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índice de permanência Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

índice de permanência

Enem 2014 mostra que escolas usam artifícios não pedagógicos para incrementar resultados

Por Wanfil em Educação

06 de agosto de 2015

O resultado do ENEM por escola divulgado nesta semana com dados referentes a 2014, jogou luzes sobre uma prática questionável utilizada desde outras edições da avaliação, mas que passava quase despercebida do público. Isso foi possível graças à criação de um novo indicador, o “índice de permanência”, que revela se o estudante cursou total ou parcialmente o ensino médio no estabelecimento pelo qual prestou o exame.

Médias artificiais
O índice acabou revelando que muitas das “campeãs” do Enem possuíam índice inferior a 20% de permanência, ou seja, que participaram da prova com a maioria dos alunos vindos de outras escolas. Estas se defendem dizendo que turmas especiais são comuns. Tudo bem, mas existe aí um problema ético a ser examinado: com alunos importados, o resultado não refletirá integralmente a qualidade de ensino daquela escola. Isso é correto?

Existe ainda outro ponto. Alguns colégios particulares separam alunos de melhor desempenho em pequenas turmas, que possuem CNPJ diferente. Basta ver a lista do Enem para comprovar isso. Escolas com sedes inteiras compostas de apenas 20, 30 ou 40 alunos. São unidades cujos resultados podem levar o público a pensar que o desempenho desse grupo reduzido corresponde ao do estabelecimento como um todo, perfazendo uma média geral, mas que na verdade não passa de uma amostra específica e pontual.

Nesses casos, a prática é mais grave, do ponto de vista ético. O aluno estuda, por exemplo, a vida inteira no Colégio Militar e, próximo ao exame do Enem, recebe uma proposta para representar uma grande escola particular. Junto com outros estudantes mais preparados, matriculados na sede, digamos assim, “exclusiva”, conseguem colocar o colégio entre os melhores do país, gerando material de propaganda. No entanto, os outros alunos, aqueles que estão matriculados na sede original, com o CNPJ antigo, amargam resultados bem mais modestos.

Se os pais compararem o CNPJ da escola bem classificada, na qual imaginam que seus filhos estudam, com o CNPJ real das sedes nas quais eles efetivamente frequentam, descobrirão que a imensa maioria não estuda naquela da propaganda, como eles pensavam.

Ceará
O portal UOL publicou matéria mostrando que metade dos colégios top 10 tem baixo índice de permanência. A reportagem cita estabelecimentos de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Ceará: Farias Brito, Christus e Ari de Sá. O baixo índice, por si, não prova a existência de turmas separadas nessas escolas. Mostra que suas turmas de 3º ano não são compostas, na maioria, por alunos que já estudavam nelas. Mas isso, convenhamos, já pega mal.

Valores
Ainda que não seja uma prática ilegal, o uso de artifícios não pedagógicos para incrementar resultados no Enem, serve para mostrar que a educação só pode ser um diferencial na formação de um indivíduo e, por consequência, de uma sociedade, se ela envolver valores. Isso vale para as famílias, mas também vale para as escolas.

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Enem 2014 mostra que escolas usam artifícios não pedagógicos para incrementar resultados

Por Wanfil em Educação

06 de agosto de 2015

O resultado do ENEM por escola divulgado nesta semana com dados referentes a 2014, jogou luzes sobre uma prática questionável utilizada desde outras edições da avaliação, mas que passava quase despercebida do público. Isso foi possível graças à criação de um novo indicador, o “índice de permanência”, que revela se o estudante cursou total ou parcialmente o ensino médio no estabelecimento pelo qual prestou o exame.

Médias artificiais
O índice acabou revelando que muitas das “campeãs” do Enem possuíam índice inferior a 20% de permanência, ou seja, que participaram da prova com a maioria dos alunos vindos de outras escolas. Estas se defendem dizendo que turmas especiais são comuns. Tudo bem, mas existe aí um problema ético a ser examinado: com alunos importados, o resultado não refletirá integralmente a qualidade de ensino daquela escola. Isso é correto?

Existe ainda outro ponto. Alguns colégios particulares separam alunos de melhor desempenho em pequenas turmas, que possuem CNPJ diferente. Basta ver a lista do Enem para comprovar isso. Escolas com sedes inteiras compostas de apenas 20, 30 ou 40 alunos. São unidades cujos resultados podem levar o público a pensar que o desempenho desse grupo reduzido corresponde ao do estabelecimento como um todo, perfazendo uma média geral, mas que na verdade não passa de uma amostra específica e pontual.

Nesses casos, a prática é mais grave, do ponto de vista ético. O aluno estuda, por exemplo, a vida inteira no Colégio Militar e, próximo ao exame do Enem, recebe uma proposta para representar uma grande escola particular. Junto com outros estudantes mais preparados, matriculados na sede, digamos assim, “exclusiva”, conseguem colocar o colégio entre os melhores do país, gerando material de propaganda. No entanto, os outros alunos, aqueles que estão matriculados na sede original, com o CNPJ antigo, amargam resultados bem mais modestos.

Se os pais compararem o CNPJ da escola bem classificada, na qual imaginam que seus filhos estudam, com o CNPJ real das sedes nas quais eles efetivamente frequentam, descobrirão que a imensa maioria não estuda naquela da propaganda, como eles pensavam.

Ceará
O portal UOL publicou matéria mostrando que metade dos colégios top 10 tem baixo índice de permanência. A reportagem cita estabelecimentos de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Ceará: Farias Brito, Christus e Ari de Sá. O baixo índice, por si, não prova a existência de turmas separadas nessas escolas. Mostra que suas turmas de 3º ano não são compostas, na maioria, por alunos que já estudavam nelas. Mas isso, convenhamos, já pega mal.

Valores
Ainda que não seja uma prática ilegal, o uso de artifícios não pedagógicos para incrementar resultados no Enem, serve para mostrar que a educação só pode ser um diferencial na formação de um indivíduo e, por consequência, de uma sociedade, se ela envolver valores. Isso vale para as famílias, mas também vale para as escolas.