PT Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

PT

CPI da Lava Jato é pauta que une PT e PDT

Por Wanfil em Política

17 de setembro de 2019

Divergências à parte, descontados alguns discursos, ninguém solta a mão de ninguém

A ambiguidade é um recurso muito usado na política, afinal, é a arte do possível, mas em excesso pode causar contradições que levam ao descrédito.

Explico: enquanto Ciro Gomes chama Lula de corrupto, Fernando Haddad de fraude e o PT de quadrilha, seu partido PDT une forças com esse mesmo PT por uma CPI na Câmara dos Deputados para investigar a Lava Jato e o ex-juiz Sérgio Moro, atualmente ministro da Justiça. Acusar os ex-aliados de corrupção e ao mesmo tempo ajudá-los a constranger os investigadores que revelaram seu esquema criminoso, é ultrapassar a linha que separa ambiguidade de contradição.

O PDT até pode alegar que reconhecer o crimes do petismo não implica em concordar com os métodos da Lava Jato. É verdade, e para isso é possível apelar a outras instâncias, como o STF. Mas ao optar pela ação política, via comissão parlamentar de inquérito, em aliança com os principais investigados pela Lava Jato, os pedetistas assumem, ou endossam, um discurso contraditório ao seu, pois o PT alega inocência e se diz vítima de perseguição de uma conspiração judiciária.

No fim das contas, a conclusão não pode ser outra: discursos públicos, discordâncias, troca de farpas e ressentimentos à parte, no que interessa mesmo, PT e PDT estão sempre juntos.

Cearenses que defendem a CPI da Lava Jato

Para selar a parceria, um dos autores do pedido de CPI é o deputado federal André Figueiredo, do PDT do Ceará. De resto, da bancada cearense, também assinam o pedido para investigar a investigação contra a corrupção os deputados Aníbal Gomes (MDB), Denis Bezerra (PSB), Domingos Neto (PSD), Eduardo Bismarck (PDT), Idilvan Alencar (PDT), José Aírton (PT), José Guimarães (PT), Júnior Mano (PL), Leônidas Cristino (PDT), Luizianne Lins (PT), Moses Rodrigues (MDB), Robério Monteiro (PDT).

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Governadores do Nordeste: pauta administrativa, gestos políticos

Por Wanfil em Política

29 de julho de 2019

Governadores do Nordeste implantam consórcio administrativo – Foto: divulgação

Governadores do Nordeste estiveram reunidos nesta segunda-feira, na Bahia, para a implantação do Consórcio Nordeste, uma parceria administrativa entre os estados da região.

Apesar da pauta técnica, as atenções sempre se voltam para a política. Como todos sabem, os laços que unem o grupo são maiores que a questão regional: há também, ou sobretudo, a sintonia ideológica e a condição de opositores ao governo federal.

Nada contra. Na verdade, é legítimo. Porém, é preciso sempre muita atenção para não confundir os limites entre a militância pessoal e os cargos representativos que ocupam. Não raro, os governadores extrapolam temas de gestão para abordar assuntos controversos e de interesse restrito, como quando criticaram o Judiciário para defender o ex-presidente Lula, julgado e condenado em mais de uma instância, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Camilo Santana em Curitiba: recado aos correligionários cearenses (Divulgação)

Lula Livre
Por falar nisso, o governador Camilo Santana (PT-CE), que se recupera de uma virose e por isso não participou da reunião, esteve em Curitiba na semana passada para visitar Lula na carceragem da Polícia Federal. De megafone na mão, entoou palavras de ordem em solidariedade ao líder petista. Cada um tem o direito de acreditar no que quiser, mas quando se trata de políticos, toda ação pública tem por objetivo passar um ou mais mensagens.

Do ponto de vista jurídico, as opiniões dos governadores nordestinos a respeito do caso não têm efeito prático algum. Eles sabem disso, como sabem que boa parte do eleitorado da região simpatiza com o ex-presidente.

No caso de Camilo, é provável que a performance seja ainda um aceno ao petismo no Ceará, comandado pelos deputados José Guimarães e Luizianne Lins – esta disposta a lançar candidatura à Prefeitura de Fortaleza contra Roberto Cláudio, aliado do governador e nome do PDT, que não defende a inocência do ex-presidente, muito pelo contrário.

É claro que o governador tem a força do cargo, que nunca pode ser desprezada, mas na dinâmica interna do partido, não é voz determinante para definir rumos. O ato público em Curitiba mostra compromisso com a sigla, reforçando a imagem de Camilo junto aos correligionários, muito embora a defesa cega de Lula não passe, para o petismo, de uma obrigação incondicional.

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Bancada do Ceará na Reforma da Previdência: manda quem pode…

Por Wanfil em Política

11 de julho de 2019

Texto-base da nova Previdência é aprovado na Câmara. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

A bancada cearense na Câmara Federal acabou dividida na votação do texto-base da Reforma da Previdência: foram 11 contra e 11 a favor.

Vale lembrar que os governistas retiraram alguns pontos do projeto a pedido dos governadores do Nordeste, na esperança de que esses pudessem influenciar as bancadas dos seus estados.

A premissa é simples: como regra, boa parte dos deputados federais depende da parceria com os governos estaduais para se eleger. Acontece que no Ceará a máquina eleitoral predominante não é controlada pela atual gestão. Para usar um termo muito usado por Ciro Gomes e que remete aos escritos de Antônio Gramsci, é uma questão de “hegemonia”. 

Assim, Camilo Santana defendeu a reforma (após as alterações), mas os três representantes do PT na bancada votaram contra a emenda. E no PDT, seu principal parceiro, os cincos deputados federais também votaram contra a reforma. Resultado: os principais partidos de sustentação de Camilo seguiram as orientações das suas respectivas lideranças, ignorando deliberadamente as sinalizações do governador.

É a velha história: manda quem pode, obedece quem tem juízo.

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PT me convence a defender privatização da Petrobras no Ceará

Por Wanfil em Economia

17 de junho de 2019

Cuidando da Petrobras: Sérgio Gabrielli, Dilma Rousseff e Paulo Roberto Costa (delator do Petrolão) – Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A Comissão de Indústria, Comércio, Turismo e Serviços da Assembleia Legislativa do Ceará realizou nesta segunda-feira (17) uma audiência pública contra a privatização da Lubnor, empresa subsidiária da Petrobras com sede em Fortaleza que produz asfalto e lubrificantes.

Entre os convidados para o evento, solicitado pelo deputado Moisés Braz (PT), destaque para  José Sérgio Gabrielli, o ex-presidente da Petrobras entre 2005 e 20012.

Nesse período, José Sérgio Gabrielli:

– Garantiu as promessas de uma refinaria da Petrobras no Ceará feitas aos cearenses por Lula e Dilma (em abril de 2010, ano eleitoral, Lula e Gabrielli são mostrados em propaganda oficial do Governo do Ceará falando sobre as maravilhas do projeto que nunca chegou perto de sair do papel);

– comprou a refinaria de Pasadena, nos EUA, no pior negócio da história do capitalismo (os belgas da Astra Oil adquiriram a refinaria por US$ 42,5 milhões e a revenderam em seguida para a Petrobras, que acabou desembolsando US$1,2 bilhão pela sucata);

– viu a Lava Jato revelar o Petrolão. A operação recuperou mais de R$ 1 bilhão desviado da empresa por diversos partidos durante os governos do PT.

Com esse histórico, se agora Sérgio Gabrielli diz que a privatização da Lubnor é ruim para o Ceará, é porque deve ser boa.

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Camilo Santana divide palanque com bolsonaristas em evento no Ceará

Por Wanfil em Política

20 de Março de 2019

Gustavo Canuto ladeado por Camilo Santana (PT) e André Fernandes (PSL). (Foto: Min. do Desenvolvimento Regional)

Os tempos realmente são outros. O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, e o governador Camilo Santana (PT), entregaram nesta quarta-feira obras do programa Minha Casa Minha Vida em Fortaleza.

Em passado recente, deputados e vereadores da base aliada no Ceará disputavam cada centímetro de palanques armados para a solenidades dessa natureza. Agora é diferente. Pelo PT, apenas Camilo Santana. E pelo PDT compareceram, representando instituições, o prefeito Roberto Cláudio; o presidente da Assembleia Legislativa, José Sarto; o presidente da Câmara de Vereadores, Antônio Henrique; e o secretário estadual das Cidades, Zezinho Albuquerque.

O líder da bancada cearense na Câmara dos Deputados, Domingos Neto (PSD), também esteve no local, mas é figura neutra, já que sai governo, entra governo, é sempre governista. Nesse caso, o critério de convicções partidárias ou programáticas não conta.

Por falar em posicionamento político, outra parte do palanque estava ocupado por adversários dos Ferreira Gomes e do PT. O deputado federal Heitor Freire e pelos deputados estaduais André Fernandes e Delegado Cavalcante, todos do PSL, partido de Jair Bolsonaro, acompanharam o ministro. Aliás, uma imagem ilustrativa desse novo momento é ver Fernandes (que “viralizou” nas redes com um vídeo em que chamou o governador de frouxo) praticamente ao lado de Camilo.

O compartilhamento de palanques entre governistas e parlamentares opositores no Ceará não acontecia desde o governo de Lúcio Alcântara, então no PSDB, enquanto o governo federal estava com o PT. Por enquanto, o PSL trabalha para mostrar protagonismo. É preciso ver se eventuais alianças para as eleições do ano que vem podem levar outros partidos para as inaugurações e entregas federais.

De resto, apesar das diferenças políticas, tanto o governador Camilo Santana como o ministro Gustavo Canuto mostraram jogo de cintura, evitando constrangimentos e preservando a institucionalidade. É o que se espera de autoridades, sem que isso deixe de representar um importante sinal de alteração na correlação de forças partidárias no Ceará.

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Luizianne: “Não sou um Ciro Gomes da vida”

Por Wanfil em Partidos

14 de Março de 2019

Luizianne e o dilema do PT no Ceará: responder aos ataques de Ciro e arriscar a aliança ou silenciar e frustar a militância? (Foto – Agência PT)

A deputada federal Luizianne Lins quebrou o silêncio dos petistas cearenses após a troca de farpas entre Ciro Gomes (PDT) e a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann. O registro é do site Focus.jor.

Na sequência de uma série de críticas sobre a gestão de Roberto Cláudio em Fortaleza – ressaltando que eram considerações feitas de forma consistente e sem picuinha – a petista não resistiu e mandou ver no final: “Não sou um Ciro Gomes da vida”.

Não foi uma resposta direta a Ciro, mas uma referência implícita, ainda que tímida, aos ataques contra a cúpula do PT, incluindo Lula. Estes é que seriam inconsistentes e picuinha.

Que Luizianne e Ciro não se bicam, isso não é novidade. Acontece que agora, em meio ao tiroteio entre PDT e PT na disputa pelo papel de protagonista da esquerda brasileira, e com as eleições do próximo ano no radar dos partidos, as provocações ganham nova relevância diferente, pois podem afetar a aliança entre o partido do governador Camilo Santana e o maior partido de sua base, liderado por Ciro.

Se as lideranças do PT no Ceará preferiram a prudência para preservar espaços na gestão estadual, chega um momento que diante de acusações pesadas (difíceis de refutar, diga-se) que atingem a figura mais idolatrada do petismo, que é Lula, aí fica complicado para essas lideranças explicarem a postura para as bases de sua militância.

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PT X PDT: Gleisi Hoffmann publica foto com Camilo Santana após troca de farpas com Ciro

Por Wanfil em Política

13 de Março de 2019

Gleisi Hoffmann, chamada de quadrilheira por Ciro, posa para foto com Camilo Santana, aliado de Ciro, chamado de coronel ressentido por Gleisi – Foto: Twitter / Gleisi Hoffmann

Um dia após Ciro Gomes (PDT) ter chamado a deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, de “chefe da quadrilha” que comanda uma “organização criminosa”, a petista publicou no Twitter foto com o governador do Ceará, Camilo Santana, que é do PT e também muitíssimo ligado a Ciro e Cid Gomes, que comandam a base aliada no Estado.

Junto com eles aparece ainda o deputado federal José Guimarães, que manda no PT cearense. Camilo Santana cumpria agenda oficial em Brasília nesta quarta (13).

A petista, aliás, já tinha rebatido Ciro, a quem chamou de “coronel ressentido, oportunista e covarde“., mas não parou por aí. Na imagem ao lado de Camilo, como que sugerindo uma espécie de desagravo, Gleisi escreveu: “Seguimos firmes, juntos, pelo Brasil e pelo Ceará.

Mais do que mera fofoca ou simples briguinha entre ex-aliados de campanhas passadas, a troca de farpas expressa movimentações políticas importantes. O desgaste vem desde as eleições do ano passado: o PDT perdeu aliados para o PT no primeiro turno e por isso não se engajou na campanha de Fernando Haddad (PT) no segundo turno. Agora, com a escalada de acusações mútuas, o silêncio da executiva estadual do PT é sintomático.

Com tanta confusão, notícias de conversas entre Camilo Santana e o PSB sobre uma possível mudança de partido voltaram a ganhar corpo, inclusive, com a possibilidade de o PT lançar candidato próprio à Prefeitura de Fortaleza, atropelando o PDT de Roberto Cláudio.

Esse é outro aspecto que sempre deve ser levado em consideração nessas circunstâncias. O que tenta parecer aos olhos do público como divergência de valores inegociáveis, no fundo, é disputa visando as próximas eleições.

Leia mais no blog: PT apanha de Ciro e não reage: por quê?

Ciro Gomes ocupa vazio deixado por Fernando Haddad

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PT apanha de Ciro e não reage: por quê?

Por Wanfil em Partidos

12 de Março de 2019

O PT do Ceará é Lula. Para Ciro, do PDT, aliado estadual dos petistas, Lula se corrompeu e o PT nacional é uma quadrilha. (Foto: PT/Ceará)

Ciro Gomes continua a bater forte na direção nacional do Partido dos Trabalhadores. Dessa vez, em entrevista ao jornal Valor Econômico, a principal liderança do PDT no Ceará disse que:

1) a cúpula do PT é uma “organização criminosa”;
2) Gleisi Hoffmann, presidente nacional do partido, é “a chefe” da “quadrilha”;
3) “Lula virou um caudilho sul-americano corrompido”;
4) “Só um petista doente não lembra que o desemprego, quando ela [Dilma] assumiu era 4% e quando saiu, era 14%”;
5) “estou fora” do Lula livre.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa, disse que o partido vai se reunir para decidir se processa Ciro Gomes, pois assim “está ficando complicado“.

E o que disse o PT do Ceará até o momento? Nada. O que dizem suas principais lideranças – (Guimarães, Luizianne, Acrísio Sena, Guilherme Sampaio, Camilo (?) – a respeito do aliado estadual? Nadinha. Os lulistas, onde estão? Optam pelo silêncio, como se não soubessem de nada, mas como dizem por aí, quem cala, consente.

Se pensarmos bem, o constrangimento não se restringe aos petistas. Se a cúpula do PT é uma quadrilha, como diz Ciro, e se as lideranças petistas no estado são alinhadas com essa cúpula e com Lula, já não se trata de mera diferença de opinião, de divergência programática ou coisa que o valha, mas de incompatibilidade moral. O ponto é que, se é assim, se concorda com Ciro, como pode o PDT estar junto com o PT no Ceará?

Leia mais no blog: Ciro Gomes ocupa vazio deixado por Fernando Haddad

Atualização: Ainda no final da tarde de ontem (12), Gleisi Hoffmann foi ao Twitter chamar Ciro de coronel ressentido. No Ceará, silêncio.

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Ciro Gomes ocupa vazio deixado por Fernando Haddad

Por Wanfil em Política

25 de Fevereiro de 2019

Ciro Gomes na Tribuna Bandnews: a polêmica como estratégia – (Foto – divulgação)

Entrevista com Ciro Gomes é garantia de boas manchetes e de audiência. Não tem mistério. Claro que nesta segunda (25), na Tribuna Bandnews e com minha singela participação (de branco na foto), não foi diferente.

Como quase sempre também a repercussão na internet destacou sobretudo o estilo polêmico do entrevistado, pródigo em criar frases de efeito. Por causa disso, muitas vezes, a estratégia que orienta o discurso fica em segundo plano ou acaba ignorada nas avaliações feitas sobre o que foi dito.

Críticas disparadas contra a gestão do presidente Jair Bolsonaro e suas disputas internas, o vice Hamilton Mourão, a reforma da Previdência, a crise na Venezuela e o Partido dos Trabalhadores, formam uma superfície agitada que encobre objetivos mais profundos. Se repararmos bem, aos poucos Ciro vai ocupando – na imprensa e na opinião pública – o espaço que naturalmente deveria ser do petista Fernando Haddad, adversário de Bolsonaro no segundo turno.

Tudo isso, não se enganem, é feito, de forma legítima, com método. Ciro procura discordar do governo a partir de ações ou medidas específicas e potencialmente desgastantes, evitando assim o campo retórico de discussões como as que tratam do aborto ou da educação sexual nas escolas. E ao insistir nos ataques ao PT, reforça junto a uma grande parte do eleitorado de esquerda que o partido perdeu as condições de ser a referência desse campo ideológico.

Concordando ou discordando das leituras colocadas por Ciro – e isso é o de menos agora -, o fato há um imenso vazio de voz na oposição que ele procura preencher. Se vai conseguir é outra conversa, mas até o momento parece ser o único se movimentando nesse sentido. Na política, como todos sabem, não existe vácuo.

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Ceará ainda colhe os frutos da “receita neoliberal”

Por Wanfil em Economia

08 de Fevereiro de 2019

Governo do Ceará comemora resultados do rigor fiscal nas contas públicas – Foto: divulgação/Marcos Studart

Notícia publicada no site do governo do Ceará (grifo meu):

“O Ceará seguiu na liderança de investimentos públicos no Brasil em 2018, atingindo 15,20% da Receita Corrente Líquida (RCL). A informação foi apresentada pelo governador Camilo Santana em coletiva nesta sexta-feira (8), no Palácio da Abolição. Conforme o levantamento disponibilizado pela Secretaria do Tesouro Nacional (Sincofi/STN), o Ceará cumpriu todas as metas estabelecidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), com aumento da Receita Corrente Líquida em 7,9%, o que significa cerca de R$ 1,4 bilhão a mais que no ano anterior.”

A ironia é que a Lei de Responsabilidade Fiscal, criada no ano 2000 por orientação do governo de Fernando Henrique Cardoso na esteira de uma série de medidas saneadoras iniciadas com o Plano Real, sob influência, entre outros, da Escola de Chicago (a mesma que inspira a reforma da Previdência proposta pela equipe econômica de Jair Bolsonaro), foi duramente combatida pela esquerda em geral e pelo Partido dos Trabalhadores em particular, com o argumento de que era uma imposição do FMI para desmantelar o estado brasileiro. E ai de quem defendesse o equilíbrio fiscal!

Para rebater as críticas o então ministro da Fazenda Pedro Malan explicava: “Qualquer administração séria, de qualquer coloração política, está comprometida com essa responsabilidade básica”. Foi acusado, assim como Tasso Jereissati, governador do Ceará nesse período, de vendilhão da pátria e – oh, Marx! – de neoliberal.

Para azar dos brasileiros, a gestão Dilma Rousseff tentou uma “nova matriz econômica”. Para a sorte dos cearenses o conselho de Malan falou mais alto e mesmo com a esquerda chegando ao governo estadual, as diretrizes da responsabilidade fiscal foram mantidas.

Velhas ideias, novas conquistas.

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Ceará ainda colhe os frutos da “receita neoliberal”

Por Wanfil em Economia

08 de Fevereiro de 2019

Governo do Ceará comemora resultados do rigor fiscal nas contas públicas – Foto: divulgação/Marcos Studart

Notícia publicada no site do governo do Ceará (grifo meu):

“O Ceará seguiu na liderança de investimentos públicos no Brasil em 2018, atingindo 15,20% da Receita Corrente Líquida (RCL). A informação foi apresentada pelo governador Camilo Santana em coletiva nesta sexta-feira (8), no Palácio da Abolição. Conforme o levantamento disponibilizado pela Secretaria do Tesouro Nacional (Sincofi/STN), o Ceará cumpriu todas as metas estabelecidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), com aumento da Receita Corrente Líquida em 7,9%, o que significa cerca de R$ 1,4 bilhão a mais que no ano anterior.”

A ironia é que a Lei de Responsabilidade Fiscal, criada no ano 2000 por orientação do governo de Fernando Henrique Cardoso na esteira de uma série de medidas saneadoras iniciadas com o Plano Real, sob influência, entre outros, da Escola de Chicago (a mesma que inspira a reforma da Previdência proposta pela equipe econômica de Jair Bolsonaro), foi duramente combatida pela esquerda em geral e pelo Partido dos Trabalhadores em particular, com o argumento de que era uma imposição do FMI para desmantelar o estado brasileiro. E ai de quem defendesse o equilíbrio fiscal!

Para rebater as críticas o então ministro da Fazenda Pedro Malan explicava: “Qualquer administração séria, de qualquer coloração política, está comprometida com essa responsabilidade básica”. Foi acusado, assim como Tasso Jereissati, governador do Ceará nesse período, de vendilhão da pátria e – oh, Marx! – de neoliberal.

Para azar dos brasileiros, a gestão Dilma Rousseff tentou uma “nova matriz econômica”. Para a sorte dos cearenses o conselho de Malan falou mais alto e mesmo com a esquerda chegando ao governo estadual, as diretrizes da responsabilidade fiscal foram mantidas.

Velhas ideias, novas conquistas.