Governo do Ceará Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Governo do Ceará

Quando a violência aumenta, a culpa é Federal; quando reduz, o mérito é estadual

Por Wanfil em Segurança

05 de julho de 2019

Esqueceram de mencionar o Ministério da Justiça, que prontamente ajudou o Ceará – Foto: divulgação

O site do Governo do Ceará destacou a seguinte notícia, no início da semana: Trabalho das forças de segurança do Ceará resulta na redução de 53,6% nos CVLIs no primeiro semestre de 2019.

Olha só. Na ânsia de enaltecer isoladamente méritos locais, a manchete acaba destoando das falas de ninguém menos que o governador Camilo Santana. Quando os índices de violência explodiram no Ceará, sobretudo em 2017, Camilo responsabilizou a histórica ausência de políticas públicas nacionais para a segurança pública, dizendo ainda, com todas as letras, que os estados, sozinhos, não poderiam virar esse jogo.

Presença Federal no Ceará
O governador passou então a cobrar ações do governo federal. O ex-presidente Michel Temer nomeou Raul Jungmann como ministro extraordinário da Segurança Pública, que por sua vez inaugurou no Ceará o Centro Integrado de Inteligência do Nordeste.

Já em 2019, na gestão de Jair Bolsonaro, Camilo pediu ajuda ao novo ministro Sérgio Moro (ver foto) contra a onda de ataques promovida por facções criminosas. O trabalho em conjunto nas ruas e nos presídios foi bem sucedido.

Omissões
Pois bem, com a abordagem federal, OS ÍNDICES REDUZIRAM EM TODO O PAÍS. Mesmo assim, nada disso é lembrado na comunicação do governo cearense. Na verdade, esses fatos são suprimidos. O objetivo é claro: a redução seria obra das “forças de segurança DO Ceará”. Não é que faltem iniciativas locais, pelo contrário. Aliás, por isso mesmo é que omissões a terceiros são desnecessárias.

Credibilidade
A prática de buscar assumir sozinho o mérito por realizações partilhadas com outros atores e instâncias, termina afetando a credibilidade da gestão, especialmente junto aos parceiros esquecidos. E quando o discurso construído pelos canais institucionais da administração não casam com as falas do governador, tudo fica ainda mais estranho. Parece esperteza.

Reconhecimento natural
O certo mesmo é fazer como o ministro Sérgio Moro, que enfatiza a parceria com os estados, lembrando sempre que a redução de crimes precisa ser consolidada. Ganha desse modo a confiança de governadores e secretários, facilitando novas ações. O autoelogio revela vaidade, desejo de reconhecimento, quando o verdadeiro reconhecimento tem que vir de fora.

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Cem dias do governo Bolsonaro marcam nova relação entre o Ceará e Brasília

Por Wanfil em Política

11 de Abril de 2019

Adversários políticos no Ceará, juntos em solenidade de entrega de obras do programa Minha Casa, Minha Vida: nos primeiros 100 dias, tudo bem

Os 100 dias de Jair Bolsonaro na Presidência da República permitem visualizar tendências que apontam para mudanças no padrão de relacionamento – ou articulação, como gostam de dizer por aí – entre o governo estadual e o governo federal.

Nas gestões Lula e Dilma Rousseff a convivência entre essas instâncias, aliadas politicamente, foi marcada pela subserviência. O maior símbolo dessa condição foi a promessa não cumprida (porém apresentada em várias campanhas eleitorais e repetida ad nauseam em releases para a imprensa) de uma refina da Petrobras. Ninguém das gestões estaduais à época disse ou fez nada, nem mesmo quando se que a Petrobras foi impiedosamente roubada. Pelo contrário, aplaudiram e defenderam enquanto puderam a dupla que passou a perna nos cearenses.

Na breve gestão de Michel Temer, isso mudou. Os governistas locais batiam publicamente no presidente impopular e sem força, enquanto atuavam para garantir repasses federais junto a aliados do MDB (o mesmo partido de Temer) no Ceará.

Com Bolsonaro, devidamente eleito e com um grupo político afeito ao debate, a relação – nesses primeiros cem dias – finalmente ganhou algum traço de autonomia digna. No início houve o receio de que o Ceará pudesse sofrer retaliações por ter um governo de oposição (o governador Camilo Santana, do PT, não foi à posse de Bolsonaro), mas a parceria para enfrentar o crime organizado no Estado em janeiro foi muito bem conduzida, sem intermediações politiqueiras e com reconhecimento mútuo de respeito entre os envolvidos. Mérito de ambos.

O recente caso de Maracanaú sobre um projeto da Secretaria Nacional de Segurança Pública, se deu mais em função de interesses locais visando as eleições municipais do ano que vem, do que propriamente no processo de diálogo com o Ministério da Justiça.

Imóveis do programa Minha Casa Minha Vida também foram entregues sem problemas, com aliados e adversários do governo federal ocupando o mesmo espaço de forma civilizada.

O fato é que, por enquanto, divergências ideológicas e partidárias à parte, as interações entre Estado e União melhoraram de qualidade, com a temporária substituição da subordinação e do oportunismo por uma saudável noção de interdependência. A continuidade desse tipo de harmonia dependerá de muitos fatores, especialmente, com as pressões do calendário eleitoral, da forma como os programas, ações e obras federais serão trabalhadas pelas forças políticas estaduais. A tendência é que no próximo ano, os ânimos se acirrem.

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Camilo Santana divide palanque com bolsonaristas em evento no Ceará

Por Wanfil em Política

20 de Março de 2019

Gustavo Canuto ladeado por Camilo Santana (PT) e André Fernandes (PSL). (Foto: Min. do Desenvolvimento Regional)

Os tempos realmente são outros. O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, e o governador Camilo Santana (PT), entregaram nesta quarta-feira obras do programa Minha Casa Minha Vida em Fortaleza.

Em passado recente, deputados e vereadores da base aliada no Ceará disputavam cada centímetro de palanques armados para a solenidades dessa natureza. Agora é diferente. Pelo PT, apenas Camilo Santana. E pelo PDT compareceram, representando instituições, o prefeito Roberto Cláudio; o presidente da Assembleia Legislativa, José Sarto; o presidente da Câmara de Vereadores, Antônio Henrique; e o secretário estadual das Cidades, Zezinho Albuquerque.

O líder da bancada cearense na Câmara dos Deputados, Domingos Neto (PSD), também esteve no local, mas é figura neutra, já que sai governo, entra governo, é sempre governista. Nesse caso, o critério de convicções partidárias ou programáticas não conta.

Por falar em posicionamento político, outra parte do palanque estava ocupado por adversários dos Ferreira Gomes e do PT. O deputado federal Heitor Freire e pelos deputados estaduais André Fernandes e Delegado Cavalcante, todos do PSL, partido de Jair Bolsonaro, acompanharam o ministro. Aliás, uma imagem ilustrativa desse novo momento é ver Fernandes (que “viralizou” nas redes com um vídeo em que chamou o governador de frouxo) praticamente ao lado de Camilo.

O compartilhamento de palanques entre governistas e parlamentares opositores no Ceará não acontecia desde o governo de Lúcio Alcântara, então no PSDB, enquanto o governo federal estava com o PT. Por enquanto, o PSL trabalha para mostrar protagonismo. É preciso ver se eventuais alianças para as eleições do ano que vem podem levar outros partidos para as inaugurações e entregas federais.

De resto, apesar das diferenças políticas, tanto o governador Camilo Santana como o ministro Gustavo Canuto mostraram jogo de cintura, evitando constrangimentos e preservando a institucionalidade. É o que se espera de autoridades, sem que isso deixe de representar um importante sinal de alteração na correlação de forças partidárias no Ceará.

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As necessidades unem (temporariamente) o que as opiniões separam

Por Wanfil em Política

28 de Janeiro de 2019

“A necessidade une, as opiniões separam”. Vi esse ditado pesquisando, outro dia, se Platão realmente disse que “a necessidade é a mãe da invenção” (a discussão é longa, mas essa é outra história). Pois bem, vendo o noticiário dos últimos dias o tema ressurgiu no meu horizonte. Há momentos que casam à perfeição com provérbios. Vejamos.

Adversários no campo político, o governo do Ceará e o governo federal superam diferenças ideológicas para atender ao chamado de emergências administrativas.

A série de ataques coordenados por facções obrigou o estado a pedir ao Ministério da Justiça. Parlamentares de oposição ao governo petista se prontificaram para reforçar a interlocução com o Planalto. O governador Camilo Santana reconhece e elogia publicamente o apoio recebido e a responsabilidade compartilhada.

Partindo da mesma premissa, a equipe econômica de Jair Bolsonaro acena para a gestão estadual, convidando o deputado federal eleito Mauro Filho e coordenador do programa econômico na campanha presidencial de Ciro Gomes, para apresentar sua proposta de reforma para Previdência. Se algumas medidas forem acatadas no projeto, o PDT do Ceará pode contribuir com sua aprovação.

Após as eleições, havia uma certa expectativa, receio até, de que boicotes pudessem atrapalhar a relação entre a União e os entes federativos do Nordeste, todos alinhados com o lulismo. Por enquanto, e felizmente, não é o que se vê, muito pelo contrário.

A urgência no combate ao crime organizado dentro e fora dos presídios e no controle do rombo orçamentário federal são as necessidades que unem o que estava separado por opiniões políticas e ideológicas. Nada contra as divergências, que são importantes nas democracias. É questão de momento.

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Domínio das facções no Ceará não é crise, é rotina

Por Wanfil em Segurança

04 de Janeiro de 2019

Muito antes, mas muito antes mesmo, de o secretário da Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, dizer que o Estado é quem deve mandar no sistema prisional, as ondas de ataques organizados desde dentro das cadeias cearenses por facções criminosas já eram comuns. No atual contexto, sempre haverá um motivo para esses grupos pressionarem o governo estadual da forma que vem dando certo. Não é ruptura da ordem, é a ordem estabelecida. Desagradou o crime, tome fogo em ônibus e ataques a prédios públicos e privados. Qual a novidade? Nenhuma.

Foi assim durante todo o primeiro governo de Camilo Santana (PT), encerrado não por acaso com as mortes de seis reféns em Milagres, e que agora inicia o segundo mandato em meio a mais uma onda de ataques. É incrível como, diante da certeza de que facções estão dispostas a agir do mesmo modo quando contrariadas, não se tenha um procedimento emergencial nos presídios e nos locais onde esses bandos atuam.

A única esperança de que essa rotina não continue por mais quatro anos está no pedido de socorro feito pelo governador ao Ministério da Justiça, de Sérgio Moro (a quem Camilo acusou publicamente de ser parcial enquanto juiz). Claro que eventuais disputas políticas devem ser colocadas de lado, porém, é preciso entender que, administrativamente, o novo desenho institucional da pasta ainda está se concretizando. Em outras palavras, ao contrário das políticas estaduais de segurança pública, com os resultados conhecidos, a nova gestão federal ainda será testada. Que o Ceará seja o local para esse teste, infelizmente, também não é surpresa.

Aos leitores, informo que estou em final de férias, interrompidas brevemente para dividir essas reflexões com vocês.

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O contraste entre a emoção das eleições nacionais e a apatia no Ceará

Por Wanfil em Eleições 2018

03 de outubro de 2018

A dinâmica das campanhas e os processos de consolidação de voto nessas eleições refletem a confusão política no Brasil e no Ceará em particular.

A antecipação do chamado voto útil dá o tom na reta final das eleições presidenciais. De um lado o repúdio à corrupção, do outro a possibilidade de colocar pautas laterais no centro do debate, sem precisar atinar para temas como corrupção e recessão.

No meio do caminho ficaram Alckmin (o PSDB não foi mais assimilado pelo eleitor mais à direita), Marina Silva e Ciro Gomes, que por mais que se esforcem, são associados aos governos do PT, quando foram ministros.

No Ceará, curiosamente, o candidato a reeleição Camilo Santana não virou alvo dos eleitores que repudiam o petismo, muito provavelmente por ser mais associado ao grupo liderado por Ciro e Cid Gomes, do que ao próprio partido. De todo modo, o governador sempre foi petista e isso não foi explorado por seus adversários.

Ironicamente, o PT que boicotou a candidatura de Ciro (Lula impediu que partidos de esquerda se coligassem com o PDT) tem tudo para continuar nominalmente no comando do governo estadual, graças ao apoio do grupo de Ciro. Assim, Camilo consegue o voto de eleitores do PDT, mas os petistas priorizam a campanha de Haddad, em detrimento de Ciro. No meio de campo ainda tem o MDB de Eunício Oliveira, publicamente rejeitado por Ciro e pelo PT, mas que concorre com o apoio informal do PDT e do PT. É confuso? Sim. E muito.

Tanta confusão fez a lógica da negação, do voto contra, o combustível das eleições nacionais, e da apatia desolada, sem personalidade, a marca da eleição estadual.

(Texto publicado originalmente no portal Tribuna do Ceará)

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Propaganda eleitoral: Camilo fala em “coragem” e General Theophilo em “autoridade”

Por Wanfil em Eleições 2018

03 de setembro de 2018

(FOTO: Reprodução)

Os primeiros programas eleitorais e inserções de rádio e televisão na campanha para o Governo do Ceará mostraram as linhas de comunicação preparadas por cada equipe.

Camilo Santana

Com mais tempo de propaganda (seis minutos), o programa de Camilo Santana (PT) conseguiu abordar um conjunt0 maior de mensagens. A estética é a mesma de outras campanhas, com grande (e cara) qualidade técnica.

Em relação ao texto, é possível destacar três pontos. Primeiro, a preocupação com o novo. Nesse ponto, uma afirmação é ressaltada: “Um novo Ceará está surgindo e talvez você não saiba”. Clara tentativa de anular o apelo por novidade, que poderia beneficiar a oposição, sobretudo nesse momento de desconfiança em relação aos políticos.

Segundo, o destaque conferido para a expressão “de mãos dadas” e para a palavra “união”, ressaltando o perfil conciliador do candidato e justificando, por tabela, o acordo que reúne ex-adversários e até partidos criticados pelo PT.

Terceiro, a ênfase no substantivo “coragem”, grifado diversas vezes no programa e nas inserções. Parece uma vacina para rebater as acusações de que faltaria coragem ao governo para combater as facções, em referência ao tema segurança pública. Essas não foram citadas no programa.

General Theophilo

Pela oposição, o General Theophilo (PSDB), com dois minutos de programa, optou por um misto entre a apresentação de sua história de vida (foco principal do material) e preocupação com saúde e segurança.

Sem ataques mais contundentes (para não antipatizar), o discurso procurou enfatizar a necessidade de um novo perfil de gestor, com mais “autoridade” e capacidade de “botar a casa em ordem”. As facções foram citadas como principal  problema a ser enfrentado na área de segurança.

Um segundo plano de mensagens foi trabalhado, sem menções diretas, buscando o eleitor que rejeita a hegemonia política dos Ferreira Gomes, que pode ser resumido no próprio nome da coligação da oposição: “Tá na hora de mudar”.

Ailton Lopes

O candidato Ailton Lopes, do PSOL, preferiu falar, nos seus 17 segundos, sobre temas como o uso de“agrotóxicos” ou “falso moralismo”, sem poder, pela limitação de tempo, aprofundar os temas.

Próximos capítulos

Os demais candidatos ainda esperam juntar tempo suficiente para tentar passar suas mensagens. A disputa agora consistirá em tentar pautar os principais temas e os tons do debate eleitoral. A ver.

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Foi Camilo quem pediu votos prometendo uma política de segurança pública. Se não cumpriu…

Por Wanfil em Segurança

31 de Janeiro de 2018

O empenho da gestão Camilo Santana em terceirizar responsabilidades pelo caos na segurança pública do Ceará é tão intenso e nervoso que acaba tendo efeito contrário, fica parecendo desculpa. Ainda mais quando nenhuma autocrítica é feita. Inacreditavelmente governador e assessores (muitos sem experiência política) insistem em dizer que as melhores medidas foram adotadas, que tudo está sob controle e coisas do tipo, sem explicar como tantos acertos conseguiram produzir os piores índices para a área. O discurso não se encaixa nos fatos, isso é óbvio.

Na ânsia de projetar falhas nos outros, o governo esquece de reconhecer os próprios equívocos. Isso não exime o Governo Federal de sua parcela de responsabilidade nesse quadro. O problema é que da forma como o assunto é denunciado por autoridades locais, e na medida em que o governo Federal diz que pode ajudar se o Estado pedir, a impressão é de que todos estão mais preocupados nesse momento de crise em fugir de cobranças do que em resolver mesmo o problema.

Sem contar que os discursos do presente não combinam com as abordagens de outros momentos, principalmente os períodos eleitorais, o que aumenta a desconfiança geral. Se hoje o Governo do Ceará reclama ostensivamente do Governo Federal, é bom lembrar que até 2016 (ano do impeachment) isso era proibido, por pura conveniência política, pois as estatísticas no Estado já estavam entre as piores do país desde 2007, sem que jamais os então aliados do Palácio do Planalto associassem segurança pública com as gestões Lula ou Dilma. Se antes não havia conexão direta, agora fica complicado tentar estabelecê-la.

Outro ponto: entre o final do governo Cid e o início da gestão Camilo, quando houve uma breve redução nos homicídios, resultado de um frágil acordo entre as facções (que o governo negava na intenção de levar todos os méritos), ninguém do Executivo parabenizou o Judiciário, o Legislativo ou a Polícia federal. Era tudo pois obra do governo estadual. Assim, por que não haveria também de ser quando as coisas pioram?

Por último, nas campanhas eleitorais os principais candidatos sempre destacam o protagonismo do Estado nas políticas de segurança, prometendo ações, programas e liderança. Com Camilo não foi diferente. Por isso tudo, a repentina lembrança de que existe uma divisão de responsabilidades acaba com jeito de tentativa de inverter culpas.

Não adianta. Quem prometeu e não cumpriu sempre estará em dívida. Fica a lição para as próximas eleições.

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Omissões da oposição pavimentam caminho para a reeleição de Camilo

Por Wanfil em Política

08 de agosto de 2017

Dispersa, oposição deixa caminho livre para o governo

O site do Governo do Ceará informa: “Governador reúne secretários para balanço do semestre e projeta execução de 1.400 obras no Estado“. O texto da matéria reforça o título: No encontro, foram destacadas as mais de 1.400 obras em andamento no Estado. Como ainda estão em andamento, é lítico concluir que as obras ainda por iniciar e as que já foram concluídas não constam dessa lista. E o próprio governador Camilo Santana ressaltou o que isso significa: No momento difícil que o Brasil vive, o Ceará tem ampliado os serviços.

Tudo isso é tão bacana que instiga a curiosidade. Que obras são essas? Onde estão sendo feitas? Qual o impacto delas? Reparo de adutora mal construída é obra em andamento? Conserto de teto de quadra esportiva que desabou é obra em andamento a constar na listagem de ações que demonstram a operacionalidade e competência da gestão? Não se trata de acusar, mas apenas de lembrar que informações oficiais precisam de critérios que possam avaliar a necessidade, a relação custo-benefício e a qualidade dos investimentos feitos com dinheiro público.

Certamente há méritos em muitos projetos, como também existem problemas em muitos outros. Além do mais, é importante saber se existem desequilíbrios na distribuição desses investimentos pelas regiões e municípios do Ceará. Será que a Região Norte, onde brilha Sobral, recebe mais recursos que o Cariri, de Barbalha, terra do governador? E o Sertão Central? Interesses políticos ou ausência de planejamento podem beneficiar uma área em detrimento de outra. Quem sabe, né?

Caberia à oposição fiscalizar isso. Mas com o PMDB rachado, o PSDB quase extinto, e com os deputados Heitor Férrer (PSB) e Capitão Wagner (PR) atuando isolados, no varejo, sem uma ação estratégica para o atacado, a oposição deita em berço esplêndido esperando as eleições do próximo ano. Sem contraponto ao seu discurso, o governo agradece. Ter uma oposição que não incomoda é o caminho mais curto para uma reeleição.

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Reforma administrativa no Ceará: sem a crise, não existiria

Por Wanfil em Ceará

31 de Março de 2017

A reforma administrativa aprovada pela Assembleia Legislativa, de autoria do governo estadual, corta secretarias e reduz nada menos que 25% dos cargos comissionados. Foram riscados do mapa a Secretaria de Relações Institucionais e Já o Instituto de Desenvolvimento das Cidades (Ideci). Casa Militar e o Conselho Estadual de Educação perderam a condição de secretarias, sendo incorporadas pelo Gabinete do Governador.

O objetivo, segundo o governo, é aliar maior eficiência com economia de recursos. Não deixa de ser, também, a admissão tímida de que existiam enormes folgas na máquina pública cearense comprometendo a eficácia da gestão. Folgas deliberadamente criadas para acomodar aliados na locomotiva governista.

O ajuste, portanto, é positivo, mas infelizmente não resulta de uma nova base conceitual sobre a estrutura administrativa. no fundo, a mudança foi impelida pela necessidade de respostas à crise econômica (sem isso, tudo seguiria como estava, com possibilidade de aumento nos desperdícios). É adaptação com vistas à sobrevivência. Ou como dizia minha vó, a dor ensina a gemer.

De todo modo, a mudança é bem-vinda, afinal, descarta excessos que simplesmente não deveriam existir. Poderia, na verdade, ter sido maior. Poderia ainda servir de exemplo para o Judiciário e o Legislativo estaduais.

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Reforma administrativa no Ceará: sem a crise, não existiria

Por Wanfil em Ceará

31 de Março de 2017

A reforma administrativa aprovada pela Assembleia Legislativa, de autoria do governo estadual, corta secretarias e reduz nada menos que 25% dos cargos comissionados. Foram riscados do mapa a Secretaria de Relações Institucionais e Já o Instituto de Desenvolvimento das Cidades (Ideci). Casa Militar e o Conselho Estadual de Educação perderam a condição de secretarias, sendo incorporadas pelo Gabinete do Governador.

O objetivo, segundo o governo, é aliar maior eficiência com economia de recursos. Não deixa de ser, também, a admissão tímida de que existiam enormes folgas na máquina pública cearense comprometendo a eficácia da gestão. Folgas deliberadamente criadas para acomodar aliados na locomotiva governista.

O ajuste, portanto, é positivo, mas infelizmente não resulta de uma nova base conceitual sobre a estrutura administrativa. no fundo, a mudança foi impelida pela necessidade de respostas à crise econômica (sem isso, tudo seguiria como estava, com possibilidade de aumento nos desperdícios). É adaptação com vistas à sobrevivência. Ou como dizia minha vó, a dor ensina a gemer.

De todo modo, a mudança é bem-vinda, afinal, descarta excessos que simplesmente não deveriam existir. Poderia, na verdade, ter sido maior. Poderia ainda servir de exemplo para o Judiciário e o Legislativo estaduais.