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método Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

método

As crises dentro da crise

Por Wanfil em Política

13 de Maio de 2020

Brasil sofre com sequência de crises que lembram matrioscas russas: uma dentro da outra. Foto: Manuel M.V./Flickr

Brigas com governadores, com o Supremo e o com Congresso, racha na base alida e no próprio partido, demissão do minsitro Mandetta, boicote ao isolamento social, apoio a manifestantes radicais, “e daí?”, negociações com o Centrão, rumores sobre o vídeo da reunião ministerial com ameaças de interferência na PF dirigidas ao então ministro Sérgio Moro…

A sucessão de crises políticas alimentadas pelo presidente Jair Bolsonaro e seu entorno durante a crise de saúde causada pela pandemia do coronavírus, pressupõe a existência de alguma intenção, algum objetivo. Não pode ser assim à toa, por mais que poss parece sem sentido. Como disse Polônio a respeito de Hamlet, “embora seja loucura, tem lá o seu método”.

Vejamos algumas possibilidades: 1) o objetivo é manter um estado permanente de polarização, que serve para aglutinar sua base “anti-sistema”; 2) evitar o aprofundamento de uma crise, colocando outra em seu lugar e assim sucessivamente; 3) impedir que a oposição concentre esforços numa pauta única; 4) dispersar as atenções com polêmicas, enquanto trabalha uma agenda sigilosa; 5) banalizar o próprio sentido de crise com intrigas vazias, como antídoto contra crises de verdade.

Como toda ação corresponde a uma reação, a duração prolongada e a intensidade desse, vá lá, método de gestão, com uma crise saindo de dentro da outra incessantemente, como numa gigantesca e metafórica boneca russa, tem causado efeitos que talvez o presidente não tenha imaginado.

A estratégia tem efeitos colaterais. Vamos a alguns: 1) o mercado e parte do eleitorado antipetista passa a ver na figura presidencial um foco de instabilidade que atrapalha a economia tanto quando o coronavírus; 2) transmite a ideia de que o combate a pandemia não é prioridade, ou seja, de indiferença; 3) o excesso de frentes polêmicas é percebido como falta de rumo; 3) a falta de rumo gera desconfiança; 4) a profusão de confusões passa a ser, ela mesma, a pauta central dos adversários do governo, que o acusam de despreparado governante; 5) isola e enfraquece a autoridade do governo para reagir contra crises de verdade.

Existe ainda outra opção: tudo seja obra do acaso, um caos que nasce do improviso e da teimosia cega. Nesse caso, teríamos que admitir que, para não eleger uma quadrilha de assaltantes que ameaçava retornar ao poder, o país elegeu alguém desprovido das qualidades para o exercício da liderança. E agora temos o que temos.

Somente o fato de vivermos semelhante impasse já sinal de que estamos a mercê de uma loucura sem método. Não há sanidade que resista.

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O estilo Ciro Gomes

Por Wanfil em Ceará, Política

24 de julho de 2013

Nonato Albuquerque e Wanfil entrevistam Ciro Gomes na rádio Tribuna BandNews (FOTO: Daniel Herculano/Tribuna do Ceará).

Nonato Albuquerque e Wanfil entrevistam Ciro Gomes na rádio Tribuna BandNews (FOTO: Daniel Herculano/Tribuna do Ceará).

O noticiário político desta semana já está marcado pelas polêmicas declarações do ex-governador Ciro Gomes, feitas na terça-feira (23), em entrevista à rádio Tribuna BandNews FM (101.7), do Sistema Jangadeiro de Comunicação.

Entre outras coisas, Ciro Gomes chamou o vereador Capitão Wagner de lambanceiro e o vereador João Alfredo de inconsequente; disse que o procurador Oscar Costa Filho é exibicionista e sugeriu que o procurador Alessander Sales pintasse a bunda de branco para aparecer.

Destempero ou método?

Muitos ficam chocados com o estilo de Ciro, acusado de ser truculento. Eu estive entre os entrevistadores do ex-governador e o que eu pude perceber, na verdade, foi cálculo. O que a muitos parece destempero verbal, eu vejo como método, como ação premeditada. Se não, vejamos. As declarações foram feitas no rastro de questões sobre segurança pública e sobre o embargo da obra dos viadutos no entorno do Parque do Cocó, em Fortaleza.

Na prática, com Ciro imprimindo seu estilo desbocado, as discussões sempre acabam transferidas da esfera dos fatos para a das boas maneiras, onde o que se sobressai são as censuras ou os elogios à falta de polidez do entrevistado, com a vantagem adicional de deixá-lo em evidência mesmo sem mandato público ou cargo partidário, e de desviar o alvo natural das críticas, que seriam o governador e o prefeito, seus aliados.

Forma e conteúdo

E assim, a forma acaba ganhando mais relevo do que o conteúdo. É que as disputas políticas são diferentes das querelas judiciais ou dos debates acadêmicos. Na política, vale mais a versão do que o fato, já constatava o mineiro Tancredo neves. E a versão que prepondera é a que faz mais barulho.

Claro que esse é um jeito arriscado de atuar nos debates públicos, pois a margem para erros é demasiada larga. Não há espaço para a hesitação ou vacilo, pois a palavra dita não tem volta. E não basta querer ser polêmico, é preciso ter uma personalidade que comporte essa técnica, que pode ser muito útil, como, por exemplo, na hora de enfrentar consensos politicamente corretos, ou um desastre, caso venha a ferir a suscetibilidade do grande público.

Ciro Gomes apareceu na política com esse estilo, do qual agora faz uso, e com ele se tornou uma grande promessa da política brasileira. E também por causa dele, depois um ou dois escorregões, perdeu uma eleição presidencial. Acontece. Tem hora que funciona, tem hora que não. Por mais que seja calculado, é sempre um risco.

 

Esse também foi o tema do meu comentário desta quarta na Tribuna BandNews:

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O estilo Ciro Gomes

Por Wanfil em Ceará, Política

24 de julho de 2013

Nonato Albuquerque e Wanfil entrevistam Ciro Gomes na rádio Tribuna BandNews (FOTO: Daniel Herculano/Tribuna do Ceará).

Nonato Albuquerque e Wanfil entrevistam Ciro Gomes na rádio Tribuna BandNews (FOTO: Daniel Herculano/Tribuna do Ceará).

O noticiário político desta semana já está marcado pelas polêmicas declarações do ex-governador Ciro Gomes, feitas na terça-feira (23), em entrevista à rádio Tribuna BandNews FM (101.7), do Sistema Jangadeiro de Comunicação.

Entre outras coisas, Ciro Gomes chamou o vereador Capitão Wagner de lambanceiro e o vereador João Alfredo de inconsequente; disse que o procurador Oscar Costa Filho é exibicionista e sugeriu que o procurador Alessander Sales pintasse a bunda de branco para aparecer.

Destempero ou método?

Muitos ficam chocados com o estilo de Ciro, acusado de ser truculento. Eu estive entre os entrevistadores do ex-governador e o que eu pude perceber, na verdade, foi cálculo. O que a muitos parece destempero verbal, eu vejo como método, como ação premeditada. Se não, vejamos. As declarações foram feitas no rastro de questões sobre segurança pública e sobre o embargo da obra dos viadutos no entorno do Parque do Cocó, em Fortaleza.

Na prática, com Ciro imprimindo seu estilo desbocado, as discussões sempre acabam transferidas da esfera dos fatos para a das boas maneiras, onde o que se sobressai são as censuras ou os elogios à falta de polidez do entrevistado, com a vantagem adicional de deixá-lo em evidência mesmo sem mandato público ou cargo partidário, e de desviar o alvo natural das críticas, que seriam o governador e o prefeito, seus aliados.

Forma e conteúdo

E assim, a forma acaba ganhando mais relevo do que o conteúdo. É que as disputas políticas são diferentes das querelas judiciais ou dos debates acadêmicos. Na política, vale mais a versão do que o fato, já constatava o mineiro Tancredo neves. E a versão que prepondera é a que faz mais barulho.

Claro que esse é um jeito arriscado de atuar nos debates públicos, pois a margem para erros é demasiada larga. Não há espaço para a hesitação ou vacilo, pois a palavra dita não tem volta. E não basta querer ser polêmico, é preciso ter uma personalidade que comporte essa técnica, que pode ser muito útil, como, por exemplo, na hora de enfrentar consensos politicamente corretos, ou um desastre, caso venha a ferir a suscetibilidade do grande público.

Ciro Gomes apareceu na política com esse estilo, do qual agora faz uso, e com ele se tornou uma grande promessa da política brasileira. E também por causa dele, depois um ou dois escorregões, perdeu uma eleição presidencial. Acontece. Tem hora que funciona, tem hora que não. Por mais que seja calculado, é sempre um risco.

 

Esse também foi o tema do meu comentário desta quarta na Tribuna BandNews:

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