pandemia Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

pandemia

PIB em queda, pandemia e as eleições no Ceará

Por Wanfil em Economia

01 de julho de 2020

O IPECE divulgou que o PIB cearense recuou 0,45% no 1º trimestre de 2020. Janeiro e fevereiro até sinalizaram com números positivos, mas em março a pandemia derrubou o índice. O fenomeno se repete por todo o país e o 2º e 3º trimestres devem ser de queda geral acentuada.

Eleições: pandemia e queda no PIB turvam cenários. Foto: TSE/divulgação. Arte: Wanfil

Numa live para a Tribuna do Ceará, ainda no começo de junho, conversei com o Diretor Geral do IPECE, João Mário de França, que apontou para esse cenário no Ceará, acrescentando que se a retomada gradual da economia fosse bem sucedida, seria possível um leve crescimento no 4º trimestre, que por coincidência, é o trimestre das eleições.

O problema é que a duração da pandemia já superou as previsões iniciais, forçando a prorrogação de iniciativas como o auxílio emergencial. Segundo o Ministério da Economia não será possível sustentar esses gastos por muito mais tempo. Governos estaduais e prefeituras então, nem se fala. Com perdas na arredação, estão em situação crítica.

Resumindo: se o dinheiro da ajuda acabar antes que a economia reaja, os efeitos da crise serão bem maiores. Acertar o timing das ações e controlar adequadamente os protocolos de retomada das atividades constituem os maiores desafios para gestores públicos.

Enquanto isso, no Congresso Nacional, tudo indica que as eleições serão adiadas do início de outubro para o meados de novembro. A pandemia armou, portanto, uma armadilha eleitoral: a intensidade da crise econômica no 4º trimestre afetará sensivelmente o eleitor, que poderá se mostrar mais esperançoso, em caso de melhora, ou mais pessimista e irritado, se tudo piorar.

Quem ganha ou quem perde eleitoralmente com isso, é impossível dizer. Vai depender em grande medida do sentimento a prevalecer: se de mudança ou de permanência. Sem esquecer que em tempos de dificuldades os radicalismos tendem a aumentar, abrindo espaço para o populismo, seja de direita ou de esquerda.

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A política entre sufocos e respiradores

Por Wanfil em Política

26 de Maio de 2020

Respiradores: alívio nos hospitais, sufoco na política. Foto: divulgação/MD

Se todos concordam que o mundo não será mais o mesmo depois do coronavírus, é impossível deixar de concluir que algumas coisas jamais mudarão, como governos usando instiuições públicas com fins políticos, ou governantes acusando instituições de agirem politicamente para prejudicá-los. Resultado: fica realmente difícil saber quando as instituições agem de modo técnico e quando governos falam a verdade.

Foi assim no impeachment de Collor, no mensalão, no petrolão, na Lava Jato, nos casos Celso Daniel e Mariele, e tantos outros. Quem é governista, acredita na inocência do governo e das insituições do estado por eles controladas; quem é oposição, acredita na culpa do governo e dos seus operadores. Como dizia Marcel Proust, os fatos não penetram no mundo das crenças. Acontece que, às vezes, fatos e crenças se misturam de um jeito que o cinza prevalece sobre o preto e o branco.

Por exemplo. Agora em Fortaleza, o prefeito Roberto Cláudio (PDT), acusa o uso político de instituições federais na Operação Dispneia, que investiga a compra de respiradores para o combate à Covid-19, sob suspeita de superfaturamento. E agora? Se a acusação é clássica no repertório das desculpas políticas, por outro lado, Sérgio Moro, ex-ministro da Justiça e estrela da Lava Jato, acusa o presidente Jair Bolsonaro de aparelhar a Polícia Federal com fins políticos, o que dá verossimilhança as desconfianças levantadas pelo prefeito. Sem esquecer que Roberto Cláudio é aliado de Ciro Gomes, adversário de Bolsonaro. Percebem? Pra complicar, o mesmo acontece em São Paulo, Maranhão e Rio de Janeiro. Fica tudo confuso. Quem tem razão?

Podemos tentar um apelo à lógica. Por que uma gestão já reeleita e que caminha para o final se arrsicaria tanto justo no momento em que suas ações na saúde – divergências ideológicas à parte – estão sob os holofotes da preocupação geral? Não faz sentido. No entanto, o mesmo vale para as instituições. Não apenas a PF, mas também a CGU, o MPF e a própria Justiça Federal, que atuaram juntas na Dispneia. Que um ou outro nome desses órgãos seja sucetível a pressões, tudo bem, mas acreditar que todos os envolvidos, profissionais concursados e bem pagos, seriam ao mesmo tempo assim manipulados, é complicado. Gente demais, deixaria pontas soltas.

Por enquanto, o bom senso sugere cautela. Houve erro? Ou dolo? Corrupção? Abuso de poder? Perseguição? Impossível responder agora. Acontece que o tempo dos inquéritos e de eventuais processos judiciais é diferente do tempo da política, especialmente em ano eleitoral. Por isso, o que temos nas redes sociais é uma batalha de versões. E o barulho de suas respectivas torcidas.

Para quem assiste de fora, é fundamental cobrar que tudo seja tratado com o máximo de responsabilidade e o mínimo de ilações, para que o foco na crise da saúde e na crise econômica não seja afetado.

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Bolsonaro e Lula ignoram mortes por Covid-19 e usam pandemia para atacar adversários

Por Wanfil em Brasil

20 de Maio de 2020

Oportunismo político na pandemia. Diferentes, opostos, adversários, mas parecidos. Às vezes, quase iguais. Foto: Jackson Trizolio/Flickr

O Brasil registrou pela 1ª vez mais de mil óbitos por Covid-19 em 24h. Foram contabilizadas 1.179 mortes somente nesta terça-feira (19). Isso sem esquecer que esse número, infelizmente, deve ser bem maior, por causa da enorme subnotificação de casos no país. Antes do fim da semana passaremos a casa das vinte mil vítimas fatais.

Pois bem, na noite da mesma terça, o presidente Jair Bolsonaro disse, em meio a risadas durante uma entrevista, que “quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma tubaína”.

E para completar esse mesmo dia, o ex-presidente e ex-presidiário Lula da Silva, também em entrevista,afirmou que “ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus”, para mostrar “que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises”.

Bolsonaristas e lulistas se imaginam muito diferentes, mas seus ídolos não perdem a oportunidade de tentar capitalizar politicamente com a tragédia e com a crise, acusando adversários ideológicos. Na verdade, usam chavões de modo rudimentar para disfarçar de ideologia o que é apenas oportunismo politiqueiro. Dizer que essas divergências deveriam ser colocadas de lado, que o foco deveria ser o combate ao vírus, é perda de tempo.

Há quem critique um, mas elogie o outro, e vice-versa. E não apenas os radicais que empestam as redes sociais, mas autoridades como governadores, prefeitos e parlamentares também fazem parte dessas, digamos, torcidas. Pensam também que são muito diferentes uns dos outros, mas assemelham-se igualmente pelas mesmas razões. Não digo que sejam iguais, que não existam diferenças marcantes entre esses personagens, apenas noto que partes essênciais dos seus discursos e métodos são mais parecidos do que podem admitir.

Existem ainda os que criticam os dois, mas que assumem formas parecidas de agir: apostam na polêmica, na intriga, no voluntarismo, na excitação de ressentimentos.

São essas as grandes lideranças nacionais?

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O lockdown envergonhado

Por Wanfil em Saúde

06 de Maio de 2020

Lockdown leva em conta a associação entre redução do isolamento e aumento do coronavírus

O governador Camilo Santana e o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, anunciaram medidas de “isolamento social rígido”, diante do avanço mais acelerado do coronavírus. O termo “lockdown” (confinamento), mundialmente popularizado pela pandemia da Covid-19, não foi utilizado.

Esse cuidado com as palavras deve ter lá as suas razões. Como eu disse em minha coluna na rádio Tribuna Band News nesta quarta-feira, “do ponto de vista político, é uma medida arriscada, já que limita momentaneamente algumas liberdades individuais, algo que pode soar antipático para uma parcela da população. Sem esquecer das pressões de alguns setores para a retomada da atividade econômica. No entanto, felizmente, a responsabilidade tem falado mais alto na maioria dos países e dos estados”.

De todo modo, parafraseando o jornalista Elio Gaspari, autor de “A ditadura envergonhada”, temos por aqui o “lockdown evnergonhado”, com a crucial diferença de que no combate ao coronavírus as medidas restritivas adotadas no Ceará têm base legal, justificativas técnicas (números e evidências científicas), imperativos morais (salvar vidas) e lógicos, pois são imprescindíveis diante do avanço da epidemia. Vergonha seria a omissão.

A razão para o lockdown no Ceará é óbvia: o crescimento verificado na curva de contágio coincide com redução da adesão ao isolamento social. Quanto mais gente circulando, maior a propagação da doença, quanto maior a sua propagação, maiores as chances de colapsar o sistema de saúde.

As autoridades afirmam que o ideal é que 70% da população aderisse ao isolamento social, mas esse índice está na casa dos 50%. Como todos sabem, um grande contongente de pessoas economicamente mais vulneráveis não têm condições de ficar em casa (as filas nas agências da Caixa Econômica comprovam isso). O tamanho desse grupo dentro da metade que não segue o isolamento pode ser determinante para a eficácia das novas regras. No entanto, todo esforço ajuda.

Volto à minha coluna na rádio: “Tempos extraordinários exigem medidas extraordinárias, e isso requer, além das ações do poder público, maturidade dos cidadãos e das instituições, especialmente os que podem ficar em casa, cada um assumindo sua cota de sacrifícios e de responsabilidade, para não colocar a vida dos outros em risco e para preservar o maior número possível de vidas”.

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Uma Páscoa entre a Quaresma e a quarentena

Por Wanfil em Crônica

10 de Abril de 2020

Depois de toda Quaresma, sempre vem uma Páscoa. Photo on VisualHunt

A Quaresma é o período de 40 dias que antecede a Páscoa, quando os cristãos comemoram a ressureição de Jesus. Simbolicamente, em muitas passagens do Velho e do Novo Testamento, os intervalos quaresmais correspondem a travessias que exigem paciência e sacrifícios, mas que depois são recompensadas com a graça da superação.

No Divúlio, a chuva caiu por 40 dias e 40 noites, vividos por Noé em sua arca; a fuga do Egito para a Terra Prometida, guiada por Moisés, durou 40 anos; Jesus passou 40 dias no deserto antes de começar sua pregação. Mesmo para quem segue outras relilgiões, tais relatos e personagens (assim como acontece com outros credos) guardam profundos significados morais que nos servem de lições até os dias de hoje.

Já as quarentenas possuem um sentido prático bem definido: são os períodos de isolamento (de individuos ou de grupos sociais) para conter a disseminação de doenças contagiosas. Curiosamente, não é necessário que sejam quarenta dias. O nome se popularizou por causa de medidas tomadas nos portos de Veneza por causa de um surto de peste bubônica (a peste negra), ainda na Idade Média, quando navios eram obrigados a esperar 40 dias, ou um “quarantino”, em italiano, para poderem desembarcar. Não foi uma decisão científica, claro, mas uma vez que a peste era vista como castigo divino, alguns estudiosos entendem que essa opção pelos 40 dias resultou da associação com referências bíblicas. Faz sentido.

A atual pandemia fechou os portos do mundo, em pleno Século 21. A duração da quarentena que vivemos neste 2020 é indefinida. Sabemos que não é castigo de Deus, mas uma manifestação da natureza, que é perfeita e para muitos (eu incluso), obra de Deus. Assim como a inteligência humana. É preciso esperar, separados fisicamente, mas unidos no mesmo objetivo, nos orientam os maiores epidemiologistas e especialistas mundiais em quarentenas, antes da cura ou, pelo menos, antes da calmaria. É preciso esperar, unidos em espírito, diziam os antigos em suas quaresmas, antes da salvação.

Atravessamos a quaresma, atravessemos a quarentena. Que possamos todos, cada um, cada nação, enxergar as lições de que precisamos.

Felliz Páscoa.

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Bolsonaro testa o “homem prudente” de Maquiavel

Por Wanfil em Crônica

31 de Março de 2020

Maquiavel: a prudência de fazer ações obrigatórias e inevitáveis parecerem espontâneas

O que não tem remédio, remediado está, diz o ditado popular. Como todos sabem, o novo coronavírus não tem vacina ou cura cientificamente comprovada. O jeito, portanto, é administrar a situação para reduzir o estrago ou evitar um mal maior. Shimon Peres, ex-presidente de Israel, já falecido, dizia que um problema sem solução é um processo a ser conduzido da mehor forma possível. Referia-se ao conflito com os palestinos. No caso do coronavírus, a diferença é saber que mais cedo ou mais tarde, o ciclo de contaminação acaba. Ou seja, ainda que gravíssimo, não é problema crônico. Agora resta segurar o tranco, como dizem.

Em períodos turbulentos como agora, pressões e cobranças se multiplicam sobre os representantes do poder público. É assim que funciona. Nesse momento, por ser um pandemia sem prcedentes, essa condição se reproduz em todos os continentes. Assim, em todo o mundo, a maioria das lideranças reage como pode e faz o que lhes resta fazer: implantar medidas de isolamento social, enquanto reforçam a retaguarda dos hospitais com leitos de UTI. Quem não conseguiu a tempo, como a Espanh e a Itália, foi surpreendido pela quantidade de mortos.

Muito antes de o coronavirus trucidar a Itália, o florentino Nicolau Maquiavel, no livro em que comenta a obra de Tito Lívio (Discorsi sopra la prima Deca di Tito Livio), dizia no Século 16: “Gli uomini prudenti si fanno grado delle cose sempre e in ogni loro azione, ancora che la necessità gli constringesse a farle in ogni modo”. Traduzindo, é mais ou menos o seguinte: “Os homens prudentes sempre sabem tirar proveito de todas as suas ações, mesmo quando são constrangidos pela necessidade a agir de tal modo”.

Decretar quarentenas e levantar hospitais de campanha é o básico indispensável a se fazer diante da chegada da atual pandemia, com base na experiência de outros países que já vivem o problema há mais tempo. Não há erro nisso. Aliás, estão certos os governantes que assim agem, impelidos pelas circunstâncias e pela falta de alternativas. E há grande mérito na conduta daqueles que perceberam a emergência com mais rapidez. Esses, por agirem – de acordo com Maquiavel – como homens prudentes, conseguiram obter vantagens enquanto autoridades públicas, ao serem vistos como gestores atentos.

Só Jair Bolsonaro faz o contrário, optando pela imprudência, quando contradiz atos do seu próprio governo que poderiam conferir-lhe imenso proveito de imagem. Ensaia agora, com atraso, um recuo no discurso, mas é preciso ver se isso será mantido. Tem a crise econômica, é verdade, mas essa, também mundial, será debitada na conta do vírus. E toda ação de recuperação, inclusive as reformas que ainda precisam ser aprovadas, poderá ser vista, mais adiante, como medida indispensável para a cura da finanças nacionais. É sempre possível obter “vantaggio”, no sentido de prestígio, quando se age, no governo, com a devida cautela. Bem, é o que dizia Maquiavel, posto a teste no Brasil do Século 21.

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Pronunciamento à nação não é “live” de rede social

Por Wanfil em Política, Sem categoria

25 de Março de 2020

Presidente Jair Bolsonaro em Rede Nacional de Rádio e Televisão / Isac Nóbrega – Agência Brasil

O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro em rede nacional de rádio e televisão com críticas às medidas de isolamento social diante dos efeitos da crise na economia, causou grande repercussão e muitas dúvidas, pois na prática, não esclareceu nada nem definiu coisa alguma.

Que a modulação entre as restrições sanitárias impostas no combate ao coronavírus e a sobrevivência de empresas e trabalhadores (formais e informais) seja uma preocupação a ser debatida nos devidos fóruns, tudo bem. É, aliás, algo necessário e urgente, dever dos governantes. Contudo, muito diferente é a autoridade presidencial se colocar assim publicamente contra medidas defendidas pelo Ministério da Saúde, ainda mais quando o próprio governo federal pediu a aprovação do estado de calamidade. As contradições só confundem.

Claro que o debate proposto pode e precisa ser feito, desde que modo construtivo. Um pronunciamento à nação guarda um caráter de solenidade, quando o governo anuncia decisões e posicionamentos oficiais. Não é portanto uma live informal de rede social, dessas em que é normal pessoas desabafarem e opinarem sobre todo e qualquer assunto, como se conversassem com amigos em casa. os tempos são outros, a comunicação mudou um bocado, mas quando se trata de autoridade pública, convém que até as lives sejam feitas com muito cuidado.

Não se trata de ser contra ou a favor de partidos ou ideologias, mas de compreender que a prioridade agora é retardar a velocidade de propagação do coronavírus. Para isso, o isolamento social é o protocolo mais aceito no mundo. A dose a ser ministrada – ou seja, o tempo de manutenção dessas quarentenas – ainda não está bem definida. Ao propor o fim do isolamento sem combinar isso com os próprios técnicos do governo, o presidente acabou se colando num inédito – dentro do seu mandato – isolamento político.

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Notas da pandemia: superstições e cloroquina

Por Wanfil em Crônica

24 de Março de 2020

No subsolo, fugindo do coronavírus e da cloroquina,

Um homem morreu nos Estados Unidos após se automedicar com cloroquina, antigo remédio contra a malária que tem sido testado no combate ao novo coronavírus. Em vão, médicos alertam para os efeitos colaterais da droga. No Brasil, os estoques nas farmácias acabou. Quanta fé na química. Parece que a vitória da razão criou, paradoxalmente, um credo contemporâneo: fora dos laboratórios não há salvação.

Ocorre que apesar de todos os avanços e de todas as tecnologias, acabamos escondidos em nossas casas para fugir de um mísero vírus. Oh, ciência, por que nos abandonaste? Sim, agora sabemos como a peste se propaga, de onde ela vem, como se desenvolve, mas cura que é bom…

O imortal (sem ironia) Fiódor Dostoiévisk já desconfiava dessa fé cega na alopatia, como podemos ver logo nas primeiras linhas de Notas do Subsolo:

Sou um homem doente… Sou mau. Não tenho atrativos. Acho que sofro do fígado. Aliás, não entendo bulhufas da minha doença e não sei com certeza o que é que me dói. Não me trato, nunca me tratei, embora respeite os médicos e a medicina. Além de tudo, sou supersticioso ao extremo; bem, o bastante para respeitar a medicina. (Tenho instrução suficiente para não ser supersticioso, mas sou.)”

Respeito a cloroquina e todas as vacinas que existem por aí, mas por via das dúvidas, com as certezas adoecidas e exposto a superstições, acho melhor esperar a quarentena passar aqui no subsolo das minhas redes sociais.

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Coronavírus: melhor errar por exagero do que por omissão

Por Wanfil em Brasil

20 de Março de 2020

Coronavírus: o inimigo em comum que une esforços públicos e privados – Photo on VisualHunt.com

Todos os dias medidas de restrição de circulação de pessoas nas cidades e de isolamento social são anunciadas no esforço de conter o avanço do coronavírus. No início, o maior desafio para os governantes foi combinar essas iniciativas com a preservação da atividade econômica. Quem tardou, colheu piores índices, e agora todos procuram se antecipar ao pico da epidemia em seus países.

Como acontece nas tragédias e nas guerras, as pandemias despertam um sentimento de união nacional. Executivos, legislativos e judiciários, se mobilizam nesse sentido por todo o Brasil, com apoio da iniciativa privada. Seus representantes dão entrevistas, vão às redes sociais, pedem serenidade e alertam para a responsabilidade de todos. Fazem o que está sendo feito mundo afora, não há novidade. E é isso o que se espera deles.

Até o presidente Jair Bolsonaro, ponto fora da curva que inacreditavelmente subestimou a crise e menosprezou o medo da população, quando a imensa maioria dos políticos no mundo inteiro procura mostrar sintonia com o sentimento geral de expectativa e apreensão, recuou e passou a endossar publicamente as ações mais duras dos seus ministros.

Críticas são naturais e ajudam a corrigir rumos. Corrigidos os rumos, o importante é seguir com a mobilização contra o inimigo comum. Para governistas e opositores, insistir na politização é erro agora. Como diz um amigo meu, não existe um nível ideal de precaução a ser adotado. Só depois, quando tudo isso passar, é que poderemos avaliar se essas medidas preventivas foram adequadas, exageradas ou insuficientes. E como todos sabem, é melhor errar pelo exagero do que pela omissão.

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Coronavírus: melhor errar por exagero do que por omissão

Por Wanfil em Brasil

20 de Março de 2020

Coronavírus: o inimigo em comum que une esforços públicos e privados – Photo on VisualHunt.com

Todos os dias medidas de restrição de circulação de pessoas nas cidades e de isolamento social são anunciadas no esforço de conter o avanço do coronavírus. No início, o maior desafio para os governantes foi combinar essas iniciativas com a preservação da atividade econômica. Quem tardou, colheu piores índices, e agora todos procuram se antecipar ao pico da epidemia em seus países.

Como acontece nas tragédias e nas guerras, as pandemias despertam um sentimento de união nacional. Executivos, legislativos e judiciários, se mobilizam nesse sentido por todo o Brasil, com apoio da iniciativa privada. Seus representantes dão entrevistas, vão às redes sociais, pedem serenidade e alertam para a responsabilidade de todos. Fazem o que está sendo feito mundo afora, não há novidade. E é isso o que se espera deles.

Até o presidente Jair Bolsonaro, ponto fora da curva que inacreditavelmente subestimou a crise e menosprezou o medo da população, quando a imensa maioria dos políticos no mundo inteiro procura mostrar sintonia com o sentimento geral de expectativa e apreensão, recuou e passou a endossar publicamente as ações mais duras dos seus ministros.

Críticas são naturais e ajudam a corrigir rumos. Corrigidos os rumos, o importante é seguir com a mobilização contra o inimigo comum. Para governistas e opositores, insistir na politização é erro agora. Como diz um amigo meu, não existe um nível ideal de precaução a ser adotado. Só depois, quando tudo isso passar, é que poderemos avaliar se essas medidas preventivas foram adequadas, exageradas ou insuficientes. E como todos sabem, é melhor errar pelo exagero do que pela omissão.