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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

infância

Dica de Filme: Le Petit Nicolas (O Pequeno Nicolau)

Por Wanfil em Cinema

14 de julho de 2012

Uma comédia que celebra a beleza da infância, capaz de nos fazer lembrar da criança que fomos um dia. Foto: Divulgação

Alguns filmes surpreendem pela simplicidade com que absorvem a atenção de quem os assiste – simplicidade, nesse caso, não significa ausência de sofisticação. É o caso da suave, divertida e comovente comédia “O Pequeno Nicolau” ( Le Petit Nicolas, França, 2009), baseada no personagem de quadrinhos criado por René Goscinny e Jean-Jacques Sempé. Sem o auxílio de grandes estrelas ou de efeitos especiais, o filme consegue, pela força de seu roteiro, a inteligência e sensibilidade da direção, e a dedicação do elenco, levar o público a uma viagem no tempo para fazê-lo, por alguns instantes, crianças novamente.

Volta no tempo

O trabalho do diretor Laurent Tirard é preciso e envolvente. A história se passa na França dos anos 50 (época em que ser criança significava brincar na rua, longe da parafernália eletrônica ou do medo paranóico dos condomínios fechados).

O pequeno Nicolau (Maxime Godart), é um garoto que tem uma vida perfeita. Pais amorosos, escola boa, saúde, amigos divertidos e uma professora bonita. Seu mundo vira de cabeça para baixo (ver metáfora da cena inicial) quando Nicolau imagina, ao ouvir escondido (coisa de criança) uma conversa dos pais, que ganhará um irmão e que por isso será abandonado.

Ver o mundo como criança

O tema é tratado longe das implicações psicológicas da infância que preocupam os adultos, para se fixar no ponto de vista da própria criança, onde se misturam o medo diante do desconhecido, o desejo pela exclusividade do amor dos pais, a inocência em busca de soluções mágicas e a lealdade das primeiras amizades. Aliás, a convivência de Nicolau com seus colegas de escola, em especial aos hilários Agnaldo (Damien Ferdel) e Clotário (Victor Charles), suas desventuras e brincadeiras, é o ponto alto do filme.

Nossos amigos de infância, com os quais convivemos no colégio, estão todos lá representados: o estudioso delator (sempre o preferido dos professores), o desatento, o gordinho, o abastado, o medroso e o brigão. Todos diferentes em suas posturas singulares e iguais na aventura de ser criança. Nesse ponto, é essencial destacar que as crianças do filme são cativantes justamente por serem o que são, evitando o clichê das crianças-prodígio comuns no cinema, capazes de filosofar como se fossem adultos experimentados.

Uma mensagem simples e essencial

Le Petit Nicolas é esteticamente belo, em suas tomadas melancólicas, no colorido iluminado e na reconstituição de época livre de exageros ou referências históricas (é o cotidiano da vida comum), sem esquecer que o principal, para um diretor, deve sempre consistir na habilidade de contar uma história. Nesse caso em particular, há um adicional: a capacidade de amparar a narrativa numa experiência de forte cunho emocional e comum a todos, que é a infância. De alguma forma, nos vemos em retrospectiva e acabamos por lembrar a importância de respeitar quem hoje vive essa condição pela qual já passamos: as crianças do presente.

Veja o trailler legendado

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Dica de Filme: Le Petit Nicolas (O Pequeno Nicolau)

Por Wanfil em Cinema

14 de julho de 2012

Uma comédia que celebra a beleza da infância, capaz de nos fazer lembrar da criança que fomos um dia. Foto: Divulgação

Alguns filmes surpreendem pela simplicidade com que absorvem a atenção de quem os assiste – simplicidade, nesse caso, não significa ausência de sofisticação. É o caso da suave, divertida e comovente comédia “O Pequeno Nicolau” ( Le Petit Nicolas, França, 2009), baseada no personagem de quadrinhos criado por René Goscinny e Jean-Jacques Sempé. Sem o auxílio de grandes estrelas ou de efeitos especiais, o filme consegue, pela força de seu roteiro, a inteligência e sensibilidade da direção, e a dedicação do elenco, levar o público a uma viagem no tempo para fazê-lo, por alguns instantes, crianças novamente.

Volta no tempo

O trabalho do diretor Laurent Tirard é preciso e envolvente. A história se passa na França dos anos 50 (época em que ser criança significava brincar na rua, longe da parafernália eletrônica ou do medo paranóico dos condomínios fechados).

O pequeno Nicolau (Maxime Godart), é um garoto que tem uma vida perfeita. Pais amorosos, escola boa, saúde, amigos divertidos e uma professora bonita. Seu mundo vira de cabeça para baixo (ver metáfora da cena inicial) quando Nicolau imagina, ao ouvir escondido (coisa de criança) uma conversa dos pais, que ganhará um irmão e que por isso será abandonado.

Ver o mundo como criança

O tema é tratado longe das implicações psicológicas da infância que preocupam os adultos, para se fixar no ponto de vista da própria criança, onde se misturam o medo diante do desconhecido, o desejo pela exclusividade do amor dos pais, a inocência em busca de soluções mágicas e a lealdade das primeiras amizades. Aliás, a convivência de Nicolau com seus colegas de escola, em especial aos hilários Agnaldo (Damien Ferdel) e Clotário (Victor Charles), suas desventuras e brincadeiras, é o ponto alto do filme.

Nossos amigos de infância, com os quais convivemos no colégio, estão todos lá representados: o estudioso delator (sempre o preferido dos professores), o desatento, o gordinho, o abastado, o medroso e o brigão. Todos diferentes em suas posturas singulares e iguais na aventura de ser criança. Nesse ponto, é essencial destacar que as crianças do filme são cativantes justamente por serem o que são, evitando o clichê das crianças-prodígio comuns no cinema, capazes de filosofar como se fossem adultos experimentados.

Uma mensagem simples e essencial

Le Petit Nicolas é esteticamente belo, em suas tomadas melancólicas, no colorido iluminado e na reconstituição de época livre de exageros ou referências históricas (é o cotidiano da vida comum), sem esquecer que o principal, para um diretor, deve sempre consistir na habilidade de contar uma história. Nesse caso em particular, há um adicional: a capacidade de amparar a narrativa numa experiência de forte cunho emocional e comum a todos, que é a infância. De alguma forma, nos vemos em retrospectiva e acabamos por lembrar a importância de respeitar quem hoje vive essa condição pela qual já passamos: as crianças do presente.

Veja o trailler legendado