Prefeitura de Fortaleza Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Prefeitura de Fortaleza

A politização da tragédia

Por Wanfil em Fortaleza

17 de outubro de 2019

Edifício desaba em Fortaleza: tragédia que naturalmente ronda a política – Foto: reprodução / Tribuna do Ceará

O desabamento de mais um edifício residencial em Fortaleza, com repercussão nacional, trouxe à tona questionamentos pertinentes sobre a Lei da Inspeção Predial. Mesmo aprovada, a lei nunca foi efetivada. Autoridades pedem cautela para fazer esse debate, pois a prioridade agora é cuidar das vítimas. Perfeito, nada a reparar. Acontece que, sentindo o potencial de desgaste para o executivo municipal, alguns aliados já ensaiam discursos preventivos.

Leio no jornal Diário do Nordeste que o deputado estadual Queiroz Filho (PDT) disse o seguinte na Assembleia Legislativa, um dia após o desabamento: “Os poderes públicos não podem ter responsabilidade também sobre a manutenção da propriedade privada”.  “É inadmissível, em dias como hoje, as pessoas querendo surfar na tragédia dos outros”. O parlamentar criticou ainda os que teriam “politizado um assunto de vida humana”. Quem, afinal, fez isso? Quem politiza e surfa sobre as vidas perdidas nos escombros do Edifício Andrea?

Antes de ser deputado, Queiroz Filho foi chefe de gabinete do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio. Por isso é compreensível o seu posicionamento defensivo. É preciso, no entanto, cuidado para não exagerar. Cobrar explicações sobre a Lei da Inspeção Predial não corresponde a acusar ninguém pelo desastre, até porque o assunto tem sua complexidade, mas a buscar soluções para evitar que outros casos aconteçam. Nada mais natural e oportuno diante do que aconteceu.

É incrível como políticos politizam tragédias apontando a suposta politização dessas mesmas tragédias.

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Tasso e Ciro juntos novamente? Calma…

Por Wanfil em Política

03 de julho de 2019

Tasso e Ciro: juntos ou separados, referências da política cearense

A troca de gentilezas e elogios entre Tasso Jereissati (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) na última segunda-feira, durante o anúncio de um pacote de obras da Prefeitura de Fortaleza, mobilizou atenções e deu material para muitas especulações. Vale lembrar que encontros assim já aconteceram em outras oportunidades, sempre gerando muitas expectativas.

É claro que políticos sabem que atos públicos têm esse potencial de espalhar boatos e atiçar medos, ambições e curiosidades. Faz parte. Para não se perder entre espumas, o observador deve manter o foco nos fatos.

Tasso e Ciro (e Cid Gomes também) voltaram a manter contato esporádico, após anos de distância? Sim. E o que mudou nesse meio tempo? Resposta: o governo federal. E com ele, a condição dos Ferreira Gomes de governistas para oposicionistas.

A reaproximação tem muito de estratégia para o governo estadual e a prefeitura da capital conseguirem espaços de interlocução com setores importantes de Brasília. Prova disso são os empréstimos liberados agora para a prefeitura, que contaram com fundamental apoio do tucano para aprovação rápida no Senado. A matéria estava parada quando Eunício Oliveira (MDB) – rompido com o prefeito Roberto Cláudio (PDT) – presidia a Casa.

Para Tasso, participar do evento foi também uma oportunidade de divulgar seu trabalho parlamentar, ressaltando ainda a capacidade de lidar com diferenças partidárias.

Por enquanto, é isso. Os Ferreira Gomes apoiarão Tasso ao Senado? O PSDB vai romper com o próprio discurso e aderir ao projeto do PDT? E o PT, como fica? São muitas as pontas soltas, difíceis de operar. Certo mesmo é que qualquer decisão, mais a frente, deve passar pelo crivo de Ciro e Tasso, que voa tempo, continuam entre os principais (se não os principais) protagonistas da cena política no Ceará.

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É simples: quem defende mais Estado, defende aumento de impostos

Por Wanfil em Ideologia

05 de julho de 2018

O novo Código Tributário de Fortaleza, aprovado em tempo recorde no final do ano passado e previsto para entrar em vigor no próximo mês, com aumentos expressivos na cobrança de taxas para alvará de funcionamento e registro sanitário, tem gerado muita polêmica, sobretudo junto ao setor produtivo, mas não deveria surpreender ninguém.

A iniciativa está em sintonia com a pregação de partidos de esquerda. No Ceará, onde o ICMS sobre a gasolina chega a 29%, o PT tem o governo estadual; e o PDT controla a capital.

Ao contrário dos liberais, que pregam a redução de impostos e a diminuição do Estado, nossos ditos progressistas defendem a ampliação da máquina pública, com suas estatais “estratégicas” e órgãos aboletados de companheiros, subsídios de ocasião, direitos para grupos alinhados, controle burocrático sobre empresas e sobre a vida privada dos cidadãos, etc. Tudo isso, é claro, demanda mais e mais dinheiro. E todo direito ofertado pelo estado corresponde a uma obrigação que recai sobre os pagadores de impostos. Encontrar o equilíbrio ideal nessa relação é o desafio.

Governos de direita também podem aumentar impostos e o ente estado além da conta, mas quando fazem isso, se realmente possuem um DNA ideológico, agem em traição aos postulados das doutrinas que dizem defender. Nesse caso, aí sim, há uma contradição.

De todo modo, a culpa não só de governantes esquerdistas. Embora jamais digam nas campanhas eleitorais que pretendem bancar suas promessas com mais impostos, os brasileiros em geral, incluindo empresários, têm concordado com a ideia de estado grande, paternalista e interventor.

Talvez muitos imaginem que o dinheiro para tudo isso caísse do céu. Não cai. Ele provém  justamente dos impostos que pagamos. Quer menos impostos? Cuidado com quem promete mais estado.

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Câncer não espera Carnaval

Por Wanfil em Fortaleza

24 de Fevereiro de 2017

Para quem tem câncer, não ser atendido no ICC significa perder a última esperança, enquanto burocratas brigam

O Instituto do Câncer do Ceará suspendeu os atendimentos pelo SUS desde a última quarta-feira (22). O hospital responsabiliza a Prefeitura de Fortaleza, a quem de atrasar repasses. A Secretaria Municipal de Saúde afirma que estaria impedida de fazer as transferências, uma vez que os contratos com a instituição ainda não foram renovados.

O Ministério Público do Ceará instaurou Inquérito Civil Público sobre o caso e agendou audiência para a próxima quinta-feira, que deverá contar com a presença de representantes do ICC e da SMS.

Parece complicado, mas não. Se os contratos estão em vigência, não há como justificar, legalmente, a suspensão dos repasses. Se venceram, houve falha em revalidá-los em tempo hábil. E se todos sabiam que os contratos estavam próximo ao vencimento, ninguém foi capaz de se antecipar para manter os serviços. É impressionante. Se na Educação a Prefeitura de Fortaleza comemora, com razão, a melhoria de suas escolas no Espaece, na Saúde a história é outra.

De todo modo, tudo pode ser esclarecido depois do Carnaval. O problema é que o câncer, que avança ininterruptamente caso não haja tratamento, não espera por festa, burocracia ou incompetência de seu ninguém. Uma semana pode ser a diferença entre a cura e a condenação. Centenas de pessoas podem estar sendo condenadas à morte, enquanto esperam o feriadão acabar.

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“Espero muita solidariedade de Eunício”, diz Roberto Cláudio

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

02 de Fevereiro de 2017

Roberto Cláudio, prefeito de Fortaleza, em entrevista à rádio TBN, do Sistema Jangadeiro

O prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (PDT) concedeu entrevista à rádio Tribuna Band News FM (101.7), na manhã desta quinta-feira. Perguntei ao prefeito como ele vê a eleição de Eunício Oliveira (PMDB) para a presidência do Senado, ocorrida ontem. Lembrei, mais para os ouvintes, que cabe ao Senado aprovar operações financeiras externas – como empréstimos e financiamentos – para a União, estados e municípios.

Polido e conciso, Roberto Cláudio desejou sorte ao senador e disse esperar “muita solidariedade com o Ceará e com Fortaleza”. A respeito de eventuais implicações na articulação política aqui no Estado, com desdobramentos nas eleições de 2018 – perguntei feita pela jornalista Jéssica Welma, do portal Tribuna do Ceará -, o prefeito saiu pela tangente, afirmando que as demandas administrativas da prefeitura exigem toda sua atenção e energia, deixando questões políticas em segundo plano.

A resposta combina com o estilo pessoal de Roberto Cláudio, mas também revela o cuidado do gestor com as necessidades e obrigações institucionais sob sua responsabilidade. Resta saber se o restante do PDT seguirá essa mesma linha de cautela.

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Imagens de elevador que leva a lugar nenhum em escola de Fortaleza ganham projeção nacional

Por Wanfil em Fortaleza

17 de Janeiro de 2017

Elevador em Fortaleza agora nacionalmente famoso (Foto: MPCE)

A Prefeitura de Fortaleza conseguiu sua primeira notícia de repercussão nacional em 2017. A edição desta terça-feira (17) do Jornal Hoje, da Rede Globo, apresentou, com direito a imagens exclusivas, denúncia do MP sobre a instalação de um elevador que não leva a lugar nenhum na Escola Municipal Professor Denizard Macedo.

O apresentador Evaristo Costa apresentou a obra como mau exemplo de ação pública:

Uma escola municipal de Fortaleza ganhou um elevador, ao custo de R$ 50 mil. Isso deveria ser um bom exemplo, mas não foi o que aconteceu.

Segundo a matéria, o relatório dos gestores municipais escondeu o fato: “A parte de cima não tem acesso a nada, mas isso não aparece na foto do relatório da obra encaminhado ao Ministério Público”. Ainda de acordo com o Jornal Hoje, a prefeitura responsabiliza a construtora que realizou a obra pela situação inusitada. Esta, por sua vez, responde afirmando que fez o que o projeto determinava.

A notícia foi devidamente coberta com farto material de imagens e amplo acesso ao local com exclusividade -, de modo que todos os brasileiros pudessem ver melhor a “qualidade” do planejamento das obras nas escolas municipais de Fortaleza.

O caso foi mostrado pelo portal Tribuna do Ceará no último dia 12.

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Prós e contras dos candidatos à Prefeitura de Fortaleza no debate da Nordestv

Por Wanfil em Eleições 2016, Sem categoria

02 de setembro de 2016

Os candidatos à Prefeitura de Fortaleza participaram do debate promovido pela Nordestv, do Sistema Jangadeiro de Comunicação, retransmissora Band no Ceará, realizado na noite desta quinta-feira (1). O Blog do Wanfil faz uma análise com os pontos positivos e negativos de cada um. Confira:

Roberto Cláudio – PDT

Positivo: Mostrou calma diante das críticas e evitou polêmicas na hora de escolher os adversários a quem dirigiu suas perguntas, como estratégia para reduzir confrontos com os candidatos mais fortes. Passou segurança nas respostas.

Negativo: Com exceção da segurança pública, não reconheceu problemas (em desacordo com o que dizem as pesquisas), apresentou poucas propostas para os próximos quatro anos.

Capitão Wagner – PR

Positivo: A desenvoltura na gesticulação, firme e sem exageros, reforçou a imagem de candidato com disposição para agir. Buscou diversas vezes o debate direto com o atual prefeito, sem radicalismos, para mostrar propostas e demarcar posição como alternativa de oposição.

Negativo: Fez algumas críticas sem o devido embasamento com números ou fontes.

Luizianne Lins – PT

Positivo: A ex-prefeita apostou na comparação entre suas gestões e a atual, procurando polarizar a disputa. No final, obrigou o prefeito Roberto Cláudio a se posicionar contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, do PT, embora Moroni Torgan, vice de sua chapa, tenha votado a favor da cassação.

Negativo: A insistência em desfazer a todo momento da atual gestão e a ausência de propostas deixam a impressão de ressentimento

Heitor Férrer – PSB

Positivo: Tranquilo, transpareceu experiência política. Foi incisivo nos questionamentos e críticas relacionadas à saúde e acusou a Prefeitura de “assaltar” a população com fotossensores.

Negativo: Em certos momentos pareceu um tanto apático, especialmente quando debateu com candidatos menos expressivos nas pesquisas.

Ronaldo Martins – PRB

Positivo: Cobrou o enxugamento da máquina pública e falou sobre a necessidade de participação popular para direcionar ações de saúde.

Negativo: Excessivamente cuidadoso, evita riscos na hora de confrontar ideias, ficando sem personalidade.

Tin Gomes – PHS

Positivo: Lembrou mais de uma vez que é preciso considerar os limites orçamentários da prefeitura na hora de fazer promessas.

Negativo: Dificuldade na articulação do discurso, apresentou propostas genéricas, aparentemente sem muita convicção. Deixa a impressão de que trabalha o nome para outras disputas.

Avaliação geral

Os candidatos mostraram preparo no controle de seus tempos de fala e evitaram ataques pessoais, centrando as discussões nos problemas da cidade. Faltando pouco mais de um mês para as eleições, todos ainda estudam as estratégias dos concorrentes. Com o passar do tempo e das pesquisas, a tendência é que o clima fique mais acirrado somente mais adiante.

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Lula no Ceará: do jatinho ao fusquinha

Por Wanfil em Eleições 2016

02 de agosto de 2016

O ex-presidente Lula, investigado por corrupção e indiciado por obstrução à Operação Lava Jato, participou  da convenção do PT de Fortaleza que oficializou, na noite desta segunda (1), a candidatura da deputada federal Luizianne Lins à prefeitura da capital cearense.

O Fusca do trabalhador é vermelho, mas o jatinho do político de hábitos caros é branco

O fusquinha do líder trabalhador é vermelho, mas o jatinho do político de hábitos caros é branco. Procure no Google

Lula chegou ao evento de carona no Fusca vermelho de Luizianne, dirigido pelo deputado estadual Elmano de Freitas, vice na chapa pura petista, como podemos ver na foto divulgada pela candidata em seu no Facebook pessoal. No palanque, o deputado federal José Guimarães enalteceu o fato: “O Pessoal do hotel levou foi um susto! O presidente Lula entrando num fusquinha. É porque o Lula pertence ao povo do Brasil e ao povo de Fortaleza!“.

O Fusca vermelho é um símbolo que evoca a cor do partido e sua origem humilde, popular, distante dos carrões importados das elites. Campanha é isso: um apelo à emoção. Por isso ninguém divulgou fotos da chegada de Lula, horas antes, em jatinho no antigo terminal do Aeroporto Pinto Martins. Jatinho não combina com Fusca.

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Desabamento na Raul Barbosa: tragédia ameaça transformar trunfo eleitoral em prejuízo de imagem

Por Wanfil em Fortaleza

23 de Fevereiro de 2016

O desabamento de parte das obras na ponte sobre o canal do Lagamar, na Avenida Raul Barbosa, em Fortaleza, é um daqueles eventos que exigem todo o cuidado na análise de suas causas e consequências, de modo a evitar precipitações, erros e injustiças. E principalmente, por respeito aos feridos e às duas vítimas que perderam a vida no desastre.

Por outro lado, como laudos técnicos demoram a ser concluídos, é inevitável que nesse meio tempo hipóteses sejam levantadas e debatidas pela população em geral e especialistas via imprensa. Nesse caso, não adianta autoridades e aliados da prefeitura reclamarem de possível exploração política, na esperança de impedir críticas. Mesmo sendo óbvio que ainda é cedo para apontar categoricamente o que causou o desabamento, suposições ocupam o vazio de respostas imediatas. É algo natural e acontece sempre, por exemplo, na sequência de desastres aéreos.

No episódio da ponte, comentários nas redes sociais vão de suspeitas de erro técnico, passando pela ação das chuvas, até uma suposta pressa na execução da obra, com objetivos eleitorais. A conexão com eleições é ainda previsível, afinal, não se pode negar mesmo que estamos em ano eleitoral. Da mesma forma que obras podem ser trunfos explorados em campanhas e propagandas, acidentes assim podem ser objetos de questionamentos e de prejuízo de imagem para o gestor, no caso, na imagem de Roberto Cláudio, caso as respostas gerenciais e a comunicação governamental não sejam bem trabalhadas.

A manifestação de solidariedade com as famílias das vítimas e o anúncio de medidas para apurar as causas do acidente, além de obrigações, são as reações possíveis para a Prefeitura nesse momento inicial. Resta agora esperar agilidade no resultado das investigações, firmeza na cobrança dos responsáveis e explicações claras para tranquilizar a população em relação a outras obras. Agir assim, sem tergiversações, assumindo o que deve ser assumido, responsabilizando quem deva ser responsabilizado, é mostrar compromisso com a verdade e, acima de tudo, questão de justiça.

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O IJF 2 e a lógica de São Tomé: de onde virá o dinheiro para o aumento nos gastos?

Por Wanfil em Ceará

02 de junho de 2015

Prometeram uma refinaria e um hospital regional que não funciona. Agora, no Ceará, São Tomé só acredita em obra funcionando.

Prometeram uma refinaria e um hospital regional que não funciona. Agora, no Ceará, São Tomé só acredita em obra funcionando.

Ano pré-eleitoral, gestores aliados anunciam obra de grande impacto, garantindo manchetes super bacanas. Já viram isso em algum lugar? Cito alguns casos: a reforma no Aeroporto Pinto Martins, o Hospital da Mulher, o Castelão, o Metrô de Fortaleza, a Linha Leste do VLT e a transposição do Rio São Francisco. Alguns ficaram prontos, outros não, mas todos foram anunciados com toda a pompa e circunstância.

Agora foi a vez do anúncio da ampliação do IJF, feito em conjunto pelo prefeito Roberto Cláudio e o governador Camilo Santana. Antes, vale lembrar o caso da refinaria da Petrobras, promessa não cumprida que deu origem ao release mais fantasioso e copiado da história do jornalismo cearense:

“A Refinaria Premium II é considerada uma das maiores refinarias de petróleo do mundo e terá escala mundial, com produção de 300 mil barris por dia. O investimento recebido será de US$ 11 bilhões e cerca de 90 mil empregos diretos e indiretos serão gerados com a instalação da refinaria”.

Não estou dizendo que o anúncio da ampliação do IJF seja uma mentira como a refinaria, longe disso. A questão aqui é como se colocar diante de anúncios dessa natureza, do cuidado necessário para não tomar a intenção comunicada por obra realizada.

Ver para crer
Aqui no blog, governos precisam passar pelo crivo de São Tomé: é ver para crer! E não basta ver a estrutura física, mas o equipamento funcionando efetivamente. O Hospital Regional de Quixeramobim, por exemplo, apesar de ter sido inaugurado no ano passado, até hoje não funciona.

No caso do IJF, os dados para o release da vez são esses:

“Serão, ao todo, 160 novos leitos, 30 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) tradicionais e 20 UTIs de cuidados intermediários, 9 salas cirúrgicas, 20 leitos de recuperação. As obras do IJF 2 têm prazo de conclusão de 24 meses e devem ser iniciadas até dezembro de 2015. A primeira etapa, com 132 leitos e nove salas cirúrgicas, deverá ser concluída até o fim de 2016”.

Olha aí os números! Eles serão repetidas exaustivamente até as eleições do ano que vem. Faz parte do jogo. Mas cumpre lembrar que o resultado final. Na última campanha para o governo estadual, o “tatuzão”, equipamento que faria as escavações para o Metrô, ganhou destaque imenso, mas passada a disputa, tudo parou. Por essas e outras, não dá mais para acreditar de olhos fechados em tudo o que as autoridades dizem.

E o custeio?
Alguns pontos sobre essa ampliação do IJF precisam de mais esclarecimentos. Já que a previsão de entrega é para depois das eleições, é importante saber de onde virão os recursos para bancar o funcionamento dessa nova estrutura pelos próximos quatro anos. Haverá receita ou as verbas virão de outra área? Qual? É comum a gente ouvir que os gastos para o funcionamento anual do IJF, do tamanho que está hoje, equivale a toda arrecadação do IPTU. Prefeitos em todo o país reclamam da falta de verbas. Assim, existem estudos nesse sentido ou o padrão de planejamento é o mesmo da gestão Cid Gomes?

São Tomé não acreditava fácil em milagre. Nem eu.

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O IJF 2 e a lógica de São Tomé: de onde virá o dinheiro para o aumento nos gastos?

Por Wanfil em Ceará

02 de junho de 2015

Prometeram uma refinaria e um hospital regional que não funciona. Agora, no Ceará, São Tomé só acredita em obra funcionando.

Prometeram uma refinaria e um hospital regional que não funciona. Agora, no Ceará, São Tomé só acredita em obra funcionando.

Ano pré-eleitoral, gestores aliados anunciam obra de grande impacto, garantindo manchetes super bacanas. Já viram isso em algum lugar? Cito alguns casos: a reforma no Aeroporto Pinto Martins, o Hospital da Mulher, o Castelão, o Metrô de Fortaleza, a Linha Leste do VLT e a transposição do Rio São Francisco. Alguns ficaram prontos, outros não, mas todos foram anunciados com toda a pompa e circunstância.

Agora foi a vez do anúncio da ampliação do IJF, feito em conjunto pelo prefeito Roberto Cláudio e o governador Camilo Santana. Antes, vale lembrar o caso da refinaria da Petrobras, promessa não cumprida que deu origem ao release mais fantasioso e copiado da história do jornalismo cearense:

“A Refinaria Premium II é considerada uma das maiores refinarias de petróleo do mundo e terá escala mundial, com produção de 300 mil barris por dia. O investimento recebido será de US$ 11 bilhões e cerca de 90 mil empregos diretos e indiretos serão gerados com a instalação da refinaria”.

Não estou dizendo que o anúncio da ampliação do IJF seja uma mentira como a refinaria, longe disso. A questão aqui é como se colocar diante de anúncios dessa natureza, do cuidado necessário para não tomar a intenção comunicada por obra realizada.

Ver para crer
Aqui no blog, governos precisam passar pelo crivo de São Tomé: é ver para crer! E não basta ver a estrutura física, mas o equipamento funcionando efetivamente. O Hospital Regional de Quixeramobim, por exemplo, apesar de ter sido inaugurado no ano passado, até hoje não funciona.

No caso do IJF, os dados para o release da vez são esses:

“Serão, ao todo, 160 novos leitos, 30 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) tradicionais e 20 UTIs de cuidados intermediários, 9 salas cirúrgicas, 20 leitos de recuperação. As obras do IJF 2 têm prazo de conclusão de 24 meses e devem ser iniciadas até dezembro de 2015. A primeira etapa, com 132 leitos e nove salas cirúrgicas, deverá ser concluída até o fim de 2016”.

Olha aí os números! Eles serão repetidas exaustivamente até as eleições do ano que vem. Faz parte do jogo. Mas cumpre lembrar que o resultado final. Na última campanha para o governo estadual, o “tatuzão”, equipamento que faria as escavações para o Metrô, ganhou destaque imenso, mas passada a disputa, tudo parou. Por essas e outras, não dá mais para acreditar de olhos fechados em tudo o que as autoridades dizem.

E o custeio?
Alguns pontos sobre essa ampliação do IJF precisam de mais esclarecimentos. Já que a previsão de entrega é para depois das eleições, é importante saber de onde virão os recursos para bancar o funcionamento dessa nova estrutura pelos próximos quatro anos. Haverá receita ou as verbas virão de outra área? Qual? É comum a gente ouvir que os gastos para o funcionamento anual do IJF, do tamanho que está hoje, equivale a toda arrecadação do IPTU. Prefeitos em todo o país reclamam da falta de verbas. Assim, existem estudos nesse sentido ou o padrão de planejamento é o mesmo da gestão Cid Gomes?

São Tomé não acreditava fácil em milagre. Nem eu.