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Jair Bolsonaro Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Jair Bolsonaro

Bolsonaro e Lula ignoram mortes por Covid-19 e usam pandemia para atacar adversários

Por Wanfil em Brasil

20 de Maio de 2020

Oportunismo político na pandemia. Diferentes, opostos, adversários, mas parecidos. Às vezes, quase iguais. Foto: Jackson Trizolio/Flickr

O Brasil registrou pela 1ª vez mais de mil óbitos por Covid-19 em 24h. Foram contabilizadas 1.179 mortes somente nesta terça-feira (19). Isso sem esquecer que esse número, infelizmente, deve ser bem maior, por causa da enorme subnotificação de casos no país. Antes do fim da semana passaremos a casa das vinte mil vítimas fatais.

Pois bem, na noite da mesma terça, o presidente Jair Bolsonaro disse, em meio a risadas durante uma entrevista, que “quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma tubaína”.

E para completar esse mesmo dia, o ex-presidente e ex-presidiário Lula da Silva, também em entrevista,afirmou que “ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus”, para mostrar “que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises”.

Bolsonaristas e lulistas se imaginam muito diferentes, mas seus ídolos não perdem a oportunidade de tentar capitalizar politicamente com a tragédia e com a crise, acusando adversários ideológicos. Na verdade, usam chavões de modo rudimentar para disfarçar de ideologia o que é apenas oportunismo politiqueiro. Dizer que essas divergências deveriam ser colocadas de lado, que o foco deveria ser o combate ao vírus, é perda de tempo.

Há quem critique um, mas elogie o outro, e vice-versa. E não apenas os radicais que empestam as redes sociais, mas autoridades como governadores, prefeitos e parlamentares também fazem parte dessas, digamos, torcidas. Pensam também que são muito diferentes uns dos outros, mas assemelham-se igualmente pelas mesmas razões. Não digo que sejam iguais, que não existam diferenças marcantes entre esses personagens, apenas noto que partes essênciais dos seus discursos e métodos são mais parecidos do que podem admitir.

Existem ainda os que criticam os dois, mas que assumem formas parecidas de agir: apostam na polêmica, na intriga, no voluntarismo, na excitação de ressentimentos.

São essas as grandes lideranças nacionais?

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Sérgio Moro adota estratégia oposta a de Mandetta e surpreende Bolsonaro

Por Wanfil em Política

27 de Abril de 2020

Os agora ex-ministros Sergio Moro e Luiz Mandetta: estratégias distintas. Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

Ao pedir demissão em público e disparar contra o presidente Jair Bolsonaro, o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, optou por uma estratégia oposta a do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (demitido dias antes), e com isso pegou o Palácio do Planalto de surpresa. Tudo, nunca é demais lembrar, em plena pandemia de coronavírus.

Mandetta preferiu o papel de defensor da ciência vítima de incompreensões e do ciúme, porém, evitou fazer críticas diretas, ciente de que elas viriam de outros lugares. É um estilo mais tradicional. Cálculo de longo prazo. Em resposta, Bolsonaro nomeou um técnico da área, com alta qualificação em gestão (e convenientemente avesso a entrevistas). Ganhou tempo.

Moro saiu atirando para preservar a imagem que o consagrou: a de guardião da legalidade que não teme nem mesmo as maiores autoridades. (Vivo, Mandetta solidarizou-se com Moro e postou: “Outras lutas virão”. Soou como uma potencial chapa). O governo, zonzo, ainda tenta encontrar resposta. Ensaiou uma guerra de versões para desqualificar o inimigo e as acusações de tentativa de interferência política na Polícia Federal, mas foi desmentido por postagens divulgadas à queima-roupa pelo ex-juiz da Lava Jato. (Ação que, de quebra, deixou uma dúvida: o que mais ele teria guardado?).

Mandetta é político de larga experiência. Já disputou eleições e chegou ao parlamento, atuou no Executivo, é próximo a lideranças importantes do seu partido, o Democratas velho de guerra. Já Moro tem outro tipo de formação. Não tem histórico de militância partidária, não é herdeiro ou parente de famílias que dominam currais eleitorais, não foi adestrado no movimento estudantil nem foi sindicalista, algumas das escolas mais clássicas de formação política no Brasil. Aprendeu a operar na magistratura. Entende assim que sua autoridade depende da credibilidade que possa inspirar. Aprendeu como as estratégias de acusação e defesa buscam se antecipar aos adversários no curso dos processos.

Não é formalmente um político, tem dificuldades para lidar com políticos, mas atua politicamente, provavelmente com objetivos políticos, mas com bagagem trazida de outra arena. Em parte, foi por isso que não durou no cargo. É como já dizia o grande poeta Sá de Miranda, lá nos idos do Século XVI, na sua Carta para D. João III:
“Homem de um só parecer,
dum só rosto e d’ua fé,
d’antes quebrar que torcer
outra coisa pode ser,
mas da corte homem não é.”

A corte, nesse caso, não é o tribunal, mas a entourage que cerca os mandatários pelos palácios onde a regra sempre foi, desde o tempo das velhas monarquias, ser maleável às conveniências do poder.

Não que Moro seja a encarnação da virtude em meio ao pecado. Mistificações são artifícios pueris, embora muito presentes. Na verdade, o paralelo com o poema é para evidenciar que Moro, com a força que tem no imaginário brasileiro, ainda precisa de algum tempo para assimilar melhor as diferenças entre os tribunais e as instituições políticas. Por enquanto, tem sido algo favorável a ele, mas depois poderá ser um problema.

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Bolsonaro testa o “homem prudente” de Maquiavel

Por Wanfil em Crônica

31 de Março de 2020

Maquiavel: a prudência de fazer ações obrigatórias e inevitáveis parecerem espontâneas

O que não tem remédio, remediado está, diz o ditado popular. Como todos sabem, o novo coronavírus não tem vacina ou cura cientificamente comprovada. O jeito, portanto, é administrar a situação para reduzir o estrago ou evitar um mal maior. Shimon Peres, ex-presidente de Israel, já falecido, dizia que um problema sem solução é um processo a ser conduzido da mehor forma possível. Referia-se ao conflito com os palestinos. No caso do coronavírus, a diferença é saber que mais cedo ou mais tarde, o ciclo de contaminação acaba. Ou seja, ainda que gravíssimo, não é problema crônico. Agora resta segurar o tranco, como dizem.

Em períodos turbulentos como agora, pressões e cobranças se multiplicam sobre os representantes do poder público. É assim que funciona. Nesse momento, por ser um pandemia sem prcedentes, essa condição se reproduz em todos os continentes. Assim, em todo o mundo, a maioria das lideranças reage como pode e faz o que lhes resta fazer: implantar medidas de isolamento social, enquanto reforçam a retaguarda dos hospitais com leitos de UTI. Quem não conseguiu a tempo, como a Espanh e a Itália, foi surpreendido pela quantidade de mortos.

Muito antes de o coronavirus trucidar a Itália, o florentino Nicolau Maquiavel, no livro em que comenta a obra de Tito Lívio (Discorsi sopra la prima Deca di Tito Livio), dizia no Século 16: “Gli uomini prudenti si fanno grado delle cose sempre e in ogni loro azione, ancora che la necessità gli constringesse a farle in ogni modo”. Traduzindo, é mais ou menos o seguinte: “Os homens prudentes sempre sabem tirar proveito de todas as suas ações, mesmo quando são constrangidos pela necessidade a agir de tal modo”.

Decretar quarentenas e levantar hospitais de campanha é o básico indispensável a se fazer diante da chegada da atual pandemia, com base na experiência de outros países que já vivem o problema há mais tempo. Não há erro nisso. Aliás, estão certos os governantes que assim agem, impelidos pelas circunstâncias e pela falta de alternativas. E há grande mérito na conduta daqueles que perceberam a emergência com mais rapidez. Esses, por agirem – de acordo com Maquiavel – como homens prudentes, conseguiram obter vantagens enquanto autoridades públicas, ao serem vistos como gestores atentos.

Só Jair Bolsonaro faz o contrário, optando pela imprudência, quando contradiz atos do seu próprio governo que poderiam conferir-lhe imenso proveito de imagem. Ensaia agora, com atraso, um recuo no discurso, mas é preciso ver se isso será mantido. Tem a crise econômica, é verdade, mas essa, também mundial, será debitada na conta do vírus. E toda ação de recuperação, inclusive as reformas que ainda precisam ser aprovadas, poderá ser vista, mais adiante, como medida indispensável para a cura da finanças nacionais. É sempre possível obter “vantaggio”, no sentido de prestígio, quando se age, no governo, com a devida cautela. Bem, é o que dizia Maquiavel, posto a teste no Brasil do Século 21.

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Pronunciamento à nação não é “live” de rede social

Por Wanfil em Política, Sem categoria

25 de Março de 2020

Presidente Jair Bolsonaro em Rede Nacional de Rádio e Televisão / Isac Nóbrega – Agência Brasil

O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro em rede nacional de rádio e televisão com críticas às medidas de isolamento social diante dos efeitos da crise na economia, causou grande repercussão e muitas dúvidas, pois na prática, não esclareceu nada nem definiu coisa alguma.

Que a modulação entre as restrições sanitárias impostas no combate ao coronavírus e a sobrevivência de empresas e trabalhadores (formais e informais) seja uma preocupação a ser debatida nos devidos fóruns, tudo bem. É, aliás, algo necessário e urgente, dever dos governantes. Contudo, muito diferente é a autoridade presidencial se colocar assim publicamente contra medidas defendidas pelo Ministério da Saúde, ainda mais quando o próprio governo federal pediu a aprovação do estado de calamidade. As contradições só confundem.

Claro que o debate proposto pode e precisa ser feito, desde que modo construtivo. Um pronunciamento à nação guarda um caráter de solenidade, quando o governo anuncia decisões e posicionamentos oficiais. Não é portanto uma live informal de rede social, dessas em que é normal pessoas desabafarem e opinarem sobre todo e qualquer assunto, como se conversassem com amigos em casa. os tempos são outros, a comunicação mudou um bocado, mas quando se trata de autoridade pública, convém que até as lives sejam feitas com muito cuidado.

Não se trata de ser contra ou a favor de partidos ou ideologias, mas de compreender que a prioridade agora é retardar a velocidade de propagação do coronavírus. Para isso, o isolamento social é o protocolo mais aceito no mundo. A dose a ser ministrada – ou seja, o tempo de manutenção dessas quarentenas – ainda não está bem definida. Ao propor o fim do isolamento sem combinar isso com os próprios técnicos do governo, o presidente acabou se colando num inédito – dentro do seu mandato – isolamento político.

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Datafolha: governadores têm aprovação maior que o presidente no combate ao coronavírus

Por Wanfil em Pesquisa

23 de Março de 2020

Bolsonaro e o Ministro da Saúde, Henrique Mandetta, em videoconferência com prefeitos (Agência Brasil): nova realidade imposta pelo coronavírus

O instituto Datafolha informa que 54% dos brasileiros aprovam o desempenho dos governadores na crise do coronavírus, enquanto 35% avaliam positivamente o trabalho do presidente Jair Bolsonaro. Curiosamente, o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi bem avaliado por 55% dos entrevistados.

Por esses números, o presidente estaria com a imagem descolada das ações promovidas por seu próprio governo. Como os governos estaduais não podem ser mais ativos e determinantes que o governo federal nesse momento de calamidade, a diferença de percepções apontada pela pesquisa só pode ser resultado de erros de comunicação e postura do presidente. Talvez excesso de autoconfiança.

Bolsonaro e o bolsonarismo desqualificam o Datafolha, que é ligado ao jornal Folha de São Paulo. E de fato, o instituto já cometeu erros no passado, especialmente nas eleições presidenciais, quando dizia que praticamente todos os candidatos venceriam Bolsonaro no segundo turno. Contudo, é perfeitamente visível que o presidente vem tentando, desde a semana passada, recalibrar as falas e atitudes relacionadas ao coronavírus. Mas parece que ainda não encontrou o ponto ideal. Uma hora ensaia reconhecer que o problema é mesmo colossal, e depois recua, falando em histeria.

Nada é por acaso. Ainda que o Datafolha e a Folha possam carregar nas ênfases contra o governo, o fato é que este já sentiu a necessidade de modular a postura presidencial. Certamente o Palácio do Planalto tem seus próprios números e sabe que há desgaste onde outras autoridades conseguem capitalizar dividendos.

Ceará

O Datafolha não divulgou dados por estados. É possível que o governador Camilo Santana esteja acima dessa média, pela boa aceitação que já tinha na conjuntura local. Além do mais, o governador tem ocupado eficazmente espaços nas redes sociais e nos canais de comunicação para falar exclusivamente sobre o coronavírus, repassando orientações e anunciando medidas pessoalmente. Não inventa a roda, o que é bom, mas tampouco subestima o medo da população ou os alertas das autoridades sanitárias do Ceará, do Brasil e do mundo. Sobretudo, tem o mérito de não politizar temas relacionados à pandemia. E ao contrário do presidente em relação ao ministro Mandetta, o governador cearense ainda ganha pontos com a credibilidade do secretário da saúde, Dr. Cabeto, técnico respeitado e gestor seguro de suas ações.

Bolsonaro foi eleito sem padrinhos políticos, com um estilo próprio, isso é inegável, mas existem crises que testam a capacidade de adaptação dos governantes a situações muito diferentes daquelas que os levaram ao poder (antipetismo, Ferreira Gomes, Lava Jato, desejo de ruptura, cooptação continuísta, voto de protesto, voto de cabresto, lulismo, esquerdismo, direitismo, tudo isso foi momentaneamente suspenso). Essa é uma dessas situações. Em um segundo, tudo pode mudar.

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O verdadeiro jornalismo

Por Wanfil em Imprensa

15 de outubro de 2019

Até homens de pouca fé conhecem a famosa sentença bíblica:”A verdade vos libertará“. Nesse caso, é a verdade anunciada por ninguém menos que Deus. Acontece que na ausência do Criador, definir o que é verdade é tarefa complexa. Vejamos abaixo um exemplo.

Em entrevista à Folha de São Paulo, Ciro Gomes disse que Glenn Greenwald, do site Intercept, “pratica o verdadeiro jornalismo“. Tratava, por questão de ofício, das coisas terrenas e humanas. Há quem discorde, evidentemente. O problema é que o entendimento pelo que venha a ser verdadeiro muda conforme o freguês.

O presidente Jair Bolsonaro considera que a maioria dos veículos de comunicação faz campanha de desinformação contra o seu governo. “Fake news!”, gritam os seus aliados. Pode ser, mas no fundo, é outra forma de ajuizar que existe UMA verdade a ser protegida. Verdade definida por quem? Pois é.

Políticos tendem a considerar bom jornalismo somente aquele que parece útil aos seus interesses. Do mesmo modo, acusam de mau jornalismo qualquer conteúdo que venha a constranger esses interesses. Claro que ninguém está imune a críticas, nem a imprensa. Como toda atividade humana, jornais e jornalistas também estão sujeitos a tentações. Por isso mesmo sempre caberá aos leitores avaliar cada situação. Se apanhar o noticiário na sua pluralidade, tanto melhor para construir sínteses mais consistentes.

Por coincidência, também por esses dias, o escritor Mario Vargas Llosa afirmou ao El País: “Não é fácil se orientar entre verdades e mentiras. Mas a democracia, que permite a diversidade jornalística, está mais bem defendida contra as fake news que uma ditadura, onde só há uma voz, que é a voz do governante”. Vale para Bolsonaro assim como vale para Lula, que no poder chegou a pensar em criar conselhos ditos “populares” para controlar a imprensa.

Existem os fatos, é claro, mas estes estão sujeitos a abordagens e interpretações diferentes, a linhas editoriais dos veículos, à formação dos profissionais e a seus preceitos ideológicos, às circunstâncias e disputas que orientam enfoques distintos para as narrativas e descrições apresentadas ao público. Vargas Llosa está certo. A pluralidade e a competição na imprensa ainda são a melhor vacina contra erros acidentais ou a desvios éticos. Mas essa não é uma verdade absoluta. É só uma opinião.

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O bate e assopra de Ciro em Lula e Bolsonaro

Por Wanfil em Política

27 de junho de 2019

De entrevista em entrevista, Ciro vai se mantendo em evidência. Imagem: arquivo Tribuna do Ceará

Ciro Gomes voltou a dizer, agora em entrevista concedida à Jovem Pan de São Paulo, que Lula foi condenado sem provas, apesar de não ser inocente. Para não deixar dúvidas, foi enfático: “Se alguém sabe que o Lula não tem nada de inocente, sou eu”.

Repetiu ainda que o presidente da República não termina o mandato, mas dessa vez tratou de avisar: “Quem falar ‘fora Bolsonaro’ não conte comigo”.

Parece contraditório, mas o discurso recorrente tem sua razão de ser. É uma forma de trabalhar a imagem do esquerdista sem vínculos com os crimes de Lula e do oposicionista combativo dentro das regras democráticas.

Se vai dar certo, é impossível prever. Dizer que sabia sobre a culpa de Lula depois que o ex-presidente foi condenado e preso é algo que poderá ser usado contra o pedetista. São riscos próprios da política que ele conhece bem. Aliás, como diria Ciro, repare bem: foi essa a estratégia de Bolsonaro nos anos que antecederam sua eleição.

O fato é que de declaração em declaração, de entrevista em entrevista, de polêmica em polêmica, Ciro vai se mantendo em evidência, enquanto seus adversários no campo da oposição somem no esquecimento.

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Cem dias do governo Bolsonaro marcam nova relação entre o Ceará e Brasília

Por Wanfil em Política

11 de Abril de 2019

Adversários políticos no Ceará, juntos em solenidade de entrega de obras do programa Minha Casa, Minha Vida: nos primeiros 100 dias, tudo bem

Os 100 dias de Jair Bolsonaro na Presidência da República permitem visualizar tendências que apontam para mudanças no padrão de relacionamento – ou articulação, como gostam de dizer por aí – entre o governo estadual e o governo federal.

Nas gestões Lula e Dilma Rousseff a convivência entre essas instâncias, aliadas politicamente, foi marcada pela subserviência. O maior símbolo dessa condição foi a promessa não cumprida (porém apresentada em várias campanhas eleitorais e repetida ad nauseam em releases para a imprensa) de uma refina da Petrobras. Ninguém das gestões estaduais à época disse ou fez nada, nem mesmo quando se que a Petrobras foi impiedosamente roubada. Pelo contrário, aplaudiram e defenderam enquanto puderam a dupla que passou a perna nos cearenses.

Na breve gestão de Michel Temer, isso mudou. Os governistas locais batiam publicamente no presidente impopular e sem força, enquanto atuavam para garantir repasses federais junto a aliados do MDB (o mesmo partido de Temer) no Ceará.

Com Bolsonaro, devidamente eleito e com um grupo político afeito ao debate, a relação – nesses primeiros cem dias – finalmente ganhou algum traço de autonomia digna. No início houve o receio de que o Ceará pudesse sofrer retaliações por ter um governo de oposição (o governador Camilo Santana, do PT, não foi à posse de Bolsonaro), mas a parceria para enfrentar o crime organizado no Estado em janeiro foi muito bem conduzida, sem intermediações politiqueiras e com reconhecimento mútuo de respeito entre os envolvidos. Mérito de ambos.

O recente caso de Maracanaú sobre um projeto da Secretaria Nacional de Segurança Pública, se deu mais em função de interesses locais visando as eleições municipais do ano que vem, do que propriamente no processo de diálogo com o Ministério da Justiça.

Imóveis do programa Minha Casa Minha Vida também foram entregues sem problemas, com aliados e adversários do governo federal ocupando o mesmo espaço de forma civilizada.

O fato é que, por enquanto, divergências ideológicas e partidárias à parte, as interações entre Estado e União melhoraram de qualidade, com a temporária substituição da subordinação e do oportunismo por uma saudável noção de interdependência. A continuidade desse tipo de harmonia dependerá de muitos fatores, especialmente, com as pressões do calendário eleitoral, da forma como os programas, ações e obras federais serão trabalhadas pelas forças políticas estaduais. A tendência é que no próximo ano, os ânimos se acirrem.

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As necessidades unem (temporariamente) o que as opiniões separam

Por Wanfil em Política

28 de Janeiro de 2019

“A necessidade une, as opiniões separam”. Vi esse ditado pesquisando, outro dia, se Platão realmente disse que “a necessidade é a mãe da invenção” (a discussão é longa, mas essa é outra história). Pois bem, vendo o noticiário dos últimos dias o tema ressurgiu no meu horizonte. Há momentos que casam à perfeição com provérbios. Vejamos.

Adversários no campo político, o governo do Ceará e o governo federal superam diferenças ideológicas para atender ao chamado de emergências administrativas.

A série de ataques coordenados por facções obrigou o estado a pedir ao Ministério da Justiça. Parlamentares de oposição ao governo petista se prontificaram para reforçar a interlocução com o Planalto. O governador Camilo Santana reconhece e elogia publicamente o apoio recebido e a responsabilidade compartilhada.

Partindo da mesma premissa, a equipe econômica de Jair Bolsonaro acena para a gestão estadual, convidando o deputado federal eleito Mauro Filho e coordenador do programa econômico na campanha presidencial de Ciro Gomes, para apresentar sua proposta de reforma para Previdência. Se algumas medidas forem acatadas no projeto, o PDT do Ceará pode contribuir com sua aprovação.

Após as eleições, havia uma certa expectativa, receio até, de que boicotes pudessem atrapalhar a relação entre a União e os entes federativos do Nordeste, todos alinhados com o lulismo. Por enquanto, e felizmente, não é o que se vê, muito pelo contrário.

A urgência no combate ao crime organizado dentro e fora dos presídios e no controle do rombo orçamentário federal são as necessidades que unem o que estava separado por opiniões políticas e ideológicas. Nada contra as divergências, que são importantes nas democracias. É questão de momento.

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Pós-eleição: Ciro já não vê fascismo e Camilo quer diálogo com Bolsonaro

Por Wanfil em Política

31 de outubro de 2018

Charles Darwin explica: “Só quem se adapta, sobrevive”. Na política, isso pode ser recuo, adesão ou trégua

Só o petismo fanático vai chamar os 60% do povo brasileiro de fascista. Eu não, de forma nenhuma.Ciro Gomes, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo desta quarta-feira.

É o mesmo Ciro que durante a campanha alertava para “o crescimento do fascismo“. Como o suposto fascismo no país pode crescer sem supostos fascistas é um daqueles mistérios que desafiam a lógica comum, mas que podem perfeitamente conviver com a política.

Parece contradição. Na verdade, é contradição. E mesmo assim, eis o segredo, tem lá a sua lógica. De olho em 2020 e depois em 2022, percebendo a onda conservadora, a hora é de trabalhar estratégias de adaptação para sobreviver. Descolar de forma contundente do petismo e assinalar uma trégua temporária com o novo governo federal são ações alinhadas com o mais puro darwinismo político.

Acredito que nós vivemos em uma federação, e que a relação institucional possa existir entre a Presidência da República e os estados brasileirosCamilo Santana, em matéria do jornal O Povo, antes de reunião com secretários na terça-feira.

Faz bem o governador cearense em pedir sobriedade e consciência institucional. É preciso lembrar, porém, que essa é uma via de mão dupla. Camilo deseja manter a frente de governadores do Nordeste, única região onde Fernando Haddad venceu, para conversar com o novo governo.

Em outras ocasiões, esse grupo de governadores do NE, junto com Minas Gerais, que nunca viu nada de errado com as refinarias de Dilma e com a recessão produzida em seu governo, divulgou cartas criticando a gestão Temer e tentou visitar Lula, para produzir factoide eleitoral. É bom evitar esse tipo de engajamento.

É óbvio que os interlocutores no Ceará com o governo federal irão mudar e isso exigirá habilidade e respeito de todos – situação e oposição. Não é preciso elogiar ninguém gratuitamente, mas convém não criar arestas desnecessárias, preservando o aspecto institucional na relação com a União.

A palavra que melhor lhe servirá de norte não é resistência, mas como apontam as palavras de Ciro, adaptação.

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Pós-eleição: Ciro já não vê fascismo e Camilo quer diálogo com Bolsonaro

Por Wanfil em Política

31 de outubro de 2018

Charles Darwin explica: “Só quem se adapta, sobrevive”. Na política, isso pode ser recuo, adesão ou trégua

Só o petismo fanático vai chamar os 60% do povo brasileiro de fascista. Eu não, de forma nenhuma.Ciro Gomes, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo desta quarta-feira.

É o mesmo Ciro que durante a campanha alertava para “o crescimento do fascismo“. Como o suposto fascismo no país pode crescer sem supostos fascistas é um daqueles mistérios que desafiam a lógica comum, mas que podem perfeitamente conviver com a política.

Parece contradição. Na verdade, é contradição. E mesmo assim, eis o segredo, tem lá a sua lógica. De olho em 2020 e depois em 2022, percebendo a onda conservadora, a hora é de trabalhar estratégias de adaptação para sobreviver. Descolar de forma contundente do petismo e assinalar uma trégua temporária com o novo governo federal são ações alinhadas com o mais puro darwinismo político.

Acredito que nós vivemos em uma federação, e que a relação institucional possa existir entre a Presidência da República e os estados brasileirosCamilo Santana, em matéria do jornal O Povo, antes de reunião com secretários na terça-feira.

Faz bem o governador cearense em pedir sobriedade e consciência institucional. É preciso lembrar, porém, que essa é uma via de mão dupla. Camilo deseja manter a frente de governadores do Nordeste, única região onde Fernando Haddad venceu, para conversar com o novo governo.

Em outras ocasiões, esse grupo de governadores do NE, junto com Minas Gerais, que nunca viu nada de errado com as refinarias de Dilma e com a recessão produzida em seu governo, divulgou cartas criticando a gestão Temer e tentou visitar Lula, para produzir factoide eleitoral. É bom evitar esse tipo de engajamento.

É óbvio que os interlocutores no Ceará com o governo federal irão mudar e isso exigirá habilidade e respeito de todos – situação e oposição. Não é preciso elogiar ninguém gratuitamente, mas convém não criar arestas desnecessárias, preservando o aspecto institucional na relação com a União.

A palavra que melhor lhe servirá de norte não é resistência, mas como apontam as palavras de Ciro, adaptação.