Warning: Use of undefined constant S3_URL - assumed 'S3_URL' (this will throw an Error in a future version of PHP) in /home/tribu/public_html/blogs/wp-content/themes/2016_tribuna_blogs/functions.php on line 11
legalidade Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

legalidade

Meus heróis e o beijo gay dos quadrinhos

Por Wanfil em Crônica

10 de setembro de 2019

O heroísmo controverso dos quadrinhos e a liberdade de escolher a quem admirar

Cazuza, o cantor e compositor, disse que seus heróis (os dele) morreram de overdose. Pois bem, os meus morreriam de tédio nos dias de hoje. Basta ver o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivela, que tentou impedir a comercialização de uma revista em quadrinhos sob pretexto de salvar crianças de uma eventual exposição a um beijo homossexual. No meu tempo de criança, havia vilões como Lex Luthor, o sujeito sem poderes que encarava o Super-Homem. Agora o vilão é Marcelo Crivela. É de matar qualquer herói de tédio.

Mais tarde, já adolescente, li Conan, o Bárbaro, sujeito grosseirão que encerrava discussões com uma espada. Decapitações e bocas vertendo sangue em golfadas eram imagens banais, mas que eu me lembre a circulação de Conan, herói hétero, nunca foi questionada. De todo modo, não me tornei um carniceiro.

E daí? Como fica o direito dos pais que são contrários ao beijo gay? Ora, está garantido. Só não pode ser imposto a um evento privado, no caso, a Bienal do Livro (aliás, que me perdoem os fãs, mas bienais do livro abarrotadas de revistas em quadrinhos revelam a falta de prestígio – ou de qualidade – da nossa literatura). Eu procuro saber o que minhas filhas estão lendo, embora esteja ciente do mundo de informações circulando ao alcance delas, e que independente das minhas preferências e preocupações. O segredo é trabalhar com elas, desde cedo, a noção de elegância na sintaxe. É meio caminho andado para evitar porcarias.

Bem, cada um sabe de si, sem a necessidade da interferência autoritária dos governantes de plantão, sejam de esquerda ou de direita. Alias, por falar em ideologia, peço licença para uma digressão. É curioso ver o pessoal que não aceita a nomeação do novo reitor da Universidade Federal do Ceará, escolhido dentro da mais absoluta legalidade, argumentar que o Crivela desrespeita a lei. Pois é, o fato de não gostar de uma lei, não a invalida. Trata-se de um princípio. Vale para a liberdade de expressão, vale para nomeações em instituições de ensino superior. O resto é proselitismo. Fim da digressão.

Adulto, não leio mais quadrinhos. Acho aqueles uniformes e apelidos ridículos. Mas preservo um ideal de heroísmo, fácil de reconhecer na disposição de muitas pessoas em querer ajudar os outros e que se manifesta até mesmo nos pequenos gestos. Na verdade, no meu caso, são minhas filhas, ainda sob os meus cuidados, vivendo entre a infância e a adolescência, que me socorrem e me ajudam a corrigir velhos preconceitos discriminatórios do passado. São minhas heroínas. Cada um tem os heróis que escolhe.

Publicidade

Faça você também justiça com as próprias mãos: nas urnas!

Por Wanfil em Brasil

07 de Fevereiro de 2014

De uns tempos pra cá, no Brasil, diante da falta de resposta dos poderes públicos para inúmeros problemas, a moda agora é a do protesto violento, eufemisticamente chamado por aí de ativismo. Se um grupo é contra pesquisas com animais, que se quebrem laboratórios; se é contra os transgênicos, que se destruam plantações. E se o sujeito achar que a reforma agrária ainda não foi feita? Ora, é só invadir uma propriedade privada e coitado de quem for obrigado a cumprir uma reintegração de posse. O caseiro fez uma denúncia contra o ministro? É só violar o sigilo bancário dele. Os exemplos são muitos. Basta ter uma causa apresentada em linguagem politicamente correta.

Na verdade, não há diferença conceitual entre grupos de extermínio, Black Blocs, MST, ou a professora de filosofia da UECE que desacatou policiais no Cocó e agora foi indiciada por participação no incêndio criminoso na Prefeitura de Fortaleza: todos querem e agem nome de uma nova ordem, que aos seus olhos, é a mais justa. Variam apenas no grau das ilegalidades que praticam, e ai de quem não concordar.

A ordem e os justiçamentos
Agora assistimos a um debate sobre a ação de “justiceiros” que teriam capturado, espancado e deixado nu, preso a um poste, um adolescente acusado de praticar crimes no Rio de Janeiro. A jornalista Rachel Sherazade, do SBT, fez um comentário dizendo que a ação pode ser compreendida como “legítima defesa” de uma sociedade imersa em inacreditáveis índices de criminalidade. Por ser identificada como uma das porta-vozes da direita brasileira, os progressistas, carentes de alvos agora que são governo, aproveitaram a oportunidade e passaram a criticá-la, não sem razão. Ela pesou o tom. Sherazade é uma espécie de Jair Bolsonaro do jornalismo. Em vez de promover o que deveria ser um pensamento direitista, acaba queimando ainda mais o filme desse ideário pelo exagero com que às vezes aborda temas. Fosse um “rapper” a falar sobre a justiça das ruas, todos deitariam teses sociológicas sobre o negócio.

O fato é que um conservador ou um liberal de verdade se distinguem de ideais revolucionários justamente pela defesa intransigente da legalidade. Apostam em reformas, enquanto os demais acreditam em rupturas violentas. Justiça com as próprias mãos, no sentido de uso da força e da ilegalidade, é o pesadelo do direitista consciente. Só os radicais, por óbvia falta de sensatez e conhecimento de causa, advogam a derrocada da institucionalidade e da autoridade constituída.

Um vídeo divulgado pelo jornal Extra nesta quinta-feira (6) mostrando a execução, em via pública e à luz do dia, de um jovem na Baixada Fluminense, também no Rio, reforçou o alerta contra os chamados “justiçamentos”.

Em defesa do Estado de Direito
Nas redes sociais e portais da internet, os debates opõem a defesa dos direitos humanos contra a necessidade de se fazer algo contra a bandidagem. Poucos falam da ética intrínseca à legalidade, contrária aos julgamentos sumários e arbítrios passionais, por entender que pela própria natureza voluntarista que os anima, esses métodos acabam virando instrumento de perseguição sem distinção. Quem decide o que é crime ou quem é criminoso? Quem determina a pena? Se duas pessoas discordarem sobre algum ponto, quem fará a mediação? Para o legalista, é o Estado de Direito. Se ele é falho, cabe lutar pelo seu aprimoramento, dentro das regras estabelecidas. O parlamento existe para isso. Os tribunais superiores também.

Justiçamentos não são novidade, principalmente em áreas mais pobres das grandes cidades. Na falta de lei, a lei se faz assim, capenga, brutal. Conversava recentemente com um amigo jornalista aqui de Fortaleza, que me revelou o seguinte: sua esposa tem um comércio situado em bairro de periferia. Foi assaltada duas vezes. Depois um traficante da área “ofereceu” serviço de proteção. Evidentemente é caso de extorsão. Mas que vai denunciar algo assim? Os assaltos acabaram… Bandido que ataca comércio protegido por quadrilhas se dá mal. Rotina.

Nas nossas mãos
Os casos que agora chocam a classe média são mais um passo no processo de desmoralização das instituições. Quem ganha com isso? Quem enxerga nelas um obstáculo para o exercício poder. Sempre foi assim. Simples assim. Quem está no poder não se sente impelido a resolver a questão porque conta com esse clima de tensão para vender suas ideias. Em seus discursos, quem atrapalha a vida dos brasileiros é o STF, a imprensa, o Ministério Público, os órgãos de fiscalização e por aí vai.

A única forma real de justiça que um indivíduo pode exercer é justamente a que mais assusta quem tem a obrigação de preservar o aparato legal e institucional da nação: o voto. Esse é o melhor “justiçamento” a ser feito. É lá que esse descontentamento tem força. De resto, qualquer um que defenda ações violentas como forma legítima de reivindicar algo flerta com o perigo e não sabe.

Publicidade

Faça você também justiça com as próprias mãos: nas urnas!

Por Wanfil em Brasil

07 de Fevereiro de 2014

De uns tempos pra cá, no Brasil, diante da falta de resposta dos poderes públicos para inúmeros problemas, a moda agora é a do protesto violento, eufemisticamente chamado por aí de ativismo. Se um grupo é contra pesquisas com animais, que se quebrem laboratórios; se é contra os transgênicos, que se destruam plantações. E se o sujeito achar que a reforma agrária ainda não foi feita? Ora, é só invadir uma propriedade privada e coitado de quem for obrigado a cumprir uma reintegração de posse. O caseiro fez uma denúncia contra o ministro? É só violar o sigilo bancário dele. Os exemplos são muitos. Basta ter uma causa apresentada em linguagem politicamente correta.

Na verdade, não há diferença conceitual entre grupos de extermínio, Black Blocs, MST, ou a professora de filosofia da UECE que desacatou policiais no Cocó e agora foi indiciada por participação no incêndio criminoso na Prefeitura de Fortaleza: todos querem e agem nome de uma nova ordem, que aos seus olhos, é a mais justa. Variam apenas no grau das ilegalidades que praticam, e ai de quem não concordar.

A ordem e os justiçamentos
Agora assistimos a um debate sobre a ação de “justiceiros” que teriam capturado, espancado e deixado nu, preso a um poste, um adolescente acusado de praticar crimes no Rio de Janeiro. A jornalista Rachel Sherazade, do SBT, fez um comentário dizendo que a ação pode ser compreendida como “legítima defesa” de uma sociedade imersa em inacreditáveis índices de criminalidade. Por ser identificada como uma das porta-vozes da direita brasileira, os progressistas, carentes de alvos agora que são governo, aproveitaram a oportunidade e passaram a criticá-la, não sem razão. Ela pesou o tom. Sherazade é uma espécie de Jair Bolsonaro do jornalismo. Em vez de promover o que deveria ser um pensamento direitista, acaba queimando ainda mais o filme desse ideário pelo exagero com que às vezes aborda temas. Fosse um “rapper” a falar sobre a justiça das ruas, todos deitariam teses sociológicas sobre o negócio.

O fato é que um conservador ou um liberal de verdade se distinguem de ideais revolucionários justamente pela defesa intransigente da legalidade. Apostam em reformas, enquanto os demais acreditam em rupturas violentas. Justiça com as próprias mãos, no sentido de uso da força e da ilegalidade, é o pesadelo do direitista consciente. Só os radicais, por óbvia falta de sensatez e conhecimento de causa, advogam a derrocada da institucionalidade e da autoridade constituída.

Um vídeo divulgado pelo jornal Extra nesta quinta-feira (6) mostrando a execução, em via pública e à luz do dia, de um jovem na Baixada Fluminense, também no Rio, reforçou o alerta contra os chamados “justiçamentos”.

Em defesa do Estado de Direito
Nas redes sociais e portais da internet, os debates opõem a defesa dos direitos humanos contra a necessidade de se fazer algo contra a bandidagem. Poucos falam da ética intrínseca à legalidade, contrária aos julgamentos sumários e arbítrios passionais, por entender que pela própria natureza voluntarista que os anima, esses métodos acabam virando instrumento de perseguição sem distinção. Quem decide o que é crime ou quem é criminoso? Quem determina a pena? Se duas pessoas discordarem sobre algum ponto, quem fará a mediação? Para o legalista, é o Estado de Direito. Se ele é falho, cabe lutar pelo seu aprimoramento, dentro das regras estabelecidas. O parlamento existe para isso. Os tribunais superiores também.

Justiçamentos não são novidade, principalmente em áreas mais pobres das grandes cidades. Na falta de lei, a lei se faz assim, capenga, brutal. Conversava recentemente com um amigo jornalista aqui de Fortaleza, que me revelou o seguinte: sua esposa tem um comércio situado em bairro de periferia. Foi assaltada duas vezes. Depois um traficante da área “ofereceu” serviço de proteção. Evidentemente é caso de extorsão. Mas que vai denunciar algo assim? Os assaltos acabaram… Bandido que ataca comércio protegido por quadrilhas se dá mal. Rotina.

Nas nossas mãos
Os casos que agora chocam a classe média são mais um passo no processo de desmoralização das instituições. Quem ganha com isso? Quem enxerga nelas um obstáculo para o exercício poder. Sempre foi assim. Simples assim. Quem está no poder não se sente impelido a resolver a questão porque conta com esse clima de tensão para vender suas ideias. Em seus discursos, quem atrapalha a vida dos brasileiros é o STF, a imprensa, o Ministério Público, os órgãos de fiscalização e por aí vai.

A única forma real de justiça que um indivíduo pode exercer é justamente a que mais assusta quem tem a obrigação de preservar o aparato legal e institucional da nação: o voto. Esse é o melhor “justiçamento” a ser feito. É lá que esse descontentamento tem força. De resto, qualquer um que defenda ações violentas como forma legítima de reivindicar algo flerta com o perigo e não sabe.