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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

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100 dias de Camilo, sem perdão

Por Wanfil em Ceará

10 de Abril de 2015

A gestão Camilo Santana (PT) completa 100 dias neste 10 de abril. A marca possui um valor simbólico para efeito de avaliação, pois seria o tempo necessário para que o público conferir os rumos e o ritmo do novo governo. Sendo assim, vejamos a situação dentro dessa, digamos, tradição analítica.

Marcado pela crise
A crise econômica aguda que o país atravessa, obrigando o governo estadual a determinar ajustes nas contas e cortes de gastos logo de saída, turva o ambiente. Se algum programa atrasa pagamentos ou uma obra estoura o prazo, tudo pode, afinal, ser debitado na conta da retração econômica. Governadores podem dizer: “Se não fossem nossas ações, estaria pior”. Como não há base de comparação, já que nos anos anteriores a situação era diferente, será preciso aguardar mais algum tempo para que possamos ter a real dimensão de como esse cenário afeta a administração, comparando o desempenho do Ceará com de outros estados nordestinos.

Herança e silêncio
Outro ponto a levar em consideração é que erros da gestão anterior caíram no colo da atual que, por ser de continuidade, não pode reclamar. Erros como o passivo na segurança pública ou a falta de recursos para tocar os hospitais regionais, ou ainda problemas em licitações para o VLT. Herança agravada pela queda de repasses federais.

Estilo pessoal
No entanto, no que diz respeito ao estilo pessoal do governador, é possível anotar diferenças em relação ao antecessor Cid Gomes, que acabam influenciando a condução do governo.

O relacionamento com servidores, imprensa e com a oposição parece mais cordato, com menos crises e mais diálogo. No entanto, a gestão ainda está no começo, período em que esses interlocutores ainda estão motivados pela esperança de ver seus pleitos atendidos.

Na medida em que impasses forem surgindo, é que veremos a habilidade de Camilo em situações de negociação sob pressão. Na hora de cobrar compensações pelo golpe da refinaria, o estilo não funcionou.

100, sem
Assim como o número sem possui um valor simbólico para a crônica política, a preposição “sem” acabou sendo adotado como uma espécie de contraposição ao numeral, para destacar a ausência ou carência de realizações, serviços, iniciativas, e por aí vai. Então vamos embarcar nessa variante para não perder a chance de provocar o senso crítico.

100 dias, sem água;
100 dias, sem transposição;
100 dias, sem refinaria;
100 dias, sem verbas;
100 dias, sem ministro;
100 dias, sem empregos;
100 dias, sem presidente.

Conclusão: dinheiro, inclusive o público, não aceita desaforo. A economia não perdoa. Agora o Ceará, sob nova administração, vive a expectativa e as incertezas de uma crise criada pelo governo Dilma Rousseff.

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A primeira semana do segundo turno: surpresa, corrupção e mudanças

Por Wanfil em Eleições 2014

11 de outubro de 2014

mudanças

Todos falam em mudar, até quem deseja continuar.

A primeira semana do segundo turno pode ser resumida assim:

Presidência do Brasil – O candidato Aécio Neves, do PSDB, surpreendeu ao aparecer na liderança em todas as pesquisas divulgadas na semana. Sua propaganda, naturalmente, procurou refletir esse movimento ascendente, apresentando diversas lideranças e outros candidatos que declararam apoio agora, no início do segundo turno. Nessa linha, se apresenta como a verdadeira mudança e por aí vai.

A candidata à reeleição Dilma Rousseff, do PT, começou a semana buscando despertar o medo no eleitorado em relação ao adversário, especialmente na área econômica. Como o país vive uma recessão técnica, a solução é se agarrar aos índices de desemprego, que ainda são baixos (mas que já começam a declinar, segundo o IBGE). No entanto, com as graves denúncias na deleção premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa lançando suspeitas sobre o financiamento da campanha presidencial do PT em 2010, Dilma precisou mudar a abordagem em seu programa no final da semana, colocando a corrupção no centro do debate, dizendo que não tolera desvios e que, nesse caso em particular, desconfia de denúncias feitas em período eleitoral.

Governo do Ceará – O candidato Camilo Santana, do PT, buscou em seu programa enaltecer o fato de ter chegado à frente no primeiro turno, ao contrário do que mostravam as pesquisas, embora houvesse empate técnico. Para não mostrar que a diferença foi apertada, de 1,4%, seu programa exalta os números absolutos, que dão a impressão de ter sido maior a distância. De resto, não abordou a polêmica da suposta milícia que teria agido contra sua campanha no Ceará, conforme alardeia e garante Ciro Gomes. Na verdade, Camilo evita a todo custo entrar em discussões, principalmente as que envolvem segurança pública, pior área da gestão.

Eunício Oliveira, do PMDB, conseguiu manter o acordo de neutralidade feito com Lula e Dilma. Na propaganda, denuncia uso da máquina com alusões a casos de compra de votos e abuso do poder político, mostrando, inclusive, o governador Cid Gomes atuando em defesa de um vereador preso em Sobral no dia da eleição. A ideia parece ser a de intensificar a rejeição do eleitor ao estilo da família Ferreira Gomes.

Todos querem mesmo mudar?
Em comum nos programas eleitorais de todos esses candidatos há o discurso de mudança. A oposição, por motivos óbvios, já que é seu dever mostrar-se diferente para viabilizar-se como alternativa; a situação, por conveniência, uma vez que deseja mesmo é evitar grandes alterações. Isso é compreensível, na medida em que o resultado das urnas mostraram que a some de votos para opositores superou o desempenho dos candidatos governistas, deixando as disputas acirradas e imprevisíveis até o momento.

Dilma chega a falar em “novo governo, novas ideias”, como se fosse assim um alter ego da presidente em exercício, e Camilo afirma que irá melhorar o que não foi bem. O desafio aí é explicar ao eleitor como mesmo estando no poder, os governos não fizeram antes as correções de rumo ou impediram o agravamento de problemas (economia e segurança pública, sobretudo). Afinal, estavam esperando o quê?

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Ibope: Cid é aprovado pelos cearenses com nota 5,2; mas governo é reprovado com 3,8

Por Wanfil em Pesquisa

14 de dezembro de 2013

O Ibope divulgou pesquisa de opinião nesta sexta-feira (13) para avaliar a popularidade do governo federal e dos governos estaduais em todo o Brasil. O levantamento foi encomendado pela Confederação Nacional da Indústria e tem margem de erros de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Raio X no Ceará

No Ceará, o resultado foi o seguinte: 52% dos entrevistados aprovam a maneira de Cid Gomes governar e 48% confiam no governador, mas o índice dos que consideram governo bom cai para 34% e para 4% entre os que o entendem como ótimo. Com efeito, existe muita gente que gosta do governador mas que avaliam a gestão como regular (34%), além dos que a consideram ruim (9%) ou péssima (11%). Levando em conta a anemia e a desorganização da oposição, é uma situação pouco confortável.

De qualquer modo, como podemos ver, o governador Cid Gomes é maior do que seu próprio governo. Existe aí um fenômeno de dissociação que é algo comum nesse tipo de pesquisa. O brasileiro costuma a ser mais benevolente com as pessoas e mais rigorosos com os governos. É como o professor que simpatiza com o aluno, mas que apesar disso não pode aprová-lo.

Assim, na avaliação dos cearenses, o que temos, em termo mais populares, é mais ou menos isso: metade dos cearenses gostam da imagem pública do indivíduo Cid Gomes e o consideram mesmo um bom sujeito, mas somente 38% estão satisfeitos com seu governo.

No contexto, desempenho é mediano

Apesar de não ser uma grande aprovação, é preciso situar esse desempenho no contexto geral do país. Comparado a outros estados, o Ceará fica na 10ª posição, o que, convenhamos, não é ruim. Pelo contrário, se considerarmos que este ano foi marcado politicamente pelos protestos de junho, quando os brasileiros foram às ruas dizer que não confiam em seus representantes.

No entanto, se a base de comparação for o governo de Pernambuco, de Eduardo Campos (PSB), ou o desempenho local do governo federal, aí a coisa muda de figura.

A gestão de Campos é aprovada por 58% dos pernambucanos, uma vantagem de 20 pontos para o ex-aliado Cid, hoje no Pros. Já 59% dos cearenses aprovam a gestão da presidente Dilma (nacionalmente, esse número cai para 43%). São 21 pontos percentuais de diferença para o governo estadual.

O peso da Segurança e Saúde

A explicação para isso pode estar em dois setores sensíveis para a população. Segundo o Ibope, o Ceará apresenta o segundo maior percentual de moradores que escolheram a Segurança Pública como área de pior desempenho em seu estado, com 55%, seguida de 38% que acham que o combate às drogas é a maior falha do governo. É um desgaste considerável.

Papara os cearenses, pior do que a insegurança só mesmo o serviço estadual de saúde, apontado como ponto fraco da gestão por 61% dos entrevistados.

No geral, independente de qual é a pior área, saúde e segurança no estado são reprovadas por 72% da população. É muito.

 Conclusão

Os números da pesquisa Ibope jogam luzes sobre recentes decisões administrativas e políticas do governador Cid Gomes.

Primeiro, a popularidade maior do governo Dilma no Ceará (superando o governo estadual) explica em boa medida a “lealdade” no apoio à reeleição da petista, em detrimento das pretensões de Eduardo Campos. O pernambucano não transfere votos no Ceará, ao contrário da presidente, além, claro, do tradicional apelo da máquina.

Segundo, as mudanças nas pastas da Segurança e da Saúde, com Ciro Gomes atuando como consultor na primeira e depois assumindo a segunda, mostra claramente que o sinal vermelho acendeu neste semestre.

A sorte da gestão Cid é não ter, como foi dito, uma oposição de peso, organizada, pois as fissuras que podem abalar as estruturas do seu apoio popular estão aí. Por enquanto, a pesquisa mostra que as pessoas até entendem que existe boa intenção nas ações do governo, mas começam a mostrar que não há como ficar satisfeito quando os resultados não aparecem.

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Enquanto isso, no Ceará…

Por Wanfil em Ceará

30 de outubro de 2013

Em sua página pessoal na rede social Facebook, o governador Cid Gomes apresentou, na última terça-feira (29), imagens de obras e projetos no Ceará. Uma maquete eletrônica dá uma ideia de como deverá ficar o antigo Centro de Convenções após reforma feita em parceria com uma universidade privada; e fotos mostram parte das obras do VLT da Avenida Aguanambi, também na capital, e o início do 1º trecho do Cinturão das Águas.

Veja as fotos:

VLT Fortaleza - Divulgação
Cinturão das Águas - Divulgação
Centro de Convenções Maquete - Divulgação
Maquete do Centro de Convenções 2 - Divulgação

Enquanto isso…

Algumas horas antes, no mesmo dia, cerca de 10 homens fortemente armados assaltaram uma agência do Bradesco em Paraípaba, no litoral oeste do Estado. Na ação, renderam a delegacia da cidade, metralharam a viatura e fizeram um policial de refém. Humilhante.

De acordo com o Sindicato dos Bancários, este foi o o 123º ataque a banco no Ceará somente em 2013 (levando-se em conta casos de saidinhas e chegadinhas bancárias, quando são registrados). Na última sexta-feira (25), um grupo de 15 homens explodiu um caixa eletrônico do Banco do Brasil em Penaforte. No início do mês, uma ação semelhante aconteceu em Frecheirinha.

Informalmente, agente estaduais afirmam que os criminosos não assaltam agências da Caixa Econômica para evitar confronto com a Polícia Federal.

Confira as imagens:

Assalto ao Bradesco de Paraipaba (CE)
Assalto ao Banco do Brasil em Penaforte - Foto Carlinhos
Assalto ao BB de Frecheirinha FOTO Marcos Mesquita
Assalto ao BB de Frecheirinha 2 - FOTO Marcos Mesquita

Contraste

Nada pode expressar melhor a nossa realidade do que esse descompasso: enquanto o governador mostra, de boa fé e com visível entusiasmo, obras e maquetes, literalmente o pau canta no Ceará, com o estabelecimento desse “novo cangaço”.

Ninguém em sã consciência é contra obras, desde que estas sejam feitas de forma transparente e casem com as necessidades da população. Eu poderia aplaudi-las e fechar os olhos para isso ou aquilo, só para mostrar otimismo. É fácil, gera simpatia e amigos no governo. Mas ocorre que as pessoas comuns, essas que não possuem cargo comissionado em secretarias ou prefeituras, estão mesmo aflitas é com a insegurança no Ceará. Esse é o ponto.

Reconhecer o que se faz não resolve o que se falta fazer

As ações mostradas no Facebook do governador são boas notícias, sem dúvida. Nos últimos dias, aliados do governo e o próprio Cid passaram a ironizar os que supostamente “não deixam fazer” ou “reclamam quando se faz”. É uma boçalidade compreensível, pois todo governo tem algo para mostrar e fica ansioso com isso. Mas fazer é obrigação e cobrar que seja bem feito não é reclamar, é fiscalizar. Não se trata de um jogo entre contentes e descontentes, mas de definição de prioridades, o que gera, naturalmente, debates.

No fim, fazer é melhor do que não fazer, e eu quero mesmo é que se faça mais. Sou sincero quando parabenizo a iniciativa do Cinturão das Águas, ainda que a promessa comece a ser cumprida somente no penúltimo ano da atual gestão. (A obra será concluída somente para a próxima seca, mas coincide com o calendário eleitoral. Olha aí eu reclamando quando fazem, ô coisa).

O fato é que por mais que muito seja feito ou sonhado, a impotência do governo na área de segurança pública é uma realidade que embaça qualquer outra ação. Que venha agora, portanto, o cinturão da paz. E urgente!

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Que é plebiscito?, perguntou Manduca ao senhor Rodrigues

Por Wanfil em Crônica

01 de julho de 2013

O conto Plebiscito, de Arthur Azevedo, vai no cerne da questão: a fusão de inépcia e política.

O conto Plebiscito, de Arthur Azevedo, vai no cerne da questão: a fusão de inépcia e política.

O escritor Artur Azevedo é o autor de um pequeno conto, publicado no final do século 19, que  ilustra perfeitamente o espírito com o qual o governo brasileiro propõe, nesta segunda década do século 21, um plebiscito para saber da população (não existe definição a respeito) algo sobre a necessidade de uma reforma política no país.

A ideia é uma forma de tentar mostrar que as autoridades, depois de inúmeros protestos, agora querem ouvir as massas. Mas, como sempre, onde deveria haver rigor, tem-se o improviso; no lugar do senso de responsabilidade, surge o oportunismo; e fazendo o papel de estadista, a irresponsabilidade.

O título do texto — Plebiscito — é mais do que uma coincidência semântica entre ficção e realidade. Se o leitor comparar os personagens da obra com figuras do presente, verá o retrato de um modo de ver as formalidades institucionais no Brasil, que perdura no tempo.

No lugar do menino Manduca, o povo brasileiro; no do Sr. Rodrigues, a presidente Dilma Rousseff; no de Dona Bernadina, a imprensa. Pronto, teremos atualizada, uma bela alegoria sobre a pantomima do plebiscito nos dias que correm.

— ∫ —

PLEBISCITO / Arthur Azevedo

A cena passa-se em 1890.

A família está toda reunida na sala de jantar.

O senhor Rodrigues palita os dentes, repimpado numa cadeira de balanço. Acabou de comer como um abade.

Dona Bernardina, sua esposa, está muito entretida a limpar a gaiola de um canário belga.

Os pequenos são dois, um menino e uma menina. Ela distrai-se a olhar para o canário. Ele, encostado à mesa, os pés cruzados, lê com muita atenção uma das nossas folhas diárias.

Silêncio

De repente, o menino levanta a cabeça e pergunta:

— Papai, que é plebiscito?

O senhor Rodrigues fecha os olhos imediatamente para fingir que dorme.

O pequeno insiste:

— Papai?

Pausa:

— Papai?

Dona Bernardina intervém:

— Ó seu Rodrigues, Manduca está lhe chamando. Não durma depois do jantar, que lhe faz mal.

O senhor Rodrigues não tem remédio senão abrir os olhos.

— Que é? que desejam vocês?

— Eu queria que papai me dissesse o que é plebiscito.

— Ora essa, rapaz! Então tu vais fazer doze anos e não sabes ainda o que é plebiscito? Leia mais

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Segurança Pública: bons exemplos não faltam

Por Wanfil em Segurança

23 de Maio de 2013

Aconteceu o indesejável, o tosco, o deplorável: o debate sobre a onda de criminalidade no Ceará perdeu qualquer sentido prático e descambou em baixaria infrutífera. No lugar da lógica, a confusão que turva a realidade. Autoridades, deputados e vereadores, abordam o tema, mas não como objeto de políticas públicas e sim como espetáculo de intrigas, sem que nada seja produzido ajuda para amenizar o problema.

Tudo isso apesar do clamor geral da população, do medo generalizado, das mortes e dos assaltos. O ex-governador Ciro Gomes e a deputada Patrícia Saboya se valem de xingamentos para criticar o vereador Capitão Wagner. Opositores do governo retrucam em linguagem parecida. É um festival de “picareta”, “marginal”, “desocupado”, entre outros adjetivos de igual qualidade. Produz-se assim um fogo sem calor e sem luz, mas que basta para encobrir a realidade e mudar o foco das discussões, enquanto o cidadão continua aí refém dos bandidos.

Direto ao ponto

As brigas que tomam o noticiário, fortes nas aparências mas vazias de conteúdo, contribuem para misturar alhos com bugalhos e diluir responsabilidades. E aí é preciso voltar à realidade: é dever do governo, nesse momento crítico, resgatar a razão e colocar o interesse público de volta no centro do debate. Nesse sentido, esse papel cabe ao próprio governador Cid Gomes. É dele que se espera um sonoro “por que não te calas?” dirigido aos que atrapalham a condução de uma saída para a situação que constrange seu governo e a sociedade.

Apesar de ver equívocos de lado a lado, não tomo partido, nem digo que o governo deva agir contra suas convicções ou que policiais esqueçam suas reivindicações. Agir assim seria repetir a tática dos brigões. Ressalto apenas que uma trégua temporária é uma necessidade diante do quadro crítico na segurança.

Bons exemplos de civilidade e eficácia

O tempo e a energia desperdiçados até agora poderiam ser utilizados na mobilização de uma ampla frente de combate ao crime. Exemplos não faltam, como mostra a série especial Por um Ceará mais Seguro, do Sistema Jangadeiro.

No Rio de Janeiro as Unidades de Polícia Pacificadora ocuparam territórios dominados por traficantes e implantaram um policiamento mais próximo da comunidade. Em entrevista à rádio Tribuna BandNews, o secretário de Segurança do Rio, José Beltrame, explicou que a operação envolveu o Ministério Público, o Judiciário, ONGs e associações de moradores.

Em Pernambuco os elevados índices de homicídios recuaram após uma ação que reuniu governo, Legislativo, Judiciário e sociedade civil. As forças policiais mapearam as regiões mais violentas de Recife e tiraram de circulação os elementos mais perigosos. Depois uma força-tarefa de 14 secretarias atuaram em cima de problemas sociais que fragilizavam essas regiões. (Sobre isso, recomendo o artigo Oito das tantas perguntas sobre a insegurança em Fortaleza, do jornalista Hélcio Brasileiro).

Em São Paulo o governo anunciou um plano de metas vinculado ao pagamento de prêmios aos policiais que conseguirem cumpri-las. Se vai dar certo ou não, isso é uma incógnita, e há quem o critique. Mas o fato é que lá, onde os índices são bem inferiores aos registrados no Ceará, as autoridades vieram a público dar algum encaminhamento à questão.

Trabalho conjunto

Em todos esses casos, o que fica evidente é que os esforços foram coordenados por seus governos estaduais e contaram com a consciência de que algumas situações exigem o pragmatismo da união de competências.

No Ceará, perde-se tempo, perdem-se vidas, perde-se paz. Bem vistos os exemplos acima, o governo cearense e seus aliados tem nas mãos carta branca da sociedade para agir, mas não sabe o que fazer com ela, ocupados que estão em brigas de comadres.

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A eterna dependência dos ‘viciados’ no Bolsa Família

Por Wanfil em Brasil

20 de Maio de 2013

"Mas doutô uma esmola a um homem qui é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão". Luís Gonzaga - Vozes da Seca

“Mas doutô uma esmola a um homem qui é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. Luíz Gonzaga – Vozes da Seca

Assim como viciados que temem perder os psicotrópicos dos quais dependem entram em estado de pânico, miseráveis cadastrados no programa Bolsa Família se desesperaram com os boatos de que os repasses desses recursos seriam suspensos. A analogia com as drogas não é literal e possui limites: não se trata da dependência química que escraviza o corpo, mas da sujeição psicológica que limita a autonomia dos indivíduos.

A reação dos beneficiários do programa (foram registrados tumultos em 34 agências somente no Ceará) revela o nível de subordinação desses grupos em relação ao Estado brasileiro. Sem a benesse, o desespero vigora, não sem razão, especialmente no Nordeste, onde a pobreza é maior e a seca castiga a região.

Se a pobreza diminui, por que o Bolsa Família cresce tanto?

Mas por que tanto receio, se uma sucessão de governos, desde Fernando Henrique, passando por Lula e chegando à Dilma, não cansa de comemorar recordes na geração de empregos e na redução da pobreza? Se tudo melhorou, como explicar que o número de pessoas assistidas pelo Bolsa Família não para de crescer? Em 2013, serão 50 milhões de pessoas. Vamos às respostas.

Em primeiro lugar, se por um lado o Bolsa Família é indiscutivelmente importante para mitigar o estado de pobreza de milhões de famílias, por outro é um poderoso instrumento eleitoreiro. Voltando à analogia com as drogas, assim como um traficante oferece seu produto gratuitamente no início para viciar seu cliente e só então lhe impor preços cada vez maiores, os governantes oferecem dinheiro de graça para as pessoas para depois cobrar-lhes a ‘caridade’ com pedidos de votos, sob a insinuação de que sem isso a ajuda acaba. Para completar, como dizia o jornalista Themístocles de Castro, quem distribui dinheiro será sempre popular. Nessa equação, o medo e a gratidão se convertem em votos.

Deriva disso, em segundo lugar, que se essa relação de dependência é benéfica aos governos, interessa pois mantê-la pelo maior tempo possível. É melhor um eleitor grato e temeroso de perder a ajuda oficial do que um que consiga viver do próprio trabalho. Em resumo, o que vendem como solução para a pobreza não passa de um paliativo que ameniza os seus efeitos mais imediatos, sem atingir-lhe as causas principais.

Cultura paternalista

Teoricamente, o Bolsa Família e outros programas de mesma inspiração deveriam servir como compensação para as vítimas de uma exclusão social histórica, enquanto as gerações seguintes são preparadas para ter, finalmente, a sonhada autonomia financeira. Mas no Brasil essa lógica foi invertida e criamos uma legião de dependentes da ajuda do papai-estado que já acredita serem credora de um direito natural e não beneficiária de uma ajuda temporária. E uma vez eliminada a gratidão das primeiras gerações, seus descendentes, estagnados na condição de pedintes reféns dos governos, cultivarão ressentimentos profundos que podem muito bem ser canalizados em espasmos de violência gratuita. Aliás, já estamos observando esse fenômeno, basta ver o crescimento da criminalidade juvenil.

Essa condição avilta o espírito porque, como eu disse, escraviza a vontade. O governo rapidamente veio a público garantir que os benefícios estão mantidos, com aquele tom de benfeitor infalível típico de uma cultura política paternalista como a brasileira.

O Bolsa Família não vai acabar porque é instrumento útil nas eleições. Porque é solução simples e barata. Porque vicia o cidadão e os governantes. Os efeitos dessa adulteração podem ser camuflados por um tempo, mas não para sempre.

PS. O governo afirmar que investigará de onde partiram os boatos. Muitas são as possibilidades. Nesses casos, sempre me pergunto: quem se beneficia com o medo que se espalhou? E depois completo: Quem aparece como fiador da estabilidade?

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A desconfiança mútua entre comandantes e comandados só piora a crise de segurança no Ceará

Por Wanfil em Segurança

13 de Maio de 2013

Os problemas atualmente constatados na área de Segurança Pública no Ceará já configuram, para análises futuras de historiadores, uma página de constrangedora ironia para um governo que ascendeu ao poder justamente prometendo um policiamento mais eficaz e humano, o que pressupõe uma relação harmônica entre o Estado e as suas forças policiais. Apesar dos investimentos e das boas intenções, aconteceu o contrário: as relações entre as partes degeneraram a ponto de não haver mais tempo hábil para uma conciliação até o final da atual gestão, isso num ambiente onde os índices de criminalidade registram inédito aumento na criminalidade.

Canais obstruídos

A situação é de tal maneira inusitada que o governador Cid Gomes se comprometeu a receber um grupo formado por esposas de policiais militares para uma audiência de reivindicações, após elas terem realizado mais um protesto em Fortaleza. Cid as receberá, contudo, desde que novas manifestações não aconteçam e com a ressalva de que qualquer menção a uma nova greve da polícia será devidamente tratada como motim, o que me parece lógico.

Por outro lado, e em sentido contrário, o deputado Capitão Wagner, eleito após se notabilizar na greve da PM em 2012, diz que os militares não são recebidos pelo secretário Francisco Bezerra e já fala em possibilidade de nova paralisação, o que soa, por mais que ele negue, uma ameaça.

É evidente que o canal de diálogo entre comandados e comandantes está obstruído, de tal modo que é preciso se valer das esposas dos membros da categoria para tentar alguma conversação. Ora, elas não constam dos quadros das forças policiais e não são servidoras do Estado, portanto, qualquer acordo fechado com elas necessita não possuirá validade legal. Mais do que isso, a situação revela que a autoridade do governo sobre as forças policiais não existe mais, o que abre as portas para o imprevisível.

O preceito do interesse público

Nesse imbróglio, existem questões pertinentes que devem ser observadas, mas que demandariam um texto mais longo, o que não é o caso agora. Temas como hierarquia militar, planejamento orçamentário, eficácia gerencial, doutrina de segurança estabelecida em metas, legislação, condições de trabalho para o efetivo policial, entre outros. Tudo, no entanto, é bom lembrar, deve estar subordinado a um preceito elementar: o interesse público na preservação da ordem e da segurança da população.

O governo deveria desobstruir os canais de diálogos e se mostrar aberto a ouvir críticas e sugestões, mas se fecha desconfiado. Da mesma forma, policiais deveriam ir para a mesa de negociação desarmados (no sentido figurado), dispostos a entender eventuais limitações do poder público, cientes ainda de que, na condição de militares, existem limites legais para suas formas de reivindicação. Sobretudo, as partes precisam se respeitar para que a situação da segurança pública, que é responsabilidade de ambos, não deteriore ainda mais.

O inaceitável é a aposta, dos dois lados, de que o medo das pessoas possa servir de instrumento de pressão política.

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Paciência tem limite!

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

25 de Abril de 2013

Agricultores bloqueiam diversas rodovias no Ceará para protestar contra a demora nas ações de combate à seca. No mérito da questão, fazem coro às reclamações feitas recentemente por empresários cearenses em uma carta para a presidente Dilma.

Em Fortaleza, motoristas e trocadores de ônibus paralisam terminais rodoviários em protesto contra a violência, depois que um motorista foi baleado no olho por um adolescente em mais um assalto.

Essas manifestações possuem um objetivo comum: exigir soluções para problemas gravíssimos e de conhecimento geral. Devem, ou deveriam, servir também de alerta aos gestores.

É que nos últimos anos, as únicas instâncias que cobravam isso ou aquilo do poder público eram o Ministério Público e a imprensa. Tanto que, não por acaso, projetos de lei que visam coibir a ação de ambos tramitam no Congresso Nacional.

Agora, setores da sociedade se organizam para fazer, eles próprios, essas cobranças que, aliás, são justíssimas. E não adianta culpar a oposição, porque essa, coitada, não consegue mobilizar ninguém mesmo. Também não adianta fingir que o problema não existe, pois isso apenas demonstraria que os responsáveis pela situação não sabem como resolvê-lo.

Os governos podem fazer muitas coisas, como estádios para copas, shows internacionais, promover torneios de luta e até construir hospitais, o que seja, mas tudo isso acaba menor quando a insegurança e a fome batem à porta das pessoas.

Propagandas e discursos podem até servir para ganhar algum tempo, mas os fatos, sempre os fatos, acabam se impondo. É quando a paciência do distinto público, não suportando mais tanta conversa para tão pouca ação, chega ao fim.

Ouça o áudio:

[haiku url=”http://tribunadoceara.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2013/04/POLITICA-WANDERLEYFILHO-25-04-13.mp3“]

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Gestão Roberto Cláudio em Fortaleza: governar é diferente de fazer campanha

Por Wanfil em Fortaleza

23 de Março de 2013

Hora de guardar o megafone - O marketing eleitoral não deve contaminar a comunicação governamental: a realidade agora é outra

Hora de guardar o megafone – O marketing eleitoral não deve contaminar a comunicação governamental: a realidade agora é outra.

Faltando praticamente uma semana para o prefeito Roberto Cláudio (PSB) completar três meses de governo em Fortaleza, já possível dizer que o ímpeto midiático dos primeiros dias da nova gestão arrefeceu.

Contraste de estilos

Ao ser empossad0, o novo prefeito fez uma série de visitas a postos de saúde, com ampla cobertura da imprensa, para ver a situação dos pacientes que buscam atendimento no serviço municipal.

A postura contrastava com o estilo da ex-prefeita Luizianne Lins, que nos últimos anos se caracterizou pelo isolamento dos gabinetes, talvez por causa da baixa popularidade. Enfim, a construção da imagem de gestor ativo que vai ao encontro das pessoas e não tem medo de encarar problemas parecia a todo vapor.

Ainda na área da saúde, o começo da gestão deu sinais de caminhar para um corajoso acerto de contas: a secretária Socorro martins acusou o desvio de aproximadamente 30 milhões de reais no repasse de recursos do Ministério da Saúde na gestão anterior. Esse seria outro ponto da imagem a ser destacado: a honestidade do líder refletida numa gestão transparente e sem rabo preso.

No entanto, passados mais alguns dias, esse furor midiático e voluntarista do início foi cedendo espaço para a cautela. O prefeito não visita mais postos com seu séquito de vereadores ávidos por fotografias. A secretária não tocou mais no assunto do suposto desvio, como se nada houvesse acontecido.

Nem tudo é imagem

Gestores públicos de primeira viagem, via de regra, assumem mandatos no Poder Executivo preocupados em criar uma marca administrativa que os singularize, especialmente nos casos em que paira no ar a sombra de um padrinho político. MAis do que uma marca, é preciso provar que o gestor tem uma identidade própria.

O perigo é deixar o clima do marketing eleitoral, onde a regra é prometer fervorosamente novos amanhãs, contaminar a rotina administrativa. Se a disputa nas urnas tiver sido dura, como foi em Fortaleza, há o risco de incorrer em contradição na mensagem que se quer passar ao público, como a manutenção de um discurso de ruptura facilmente desmentido pela cooptação da base parlamentar que serviu a gestão anterior.

O risco de cair nessas armadilhas é justamente o de gerar mais expectativas, quando o momento é o de baixá-las, mostrando que as promessas demandam tempo para serem cumpridas. Estrategicamente, eventuais dados podem ser divulgados, sem alarde justiceiro, como prova de que o desafio exigirá grandes sacrifícios e tal, mas nada que comprometa alianças ou que exija ações imediatas de reparação.

Choque de realidade

Tudo ainda é muito novo em relação ao governo Roberto Cláudio. A mudança de postura verificada não significa necessariamente um recuo, mas pode ser um ajuste. O choque de realidade, onde as contas não fecham, o caixa é insuficiente, os custos são elevados e os problemas se multiplicam em velocidade alucinante, parece ter sido o suficiente para conter qualquer propensão ao discurso fácil.

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Gestão Roberto Cláudio em Fortaleza: governar é diferente de fazer campanha

Por Wanfil em Fortaleza

23 de Março de 2013

Hora de guardar o megafone - O marketing eleitoral não deve contaminar a comunicação governamental: a realidade agora é outra

Hora de guardar o megafone – O marketing eleitoral não deve contaminar a comunicação governamental: a realidade agora é outra.

Faltando praticamente uma semana para o prefeito Roberto Cláudio (PSB) completar três meses de governo em Fortaleza, já possível dizer que o ímpeto midiático dos primeiros dias da nova gestão arrefeceu.

Contraste de estilos

Ao ser empossad0, o novo prefeito fez uma série de visitas a postos de saúde, com ampla cobertura da imprensa, para ver a situação dos pacientes que buscam atendimento no serviço municipal.

A postura contrastava com o estilo da ex-prefeita Luizianne Lins, que nos últimos anos se caracterizou pelo isolamento dos gabinetes, talvez por causa da baixa popularidade. Enfim, a construção da imagem de gestor ativo que vai ao encontro das pessoas e não tem medo de encarar problemas parecia a todo vapor.

Ainda na área da saúde, o começo da gestão deu sinais de caminhar para um corajoso acerto de contas: a secretária Socorro martins acusou o desvio de aproximadamente 30 milhões de reais no repasse de recursos do Ministério da Saúde na gestão anterior. Esse seria outro ponto da imagem a ser destacado: a honestidade do líder refletida numa gestão transparente e sem rabo preso.

No entanto, passados mais alguns dias, esse furor midiático e voluntarista do início foi cedendo espaço para a cautela. O prefeito não visita mais postos com seu séquito de vereadores ávidos por fotografias. A secretária não tocou mais no assunto do suposto desvio, como se nada houvesse acontecido.

Nem tudo é imagem

Gestores públicos de primeira viagem, via de regra, assumem mandatos no Poder Executivo preocupados em criar uma marca administrativa que os singularize, especialmente nos casos em que paira no ar a sombra de um padrinho político. MAis do que uma marca, é preciso provar que o gestor tem uma identidade própria.

O perigo é deixar o clima do marketing eleitoral, onde a regra é prometer fervorosamente novos amanhãs, contaminar a rotina administrativa. Se a disputa nas urnas tiver sido dura, como foi em Fortaleza, há o risco de incorrer em contradição na mensagem que se quer passar ao público, como a manutenção de um discurso de ruptura facilmente desmentido pela cooptação da base parlamentar que serviu a gestão anterior.

O risco de cair nessas armadilhas é justamente o de gerar mais expectativas, quando o momento é o de baixá-las, mostrando que as promessas demandam tempo para serem cumpridas. Estrategicamente, eventuais dados podem ser divulgados, sem alarde justiceiro, como prova de que o desafio exigirá grandes sacrifícios e tal, mas nada que comprometa alianças ou que exija ações imediatas de reparação.

Choque de realidade

Tudo ainda é muito novo em relação ao governo Roberto Cláudio. A mudança de postura verificada não significa necessariamente um recuo, mas pode ser um ajuste. O choque de realidade, onde as contas não fecham, o caixa é insuficiente, os custos são elevados e os problemas se multiplicam em velocidade alucinante, parece ter sido o suficiente para conter qualquer propensão ao discurso fácil.