Maracanaú Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Maracanaú

O alerta do IPEA sobre a violência no Ceará

Por Wanfil em Segurança

05 de agosto de 2019

O IPEA divulgou nesta segunda-feira a nova edição do Atlas da Violência, com números relativos ao ano de 2017. Fortaleza surge como a capital com maior taxa de homicídios do país: 87,9 mortes para cada 100 mil habitantes. Comparando com capitais nordestinas de tamanho parecido, Salvador tem 63,5 e Recife 58,4.  Maracanaú figura como a cidade (com população acima de 100 mil habitantes) mais violenta do Brasil: taxa de 145,7. Um registro: a menor taxa entre capitais foi em São Paulo: 13,2. E no Rio de Janeiro foi de 35,6.

Vale lembrar mais uma vez que esses dados são referentes a 2017. Muita coisa mudou desde então. O próprio IPEA cita a criação da Secretaria de Administração Penitenciária no Ceará, que endureceu as regras nos presídios, levando a um “inesperado armistício entre os grupos criminosos, que pode ocasionar uma forte redução dos homicídios no estado, pelo menos enquanto durar a trégua, que é sempre instável“.

É bem provável que na edição do Atlas no ano que vem o Estado recue alguns pontos – como já indicam os índices divulgados pela Secretaria de Segurança – para uma situação mais parecida com outros estados do próprio Nordeste, que ainda é muito grave. Trata-se, claro, de algo positivo, mas um exame no histórico do Atlas da Violência ao longo dos anos mostra que oscilações já foram registradas anteriormente, cada uma com circunstâncias específicas.

Não é o caso de ser pessimista, mas de ficar atento para evitar precipitações. Toda atenção é pouca para não repetir erros de 2016, quando o acordo entre esses grupos “maquiou” números que depois estouraram na guerra de 2017 (ano do recorde de homicídios no Ceará). Reconhecer agora que o pior já passou, ou que pelo menos arrefeceu, não significa ignorar que as coisas, nesse campo, ainda estão muito distantes do mínimo aceitável.

Publicidade

Ceará perde projeto federal de segurança porque Maracanaú é oposição no Estado. O resto é desculpa

Por Wanfil em Política

04 de Abril de 2019

Governador Camilo Santana e Sérgio Moro, ministro da Justiça. Parceria de janeiro não se repetiu em abril, por causa de questões políticas estaduais – Foto: Isaac Amorim/MJ

O Ceará perdeu para Pernambuco um projeto federal de segurança pública (investimentos de R$ 50 milhões por ano). Por quê? Bem, é que a cidade inicialmente escolhida pelo Ministério da Justiça, de Sérgio Moro, foi Maracanaú, um dos poucos redutos da oposição no Ceará. Sem esquecer que ano que vem teremos eleições municipais. É só juntar os fios para perceber as conexões.

O governo cearense afirma que o problema é que os critérios para a definição do município não foram apresentados, insinuando direcionamento político para as ações. Realmente, o secretário Nacional de Segurança, General Guilherme Theophilo, responsável pelo projeto e pelo anúncio de Maracanaú, foi candidato ao governo do Ceará no ano passado pelo PSDB (e já desfiliado), com apoio da prefeitura e do deputado federal Roberto Pessoa, também do PSDB, e inimigo dos Ferreira Gomes. De fato, existe uma relação política, mas ocorre que a procura por aliados na hora de executar obras, programas e projetos é perfeitamente natural, desde que sejam observados parâmetros técnicos que os justifiquem.

Se Maracanaú fosse a cidade com menos homicídios do Ceará, a opção teria sido realmente estranha. Não é o caso. A região metropolitana de Fortaleza, com destaque para Maracanaú e Caucaia, além da própria capital, têm índices obscenos de violência. Além do mais, ninguém jamais perdeu tempo questionando, por exemplo, se o aporte federal para investimentos em Sobral atendia a critérios técnicos, muito pelo contrário: comemorava-se a proximidade política com o governo federal como prova de harmonia pelo bem comum.

Por isso tudo a impressão que ficou foi a seguinte: a gestão Camilo Santana, atendendo a pressões movidas por interesses particulares, deu a entender que não concordava com a escolha. Ao perceber a resistência, o Ministério da Justiça transferiu o projeto para Paulista, em Pernambuco, que aderiu sem pestanejar, é claro.

O pior de tudo, além das vidas que poderiam ter sido salvas, é a mensagem que de que o Ceará – que pediu e recebeu ajuda federal em janeiro para enfrentar a onda de ataques do crime organizado – aceita fazer parcerias, desde que eventuais ganhos políticos possam ser capitalizados por seu grupo político. É uma situação difícil, sem dúvida e que pode prejudicar outros projetos futuros. Pernambuco, também administrado por um governador de oposição ao governo federal, agradece.

Publicidade

Ceará perde projeto federal de segurança porque Maracanaú é oposição no Estado. O resto é desculpa

Por Wanfil em Política

04 de Abril de 2019

Governador Camilo Santana e Sérgio Moro, ministro da Justiça. Parceria de janeiro não se repetiu em abril, por causa de questões políticas estaduais – Foto: Isaac Amorim/MJ

O Ceará perdeu para Pernambuco um projeto federal de segurança pública (investimentos de R$ 50 milhões por ano). Por quê? Bem, é que a cidade inicialmente escolhida pelo Ministério da Justiça, de Sérgio Moro, foi Maracanaú, um dos poucos redutos da oposição no Ceará. Sem esquecer que ano que vem teremos eleições municipais. É só juntar os fios para perceber as conexões.

O governo cearense afirma que o problema é que os critérios para a definição do município não foram apresentados, insinuando direcionamento político para as ações. Realmente, o secretário Nacional de Segurança, General Guilherme Theophilo, responsável pelo projeto e pelo anúncio de Maracanaú, foi candidato ao governo do Ceará no ano passado pelo PSDB (e já desfiliado), com apoio da prefeitura e do deputado federal Roberto Pessoa, também do PSDB, e inimigo dos Ferreira Gomes. De fato, existe uma relação política, mas ocorre que a procura por aliados na hora de executar obras, programas e projetos é perfeitamente natural, desde que sejam observados parâmetros técnicos que os justifiquem.

Se Maracanaú fosse a cidade com menos homicídios do Ceará, a opção teria sido realmente estranha. Não é o caso. A região metropolitana de Fortaleza, com destaque para Maracanaú e Caucaia, além da própria capital, têm índices obscenos de violência. Além do mais, ninguém jamais perdeu tempo questionando, por exemplo, se o aporte federal para investimentos em Sobral atendia a critérios técnicos, muito pelo contrário: comemorava-se a proximidade política com o governo federal como prova de harmonia pelo bem comum.

Por isso tudo a impressão que ficou foi a seguinte: a gestão Camilo Santana, atendendo a pressões movidas por interesses particulares, deu a entender que não concordava com a escolha. Ao perceber a resistência, o Ministério da Justiça transferiu o projeto para Paulista, em Pernambuco, que aderiu sem pestanejar, é claro.

O pior de tudo, além das vidas que poderiam ter sido salvas, é a mensagem que de que o Ceará – que pediu e recebeu ajuda federal em janeiro para enfrentar a onda de ataques do crime organizado – aceita fazer parcerias, desde que eventuais ganhos políticos possam ser capitalizados por seu grupo político. É uma situação difícil, sem dúvida e que pode prejudicar outros projetos futuros. Pernambuco, também administrado por um governador de oposição ao governo federal, agradece.