Lula Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Lula

Nos perdoe, São Francisco

Por Wanfil em Política

26 de junho de 2020

São Francisco de Assis, o homem que abdicou das riquezes materias por uma vida de simplicidade, não merecia virar nome de obra pública no Brasil. Especialmente um grande empreendimento de infraestrutura. Basta ver a transposição do Rio São Francisco.

Placa de obra com o nome de São Francisco. Foto: ALCE/divulgação. Arte: Wanfil

Após 12 anos de espera – sete dos quais, de ATRASO – as águas do São Francisco chegam ao Ceará. Foram quatro presidentes da República: Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro. Como toda obra demorada, todos procuram ressaltar sua participação no empreendimento, mas ninguém jamais assume responsabilidade (nem pede desculpa) pelos atrasos e pelo brutal encarecimento do projeto, que custou quase R$ 11 bilhões aos brasileiros, mais que o dobro da previsão inicial.

Os governos petistas imaginaram, lá atrás, que teriam tempo de sobra, com seus, digamos, parceiros, para concluir a transposição. Temer correu para aparecer na foto, mas seu mandato foi curto. E como um dia a obra teria que finalmente acabar, coincidiu de ser agora, com Bolsonaro, em meio à pandemia.

Aliás, por falar nisso, o governador Camilo Santana informou, no próprio dia da inauguração, que devido à preocupação com a pandemia não iria ao evento com o presidente, que faz sua primeira visita oficial ao Ceará. É justo, mas Por outro lado, parece que o cerimonial da Presidência contatou oficialmente as autoridades locais – que souberam da inauguração pela imprensa – em cima da hora. Tudo muito estranho.

Não é o clima ideal para o governo estadual e o federal decidirem como os custos de operação e manutenção da obra serão divididos. Parece que nesses longos doze anos, ninguém pensou nisso, embora o Centrão que apoiou Lula, Dilma, Temer e que agora apoia Bolsonaro, seja o mesmo. É que no Brasil, o “pois é dando que se recebe” da linda Oração de São Francisco ganhou um sentido muito particular e invertido, quanto o assunto é obra pública.

Sorte nossa que Francisco é Santo e por isso mesmo não haverá de guardar mágoa.

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Bolsonaro e Lula ignoram mortes por Covid-19 e usam pandemia para atacar adversários

Por Wanfil em Brasil

20 de Maio de 2020

Oportunismo político na pandemia. Diferentes, opostos, adversários, mas parecidos. Às vezes, quase iguais. Foto: Jackson Trizolio/Flickr

O Brasil registrou pela 1ª vez mais de mil óbitos por Covid-19 em 24h. Foram contabilizadas 1.179 mortes somente nesta terça-feira (19). Isso sem esquecer que esse número, infelizmente, deve ser bem maior, por causa da enorme subnotificação de casos no país. Antes do fim da semana passaremos a casa das vinte mil vítimas fatais.

Pois bem, na noite da mesma terça, o presidente Jair Bolsonaro disse, em meio a risadas durante uma entrevista, que “quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma tubaína”.

E para completar esse mesmo dia, o ex-presidente e ex-presidiário Lula da Silva, também em entrevista,afirmou que “ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus”, para mostrar “que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises”.

Bolsonaristas e lulistas se imaginam muito diferentes, mas seus ídolos não perdem a oportunidade de tentar capitalizar politicamente com a tragédia e com a crise, acusando adversários ideológicos. Na verdade, usam chavões de modo rudimentar para disfarçar de ideologia o que é apenas oportunismo politiqueiro. Dizer que essas divergências deveriam ser colocadas de lado, que o foco deveria ser o combate ao vírus, é perda de tempo.

Há quem critique um, mas elogie o outro, e vice-versa. E não apenas os radicais que empestam as redes sociais, mas autoridades como governadores, prefeitos e parlamentares também fazem parte dessas, digamos, torcidas. Pensam também que são muito diferentes uns dos outros, mas assemelham-se igualmente pelas mesmas razões. Não digo que sejam iguais, que não existam diferenças marcantes entre esses personagens, apenas noto que partes essênciais dos seus discursos e métodos são mais parecidos do que podem admitir.

Existem ainda os que criticam os dois, mas que assumem formas parecidas de agir: apostam na polêmica, na intriga, no voluntarismo, na excitação de ressentimentos.

São essas as grandes lideranças nacionais?

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A diferença entre Lula e Cabo Sabino

Por Wanfil em Política

06 de Março de 2020

Indignação: ao cobrar prisão imediata para o Cabo Sabino, líder do motim ilegal no CE, mas que ainda será julgado, Camilo Santana deve lembrar que Lula, condenado em 2ª instância por corrução, está solto

O governador Camilo Santana foi ao Facebook compartilhar sua indignação com o relaxamento do mandado de prisão contra o ex-deputado federal Cabo Sabino, líder do motim que provocou uma crise na segurança pública do Ceará. Segundo Camilo, é “inaceitável que alguém promova todo tipo de desordem, cometa crimes, desafie a própria Justiça, Ministério Público, Governo e sociedade, e seja mandado para casa, como se nada tivesse ocorrido”. Depois arrematou: “Esse acusado terá que responder pelos seus gravíssimos atos, pelo bem do Estado de Direito”.

Vejam como política é terreno escorregadio. Que o Cabo Sabino deva responder pelos crimes de que é acusado, ninguém discorda. Se for condenado, que cumpra a pena. Imagens e áudios é que não faltam para provar o papel dele no episódio. Mas como o motim acabou, com o próprio Sabino derrotado na votação dos amotinados para encerrar a paralisação, a prisão preventiva foi relaxada. São os ritos da Justiça.

Passada a possibilidade de prisão em flagrante, será preciso aguardar o devido julgamento. E o pior: tem que esperar pelos recursos. Com bons advogados, um processo pode levar anos ou até prescrever. É assim que funciona. Antes, era possível antecipar uma prisão a partir de condenação em segunda instância, mas o STF recentemente mudou esse entendimento. Existe até um projeto no Congresso que tenta mudar isso, mas alguns partidos são contra, para proteger seus membros enrolados com a Justiça.

O caso mais famoso é justamente o do ex-presidente Lula, liderança maior do PT, correligionário do governador cearense. Condenado mais de uma vez pelos crimes corrupção e lavagem de dinheiro, foi “mandado para casa, como se nada tivesse ocorrido”. É ou não é de causar indignação?

Uma das diferenças entre o caso do Cabo Sabino, que atentou contra a lei que proíbe motins, e Lula, de extensa ficha corrida, é que, como disse o próprio governador, Sabino ainda é acusado, e o ex-presidente, todos sabem, já é um condenado. Se condenado, como deve ser, que Sabino pague por seu crime. O mesmo tem que valer para Lula. Qualquer seletividade por causa de questões ideológicas  ou partidárias, é uma contradição tão inadmissível quanto a impunidade.

Acontece que política, como eu disse, é mesmo terreno escorregadio.

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Ciro esculhamba Lula; Camilo abraça Lula; Ciro e Camilo se entendem. Como pode?

Por Wanfil em Política

13 de novembro de 2019

Ciro e Camilo trafegam em via de mão dupla. Sentidos opostos que se complementam – Foto: Visual Hunt

Ciro Gomes quebrou o silêncio sobre a soltura de Lula com duas entrevistas, uma ao jornal O Globo e outra a repórteres em evento realizado em São Paulo. Como todos gostam de uma confusão, a repercussão foi imediata. Em suma, Ciro voltou a esculhambar Lula e o PT. Repetiu que o ex-presidente não é inocente e que seu partido é uma quadrilha.

É o oposto da movimentações do governador Camilo Santana, que além de ir ao encontro de Lula, o exalta no padrão exigido aos petistas: como a uma entidade acima do bem e do mal. Para Camilo, os escândalos e o calvário jurídico de Lula são uma tremenda injustiça.

Ciro e Camilo divergem publicamente em relação ao ex-presidente ficha suja. E não se trata de uma discordância estratégica qualquer, mas de uma cisão que, no fundo, embora todos disfarcem, é de fundo moral: apoiar ou combater Lula significa condescender ou rechaçar com seus métodos. Como então eles conseguem conciliar essas diferenças? Por muito menos, amigos e parentes andam cortando relações. Henry De Montherlant explica: “A política é a arte de captar em proveito próprio a paixão dos outros”. É, os franceses entendem do riscado.

No fim, por enquanto, esquerdistas descontentes com o lulismo e esquerdistas idólatras de Lula convivem na mesma base aliada no Ceará como se isso fosse a coisa mais natural. Camilo agrada ao petismo sem desagradar ao cirismo quando confraterniza com Lula e ao mesmo tempo defende apoio a Ciro; e Ciro preserva a aliança estadual ao dizer que só o comando nacional do PT é que não presta, ressalvados os “petistas médios”, entre os quais cita Camilo, colocando ainda as coisas, pela sua ótica, nos devidos lugares.

Até quando isso vai funcionar, aí é outra conversa.

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Ciro ou Lula?

Por Wanfil em Política

11 de novembro de 2019

Não é de hoje que Camilo convive entre Lula e Ciro, mas nunca foi tão complicado – Foto: efeito sobre Divulgação/Inst. Lula/2016

A saída de Lula da cadeia produziu efeitos distintos no Ceará. O governador Camilo Santana, do PT, comemorou nas redes sociais a decisão do STF que soltou o correligionário condenado por corrupção e lavagem de dinheiro: “Justiça feita. Lula, o maior presidente que este país já teve, está livre”. Já o presidenciável Ciro Gomes (“Lula só pensa em si e virou um enganador profissional”) e seu irmão, o senador Cid Gomes (“o Lula tá preso, babaca!”), ambos do PDT , optaram pelo silêncio.

No Ceará, a convergência de interesses que une PT e PDT ainda produz benefícios mútuos, mas as brigas entre os seus comandos nacionais leva cada um a falar para seu próprio grupo na atual divisão da esquerda brasileira: os que ainda idolatram Lula e os que se decepcionaram com Lula. Juntos, os Ferreira Gomes e o PT ligado a Camilo abarcam as duas partes. Não foi por impulso que o governador foi a São Paulo abraçar o ex-presidente. Como tudo na política, houve cálculo nesse movimento. Basta reparar que Ciro ataca Lula até no campo moral, mas não critica o governador que enaltece o petista. Os espaços seguem devidamente ocupados por aliados no Estado.

Para as eleições municipais do próximo ano, especialmente nas capitais, o petismo cobra de Camilo uma atitude de independência e protagonismo, já o pedetismo lhe cobra, digamos assim, neutralidade. Isso já aconteceu antes, mas sem que Lula e Ciro estivessem tão afastados (para dizer o mínimo) como agora. Só pra lembrar, Lula afirmou recentemente que Ciro não tem perfil ideológico para representar a esquerda, pois troca de partido a cada eleição. O governador elogia os dois, por quem nutre admiração natural. E tem se mostrado bastante hábil nesse jogo, que fica cada vez mais complicado. Vejamos como será em 2020.

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As entrelinhas de Camilo na entrevista ao Estadão: Ciro erra, mas o PT erra mais

Por Wanfil em Política

22 de outubro de 2019

Camilo entre Ciro e o PT: a política, às vezes, é exercício de equilibrismo em terreno irregular. Imagem: recombiner on Visualhunt / CC BY-NC-SA

O governador Camilo Santana concedeu entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, com grande repercussão no Ceará: Estratégia de Ciro de atacar o PT ‘está errada’, diz Camilo. Por alguns instantes, o impacto da manchete pode ser compreendido como uma defesa do partido diante das pesadas acusações feitas pelo aliado e padrinho político.

Nessas horas, para manter a prudência, sempre me recordo de Nelson Rodrigues: “Ah, como é falsa a entrevista verdadeira”. É que o entrevistado, ciente da publicidade de suas palavras, modula opiniões ao sabor das conveniências ou das responsabilidades. Isso é normal. Em certos casos é até recomendável. Imagine então quando o assunto é política.

Na entrevista ao Estadão, eis a pergunta cuja resposta gerou a manchete: Os sucessivos ataques de Ciro ao PT podem causar algum abalo na relação entre o senhor e os Ferreira Gomes? 

O que poderia dizer o governador? Que lado escolher? Ciro diz com frequência que Lula é corrupto e que a cúpula do PT é uma quadrilha. Logicamente o governador discordou da “estratégia”, sem fazer juízo sobre conteúdos. E discorda por que? Porque “nenhuma candidatura se constituirá à esquerda, centro-esquerda, se não tiver o PT como aliado”. Faz sentido. Mas na prática, o que isso significa? Camilo não deixa dúvidas: “Defendi lá atrás que Ciro fosse candidato, defendi a chapa Ciro-Haddad. Era o momento de se unir em torno de um projeto”.

Resumindo, para Camilo Santana, Ciro erra ao atacar o PT, que errou primeiro ao não apoiar Ciro (e perder para Bolsonaro). É um exercício de equilibrismo. Ocorre que o ex-presidente Lula discorda da tese. Em entrevista ao UOL na semana passada, o chefe petista disparou contra Ciro: “Toda vez que disputa uma eleição, procura um partido e entra. Não tem perfil ideológico. O PT não aceita isso”.

No Ceará, PT e PDT são aliados, com os petistas a serviço do projeto político liderado por Ciro  e Cid Gomes. Uma vez que a reprodução de uma parceria nacional nessas condições é impossível, o jeito é sustentar que a aliança cearense deveria servir de modelo, afinal, mesmo sem controlar a máquina eleitoral, o PT acabou elegendo um governador.

Acontece que o cenário nacional é bem diferente do estadual. Se no Ceará o cirismo é maior que o petismo, no Brasil, o lulismo, ainda que alquebrado por causa de escândalos de corrupção, é maior que o cirismo.

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CPI da Lava Jato é pauta que une PT e PDT

Por Wanfil em Política

17 de setembro de 2019

Divergências à parte, descontados alguns discursos, ninguém solta a mão de ninguém

A ambiguidade é um recurso muito usado na política, afinal, é a arte do possível, mas em excesso pode causar contradições que levam ao descrédito.

Explico: enquanto Ciro Gomes chama Lula de corrupto, Fernando Haddad de fraude e o PT de quadrilha, seu partido PDT une forças com esse mesmo PT por uma CPI na Câmara dos Deputados para investigar a Lava Jato e o ex-juiz Sérgio Moro, atualmente ministro da Justiça. Acusar os ex-aliados de corrupção e ao mesmo tempo ajudá-los a constranger os investigadores que revelaram seu esquema criminoso, é ultrapassar a linha que separa ambiguidade de contradição.

O PDT até pode alegar que reconhecer o crimes do petismo não implica em concordar com os métodos da Lava Jato. É verdade, e para isso é possível apelar a outras instâncias, como o STF. Mas ao optar pela ação política, via comissão parlamentar de inquérito, em aliança com os principais investigados pela Lava Jato, os pedetistas assumem, ou endossam, um discurso contraditório ao seu, pois o PT alega inocência e se diz vítima de perseguição de uma conspiração judiciária.

No fim das contas, a conclusão não pode ser outra: discursos públicos, discordâncias, troca de farpas e ressentimentos à parte, no que interessa mesmo, PT e PDT estão sempre juntos.

Cearenses que defendem a CPI da Lava Jato

Para selar a parceria, um dos autores do pedido de CPI é o deputado federal André Figueiredo, do PDT do Ceará. De resto, da bancada cearense, também assinam o pedido para investigar a investigação contra a corrupção os deputados Aníbal Gomes (MDB), Denis Bezerra (PSB), Domingos Neto (PSD), Eduardo Bismarck (PDT), Idilvan Alencar (PDT), José Aírton (PT), José Guimarães (PT), Júnior Mano (PL), Leônidas Cristino (PDT), Luizianne Lins (PT), Moses Rodrigues (MDB), Robério Monteiro (PDT).

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Governadores do Nordeste: pauta administrativa, gestos políticos

Por Wanfil em Política

29 de julho de 2019

Governadores do Nordeste implantam consórcio administrativo – Foto: divulgação

Governadores do Nordeste estiveram reunidos nesta segunda-feira, na Bahia, para a implantação do Consórcio Nordeste, uma parceria administrativa entre os estados da região.

Apesar da pauta técnica, as atenções sempre se voltam para a política. Como todos sabem, os laços que unem o grupo são maiores que a questão regional: há também, ou sobretudo, a sintonia ideológica e a condição de opositores ao governo federal.

Nada contra. Na verdade, é legítimo. Porém, é preciso sempre muita atenção para não confundir os limites entre a militância pessoal e os cargos representativos que ocupam. Não raro, os governadores extrapolam temas de gestão para abordar assuntos controversos e de interesse restrito, como quando criticaram o Judiciário para defender o ex-presidente Lula, julgado e condenado em mais de uma instância, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Camilo Santana em Curitiba: recado aos correligionários cearenses (Divulgação)

Lula Livre
Por falar nisso, o governador Camilo Santana (PT-CE), que se recupera de uma virose e por isso não participou da reunião, esteve em Curitiba na semana passada para visitar Lula na carceragem da Polícia Federal. De megafone na mão, entoou palavras de ordem em solidariedade ao líder petista. Cada um tem o direito de acreditar no que quiser, mas quando se trata de políticos, toda ação pública tem por objetivo passar um ou mais mensagens.

Do ponto de vista jurídico, as opiniões dos governadores nordestinos a respeito do caso não têm efeito prático algum. Eles sabem disso, como sabem que boa parte do eleitorado da região simpatiza com o ex-presidente.

No caso de Camilo, é provável que a performance seja ainda um aceno ao petismo no Ceará, comandado pelos deputados José Guimarães e Luizianne Lins – esta disposta a lançar candidatura à Prefeitura de Fortaleza contra Roberto Cláudio, aliado do governador e nome do PDT, que não defende a inocência do ex-presidente, muito pelo contrário.

É claro que o governador tem a força do cargo, que nunca pode ser desprezada, mas na dinâmica interna do partido, não é voz determinante para definir rumos. O ato público em Curitiba mostra compromisso com a sigla, reforçando a imagem de Camilo junto aos correligionários, muito embora a defesa cega de Lula não passe, para o petismo, de uma obrigação incondicional.

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O bate e assopra de Ciro em Lula e Bolsonaro

Por Wanfil em Política

27 de junho de 2019

De entrevista em entrevista, Ciro vai se mantendo em evidência. Imagem: arquivo Tribuna do Ceará

Ciro Gomes voltou a dizer, agora em entrevista concedida à Jovem Pan de São Paulo, que Lula foi condenado sem provas, apesar de não ser inocente. Para não deixar dúvidas, foi enfático: “Se alguém sabe que o Lula não tem nada de inocente, sou eu”.

Repetiu ainda que o presidente da República não termina o mandato, mas dessa vez tratou de avisar: “Quem falar ‘fora Bolsonaro’ não conte comigo”.

Parece contraditório, mas o discurso recorrente tem sua razão de ser. É uma forma de trabalhar a imagem do esquerdista sem vínculos com os crimes de Lula e do oposicionista combativo dentro das regras democráticas.

Se vai dar certo, é impossível prever. Dizer que sabia sobre a culpa de Lula depois que o ex-presidente foi condenado e preso é algo que poderá ser usado contra o pedetista. São riscos próprios da política que ele conhece bem. Aliás, como diria Ciro, repare bem: foi essa a estratégia de Bolsonaro nos anos que antecederam sua eleição.

O fato é que de declaração em declaração, de entrevista em entrevista, de polêmica em polêmica, Ciro vai se mantendo em evidência, enquanto seus adversários no campo da oposição somem no esquecimento.

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PT apanha de Ciro e não reage: por quê?

Por Wanfil em Partidos

12 de Março de 2019

O PT do Ceará é Lula. Para Ciro, do PDT, aliado estadual dos petistas, Lula se corrompeu e o PT nacional é uma quadrilha. (Foto: PT/Ceará)

Ciro Gomes continua a bater forte na direção nacional do Partido dos Trabalhadores. Dessa vez, em entrevista ao jornal Valor Econômico, a principal liderança do PDT no Ceará disse que:

1) a cúpula do PT é uma “organização criminosa”;
2) Gleisi Hoffmann, presidente nacional do partido, é “a chefe” da “quadrilha”;
3) “Lula virou um caudilho sul-americano corrompido”;
4) “Só um petista doente não lembra que o desemprego, quando ela [Dilma] assumiu era 4% e quando saiu, era 14%”;
5) “estou fora” do Lula livre.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa, disse que o partido vai se reunir para decidir se processa Ciro Gomes, pois assim “está ficando complicado“.

E o que disse o PT do Ceará até o momento? Nada. O que dizem suas principais lideranças – (Guimarães, Luizianne, Acrísio Sena, Guilherme Sampaio, Camilo (?) – a respeito do aliado estadual? Nadinha. Os lulistas, onde estão? Optam pelo silêncio, como se não soubessem de nada, mas como dizem por aí, quem cala, consente.

Se pensarmos bem, o constrangimento não se restringe aos petistas. Se a cúpula do PT é uma quadrilha, como diz Ciro, e se as lideranças petistas no estado são alinhadas com essa cúpula e com Lula, já não se trata de mera diferença de opinião, de divergência programática ou coisa que o valha, mas de incompatibilidade moral. O ponto é que, se é assim, se concorda com Ciro, como pode o PDT estar junto com o PT no Ceará?

Leia mais no blog: Ciro Gomes ocupa vazio deixado por Fernando Haddad

Atualização: Ainda no final da tarde de ontem (12), Gleisi Hoffmann foi ao Twitter chamar Ciro de coronel ressentido. No Ceará, silêncio.

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PT apanha de Ciro e não reage: por quê?

Por Wanfil em Partidos

12 de Março de 2019

O PT do Ceará é Lula. Para Ciro, do PDT, aliado estadual dos petistas, Lula se corrompeu e o PT nacional é uma quadrilha. (Foto: PT/Ceará)

Ciro Gomes continua a bater forte na direção nacional do Partido dos Trabalhadores. Dessa vez, em entrevista ao jornal Valor Econômico, a principal liderança do PDT no Ceará disse que:

1) a cúpula do PT é uma “organização criminosa”;
2) Gleisi Hoffmann, presidente nacional do partido, é “a chefe” da “quadrilha”;
3) “Lula virou um caudilho sul-americano corrompido”;
4) “Só um petista doente não lembra que o desemprego, quando ela [Dilma] assumiu era 4% e quando saiu, era 14%”;
5) “estou fora” do Lula livre.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa, disse que o partido vai se reunir para decidir se processa Ciro Gomes, pois assim “está ficando complicado“.

E o que disse o PT do Ceará até o momento? Nada. O que dizem suas principais lideranças – (Guimarães, Luizianne, Acrísio Sena, Guilherme Sampaio, Camilo (?) – a respeito do aliado estadual? Nadinha. Os lulistas, onde estão? Optam pelo silêncio, como se não soubessem de nada, mas como dizem por aí, quem cala, consente.

Se pensarmos bem, o constrangimento não se restringe aos petistas. Se a cúpula do PT é uma quadrilha, como diz Ciro, e se as lideranças petistas no estado são alinhadas com essa cúpula e com Lula, já não se trata de mera diferença de opinião, de divergência programática ou coisa que o valha, mas de incompatibilidade moral. O ponto é que, se é assim, se concorda com Ciro, como pode o PDT estar junto com o PT no Ceará?

Leia mais no blog: Ciro Gomes ocupa vazio deixado por Fernando Haddad

Atualização: Ainda no final da tarde de ontem (12), Gleisi Hoffmann foi ao Twitter chamar Ciro de coronel ressentido. No Ceará, silêncio.