MEC Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

MEC

Reforma do ensino médio não pode cair no maniqueísmo político que tomou conta do País

Por Wanfil em Educação

23 de setembro de 2016

A educação não pode parar no tempo, mas não deve mudar de qualquer jeito: é preciso senso e estratégia

A educação não pode parar no tempo, nem mudar de qualquer jeito

A medida provisória enviada ao Congresso Nacional pelo presidente Michel Temer propondo uma reforma no currículo do ensino médio causou enorme e justa apreensão entre educadores, escolas, pais e alunos.

Como era de se esperar, nas redes sociais o assunto foi tratado com o viés que tem envenenado qualquer debate no Brasil. De uma lado, uns dizem: “Olha o Temer perseguindo professores”; do outro, a resposta não tarda: “A proposta original é da Dilma, quem votou nela não pode reclamar”. E por aí vai no lenga-lenga aborrecido dos dias atuais.

Obviamente, divergências ideológicas e conceituais podem e devem fazer parte das discussões, mas com base em argumentos bem estruturados no lugar da paixão cega, da ânsia pelo bate-boca inócuo.

O governo federal e o Ministério da Educação poderiam ajudar, mostrando como essa proposta de reforma foi construída, mas isso não aconteceu. Quais os fundamentos, os parâmetros pedagógicos, os exemplos de outros países e pesquisas de desempenho foram utilizadas? A falta de comunicação alimenta boatos e dúvidas. Chega a surpreender.

Há pontos obscuros na proposta, como a falta de detalhes para a ampliação da carga horária de ensino, o impacto orçamentário para os estados com a adoção do tempo integral nas escolas. Em outro ponto, aulas de artes, educação física, filosofia e sociologia deixariam de ser obrigatórias no ensino médio, mas permaneceriam no infantil e fundamental, com conteúdo a ser definido a partir de uma nova Base Nacional Comum Curricular, que ainda será feita.

Apesar dos furos, uma coisa não pode deixar de ser vista: existe sim a necessidade urgente de atualizar conteúdos e dar um sentido estratégico à educação. Nos exames internacionais (pesquise o PISA), o Brasil sempre fica entre os últimos em matemática e leitura. Nossos alunos chegam mal preparados ao mercado de trabalho, isso é fato. Perdemos competitividade.

O debate sobre os rumos e soluções para essa contingência precisa de método, de racionalidade. Não se trata de gostar do governo A ou B, de ser contra esse ou aquele, mas do passo mais importante para uma refundação do Brasil. Que o Congresso tenha maturidade para ouvir, avaliar e propor melhorias no texto.

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Desemprego cresce e autoridades divulgam carta sobre fusão entre Cultura e Educação: muita confusão, pouco resultado

Por Wanfil em Ceará

20 de Maio de 2016

Manifestantes 'ocupam' prédio do Iphan em Fortaleza contra a fusão de ministérios. O emprego deles é protestar

Manifestantes ‘ocupam’ prédio do Iphan em Fortaleza contra a fusão de ministérios. O emprego deles é protestar (Divulgação)

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), junto com os demais governadores de estados nordestinos, divulgou carta contra a “extinção” do Ministério da Cultura. Horas antes, o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT) , e o presidente da Câmara de Vereadores, Salmito Filho (PDT), também assinaram texto contra a “extinção do Ministério da Cultura” e sua “incorporação ao Ministério da Educação”.

Essas iniciativas aconteceram no mesmo dia (19/05) em que o IBGE anunciou que o desemprego no Brasil chegou a 10,9% no primeiro trimestre deste ano. O Nordeste foi a região mais afeta, com índice de 12,8%  (o Sul está com 7,3%). No Ceará os desempregados são 10,8% e na Região Metropolitana de Fortaleza, 11,5%. E o que tem a ver uma coisa com a outra, Wanfil? Vamos por partes.

Não é o fim da Cultura
Dizer que o Ministério da Cultura será extinto pode dar a impressão de que as políticas públicas para a área serão também extintas. Não é por aí. A pasta será incorporada ao Ministério da Educação, no esforço para reduzir o número de ministérios. Menos custos, mais investimentos, diz o governo. Além do mais, a fusão entre cultura e educação não é nenhuma jabuticaba. No Japão é assim, acrescida de ciência e tecnologia no mesmo ministério.

O que está acontecendo aqui é uma disputa política por influência e verbas. O MinC é loteado entre grupos bem articulados, com direito a especialistas em editais e licitações. Seu campo de atuação pode ir desde a reforma de prédios históricos até o financiamento de festivais com as mais variadas temáticas (geralmente com viés ideológico sintonizado com bandeiras de partidos políticos de esquerda). Pois bem, durante anos esse universo foi aparelhado por entidades partidárias, artistas sem público (nem todos, óbvio) e grupos privados interessados em fazer do acesso aos recursos públicos um meio de vida. O receio é que um novo enfoque na aplicação desse dinheiro possa prejudicar esses grupos.

Indignação seletiva
A rigor, ser contra ou a favor da fusão não interfere no problema do desemprego. É perfeitamente possível que governadores e prefeitos discordem da decisão, afinal, estamos numa democracia. Mas é curioso que não tenham adotado atitude semelhante quando, por exemplo, o golpe da refinaria que não veio foi consumado. Onde estavam? Por que não fizeram uma carta cobrando ressarcimento ao Estado? E agora, o que dizem sobre o desemprego?

Aliás, poderiam nossas autoridades aproveitar o embalo e registrar, por escrito, repúdio ao rombo fiscal nas contas federais, assumindo publicamente o compromisso de ajudar, com suas bancadas, na aprovação de medidas de ajuste. Bom mesmo seria um documento pedindo desculpas aos brasileiros e aos cearenses desempregados pelo apoio que deram  ao governo e à gestora que arruinaram a economia com suas pedaladas fiscais. Problemas são muitos, ma a prioridade é tirar o País do buraco. O resto é perfumaria.

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Notas soltas: Niemeyer amava curvas e Fidel as retas; inflação sobe e PIB cai; faculdades reprovadas e cotas raciais

Por Wanfil em Noticiário

07 de dezembro de 2012

Uma olhada no noticiário com breves comentários.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO CONFERE NOTA MÁXIMA PARA APENAS 27 INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR E 27% SÃO REPROVADAS

Bom, se as universidades são ruins agora, como ficarão com a substituição do mérito pela política de cotas raciais? Sejamos, entretanto, otimistas. Se o problema da má qualidade do ensino superior no Brasil piorar, pelo menos teremos um país menos desigual: a educação será de má qualidade para alunos do ensino básico, médio e superior, sem distinção.

INFLAÇÃO SOBE 0,6% EM NOVEMBRO E CHEGA A 5% EM 2012, DIZ IBGE

Quando o IBGE admite que a pressão inflacionária é uma realidade no Brasil perfeito de hoje (inflação é uma média cuja escolha dos produtos pode interferir no resultado final), é porque na prática (e no bolso), a coisa está ruim. Lembrando ainda que o PIB do ano foi um fiasco, fica claro que o repique não é resultado de excesso de demanda dos consumidores. Mas nem tudo está perdido. Inflação é imposto sobre os pobres. A vantagem, para o governo, é que os pobres não sabem disso até que lhes falte dinheiro para pagar os carnês de eletrodomésticos comprados em 36 vezes. Empurrar com a barriga, como vimos no PAC, é a essência do estilo Dilma de administrar. Se foi assim que ela chegou lá, por que haveria de fazer diferente agora?

CASTELÃO ESTÁ QUASE PRONTO PARA A INAUGURAÇÃO

Nem tudo é notícia ruim. O estádio Castelão está aí para provar e é preciso reconhecer o mérito de quem tornou esse sonho maravilhoso possível: eu e você, caro leitor. Sim, o difícil para a construção de uma obra dessas – cujo retorno me é difícil de ver – é o dinheiro. Como pagamos impostos pesados (voar de São Paulo para o Ceará é mais caro do que voar para a Argentina por causa do ICMS ), há dinheiro em caixa. E os gestores? Não fizeram mais do que a obrigação, não é?

FIDEL MANDA COROA DE FLORES PARA ENTERRO DE NIEMEYER

O que curvas e retas separam, a ideologia comunista reúne. Oscar Niemeyer – segundo clichê publicado em todos os textos jornalísticos sobre a morte do arquiteto – preferia “a beleza das curvas” em oposição à “linha reta, dura, inflexível criada pelo homem”. Já Fidel sempre preferiu a trajetória das linhas retas, que perfazem a eficiência dos pelotões de fuzilamento com os quais eliminou milhares de adversários. Apesar disso, eram amigos que se admiravam, que cultivavam o mesmo sonho da utopia em que retas e curvas poderiam viver em igualdade, a despeito das naturais diferenças entre os homens. Em Cuba, 18 mil criaturas que discordaram disso, morreram.

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Notas soltas: Niemeyer amava curvas e Fidel as retas; inflação sobe e PIB cai; faculdades reprovadas e cotas raciais

Por Wanfil em Noticiário

07 de dezembro de 2012

Uma olhada no noticiário com breves comentários.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO CONFERE NOTA MÁXIMA PARA APENAS 27 INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR E 27% SÃO REPROVADAS

Bom, se as universidades são ruins agora, como ficarão com a substituição do mérito pela política de cotas raciais? Sejamos, entretanto, otimistas. Se o problema da má qualidade do ensino superior no Brasil piorar, pelo menos teremos um país menos desigual: a educação será de má qualidade para alunos do ensino básico, médio e superior, sem distinção.

INFLAÇÃO SOBE 0,6% EM NOVEMBRO E CHEGA A 5% EM 2012, DIZ IBGE

Quando o IBGE admite que a pressão inflacionária é uma realidade no Brasil perfeito de hoje (inflação é uma média cuja escolha dos produtos pode interferir no resultado final), é porque na prática (e no bolso), a coisa está ruim. Lembrando ainda que o PIB do ano foi um fiasco, fica claro que o repique não é resultado de excesso de demanda dos consumidores. Mas nem tudo está perdido. Inflação é imposto sobre os pobres. A vantagem, para o governo, é que os pobres não sabem disso até que lhes falte dinheiro para pagar os carnês de eletrodomésticos comprados em 36 vezes. Empurrar com a barriga, como vimos no PAC, é a essência do estilo Dilma de administrar. Se foi assim que ela chegou lá, por que haveria de fazer diferente agora?

CASTELÃO ESTÁ QUASE PRONTO PARA A INAUGURAÇÃO

Nem tudo é notícia ruim. O estádio Castelão está aí para provar e é preciso reconhecer o mérito de quem tornou esse sonho maravilhoso possível: eu e você, caro leitor. Sim, o difícil para a construção de uma obra dessas – cujo retorno me é difícil de ver – é o dinheiro. Como pagamos impostos pesados (voar de São Paulo para o Ceará é mais caro do que voar para a Argentina por causa do ICMS ), há dinheiro em caixa. E os gestores? Não fizeram mais do que a obrigação, não é?

FIDEL MANDA COROA DE FLORES PARA ENTERRO DE NIEMEYER

O que curvas e retas separam, a ideologia comunista reúne. Oscar Niemeyer – segundo clichê publicado em todos os textos jornalísticos sobre a morte do arquiteto – preferia “a beleza das curvas” em oposição à “linha reta, dura, inflexível criada pelo homem”. Já Fidel sempre preferiu a trajetória das linhas retas, que perfazem a eficiência dos pelotões de fuzilamento com os quais eliminou milhares de adversários. Apesar disso, eram amigos que se admiravam, que cultivavam o mesmo sonho da utopia em que retas e curvas poderiam viver em igualdade, a despeito das naturais diferenças entre os homens. Em Cuba, 18 mil criaturas que discordaram disso, morreram.