Nordeste Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Nordeste

Centrão leva o Dnocs: entre a “velha política” e o “novo normal”

Por Wanfil em Política

07 de Maio de 2020

Dnocs: moeda de troca para apoio político. É o “velho normal” – Foto: Divulgação

Em meio à pandemia do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro trocou o comando do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). Seu novo diretor geral foi indicado pelo Centrão, grupo de partidos fisiologicos que até outro dia era acusado pelo presidente de praticar a “velha política”, ou seja, de trocar apoio no Congresso por cargos e verbas. O famoso “toma lá, da cá”.

Bolsonaro até montou um ministério sem loteamento partidário, mas com o tempo, e as confusões, perdeu a própria base parlamentar, a começar pelo racha no PSL, seu ex-partido. Isolado, sem alternativas, faz agora o que Dilma e Temer já fizeram, com maior ou menor grau de sucesso na relação (lá vai!) custo/benefício.

A troca no Dnocs não chamou muita atenção por causa da urgência no combate ao coronavírus, que é o que importa agora. Para nossa sorte, as chuvas foram boas. Porém, a mudança de critérios para nomeações federais é indicativa de que outros órgãos federais estão sujeitos a negociações e mudanças para abrigar os nonvos aliados.

Por enquanto, nada disso deve impactar na correlação de forças políticas no Ceará. É que por aqui, pelas mesmas razões, a maioria desses partidos apoia a gestão estadual. O Centrão não tem, definitivamente, preconceito ideológico.

Muito se fala que depois do coronavírus, nada será como antes, ou que teremos um “novo normal”. Nem tudo, como podemos constatar. Pelo menos na política, algumas práticas não mudam nem por força de uma pandemia como a que vivemos.

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O PIB cearense e o rabo do cachorro

Por Wanfil em Economia

20 de setembro de 2019

O PIB do Ceará cresceu o dobro do PIB brasileiro no segundo trimestre de 2019, em comparação com o mesmo período de 2018. Foram 2,08% de alta, conforme o divulgado pelo IPECE, contra 1% do produto nacional, medido pelo IBGE. Colocados em contraposição, os números até lembram um placar, porém, as coisas são mais complexas, claro, pois não há competição e todos são (teoricamente) do mesmo time.

Comentei sobre o assunto nesta sexta-feira, na Tribuna Band News Fortaleza (101.7). Reproduzo alguns trechos abaixo. No final, explico o título do post:

Os números ainda não os ideais, mas indicam um fluxo positivo. O desarranjo nas contas públicas brasileiras que levou o país à recessão, ainda está longe de ser superado. Os cortes e contingenciamentos nos orçamentos estaduais e federal não ocorrem por capricho, para mas cobrir o buraco deixado pela crise. São processos lentos. Não é questão de ser otimista ou pessimista, de ser de esquerda, de centro ou de direita, mas de números.

Medidas adotadas pelo governo do Ceará, como a concessão do aeroporto para a iniciativa privada, foram sem dúvida importantíssimas para esse resultado, da mesma forma que a aprovação da reforma da Previdência (que não contou com o emprenho de alguns governadores) animou investidores. Está tudo conectado.”

É isso. Ainda existem reformas a serem discutidas, como a tributária. O novo marco regulatório para o saneamento básico também é matéria de grande impacto para o crescimento econômico e desenvolvimento social. Não adianta comemorar PIB estadual se não trabalhar, no Congresso Nacional, em favor da recuperação da economia brasileira. O todo, como dizia Aristóteles, é maior que a soma das partes. E nesse caso, adaptando a teoria pra a política econômica, as partes dependem do todo : não há como unidades da federação prosperarem de forma sustentada, se o resto desanda. Como diz a piada, não é o rabo que balança o cachorro, mas o contrário.

O paradoxo político dessa lógica é o seguinte: se estados opositores ao governo federal, como os do Nordeste, apoiam as reformas, ou pelo menos trabalham para construir consensos, acabam fortalecendo o discurso dos governistas. Se as sabotam, atrasando ou inviabilizando a retomada do crescimento, seus estados sofrerão as consequências, prejudicando também a imagem dos governos estaduais. Nesse jogo, todos de olha nas pesquisas e nas redes sociais.

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Governadores do Nordeste viralizam vídeo do SBT para promover a região

Por Wanfil em Jangadeiro

19 de setembro de 2019

No encontro do Consórcio Nordeste, realizado em Natal (RN) na última segunda-feira (16), os governadores da região assistiram a um vídeo que mostra os “Vários Nordestes”, com suas riquezas e especificidades. Desde então a peça viralizou nas redes sociais, especialmente, claro, entre os nordestinos.

O que muitos não sabem é que o vídeo foi produzido pela Delantero, premiada agência de publicidade do Ceará, para o SBT Nordeste, da qual, naturalmente, faz parte a TV Jangadeiro. Vale conferir:

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As condições de Bolsonaro para os governadores do Nordeste e o princípio da impessoalidade

Por Wanfil em Política

08 de agosto de 2019

Bolsonaro na Bahia: governadores do NE devem reconhecer parcerias para receber obras. Foto: Alan Santos/PR/ABR

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, no início da semana, que não negará nada aos estados do Nordeste, desde que governadores reconheçam as parcerias com o Governo Federal. Caso contrário, obras serão articuladas diretamente com as prefeituras.

As declarações causaram, como sempre, polêmica. É que, administrativamente, municípios e estados não podem ser discriminados por razões políticas. É o princípio da impessoalidade, estabelecido no artigo 37 da Constituição. Isso, porém, não garante a efetividade, pelo contrário.

Na verdade, a única novidade nesse caso é a admissão pública, claramente sublinhada pela locução conjuntiva subordinativa condicional “desde que”, de uma ação política muito disseminada em todo o país: o favorecimento administrativo de aliados em detrimento de adversários. Não justifica, mas é assim que funciona.

Nas últimas eleições municipais, aqui mesmo no Ceará, ameaças de corte de verbas para prefeituras acabaram na Justiça Eleitoral. Aliás, muitos candidatos a prefeito argumentam que ser aliado do governo pode garantir vantagens e privilégios para o município, uma forma indireta de ressaltar o direcionamento político de questões administrativas.

No Brasil inteiro é a mesma coisa: deputado que não reza na cartilha do governo estadual, não “leva” obra para os municípios em que é votado. Prefeito que não reconhece a parceria com o governador, fica à míngua. Se falar mal então… E por aí vai.

A única forma de reduzir os efeitos dessa, digamos assim, tradição, seria como um reforma administrativa que desse mais autonomia e recursos para estados e municípios. Provavelmente muitos prefeitos da região já devem estar atentos ao aceno de Bolsonaro: para o gestor em dificuldade, verbas falam mais alto do que partidos e ideologias.

A sorte do presidente é que as polêmicas do início da semana são substituídas por outras antes que ela acabe; a sorte dos governadores do Nordeste, por enquanto, é que o momento é de contingenciamento, que dificulta o assédio aos prefeitos.

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O alerta do IPEA sobre a violência no Ceará

Por Wanfil em Segurança

05 de agosto de 2019

O IPEA divulgou nesta segunda-feira a nova edição do Atlas da Violência, com números relativos ao ano de 2017. Fortaleza surge como a capital com maior taxa de homicídios do país: 87,9 mortes para cada 100 mil habitantes. Comparando com capitais nordestinas de tamanho parecido, Salvador tem 63,5 e Recife 58,4.  Maracanaú figura como a cidade (com população acima de 100 mil habitantes) mais violenta do Brasil: taxa de 145,7. Um registro: a menor taxa entre capitais foi em São Paulo: 13,2. E no Rio de Janeiro foi de 35,6.

Vale lembrar mais uma vez que esses dados são referentes a 2017. Muita coisa mudou desde então. O próprio IPEA cita a criação da Secretaria de Administração Penitenciária no Ceará, que endureceu as regras nos presídios, levando a um “inesperado armistício entre os grupos criminosos, que pode ocasionar uma forte redução dos homicídios no estado, pelo menos enquanto durar a trégua, que é sempre instável“.

É bem provável que na edição do Atlas no ano que vem o Estado recue alguns pontos – como já indicam os índices divulgados pela Secretaria de Segurança – para uma situação mais parecida com outros estados do próprio Nordeste, que ainda é muito grave. Trata-se, claro, de algo positivo, mas um exame no histórico do Atlas da Violência ao longo dos anos mostra que oscilações já foram registradas anteriormente, cada uma com circunstâncias específicas.

Não é o caso de ser pessimista, mas de ficar atento para evitar precipitações. Toda atenção é pouca para não repetir erros de 2016, quando o acordo entre esses grupos “maquiou” números que depois estouraram na guerra de 2017 (ano do recorde de homicídios no Ceará). Reconhecer agora que o pior já passou, ou que pelo menos arrefeceu, não significa ignorar que as coisas, nesse campo, ainda estão muito distantes do mínimo aceitável.

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Contribuintes arretados esperam por serviços pai d’égua

Por Wanfil em Ceará

06 de Maio de 2019

A arrecadação não pode ser vista como um fim em si mesmo: é preciso a contrapartida dos serviços prestados ao contribuinte

Secretários de Fazenda das regiões Norte e Nordeste estiveram reunidos na última sexta-feira (03), em Fortaleza, trocando experiências e alinhando propostas para a reforma tributária.

Na ocasião, o representante de Alagoas, Luiz Dias, apresentou o programa “Contribuinte Arretado”, para estimular “boas práticas de conformidade fiscal”. O Ceará pretende implantar um projeto semelhante ao alagoano, chamado de “Contribuinte Pai D’Égua”.

Na véspera do encontro, a titular da Fazenda no Ceará, Fernanda Pacobahyba, disse que o objetivo é “acabar com essa relação maniqueísta, conflituosa que existe entre o contribuinte e o Fisco“.

O combate à sonegação é necessário. Sem problemas. Agora, sobre o  maniqueísmo apontado pela secretária, a questão vai muito além de uma possível desinformação do contribuinte sobre a natureza social dos impostos.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, 33% do consumo no país é imposto. Isso gera expectativas que acabam frustradas em razão da má qualidade dos serviços públicos. Ineficiência e corrupção se misturam para criar uma legítima desconfiança junto a quem paga a conta.

É fundamental não confundir maniqueísmo com diversionismo. Não adianta batizar programas com expressões regionais simpáticas. É uma regra simples da publicidade. Para a propaganda funcionar a longo prazo, é preciso que o produto seja bom.

O que os contribuintes pai d’égua e arretados esperam mesmo é que a eficiência dos governos em áreas essenciais seja arretada e pai d’égua.

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Governadores do NE cobram Bolsonaro por atrasos e omissões de governos anteriores

Por Wanfil em Política

21 de novembro de 2018

Governadores do NE reunidos em Brasília. Foto: Facebook / Camilo Santana

Governadores eleitos e reeleitos do Nordeste estiveram em Brasília nesta quarta-feira para combinar um pauta regional a ser apresentada ao presidente eleito Jair Bolsonaro, provavelmente em dezembro. Participou ainda do encontro o presidente do Senado, Eunício Oliveira.

Depois da reunião divulgaram uma carta em que cobram da próxima gestão algumas pendências deixadas por governos anteriores, como a “retomada urgente de obras”, “um Pacto Nacional pela Segurança Pública” em que o governo federal assuma ações contra “assaltos a bancos, tráfico de armas e explosivos, atuação de facções criminosas” e ” a viabilização de fontes financeiras para reequilíbrio do pacto federativo, uma vez que Estados e Municípios sofreram drasticamente com a recessão econômica”.

São pedidos pertinentes, e quem assume um governo tem que ser chamado à responsabilidade, mas ainda carecem de contrapartidas para ganhar consistência política. Sinalizar por exemplo, com o apoio das bancadas dos seus estados à reforma da Previdência, prioridade para a nova gestão que herda uma grave situação fiscal, seria interessante para iniciar o diálogo. Eis um trunfo que pode ser bem trabalhado. Caso contrário, fica parecendo jogo de cena.

Além do mais, não é de hoje que os governadores do Nordeste atuam POLITICAMENTE em conjunto. Já repudiaram, em nota, o impeachment de Dilma Rousseff, em desapreço a uma decisão do legislativo, e criticaram setores do judiciário por causa da condenação de Lula, a quem desejaram, sem sucesso, visitar na cadeia. Coincidentemente, durante as gestões de Lula e Dilma, os governadores nunca assinaram cartas ou notas, nem mesmo se reuniram, para protestar contra atrasos de obras ou contra o avanço da criminalidade na região.

Tentam agora compensar o tempo perdido e mesmo assim continuam a perder tempo. Bolsonaro poderia ter recebido pessoalmente os pedidos na semana passada quando se reuniu com governadores eleitos e reeleitos de outras regiões, evento boicotado justamente pelos governadores do Nordeste, com exceção do Piauí. Sem contar que Eunício Oliveira andou se estranhando com o novo governo por causa de pautas bombas.

Dessa forma, o risco de prejudicar articulações junto aos ministérios por causa de conveniências partidárias é grande. É preciso entender que a eleição acabou e que ações sem objetividade representam, nesse instante, desgaste desnecessário.

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Quando o ministro Sérgio Moro vier ao Ceará…

Por Wanfil em Política

05 de novembro de 2018

Alvo de críticas de Camilo Santana, Sérgio Moro comandará o Ministério da Justiça e da Segurança Pública. (José Cruz/Agência Brasil)

Em julho deste ano, logos após a frustrada tentativa de soltar o ex-presidente Lula com uma canetada monocrática durante plantão judiciário no TRF-4, governadores do Nordeste – entre os quais, Camilo Santana – assinaram uma carta com críticas ao juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, a quem acusavam de “inaceitável parcialidade”, “desprezo pela organização hierárquica do Judiciário” e perseguição.

Sobre isso, um dia depois (10 de julho), fiz o seguinte comentário na Tribuna Band News Fortaleza (101.7): “Não é de interesse do Ceará que sua maior autoridade, em nome de interesses particulares, questione a lisura do poder judiciário“, lembrando que um colegiado na segunda instância confirmara a condenação de Lula, com base nos autos e nas provas colhidas nas investigações do MP e da PF. No mesmo comentário, alertei: “O PT, por sua vez, deveria poupar seus governadores desse constrangimento desnecessário, já que isso não muda o fato de Lula estar preso. O cargo de governador, afinal, não pertence a instâncias partidárias”.

Pois é. Quatro meses depois Sérgio Moro foi anunciado como futuro ministro da Justiça, na gestão do presidente eleito Jair Bolsonaro. A partir do ano que vem, qualquer apoio federal ao Ceará para a área da segurança pública terá que articulada junto ao ex-juiz da Lava Jato.

É claro que todos estamos sujeitos a contestações e críticas, mas a estratégia de centralizar críticas na figura de Moro não surtiu efeito e agora pode se mostrar particularmente constrangedora, já que o governador cearense tem repetido que uma melhora na segurança depende substancialmente de iniciativas federais. Do ponto de vista dos governadores lulistas, melhor teria sido acionar correligionários e parlamentares contra os adversários do partido e jamais usar o peso dos seus cargos executivos para entrar nessa seara.

Considerando os estilos de Sérgio Moro e Camilo Santana, muito dificilmente questões pessoais ou partidárias serão obstáculos para parcerias institucionais. Mas fica a lição: o mundo dá voltas. E será interessante observar como o governador e as autoridades estaduais que apoiam o governo petista receberão o futuro ministro a partir do ano que vem.

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Ibope: Marina lidera no Nordeste, seguida de perto por Ciro e Bolsonaro

Por Wanfil em Pesquisa

28 de junho de 2018

Ibope: Marina Silva surpreende no NE (Foto: José Cruz/ Agência Brasil)

Na pesquisa Ibope/CNI para a eleição presidencial, divulgada nesta quinta-feira, os cinco candidatos melhor colocados no cenário sem Lula, o mais provável pois o ex-presidente é ficha-suja, são estes:

Jair Bolsonaro (PSL): 17%
Marina Silva (Rede): 13%
Ciro Gomes (PDT): 8%
Geraldo Alckmin (PSDB): 6%
Álvaro Dias (Podemos): 3%

No cenário com Lula, que registrou 33% das intenções, Ciro sobe de 4% para 8% e Marina de 7% para 13%. A candidata, portanto, é que mais cresce com a ausência do petista, apesar de Ciro ser o pré-candidato que mais tem se esforçado para ocupar espaços na mídia.

Voltando ao cenário sem Lula, e considerando que a margem de erro é de 2%, podemos dizer que no limite Bolsonaro e Marina empatam tecnicamente na ponta, seguidos por Ciro e Alckmin, também empatados, num segundo bloco.

Quando a pesquisa é segmentada por região, o Nordeste tem os seguintes números:

Marina Silva (Rede): 16%
Ciro Gomes (PDT): 14%
Jair Bolsonaro (PSL): 10%
Geraldo Alckmin (PSDB): 4%
Álvaro Dias (Podemos): 1%

Ciro consegue se afastar de Alckmin na região de seu domicílio eleitoral, mas não lidera. O Nordeste é também a única região em que Marina, que é do Norte (que na pesquisa se junta ao Centro-Oeste), fica à frente. No Sudeste, Bolsonaro, deputado pelo Rio de Janeiro, lidera com 19%. Por lá Marina tem 11%, Alckmin aparece com 8% e Ciro com 5%.

Confira o desempenho dos cinco primeiros colocados por região:

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Governadores não conseguem visitar Lula. Jogo de cena

Por Wanfil em Política

11 de Abril de 2018

Sete governadores do Nordeste, entre eles Camilo Santana, e dois da região Norte, além de três senadores e alguns políticos, se deslocaram ao Paraná ontem para tentar visitar Lula na cadeia. Não conseguiram. Segundo a juíza Carolina Lebbos, da 13ª Vara Federal de Curitiba não há fundamento para a flexibilização do regime geral de visitas próprio à carceragem da Polícia Federal“. Ou seja, Lula está submetido a regras que valem para os demais presos.

A improvisação de uma visita feita às cegas por gente tão importante e bem assessorada, sem a confirmação prévia de sua possibilidade junto à PF, é algo estranho. Quem acompanha a cobertura de políticos sabe que um governador não sai por aí sem que antes tudo tenha sido cuidadosamente planejado.

Pelo visto, a visita sem sucesso parece seguir o roteiro político que teve início desde a decretação da prisão de Lula pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro na semana passada. Após a encenação de resistência, agora a romaria frustrada de aliados. Tudo para dar a impressão de que o ex-presidente é vítima de um regime de exceção e de quebra explorar a popularidade do ex-presidente no Norte e Nordeste. Foi pensando em dividendos eleitorais, por exemplo, que Renan Filho, de governador Alagoas, se juntou ao grupo. Sim, ele é filho do senador Renan Calheiros.

Nada os impede de tentar novamente, agora do jeito certo. Um de cada vez, quem sabe. Para expressar solidariedade não é necessário fazer ato político partidário em contra decisão judicial que obedeceu o devido rito.

Para encerrar, uma pergunta: quem custeou o descolamento desses governadores e parlamentares? Foi de avião de carreira ou de jatinho?

É só uma pergunta. E perguntar não ofende.

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Governadores não conseguem visitar Lula. Jogo de cena

Por Wanfil em Política

11 de Abril de 2018

Sete governadores do Nordeste, entre eles Camilo Santana, e dois da região Norte, além de três senadores e alguns políticos, se deslocaram ao Paraná ontem para tentar visitar Lula na cadeia. Não conseguiram. Segundo a juíza Carolina Lebbos, da 13ª Vara Federal de Curitiba não há fundamento para a flexibilização do regime geral de visitas próprio à carceragem da Polícia Federal“. Ou seja, Lula está submetido a regras que valem para os demais presos.

A improvisação de uma visita feita às cegas por gente tão importante e bem assessorada, sem a confirmação prévia de sua possibilidade junto à PF, é algo estranho. Quem acompanha a cobertura de políticos sabe que um governador não sai por aí sem que antes tudo tenha sido cuidadosamente planejado.

Pelo visto, a visita sem sucesso parece seguir o roteiro político que teve início desde a decretação da prisão de Lula pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro na semana passada. Após a encenação de resistência, agora a romaria frustrada de aliados. Tudo para dar a impressão de que o ex-presidente é vítima de um regime de exceção e de quebra explorar a popularidade do ex-presidente no Norte e Nordeste. Foi pensando em dividendos eleitorais, por exemplo, que Renan Filho, de governador Alagoas, se juntou ao grupo. Sim, ele é filho do senador Renan Calheiros.

Nada os impede de tentar novamente, agora do jeito certo. Um de cada vez, quem sabe. Para expressar solidariedade não é necessário fazer ato político partidário em contra decisão judicial que obedeceu o devido rito.

Para encerrar, uma pergunta: quem custeou o descolamento desses governadores e parlamentares? Foi de avião de carreira ou de jatinho?

É só uma pergunta. E perguntar não ofende.