liberalismo Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

liberalismo

Economia e eleições: agora (quase) todos são liberais

Por Wanfil em Eleições 2020

04 de dezembro de 2019

O IBGE informa que PIB brasileiro cresceu 0,6% no 3º trimestre de 2019, puxado pelo consumo das famílias e pelo investimento das empresas. Ainda é pouco, mas superou expectativas.

Tudo isso após um traumático período de recessão – a maior da história – produzido pela “nova matriz econômica” de Dilma Rousseff, Márcio Pochmann e Aloísio Mercadante, que apostavam na expansão dos gastos públicos (mesmo gerando pressão inflacionária e fiscal) para induzir o crescimento econômico. Deu no que deu.

Agora com as projeções indicando, para o próximo ano (ano eleitoral), mais redução de juros, crescimento um pouco mais acelerado, e recuo no desemprego, o discurso liberal de Paulo Guedes deverá se fortalecer. Não por acaso o governador Camilo Santana, mesmo sendo do PT e aliado do PDT, celebrou durante o relançamento do programa Ceará Veloz, no Palácio da Abolição, as virtudes de “um Estado cada vez menor, mas mais eficiente”. Se fossem vivos, Marx pregaria seu fuzilamento e Roberto Campos o aplaudiria.

Não discuto aqui nesse texto questões doutrinárias, muito menos convicções pessoais de políticos ou de quem quer que seja. O ponto é outro: puro instinto de sobrevivência. Ou se preferirem, adaptação às circunstâncias. O fato é que se nas eleições passadas o discurso mais duro no combate ao crime foi assimilado por candidatos de esquerda, pelo menos os mais competitivos, agora será a vez de modularem propostas mais ao gosto liberal. Podem esperar.

Publicidade

MPF investiga intolerância ideológica na UECE: a pluralidade das ideias não pode ser apenas um discurso

Por Wanfil em Ideologia

01 de dezembro de 2018

Durante as eleições deste ano a professora Catarina Rochamonte, do curso de Filosofia da Universidade Estadual do Ceará, publicou dois artigos no jornal O Povo: A guinada à direita e O fascismo da esquerda hipócrita, com fortes críticas a agentes de esquerda que atuam na imprensa e nas universidades.

O que deveria ser uma oportunidade para fomentar o debate público de ideias, acabou se transformado em acusações de difamação e ameaças que atingiriam a professora e alunos simpatizantes. Alguns estudantes que participam de grupos de estudos cristãos levaram o caso ao Ministério Público Federal, com material colhido em prints de redes sociais. O descontentamento com o posicionamento dos artigos é natural e até previsível, mas se limites legais foram ultrapassados, é preciso agir logo.

Desse modo, nesta semana o Ministério Público Federal enviou oficio a UECE para apurar “supostos atos de violência e intolerância política e religiosa” e a “organização de polícia ideológica” no Centro de Humanidades da universidade. Em resposta, a UECE divulgou nota:

“A Universidade Estadual do Ceará (UECE) não reconhece a existência de organização de polícia ideológica no seu âmbito. Reitera o respeito democrático, a autonomia assegurada pelas Constituições Federal e Estadual e o livre debate das ideias como base desta autonomia. Sobre a nota encaminhada pelo Ministério Público Federal, a resposta está sendo diligenciada para envio no prazo estabelecido.”

Que o caso seja esclarecido é o que se espera. De todo modo, seguem aqui algumas considerações, sem entrar no mérito jurídico. O termo polícia ideológica remete à ideia de milícias uniformizadas. Isso, de fato, não existe. O mais adequado é falar em policiamento ideológico, com a imposição do espírito de corpo, de pressões institucionais, isolamento e constrangimentos sociais. A hegemonia da esquerda nas universidades brasileiras não é feita de leis ou de documentos oficiais, é uma realidade construída ao longo de um meticuloso processo de trabalho dentro desses espaços. Com o tempo, a influência se transformou em dominação que, de tão natural, deixou de ser percebida como anomalia e passou a ser vivenciada como o estado natural dos cursos de humanas.

A reação agressiva aos artigos decorre de uma espécie de choque diante da possibilidade de alguém não ser de esquerda nesses ambientes. Entretanto, a maciça predominância ideológica do progressismo segue firme no dia a dia dessas instituições, na seletividade dos autores abordados, da limitada bibliografia adotada, nas entrevistas, na escolha dos cargos administrativos, no enfoque das pesquisas, na repetição de discursos políticos e por aí vai.

Nesse sentido, a nota é pura tergiversação. O livre debate de ideias é letra morta nas universidades. Sei disso por experiência própria, aluno que fui de História na própria UECE e na Universidade Federal do Ceará (leia mais aqui). De todo modo, como são novos tempos, faço aqui uma sugestão de boa fé, em nome do “respeito democrático”:

Que tal a UECE promover um seminário de estudos sobre as divergências e convergências entre o pensamento conservador e liberalismo? Uma discussão que abordasse, claro, textos originais dos autores mais conhecidos e respeitados dessas áreas e não apenas dos seus críticos. Seria uma forma inteligente de mostrar que a pluralidade das ideias é um valor caro e estimulado entre estudiosos.

Seria.

Publicidade

O Brasil entre “a chupeta das utopias e a bigorna do realismo”

Por Wanfil em Cultura

18 de Abril de 2017

Roberto Campos faria 100 anos e sua pregação pela modernidade do Estado continua atual

Nesses dias em que a qualidade do debate político pode ser resumida aos adjetivos “petralha” e “coxinha”, que questões sobre a Previdência continuam embotadas por velhos chavões que ignoram os limites físicos para o seu financiamento, nesse contexto de muita emoção e pouca razão, a lembrança de que ontem, 17 de abril, o economista, político e diplomata Roberto Campos completaria 100 anos, serve de advertência para a falta de maturidade com que temas vitais continuam a ser tratados no Brasil.

Vale resgatar uma de suas tiradas: “O que os governos latino-americanos desejam é um capitalismo sem lucros, um socialismo sem disciplina e investimento sem investidores estrangeiros”.

Pois é. Passados 16 anos de seu falecimento, as coisas pouco mudaram. Esses países querem estimular o consumo tributando pesadamente o consumo, combater o desemprego encarecendo brutalmente a criação de empregos, combater a desigualdade de renda preservando privilégios corporativos e reservas de mercados. Não dá.

Campos foi o maior defensor do liberalismo econômico no Brasil, lutando contra uma cultura patrimonialista e clientelista que vê no Estado uma entidade salvadora fonte de recursos inesgotáveis, que substitui a livre concorrência por conchavos, que persegue quem investe e pune a ousadia de empreender com burocracia e taxas. Foi lendo seus artigos que comecei a me interessar pelo assunto.

Outro aforismo do autor de A Lanterna na Popa: “A primeira coisa a fazer no Brasil é abandonar a chupeta das utopias em favor da bigorna do realismo”.

Nada mais atual.

 

PS. O Estadão fez boa matéria sobre Roberto Campos, por ocasião do seu aniversário, que recomendo: Um pregador incansável do liberalismo.

Publicidade

Racismo nos estádios é covardia de indivíduos escondidos na multidão

Por Wanfil em Noticiário

01 de setembro de 2014

Uma reportagem do UOL nesta segunda mostra que familiares e amigos da torcedora gremista flagrada ao proferir insultos racistas contra o goleiro “Aranha”, do Santos, na última quinta-feira  (28), estão surpresos com o caso. Garantem que o comportamento de Patrícia Moreira, de 23 anos, é diferente na vida privada, sem nada que lembre a postura preconceituosa manifestada no estádio. Alguns especulam que o ato repulsivo se deu no calor do momento, instigado pelo conjunto de torcedores que também ofendiam o goleiro. Caso a polícia instaure inquérito, Patrícia pode responder a processo por injúria racial, cuja pena varia de um a três anos de reclusão.

De certa forma, seus conhecidos parecem ter razão. O vídeo em que a jovem aparece mostra a típica cena em que torcedores de um time procuram desestabilizar jogadores da equipe adversária ou mesmo os juízes da partida. No entanto, além do time, o racismo como arma de constrangimento serviu para aquelas pessoas como instrumento de identidade e coesão. Sabiam que ofendiam e enxergam na própria condição racial, sinais de superioridade diante de um atleta negro. Assim, naquelas condições específicas e emocionais, foi que a jovem se manifestou. Acredito que, muito provavelmente, ela jamais chamasse o goleiro de “macaco” fora dali, mas isso não justifica o ocorrido. Uma vez inserida na torcida, protegida pelo anonimato e diluída na multidão, deu vazão ao preconceito que nutria intimamente. Ela apenas não imaginava estar sendo filmada. É mais ou menos o que acontece com os Black Blocs, mascarados que, em bando, saqueiam e depredam. Acreditam que, estando em grupo e defendendo uma causa particular, são especiais e imunes aos limites da lei. É o complexo de inferioridade transformado em cultura política.

Escrevo isso após ler a seguinte passagem da escritora liberal americana Ayn Rand, sobre esse aspecto do preconceito racial:

“O racismo é a forma mais baixa e mais cruelmente primitiva de coletivismo. É a noção de atribuir significado moral, social ou político à linhagem genética de um homem – é a noção de que os traços caracterizadores e intelectuais de um homem são produzidos e transmitidos por sua química corporal interna. O que quer dizer, na prática, que um homem deve ser julgado, não por sua índole ou ações, mas pelas índoles e ações de um coletivo de antepassados.”

É isso aí! Patrícia deve ser julgada por sua índole e ações. Os demais torcedores envolvidos, se identificados, também. Se existe algo com que simpatizo no pensamento liberal é a noção de que o indivíduo tem primazia sobre o coletivo. Não se trata de renegar o social, mas de compreender que o todo é feito de partes, de sujeitos dotados de livre arbítrio. Ninguém é criminoso ou virtuoso exclusivamente por causa da condição econômica ou racial. Assim não haveria responsabilidade sobre o que fazemos. Questões econômicas, políticas e culturais certamente agem sobre o indivíduo, mas é ele, sozinho, em rápido ou longo exame de consciência, quem decide o que fazer. Choques e tensões acontecem, claro, mas existem regras para expor opiniões e mediar impasses. No Brasil, ficou estabelecido, com justiça, que racismo é crime.

No caso da torcedora do Grêmio, é possível até entender que o grupo acabou por influenciar-lhe o comportamento, mas isso não serve como desculpa para eximi-la da devida reparação. A responsabilidade pelos atos praticados é sempre, no final, e ainda que acompanhada de eventuais atenuantes ou agravantes externos, inerente ao indivíduo.

Publicidade

Racismo nos estádios é covardia de indivíduos escondidos na multidão

Por Wanfil em Noticiário

01 de setembro de 2014

Uma reportagem do UOL nesta segunda mostra que familiares e amigos da torcedora gremista flagrada ao proferir insultos racistas contra o goleiro “Aranha”, do Santos, na última quinta-feira  (28), estão surpresos com o caso. Garantem que o comportamento de Patrícia Moreira, de 23 anos, é diferente na vida privada, sem nada que lembre a postura preconceituosa manifestada no estádio. Alguns especulam que o ato repulsivo se deu no calor do momento, instigado pelo conjunto de torcedores que também ofendiam o goleiro. Caso a polícia instaure inquérito, Patrícia pode responder a processo por injúria racial, cuja pena varia de um a três anos de reclusão.

De certa forma, seus conhecidos parecem ter razão. O vídeo em que a jovem aparece mostra a típica cena em que torcedores de um time procuram desestabilizar jogadores da equipe adversária ou mesmo os juízes da partida. No entanto, além do time, o racismo como arma de constrangimento serviu para aquelas pessoas como instrumento de identidade e coesão. Sabiam que ofendiam e enxergam na própria condição racial, sinais de superioridade diante de um atleta negro. Assim, naquelas condições específicas e emocionais, foi que a jovem se manifestou. Acredito que, muito provavelmente, ela jamais chamasse o goleiro de “macaco” fora dali, mas isso não justifica o ocorrido. Uma vez inserida na torcida, protegida pelo anonimato e diluída na multidão, deu vazão ao preconceito que nutria intimamente. Ela apenas não imaginava estar sendo filmada. É mais ou menos o que acontece com os Black Blocs, mascarados que, em bando, saqueiam e depredam. Acreditam que, estando em grupo e defendendo uma causa particular, são especiais e imunes aos limites da lei. É o complexo de inferioridade transformado em cultura política.

Escrevo isso após ler a seguinte passagem da escritora liberal americana Ayn Rand, sobre esse aspecto do preconceito racial:

“O racismo é a forma mais baixa e mais cruelmente primitiva de coletivismo. É a noção de atribuir significado moral, social ou político à linhagem genética de um homem – é a noção de que os traços caracterizadores e intelectuais de um homem são produzidos e transmitidos por sua química corporal interna. O que quer dizer, na prática, que um homem deve ser julgado, não por sua índole ou ações, mas pelas índoles e ações de um coletivo de antepassados.”

É isso aí! Patrícia deve ser julgada por sua índole e ações. Os demais torcedores envolvidos, se identificados, também. Se existe algo com que simpatizo no pensamento liberal é a noção de que o indivíduo tem primazia sobre o coletivo. Não se trata de renegar o social, mas de compreender que o todo é feito de partes, de sujeitos dotados de livre arbítrio. Ninguém é criminoso ou virtuoso exclusivamente por causa da condição econômica ou racial. Assim não haveria responsabilidade sobre o que fazemos. Questões econômicas, políticas e culturais certamente agem sobre o indivíduo, mas é ele, sozinho, em rápido ou longo exame de consciência, quem decide o que fazer. Choques e tensões acontecem, claro, mas existem regras para expor opiniões e mediar impasses. No Brasil, ficou estabelecido, com justiça, que racismo é crime.

No caso da torcedora do Grêmio, é possível até entender que o grupo acabou por influenciar-lhe o comportamento, mas isso não serve como desculpa para eximi-la da devida reparação. A responsabilidade pelos atos praticados é sempre, no final, e ainda que acompanhada de eventuais atenuantes ou agravantes externos, inerente ao indivíduo.