tragédia Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

tragédia

A politização da tragédia

Por Wanfil em Fortaleza

17 de outubro de 2019

Edifício desaba em Fortaleza: tragédia que naturalmente ronda a política – Foto: reprodução / Tribuna do Ceará

O desabamento de mais um edifício residencial em Fortaleza, com repercussão nacional, trouxe à tona questionamentos pertinentes sobre a Lei da Inspeção Predial. Mesmo aprovada, a lei nunca foi efetivada. Autoridades pedem cautela para fazer esse debate, pois a prioridade agora é cuidar das vítimas. Perfeito, nada a reparar. Acontece que, sentindo o potencial de desgaste para o executivo municipal, alguns aliados já ensaiam discursos preventivos.

Leio no jornal Diário do Nordeste que o deputado estadual Queiroz Filho (PDT) disse o seguinte na Assembleia Legislativa, um dia após o desabamento: “Os poderes públicos não podem ter responsabilidade também sobre a manutenção da propriedade privada”.  “É inadmissível, em dias como hoje, as pessoas querendo surfar na tragédia dos outros”. O parlamentar criticou ainda os que teriam “politizado um assunto de vida humana”. Quem, afinal, fez isso? Quem politiza e surfa sobre as vidas perdidas nos escombros do Edifício Andrea?

Antes de ser deputado, Queiroz Filho foi chefe de gabinete do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio. Por isso é compreensível o seu posicionamento defensivo. É preciso, no entanto, cuidado para não exagerar. Cobrar explicações sobre a Lei da Inspeção Predial não corresponde a acusar ninguém pelo desastre, até porque o assunto tem sua complexidade, mas a buscar soluções para evitar que outros casos aconteçam. Nada mais natural e oportuno diante do que aconteceu.

É incrível como políticos politizam tragédias apontando a suposta politização dessas mesmas tragédias.

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A tragédia da Chapecoense e a condição humana

Por Wanfil em Crônica

04 de dezembro de 2016

A Varanda, de Manet (1868)

A Varanda, de Manet (1868)

Em 1868 Édouard Manet apresentou “A Varanda”, pintura em óleo que retrata o frescor de duas jovens a contemplar a vista. Anos depois, em 1950, René Magritte usou o mesmo cenário para pintar “O Balcão de Manet”, substituindo as pessoas do original por mórbidos caixões.

O Balcão de Manet, de Margritte (1950)

O Balcão de Manet, de Magritte (1950)

Em 2016, a tragédia do acidente aéreo com a equipe da Chapecoense, jornalistas e tripulação de um voo fretado comoveu o mundo. As imagens do avião despedaçado contrastam com outras feitas nos dias anteriores, de jogadores repletos de alegria por suas conquistas, de jovens que contemplavam a vida que teriam e os planos que faziam. Tudo encerrado de uma hora para a outra.

O mesmo contraste entre os quadros de Manet e Magritte: a vida é frágil, um sopro. É a condição humana que nos aproxima do episódio. É doloroso constatar assim a efemeridade da vida.

Tudo indica, preliminarmente, que a possível causa do acidente tenha sido a irresponsabilidade do piloto, que arriscou tudo apostando em voar no limite do combustível que, ao final, se mostraria insuficiente para levar a aeronave até o destino planejado. E agora aqueles jovens atletas, com saúde e cheios de vida, já não estão entre nós. Por muitos instantes, ao acompanhar a intensa cobertura sobre o caso, imaginei, como Magritte, um paralelo da realidade: não confiamos demais na ideia de tempo que cultivamos, confiantes de que amanhã será mais um dia, como se a matéria não fosse frágil, deixando para depois o que poderia ser dito hoje?

Que Deus conforte parentes e amigos das vítimas, que seguem agora, sendo o que são, na maior das viagens.

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Tragédia em boate no RS: Quanto vale uma vida no Brasil?

Por Wanfil em Brasil

27 de Janeiro de 2013

O incêndio que vitimou centenas de pessoas em uma boate no Rio Grande do Sul é mais uma daquelas tragédias que comovem a todos. Pessoas saudáveis, com a vida inteira pela frente, de uma hora para a outra, perecem, deixando nos que ficam uma sensação de incredulidade.

A dor dos familiares desconcerta a gente, que engole seco ao ver as imagens e ao ler as notícias sobre o caso. De certa forma, as grandes catástrofes nos obrigam a contemplar a fragilidade da vida.

As primeiras informações dizem que a boate Kiss, onde ocorreu o trágico incêndio, não tinha alvará para funcionar.  O caso choca também pela soma de circunstâncias que a potencializaram. A falta de saídas de emergência adequadas e de extintores de incêndios, segundo relatos de sobreviventes, contribuíram para aumentar o desespero dos morreram queimados, pisoteados e asfixiados tentando escapar do fogo e da fumaça que se alastraram rapidamente no local.

Evidentemente, é preciso aguardar o inquérito para apurar as devidas responsabilidades. De qualquer forma, casos assim nos fazem pensar. Como é feita a fiscalização nesses estabelecimentos? A cobrança de IPTU nunca falha, por que o mesmo não acontece com as medidas de prevenção? O Corpo de Bombeiros tem condições de avaliá-los? Até onde sei, a instituição sofre com carências absurdas.

O Brasil vive o absurdo obsceno de contar 50 mil vítimas de homicídios e 40 mil mortos em acidentes de trânsito TODOS OS ANOS. De alguma forma, nos acostumamos a isso, afinal, são casos diluídos no tempo e no espaço. Mas com as grandes tragédias é diferente. Essas têm o poder de nos perturbar, por mostrar, na marra, diante do choro de centenas de famílias, o quanto é valiosa a vida, o quanto é importante preservá-la.

Quando o assunto é a segurança das pessoas, o exagero nunca é demais. Riscos devem sempre ser medidos, possibilidades devem ser cogitadas e negligências punidas severamente ANTES que as tragédias aconteçam. O preço de uma vida não pode ser o da imprevidência generalizada.

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Tragédia em boate no RS: Quanto vale uma vida no Brasil?

Por Wanfil em Brasil

27 de Janeiro de 2013

O incêndio que vitimou centenas de pessoas em uma boate no Rio Grande do Sul é mais uma daquelas tragédias que comovem a todos. Pessoas saudáveis, com a vida inteira pela frente, de uma hora para a outra, perecem, deixando nos que ficam uma sensação de incredulidade.

A dor dos familiares desconcerta a gente, que engole seco ao ver as imagens e ao ler as notícias sobre o caso. De certa forma, as grandes catástrofes nos obrigam a contemplar a fragilidade da vida.

As primeiras informações dizem que a boate Kiss, onde ocorreu o trágico incêndio, não tinha alvará para funcionar.  O caso choca também pela soma de circunstâncias que a potencializaram. A falta de saídas de emergência adequadas e de extintores de incêndios, segundo relatos de sobreviventes, contribuíram para aumentar o desespero dos morreram queimados, pisoteados e asfixiados tentando escapar do fogo e da fumaça que se alastraram rapidamente no local.

Evidentemente, é preciso aguardar o inquérito para apurar as devidas responsabilidades. De qualquer forma, casos assim nos fazem pensar. Como é feita a fiscalização nesses estabelecimentos? A cobrança de IPTU nunca falha, por que o mesmo não acontece com as medidas de prevenção? O Corpo de Bombeiros tem condições de avaliá-los? Até onde sei, a instituição sofre com carências absurdas.

O Brasil vive o absurdo obsceno de contar 50 mil vítimas de homicídios e 40 mil mortos em acidentes de trânsito TODOS OS ANOS. De alguma forma, nos acostumamos a isso, afinal, são casos diluídos no tempo e no espaço. Mas com as grandes tragédias é diferente. Essas têm o poder de nos perturbar, por mostrar, na marra, diante do choro de centenas de famílias, o quanto é valiosa a vida, o quanto é importante preservá-la.

Quando o assunto é a segurança das pessoas, o exagero nunca é demais. Riscos devem sempre ser medidos, possibilidades devem ser cogitadas e negligências punidas severamente ANTES que as tragédias aconteçam. O preço de uma vida não pode ser o da imprevidência generalizada.