movimento mais radical é até compreensível se levarmos em consideração alguns fatores:

– o governo federal como adversário combativo altera o cenário na comparação com outras eleições;
– opositores articulando apoio nacional de partidos que são aliados locais;
– o ressentimento petista;
– vácuo de liderança no PDT;
– disputas internas no imenso grupo governista;
– indefinições no interior;
– o avanço do PSD na base governista estadual;
– nomes com diferentes padrinhos aspirando à sucessão de Roberto Cláudio;
– falta de candidatos competitivos entre os aliados na capital;
– pesquisas, pesquisas e pesquisas.

É claro que algo mais pode ter acontecido, mas ir além desses pontos, nesse momento, é especular além da conta. Entretanto, como em política gestos possuem significados que vão além das explicações formais, as especulações nos bastidores serão inevitáveis nos próximos dias.

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Todo castigo é pouco

Por Wanfil em Legislação

20 de novembro de 2019

Parece gado no curral, mas são eleitores obrigados a cadastrar digitais, sob pena de punição – Foto: Tribuna do Ceará

O castigo é a sina do eleitor brasileiro. Mesmo que não queira, ainda que repudie os candidatos e odeie a política, ou considere os partidos farinha do mesmo saco, esse eleitor frustrado, ressentido, indiferente e apático é obrigado a votar. E como se não bastasse, em nome da modernidade, é forçado a fazer o cadastro biométrico, de modo que as urnas eletrônicas possam identificar o eleitor pelas digitais. No Brasil, até o suprassumo da tecnologia serve à nossa obsessão pela burocracia.

Por isso, nos últimos dias em Fortaleza, levas de eleitores desolados aguardam em filas quilométricas a vez de digitalizarem seus polegares. Quem não o fizer, não importa o motivo, se não cumprir com a obrigação eleitoral, terá o título cancelado e ficará impossibilitado de votar e ser votado, não poderá emitir passaporte, nem fazer matrícula em instituições públicas de ensino, será proibido de contrair empréstimos em bancos oficiais, receber o bolsa família ou assumir cargo público. E se já for servidor, não receberá o salário até regularizar a situação. Tá bom assim? Tome castigo.

Agora reparem a diferença: no lugar do eleitor, pense agora nos excelentíssimos eleitos. Não em qualquer um, mas nos que são corruptos notórios, desses que respondem a vários inquéritos ou que até tenham sido condenados por desvios milionários ou cassados por crime de responsabilidade. Pois bem, esses eleitos, apesar de tudo o que fizeram, a despeito da própria notoriedade, ainda assim terão direito a uma aposentadoria com salário nababesco e repleta de regalias. E mesmo que tenham sido sentenciados em segunda instância por lavagem de dinheiro, de acordo com a mais recente alteração de jurisprudência no STF, os corruptos terão o benefício da presunção de inocência até que os processos transitem em julgado. Isso se as ações não prescreverem no meio do caminho.

Castigo rápido, só para eleitores. Pela lei brasileira, quem merece desconfiança é o cidadão obrigado a votar.

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A politização da tragédia

Por Wanfil em Fortaleza

17 de outubro de 2019

Edifício desaba em Fortaleza: tragédia que naturalmente ronda a política – Foto: reprodução / Tribuna do Ceará

O desabamento de mais um edifício residencial em Fortaleza, com repercussão nacional, trouxe à tona questionamentos pertinentes sobre a Lei da Inspeção Predial. Mesmo aprovada, a lei nunca foi efetivada. Autoridades pedem cautela para fazer esse debate, pois a prioridade agora é cuidar das vítimas. Perfeito, nada a reparar. Acontece que, sentindo o potencial de desgaste para o executivo municipal, alguns aliados já ensaiam discursos preventivos.

Leio no jornal Diário do Nordeste que o deputado estadual Queiroz Filho (PDT) disse o seguinte na Assembleia Legislativa, um dia após o desabamento: “Os poderes públicos não podem ter responsabilidade também sobre a manutenção da propriedade privada”.  “É inadmissível, em dias como hoje, as pessoas querendo surfar na tragédia dos outros”. O parlamentar criticou ainda os que teriam “politizado um assunto de vida humana”. Quem, afinal, fez isso? Quem politiza e surfa sobre as vidas perdidas nos escombros do Edifício Andrea?

Antes de ser deputado, Queiroz Filho foi chefe de gabinete do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio. Por isso é compreensível o seu posicionamento defensivo. É preciso, no entanto, cuidado para não exagerar. Cobrar explicações sobre a Lei da Inspeção Predial não corresponde a acusar ninguém pelo desastre, até porque o assunto tem sua complexidade, mas a buscar soluções para evitar que outros casos aconteçam. Nada mais natural e oportuno diante do que aconteceu.

É incrível como políticos politizam tragédias apontando a suposta politização dessas mesmas tragédias.

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O alerta do IPEA sobre a violência no Ceará

Por Wanfil em Segurança

05 de agosto de 2019

O IPEA divulgou nesta segunda-feira a nova edição do Atlas da Violência, com números relativos ao ano de 2017. Fortaleza surge como a capital com maior taxa de homicídios do país: 87,9 mortes para cada 100 mil habitantes. Comparando com capitais nordestinas de tamanho parecido, Salvador tem 63,5 e Recife 58,4.  Maracanaú figura como a cidade (com população acima de 100 mil habitantes) mais violenta do Brasil: taxa de 145,7. Um registro: a menor taxa entre capitais foi em São Paulo: 13,2. E no Rio de Janeiro foi de 35,6.

Vale lembrar mais uma vez que esses dados são referentes a 2017. Muita coisa mudou desde então. O próprio IPEA cita a criação da Secretaria de Administração Penitenciária no Ceará, que endureceu as regras nos presídios, levando a um “inesperado armistício entre os grupos criminosos, que pode ocasionar uma forte redução dos homicídios no estado, pelo menos enquanto durar a trégua, que é sempre instável“.

É bem provável que na edição do Atlas no ano que vem o Estado recue alguns pontos – como já indicam os índices divulgados pela Secretaria de Segurança – para uma situação mais parecida com outros estados do próprio Nordeste, que ainda é muito grave. Trata-se, claro, de algo positivo, mas um exame no histórico do Atlas da Violência ao longo dos anos mostra que oscilações já foram registradas anteriormente, cada uma com circunstâncias específicas.

Não é o caso de ser pessimista, mas de ficar atento para evitar precipitações. Toda atenção é pouca para não repetir erros de 2016, quando o acordo entre esses grupos “maquiou” números que depois estouraram na guerra de 2017 (ano do recorde de homicídios no Ceará). Reconhecer agora que o pior já passou, ou que pelo menos arrefeceu, não significa ignorar que as coisas, nesse campo, ainda estão muito distantes do mínimo aceitável.

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Boechat e o jornalismo opinativo

Por Wanfil em Crônica

11 de Fevereiro de 2019

Ricardo Boechat em ação: a opinião como diálogo com o público. Foto: divulgação

Lembro de uma palestra do jornalista Ricardo Boechat na inauguração da Tribuna BandNews (Fortaleza) sobre o jornalismo e o rádio. Isso foi em 2013. Boechat defendeu que apresentadores – ou âncoras – pudessem opinar. Seria uma forma de aproximar o veículo (e a própria atividade jornalística) do público. Obviamente, as opiniões precisariam ter o respaldo da experiência profissional e embasamento nos fatos.

Quem faz jornalismo opinativo de verdade (assumindo posicionamentos) sabe as responsabilidades que assume e os riscos que corre: por um lado, checar e checar insistentemente as informações, contribuir no aprofundamento dos temas de interesse geral, por outro, criar antipatias, desagradar grupos, errar o tom, cometer injustiças, ser processado. Riscos que valem, pois muitas vezes a opinião é o complemento da notícia.

Boechat conseguiu unir essa disposição a credibilidade do apresentador. O segredo para isso ele mesmo revelou nesse evento que mencionei: priorizar os cidadãos e não as autoridades. Saber ouvir para dar voz. Não só isso. Quem o escutava com frequência percebia que sua crítica não se confundia com ressentimentos, torcida, panfletagem, causas particulares, nem se limitava a um determinado grupo político.

Por isso tudo a partida trágica do jornalista apresentador que opinava sem se omitir jamais tocou a tantas pessoas que manifestaram na imprensa e nas redes a tristeza de perder alguém que lhes parecia, mesmo à distância, próximo como um amigo com quem conversassem regularmente.

A saudade se manifestou instantânea, prova de que Boechat estava certo quando defendia a interação honesta com o público. Seu silêncio prematuro é difícil de ser assimilado.

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Sem os Ferreira Gomes, Fernando Haddad veste azul no Ceará, mas o vermelho o persegue

Por Wanfil em Eleições 2018

22 de outubro de 2018

A semiótica me fascina e muitas vezes, como é comum em quem a aprecia, quando vejo uma imagem, fico a procurar signos e significantes organizados em sistemas deliberadamente produzidos ou criados ao sabor do acaso. Vejam essa foto de Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, em passagem pelo Ceará no último sábado (20).

Fernando Haddad, de azul, destoa em meio ao “mar vermelho” (FOTO: Ricardo Stuckert/Divulgação)


Azul X vermelho

Como todos sabem, o PT mudou a identidade visual da campanha para o segundo turno, adotando as cores utilizadas pela campanha do adversário, Jair Bolsonaro (PSL), na esperança de conquistar indecisos e moderados.

Pois bem, como é possível constatar na foto, por mais que Haddad tente escapar do vermelho, o vermelho insiste em segui-lo. O que é um pontinho azul em meio a uma multidão de bandeiras e camisas vermelhas na Praça do Ferreira? É Fernando Haddad.

Cadê os Ferreira Gomes?
Outra significação possível de extrair, não apenas dessa imagem, como de outras produzidas durante os eventos de sábado, é uma espécie de solidão, mesmo em meio a tanta gente.  Ciro e Cid Gomes (atualmente no PDT) – líderes do maior grupo político do Ceará e aliados dos governos petistas nas gestões de Lula e Dilma – definitivamente pularam fora da campanha.

Cid ainda distribuiu adesivos de Haddad em Sobral, pedindo votos para, palavras dele, “o menos ruim”. Isso uma semana após ter dito que o PT merecia perder a eleição. A ausência dos Ferreira Gomes preenche uma lacuna, como dizia Stanislaw Ponte Preta.

Antipetismo e autopreservação
Matutar com imagens é bom para estimular conexões. Foi então que li, no mesmo dia, números de uma pesquisa do Datafolha mostrando que o antipetismo é realmente a maior força destas eleições. Basta ver que apenas 1% dos eleitores de Bolsonaro votam nele por rejeitarem Fernando Haddad. Outros 69% são declaradamente contrários ao PT ou a valores relacionados por eles ao petismo, como corrupção.

Esta não é a primeira eleição que Lula e o PT atrapalharam a campanha de Ciro Gomes. Das outras vezes, os Ferreira Gomes não romperam por puro pragmatismo: os petistas tinham alta popularidade e controle da máquina federal. Agora o sinal mudou. Ciro e Cid são hábeis leitores dos movimentos políticos e muito antes de qualquer pesquisa já sentiram as mudanças de humor no eleitorado. Por isso, não foi só por ressentimento que se afastaram do partido, sem tirar nem sequer uma foto com Haddad no Ceará. É também, e principalmente, por senso de autopreservação.

Realmente uma imagem pode dizer mais que mil palavras.

(Texto publicado originalmente para o Portal Jangadeiro – especial eleições)

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Você acha que os gastos públicos precisam de mais transparência? O Movimento Renasce também

Por Wanfil em Ceará

02 de Março de 2018

O Renasce quer reunir pessoas de diferentes áreas para fiscalizar gastos públicos e renovar a política. O lançamento será nesta sexta-feira, às 19 h, no hotel Gran Marquise

Se tem uma coisa que aprendi nos últimos anos acompanhando a cobertura política é que o discurso de transparência na prestação e contas dos gastos públicos não corresponde na prática a uma transparência total. As leis e os portais representaram avanços, mas as brechas, exceções, omissões e imprecisões são muitas. 

Tente descobrir onde um vereador, qualquer um, gastou o auxílio-alimentação no mês passado. Eles não são obrigados a apresentar comprovantes. Tente perguntar em que postos de gasolina deputados abastecem a frota de seus gabinetes, com as respectivas notas fiscais. Nada. O mesmo vale para secretários de governo. Como gastam as diárias de viagem? Onde estão os contratos de locação de imóveis para justificar os famosos auxílios-moradia? Ninguém precisa comprovar detalhes, mas é nos detalhes que o diabo mora. Não dá para esperar, como nas fábulas, que o lobo tome conta do galinheiro.

Por isso merece destaque o lançamento, nesta sexta-feira, do movimento Renasce, formado por um grupo suprapartidário de profissionais de diversas áreas, inspirados por ideias ligadas ao pensamento liberal (que no Ceará tem tradição, a começar pelo pioneirismo dos movimentos abolicionistas). Conversei com Rodrigo Marinho, um dos organizadores do grupo. O objetivo é acompanhar e cobrar a correta aplicação dos recursos públicos, reunir pessoas preocupadas com a atual situação do Estado e fomentar o surgimento de novas lideranças.

O encontro será no Hotel Gran Marquise, em Fortaleza, às 19 h, e contará com palestra do senador Tasso Jereissati sobre a experiência de mobilização da sociedade civil no Centro Industrial do Ceará nos anos 70 e 80 até a chegada ao governo em 87. O caso é visto como uma espécie de modelo de organização externa que gerou efeitos práticos transformadores na política e na gestão pública. Quanto mais gente de olho, melhor.

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Fora, Che Guevara!

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

21 de Fevereiro de 2018

A vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PRTB) quer mudar o nome do Cuca Che Guevara, inaugurado em 2009 por Luizianne Lins (PT), para Bárbara de Alencar. A iniciativa merece atenção por dois motivos: fazer justiça histórica e combater uma variante do patrimonialismo, aquela mania dos governantes de confundir o público com o privado.

Lembrado como revolucionário eficiente e profundo humanista, Che Guevara costuma a ser lembrado pela propaganda de esquerda como autor da célebre frase Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás. Porém, outras citações menos românticas acabaram esquecidas, como quando Che aconselha aos seus seguidores que cultivar o ódio intransigente ao inimigo, ódio que impulsiona além das limitações naturais do ser humano e converte o guerrilheiro numa eficiente e fria máquina de matar. Esse não um modelo adequado de inspiração a jovens estudantes.

Segundo Priscila, além do guerrilheiro matador (que foi capturado por soldados, vejam que potência, bolivianos) não ter feito nada por Fortaleza, não faz sentido exaltar a figura de um assassino. Exagero? O próprio Che esclareceu qualquer dúvida, quando disse na Assembleia-Geral da ONU, em 11 de dezembro de 1964: Fuzilamos e seguiremos fuzilando enquanto for necessário. Nossa luta é uma luta até a morte.

Tem mais. Em carta a esposa, Hilda, datada de janeiro de 1957, o angelical Guevara mandou ver: Estou na selva cubana, vivo e sedento de sangue.

É possível ver esses muitos outros episódio na biografia assinada por John Lee Anderson (Che Guevara: uma Biografia –  Objetiva, 1997). Como na vez em que o humanista da revolução cubana dirigia a prisão de La Cabaña (pesquisem a respeito), quando uma mãe aflita pediu-lhe que poupasse a vida do filho, de apenas 17 anos, preso por pichar críticas a Fidel. Che conferiu o prontuário do rapaz e mandou executá-lo imediatamente. Fuzilamento. Disse que era para a mãe não sofrer a agonia da espera.

Se esses feitos não bastam para demonstrar a inconveniência desse nome para uma escola, podemos ir ao segundo ponto: o patrimonialismo. A vereadora está correta quando lembra que Che não tem a menor identificação com Fortaleza. Tal escolha, digo eu, se deu exclusivamente por inclinação ideológica. Se os patrimonialistas tradicionais batizam prédios públicos com nomes de seus parentes, imaginando serem donos da obra, os patrimonialistas progressistas os nomeiam por proselitismo ideológico, para demarcá-los como propriedade do partido e promover seus ídolos e símbolos.

Por isso tudo a proposta da trocar o nome de Che me parece pertinente. Pode parecer bobagem para muitos, mas mantê-lo como um farol da educação é um anacronismo que representa o pior da política, cultivado como se fosse coisa banal. A corrupção dos modos nasce e sobrevive na corrupção das ideias.

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Difícil transparência: abaixo-assinado cobra informações sobre gastos dos vereadores em Fortaleza

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

06 de Fevereiro de 2018

Divulgação

A ONG Patrulha da Transparência tenta desde o ano passado saber como e onde os vereadores de Fortaleza gastam o dinheiro do chamado “Serviço de Desempenho Parlamentar”. A Câmara Municipal divulga os valores gerais com gastos, mas parece não querer nem ouvir falar em detalhamento dessas despesas pagas pelo contribuinte.

Cansada de esperar, a ONG está divulgando uma petição online pedindo os comprovantes desses gastos. Qualquer empresa pede comprovações dessa natureza aos seus funcionários. Pegou um táxi? Almoçou com um cliente? Precisou viajar? Tudo certo, na volta mostre as notas e os recibos. Com dinheiro público, o rigor deveria ser o mesmo. Especialmente agora que a discussão sobre controle de gastos, privilégios, auxílios disso e daquilo, estão na ordem do dia.

Já abordei o assunto aqui no blog: “A situação é no mínimo constrangedora. Se os vereadores não conseguem explicar como gastam as verbas de seus gabinetes, que dizer da função fiscalizadora que deveriam exercer em relação aos gastos do Executivo? Na pior hipótese, lançam sobre a Câmara a sombra da suspeita em relação aos cuidados com a real destinação desses recursos.”

Se você paga a conta e deseja saber como seu dinheiro é gasto, basta conferir o link:

Abaixo-assinado pelos comprovantes de gastos dos vereadores de Fortaleza

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Câmara de Fortaleza não esclarece gastos de vereadores e ainda faz graça com quem pede detalhamento

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

20 de dezembro de 2017

O pedido de informações protocolado pelo Livres e pela Patrulha da Transparência com o detalhamento dos gastos feitos pelos vereadores da Câmara de Fortaleza foi negado no último de prazo para a resposta. Na verdade, essa é a terceira vez  (ler post anterior) que a “Casa do Povo” se nega a dizer como, com quem e onde suas Excelências gastaram a grana dos impostos pagos pelos cidadãos da capital.

O Ofício 0170/2017, assinado pelo diretor geral da Câmara, Robson de Oliveira,  explica que “não havendo, no âmbito desta Câmara Municipal, o procedimento de ressarcimento futuro (reembolso), por meio de apresentação de comprovantes (notas fiscais e recibos), modelo comumente adotado por outras Casas Legislativas“, nada pode ser feito. Isso mesmo, o dinheiro PÚBLICO é repassado antecipadamente ao parlamentar, na base da confiança, para que estes o utilizem como bem entenderem. O problema é que se um vereador, por exemplo, quisesse pagar empréstimos particulares com recursos que deveriam ser exclusivos para a compra de combustíveis, poderia fazê-lo tranquilamente, já que não é obrigado a a apresentar comprovantes. Mas isso, pelo visto, jamais vai acontecer no entendimento dos próprios vereadores. Daí a dispensa de maiores cuidados.

Já em relação a outras informações solicitadas, como a quantidade de servidores por gabinete, o Oficio diz que tudo está disponibilizado na internet e pronto. Por qual motivo isso impede uma resposta devidamente documentada, ninguém sabe. Se é tão fácil, bastaria que os zelosos funcionários da Câmara imprimissem o material, de modo a atender o pedido.

Para coroar a peça, os impertinentes reclamantes são informados de que “o Tribunal de Contas do Estado, em avaliação recente sobre a transparência das Câmaras Municipais, considerando as notas de zero a dez, atribuiu nota 9,5 à Câmara de Fortaleza“. E sabe por que não foi dez? Ora, por causa de problemas na “seção de Acessibilidade, considerado para a efetivação de melhorias  quando ao acesso a deficientes visuais e surdos“, os quais já “estão providências de evolução“. Com uma Câmara tão cristalina assim é de admirar que deficientes visuais de verdade ainda tenham dificuldades nesse ambiente onde até despesa sem nota vira prova de transparência.

Afinal, QUANTO CADA VEREADOR GASTOU EM 2017 COM FUNCIONÁRIOS, QUEM SÃO E ONDE TRABALHAM ESSES SERVIDORES, E QUANDO (E COMO) GASTARAM AS VERBAS VINCULADAS AO SERVIÇO DE DESEMPENHO PARLAMENTAR? Qual o problema em mostrar?

PS. Os autores dos pedidos, Livres e Patrulha da Transparência, informam que buscarão a Justiça para obter as respostas.

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Câmara de Fortaleza não esclarece gastos de vereadores e ainda faz graça com quem pede detalhamento

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

20 de dezembro de 2017

O pedido de informações protocolado pelo Livres e pela Patrulha da Transparência com o detalhamento dos gastos feitos pelos vereadores da Câmara de Fortaleza foi negado no último de prazo para a resposta. Na verdade, essa é a terceira vez  (ler post anterior) que a “Casa do Povo” se nega a dizer como, com quem e onde suas Excelências gastaram a grana dos impostos pagos pelos cidadãos da capital.

O Ofício 0170/2017, assinado pelo diretor geral da Câmara, Robson de Oliveira,  explica que “não havendo, no âmbito desta Câmara Municipal, o procedimento de ressarcimento futuro (reembolso), por meio de apresentação de comprovantes (notas fiscais e recibos), modelo comumente adotado por outras Casas Legislativas“, nada pode ser feito. Isso mesmo, o dinheiro PÚBLICO é repassado antecipadamente ao parlamentar, na base da confiança, para que estes o utilizem como bem entenderem. O problema é que se um vereador, por exemplo, quisesse pagar empréstimos particulares com recursos que deveriam ser exclusivos para a compra de combustíveis, poderia fazê-lo tranquilamente, já que não é obrigado a a apresentar comprovantes. Mas isso, pelo visto, jamais vai acontecer no entendimento dos próprios vereadores. Daí a dispensa de maiores cuidados.

Já em relação a outras informações solicitadas, como a quantidade de servidores por gabinete, o Oficio diz que tudo está disponibilizado na internet e pronto. Por qual motivo isso impede uma resposta devidamente documentada, ninguém sabe. Se é tão fácil, bastaria que os zelosos funcionários da Câmara imprimissem o material, de modo a atender o pedido.

Para coroar a peça, os impertinentes reclamantes são informados de que “o Tribunal de Contas do Estado, em avaliação recente sobre a transparência das Câmaras Municipais, considerando as notas de zero a dez, atribuiu nota 9,5 à Câmara de Fortaleza“. E sabe por que não foi dez? Ora, por causa de problemas na “seção de Acessibilidade, considerado para a efetivação de melhorias  quando ao acesso a deficientes visuais e surdos“, os quais já “estão providências de evolução“. Com uma Câmara tão cristalina assim é de admirar que deficientes visuais de verdade ainda tenham dificuldades nesse ambiente onde até despesa sem nota vira prova de transparência.

Afinal, QUANTO CADA VEREADOR GASTOU EM 2017 COM FUNCIONÁRIOS, QUEM SÃO E ONDE TRABALHAM ESSES SERVIDORES, E QUANDO (E COMO) GASTARAM AS VERBAS VINCULADAS AO SERVIÇO DE DESEMPENHO PARLAMENTAR? Qual o problema em mostrar?

PS. Os autores dos pedidos, Livres e Patrulha da Transparência, informam que buscarão a Justiça para obter as respostas.