UFC Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

UFC

Cândido Albuquerque reitor da UFC: escolha natural e dentro das regras

Por Wanfil em Educação

20 de agosto de 2019

O professor e advogado Cândido Albuquerque é o novo reitor da Universidade Federal do Ceará. Seu nome, claro, constava na lista tríplice enviada ao presidente Jair Bolsonaro. Nas chatíssimas redes sociais, adversários e opositores falam em golpe, intervenção e ditadura. É que na consulta feita à comunidade acadêmica, o mais votado, com ampla vantagem, foi o professor de filosofia Custódio de Almeida, alinhado com a gestão que encerra agora, um tanto afeita a notinhas políticas. Ocorre que, como todos sabem, professores, alunos e servidores não elegem reitores, são apenas consultados. Sempre foi assim.

A frustração dos que sugeriram o nome preterido é compreensível, mas é totalmente descabido falar em intervenção ou golpe. O processo foi legítimo, ainda que se discorde, no fim, do próprio processo! A solução, por óbvio, seria alterar as regras eleitorais nas universidades, coisa que nenhum governo jamais fez.

Se pensarmos bem no espírito da lei, reitores são escolhidos por presidentes da República eleitos para mandatos temporários e que atuam, ou deveriam atuar, a partir de um conjunto de valores apresentado em campanha e aprovado pela maioria dos eleitores. Esta é a fundamentação democrática para a prerrogativa das nomeações. Prerrogativa geral e de longa data, não um casuísmo.

Muitos falam da tradição de se nomear o mais votado na consulta. Nesse caso, é concessão, não uma obrigação. Se o ex-presidente Lula nomeava reitores assim, é bom lembrar que isso não alterava os rumos do seu programa de governo para a educação superior, até porque o resultado da consulta não rompia com a atuação dos partidos políticos e grupos ideológicos que predominam nas universidades e que eram aliados do governo. Ai é mais tranquilo. Mas se acontecer o contrário? Se preferido for avesso ao que é proposto para a área? A incompatibilidade, se incontornável, pode prejudicar ações. A saída é buscar o mínimo de consenso com outros indicados.

Não é questão de impor submissão, mas de procurar alguma harmonia Não há sentido em nomear quem diverge de modo profundo de quem trabalha a política para o setor. É do jogo. Vale para qualquer um e por isso mesmo ninguém trocou o princípio da consulta pela eleição direta.

Todos reclamam do clima de confrontação política, mas tudo vira motivo para discursos revolucionários, repletos de jargões mofados. É algo cansativo. Cândido Albuquerque, profissional de renome, com atuação no setores público e privado, assume sabendo que boa parte da comunidade acadêmica, acostumada a controlar a burocracia e as verbas da UFC, preferiria outro nome. Serve de alerta.

Se eu pudesse dar um conselho ao novo reitor, diria para focar na ampliação e no aprofundamento dos mecanismos de transparência. Quantos professores com dedicação exclusiva fazem pesquisa? Qual o gasto total com despesas, sei lá, odontológicas para servidores? Nada contra ninguém, são apenas exemplos.

É isso. Foco na transparência, sem perder tempo com embates ideológicos sem base, comuns nos dias de hoje, mas que são, francamente, improdutivos.

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A faculdade de cortar faculdades

Por Wanfil em Educação

13 de Maio de 2019

Governo, deputados e reitores no Ceará unidos contra cortes nas universidades federais. Só nas federais! Foto: Divulgação

Parte da bancada federal do Ceará se reuniu com governador Camilo Santana e com reitores de instituições federais no Estado para discutir ações que possam reverter o bloqueio de recursos para o ensino superior anunciado pelo Governo Federal.

Dos 22 deputados federais, oito estiveram no encontro. O destaque foi a presença do senador Cid Gomes. Para o coordenador da bancada, Domingos Neto, “é necessário que os deputados façam uma forte pressão” para “um recuo do corte”. Para o governador, a educação deve “ser colocada como prioridade absoluta, inclusive o ensino superior”.

A falta de clareza e das contradições nos anúncios que o Ministério da Educação faz potencializa a confusão. É impressionante. Por isso é compreensível a ansiedade nas instituições. Nesse ponto o  governo federal poderia aprender com o governo do Ceará.

Em 2015 a UECE divulgou uma nota sobre corte de verbas. Reproduzo um trecho (grifos meus):

Comunicado da Reitoria sobre ajuste do custeio da Uece aos cortes efetuados no orçamento estadual

Como é do conhecimento de todos, os governos federal, estaduais e municipais atravessam momento de extremas dificuldades financeiras, anunciando ajustes e cortes, em frequência quase diária. As instituições públicas, vinculadas a estes governos, vivem situação semelhante. A decisão do Governo do Ceará, linear para todos os órgãos, exceto saúde e educação básica, foi de um corte de 25% em relação ao custeio executado em 2014.” 

Viram quanta compreensão? Tudo explicadinho. Nem precisou que parlamentares da base governista estadual fizessem forte pressão para reverter o corte, nem que governo tratasse isonomicamente ensino superior e educação básica.

Pode até parecer que existem dois pesos e duas medidas, mas não é nada disso. Pelo visto, a repercussão política no Ceará sobre cortes (ou bloqueios) de verbas em certas universidades depende da faculdade – por parte de quem corta – de saber comunicar que o dinheiro acabou.

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TCE e UFC vão analisar a (má) qualidade das estradas cearenses

Por Wanfil em Ceará

20 de Abril de 2019

TCE e UFC de olho nas estradas que se desmancham com chuvas. Foto: Divulgação/TCE

O Tribunal de Contas do Estado e a Universidade Federal do Ceará anunciaram nesta semana que pretendem firmar uma parceria para atestar a qualidade da pavimentação nas estradas cearenses, municipais e estaduais.

O presidente do TCE, Edilberto Pontes, junto com servidores da secretaria de controle externo, visitou o Centro de Tecnologia em Asfalto do Norte/Nordeste, do Departamento de Engenharia de Transportes da UFC, coordenado pelo professor Jorge Soares, onde serão feitas as análises técnicas para verificar se as pistas foram feitas de acordo com os projetos originais.

É isso aí! A UFC mostra tecnicamente a porcaria que é o asfalto pelo qual o pagador de impostos paga caro e o TCE aponta como milhões se transformam em buracos e crateras nas estradas e ruas do Ceará.

Veja também:
Buracos nas estradas do Ceará custarão R$ 150 milhões aos pagadores de impostos

O incrível caso dos buracos quânticos interdimensionais nas estradas do Ceará

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Escola sem Partido ainda é pouco

Por Wanfil em Educação

13 de novembro de 2018

A doutrinação ideológica, seja de esquerda ou de direita, impede o espírito crítico e a liberdade de escolha

Os projetos Escola sem Partido têm sido acusados de censura à liberdade de opinião. Na verdade, é uma reação ideológica corporativa que visa preservar a hegemonia das teorias de esquerda na produção e divulgação do conhecimento no Brasil, e na formação de profissionais para esse fim.

O que o aluno brasileiro em geral sabe sobre o pensamento conservador ou sobre o liberalismo se resume às caricaturas que seus críticos de esquerda desenham. Relato aqui um breve exemplo. Aluno de História na UFC, nos anos 90, apresentei um seminário sobre a influência européia na formação da América Latina, usando entre os livros de referência “O Liberalismo Antigo e Moderno”, de ninguém menos que José Guilherme Merquior. Resultado: fui interrompido e levei uma reprimenda de uns 10 minutos em sala de aula. O professor esconjurou o capitalismo, chorou (literalmente) ao lamentar o genocídio indígena e disse que os agentes de saúde eram uma invenção de Tasso Jereissati para impedir a revolução camponesa. Mandou-me refazer o trabalho seguindo a pregação antiamericana de “Veias Abertas da América Latina”, do uruguaio Eduardo Galeano, obra que anos depois viria a ser renegada pelo próprio autor.

Práticas assim acontecem diariamente, agora mesmo, nas salas de aula. E quanto mais cedo começa a propaganda ideológica, com ênfase no marxismo e sua adaptações, mais facilmente ela é incorporada pelo aluno como um dado da realidade, tão evidente e inegável como a leia da gravidade. Só um louco pode negar a teoria da mais-valia, imaginam os nossos jovens, sem suspeitarem da existência de autores como Raymond Aron (As Etapas do Pensamento Sociológico), e muito menos de que Marx morreu sem explicar como a jornada de trabalho reduziu de 16 para 8 horas diárias na Inglaterra, enquanto o lucro das empresas aumentavam.

O estabelecimento de uma hegemonia cultural, nos moldes de Gramsci, e denunciada creio que primeiro por Olavo de Carvalho, não acontece da noite para o dia. Leva décadas. Por isso, duvido que uma lei possa ter efeito prático sobre esse tipo de estrutura. É como tentar baixar juros por decreto. Não é assim que acontece. Será preciso um trabalho de formação intelectual fora dos espaços acadêmicos para criar um espírito crítico capaz de substituir a pregação ideológica ostensiva pela percepção de que existem correntes diferentes e respeitáveis de estudo.

Na verdade o Escola sem Partido incomoda mais pelo fato de lembrar que a doutrinação ideológica é uma realidade. Não apenas existe como seus efeitos se alastraram por diversas outras áreas, de modo que seria preciso ainda o sindicato sem partido, a igreja sem partido, a arte sem partido, as redações sem partido, as entidades estudantis sem partido, e por aí vai.

Não é proibido ou errado ter um partido de preferência, claro. Mas usar organismos outros para promover agendas partidárias é uma espécie de corrupção. Há o espaço para a atividade partidária, que é diferente da representação em entidades que reúnem pessoas de religiões, credos, cores e partidos diversos. E isso vale para qualquer sinal ideológico. Qualquer doutrinação, seja de esquerda ou de direita, onde existir, é a supressão da criticidade e da liberdade de escolha.

Por fim, uma lei jamais terá o poder de quebrar o monopólio da esquerda na formação intelectual brasileira, pois a educação é um processo que demanda tempo de maturação, mas a consciência de que o proselitismo tomou conta do sistema de ensino nacional desde o fundamental, de que existe uma escola “com” partido, sem dúvida é o primeiro passo para resgatar a pluralidade de ideias no Brasil.

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A História do “golpe”

Por Wanfil em Ideologia

02 de Março de 2018

Os jornais informam que o curso de História da Universidade Federal do Ceará brindará a ciência e seus alunos com aulas sobre o “Golpe de 2016 e a Futuro da Democracia no Brasil”, ofertadas na disciplina “Tópicos Especiais em História 4”.

Não surpreende. Quando cursei História na UFC, nos idos dos 90, testemunhei o professor Eurípedes Funes explicando, em sala de aula, que a criação dos agentes de saúde pelo governo do Ceará não passava de uma estratégia da elite para impedir a revolução camponesa.

Lembro também que a professora Adelaide Gonçalves convidou os alunos do primeiro semestre, já no final da aula mas ainda em horário de expediente (pago pelo contribuinte), para uma reunião que teria o objetivo de ajudar na construção do plano de governo do então candidato Lula. Esse alinhamento não é casual ou aleatório. É padrão.

A obsessão pela hegemonia cultural, o proselitismo ideológico e partidário explícito nas universidades brasileiras, a militância travestida de isenção científica é uma velha História.

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Todos os partidos, preferências à parte

Por Wanfil em Política

14 de Fevereiro de 2017

O ex-reitor da Universidade Federal do Ceará, Jesualdo Farias, assumiu nesta semana a Secretaria das Cidades do Ceará. No discurso de posse, disse o seguinte:

“Eu sei que as secretarias são, na maioria das vezes, ocupadas por partidos políticos, e eu não tenho nenhum partido. Tenho as minhas simpatias, minhas aproximações, mas acho que na condição de secretário quero assumir o compromisso de trabalhar para todos os partidos, todos os prefeitos e todas as pessoas que desejam do Governo do Estado do Ceará alguma solução para melhorar a qualidade de vida nas nossas cidades.”

Palavras irretocáveis. De fato, Jesualdo tem suas preferências políticas, como qualquer outra pessoa. Por isso, em 2015, deixou a UFC para assumir a Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação, na gestão do petista sem partido Renato Janine Ribeiro. Por isso, em artigo para o jornal O Povo publicado em setembro de 2016, chamou o impeachment de “hipocrisia”, lamentando ainda a chegada ao poder, “sem nenhum voto popular, a Agremiação do Cunha”.

Bom saber que, preferências à parte, existe a disposição para trabalhar com todos os partidos, até mesmo com a “agremiação do Cunha” e também, não custa lembrar, sócios antigos e atuais dela, além de partidos outros cujos tesoureiros estão presos.

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UFC tem 15 mil alunos sem aula por causa da “ocupação”

Por Wanfil em Ceará

17 de novembro de 2016

O blog do Fábio Campos, no portal O Povo, publicou entrevista com o vice-reitor da Universidade Federal do Ceará, Custódio Almeida. É o mesmo que assinou listas de apoio a reeleição de Dilma e contra o seu impeachment. Pois bem, segundo o vice-reitor, dos 28 mil alunos da graduação presencial da instituição, 15 mil estão sem aula por causa das “ocupações” articuladas por militantes de partidos e entidades de esquerda.

Diante disso, que providências foram tomadas? Segue trecho da entrevista: “A reitoria está conversando com as entidades (ADUFC, Sintufc e DCE) e com os diretores em busca de soluções pacíficas e que não causem qualquer prejuízo ao patrimônio e que não impeçam o trabalho administrativo”.

E o prejuízo causado aos alunos que desejam e precisam estudar? E a liberdade do trabalho docente? Como ficam? Um pedido de reintegração de posse seria bastante útil contra esse tipo de manifestação que desrespeita o direito dos outros.

Minha sugestão aos que estão sem poder ministrar ou frequentar aulas, pagas com dinheiro dos nossos impostos, impedidos pela violência dos “ocupantes” de prédios públicos: processem a Reitoria da UFC por prevaricação.

Existe uma ocupação que já dura décadas na UFC, mais conhecida como aparelhamento ou hegemonia. É disso que se trata.

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Desocupados, uni-vos!

Por Wanfil em Ideologia

04 de novembro de 2016

Na falta de trabalhadores e de uma revolução...

Na falta de trabalhadores e de uma revolução…

Uma minoria de estudantes da Universidade Federal do Ceará anunciou greve e decidiu ocupar prédios da instituição, em protesto contra medidas de ajuste fiscal do governo Michel Temer.

Minoria? Mas, Wanderley, tinha uma multidão na Reitoria! Bom, de fato era um bocado de gente. Manifestantes falam em duas mil pessoas. Não se sabe, porém, quantos eram estudantes mesmo. E de onde eram. De todo modo é minoria, uma vez que existem uns 30 mil alunos nos cursos de graduação e pós-graduação na UFC.

Trata-se, vamos ser claros, de uma manifestação de viés ideológico esquerdista, que reuniu movimentos sociais, militantes partidários e simpatizantes (ah, os jovens) usados como massa de manobra, aquela fauna que ama a cor vermelha e os ambientes esfumaçados, que grita emocionada palavras de ordem contra o capitalismo e contra a opressão da sociedade judaico-cristã enquanto dança.

Não há nada de errado nisso, muito menos em protestar contra um governo. O problema é quando resolvem “ocupar” prédios públicos, no sentido de invadir e restringir o uso de um espaço que não lhes pertence. Arbitrariedade que nas democracias ganha o ranço de expressão autoritária. Notem a diferença: milhões de pessoas protestaram contra a ex-presidente Dilma Rousseff sem violência alguma.

No fundo, as lideranças dessa presepada sabem que nada conseguirão além de algumas entrevistas e atrapalhar a vida de quem quer e precisa estudar de verdade. Sem contar os estudantes que precisam fazer o Enem. De todo modo, estão ali os “rebeldes” marcando posição enquanto brincam de revolução, fingindo não saber que a insustentável trajetória dos gastos públicos levou o país à maior recessão de sua história.

Pensam ser a vanguarda, mas são o passado. Foi-se o tempo em que a esquerda se inspirava na conclamação de Marx e Engels: “trabalhadores do mundo, uni-vos!” Sobrou-lhe estudantes sem ocupação (no sentido de ter aula), já que os trabalhadores lutam mesmo é para manter seus empregos ou conseguir um. E todos sabem de quem é a culpa.

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UFC sobe sete posições em ranking e comemora 87º lugar. Se subir mais 43 alcança a Federal de Pernambuco

Por Wanfil em Educação

15 de junho de 2016

Notícia da Universidade Federal do Ceará:

UFC sobe sete posições e agora é a 87ª melhor universidade da América Latina
A Universidade Federal do Ceará avançou sete posições e é agora a 87ª melhor universidade da América Latina, de acordo com o mais recente levantamento da QS Universities Rankings: http://goo.gl/adwbBx. No mesmo levantamento, a UFC também subiu três posições no ranking brasileiro, passando a ser a 20ª melhor universidade do País e a única do Ceará a aparecer na relação.

Veja outras instituições e suas respectivas posições no mesmo ranking:

1º – Universidade de São Paulo
2º – Universidade Estadual de Campinas
3º – Pontificia Universidad Católica de Chile
4º – Universidad Nacional Autónoma de México
10º – Universidad Nacional de Colombia
11º – Universidad de Buenos Aires
18º – Universidad Central de Venezuela
21º – Pontificia Universidad Católica del Perú
44º – Universidade Federal de Pernambuco
59º – Universidad de la Habana (Cuba)
61º – Universidad del Norte (Equador)
76º – Universidad Pontificia Bolivariana
87º – Universidade Federal do Ceará

Confira aqui a lista completa na América Latina.

A UFC, instituição cujo reitor foi signatário de uma lista de apoio à candidata Dilma Rousseff nas eleições passadas, está no caminho certo, afinal, sobe na lista. Mas o desafio de estar entre as melhores 50 da região ainda é grande.

Na próxima lista, se subir mais 11 posições, a UFC chegará ao patamar da Pontificia Bolivariana. E se mais adiante saltar 43 posições, alcançará a Federal de Pernambuco, que já está no TOP 50.

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UFC divulga nota sobre confusão entre estudantes pró e contra Bolsonaro. Sem perder a ternura, faço uma correção

Por Wanfil em Ideologia

17 de Maio de 2016

A Universidade Federal do Ceará divulgou nota assinada pelo reitor Henry de Holanda Campos e pelo vice-reitor Custódio Almeida, sobre recente confusão ocorrida entre alunos do curso de Letras e um estudante apoiador do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC). Antes que me acusem disso ou daquilo, aviso que não estou entre os que o admiram, tampouco entre os que o odeiam. Acho que o destaque dado a ele e a Jean Wylys (PSOL), seu inverso político, é sinal de profunda ausência de lideranças de qualidade. Falei sobre isso no post O efeito Bolsonaro. No entanto, o que interessa aqui é a nota da Reitoria, especialmente duas passagens que reproduzo abaixo na cor azul, seguidas de singelos comentários meus.

A Reitoria apela para a reinstauração do bom senso e da convivência pacífica entre os que adotam ideologias e comportamentos diferentes. Esperamos que se preserve o respeito mútuo, mesmo quando uma das partes manifesta condenável acolhida a ideias e personagens sabidamente aversos aos nossos valores democráticos e a conquistas institucionais, como o repúdio à prática da tortura.

Muito bem! Só é preciso, para ficar perfeito, uma simples retificação. No lugar de “uma das partes” o correto seria “ambas as partes“. Afinal, se Bolsonaro defende gente como o coronel Ustra, entre aqueles detestam o deputado estão (não só eles, mas sobretudo) bons esquerdistas seguidores de figuras como Ernesto “Che” Guevara, que para a inveja dos torturadores do regime militar, fuzilou e torturou, pessoalmente, muito mais gente (atenção garotada, pesquisar “prisão de La Cabaña” no Google).

Eu, assim como muitos, repudio “Ustras” e “Ches”. Já dizia Kant que só pode ser ético o que é universal, princípio simplificado pela máxima popular da sabedoria nacional “pau que dá em Chico, dá em Francisco”. Muitas vezes radicais imaginam-se muito distantes, sem perceberem que estão mais próximos do que poderiam acreditar, como as pontas de uma ferradura. Compreender isso é fundamental, uma vez que a obrigação do “repúdio à prática de tortura” não pode valer apenas para uns, segundo a ideologia que professam. Para a Reitoria, é importante não deixar a impressão de que toma partido por “uma das partes”, sem atentar para o fato de que as duas celebram, cada uma a seu gosto, “ideias e personagens sabidamente aversos aos nossos valores democráticos”.

Entenda-se, por fim, que não seremos coniventes com a partidarização da Instituição. A Universidade tem objetivos amplos e muito claros, mas nenhum deles contempla a subserviência a ideologias ou a partidos políticos, seja qual for sua tendência.

O que dizer disso? Reitores de diversas universidades federais assinaram uma lista para defender a candidatura de Dilma Rousseff à reeleição, devidamente utilizada como peça de propaganda eleitoral. Dessa lista constava o nome do professor Henry Campos. “Ah, mas não foi ato institucional, foi posição pessoal”. Pode ser, mas como bem sabem os marqueteiros, nesses casos o peso das assinaturas está diretamente relacionado aos cargos de seus signatários, que são, não custa lembrar, representantes de comunidades feitas também de estudantes e funcionários eleitores de outros candidatos.

Em outro episódio, reitor e vice-reitor divulgaram nota criticando veladamente o impeachment. Fosse uma nota no Facebook, tudo bem, mas uma vez publicada no site da UFC, ganhou sim conotação oficial, colocando o órgão a serviço de um discurso político de tendência inegavelmente governista.

Fui aluno da UFC no curso de História. Nos cursos de “humanas”, todos sabem, a maior parte da comunidade acadêmica não apenas aprova, mas estimula e cobra, subserviência ideológica, eufemisticamente chamada de “consciência de classe”. Esse tipo de aparelhamento, isso sim, está na raiz da “grave deterioração do clima que caracteriza a Universidade”, como diz a nota. Uma última correção: no lugar de “caracteriza a Universidade”, melhor seria “que deveria caracterizar a Universidade”.

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UFC divulga nota sobre confusão entre estudantes pró e contra Bolsonaro. Sem perder a ternura, faço uma correção

Por Wanfil em Ideologia

17 de Maio de 2016

A Universidade Federal do Ceará divulgou nota assinada pelo reitor Henry de Holanda Campos e pelo vice-reitor Custódio Almeida, sobre recente confusão ocorrida entre alunos do curso de Letras e um estudante apoiador do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC). Antes que me acusem disso ou daquilo, aviso que não estou entre os que o admiram, tampouco entre os que o odeiam. Acho que o destaque dado a ele e a Jean Wylys (PSOL), seu inverso político, é sinal de profunda ausência de lideranças de qualidade. Falei sobre isso no post O efeito Bolsonaro. No entanto, o que interessa aqui é a nota da Reitoria, especialmente duas passagens que reproduzo abaixo na cor azul, seguidas de singelos comentários meus.

A Reitoria apela para a reinstauração do bom senso e da convivência pacífica entre os que adotam ideologias e comportamentos diferentes. Esperamos que se preserve o respeito mútuo, mesmo quando uma das partes manifesta condenável acolhida a ideias e personagens sabidamente aversos aos nossos valores democráticos e a conquistas institucionais, como o repúdio à prática da tortura.

Muito bem! Só é preciso, para ficar perfeito, uma simples retificação. No lugar de “uma das partes” o correto seria “ambas as partes“. Afinal, se Bolsonaro defende gente como o coronel Ustra, entre aqueles detestam o deputado estão (não só eles, mas sobretudo) bons esquerdistas seguidores de figuras como Ernesto “Che” Guevara, que para a inveja dos torturadores do regime militar, fuzilou e torturou, pessoalmente, muito mais gente (atenção garotada, pesquisar “prisão de La Cabaña” no Google).

Eu, assim como muitos, repudio “Ustras” e “Ches”. Já dizia Kant que só pode ser ético o que é universal, princípio simplificado pela máxima popular da sabedoria nacional “pau que dá em Chico, dá em Francisco”. Muitas vezes radicais imaginam-se muito distantes, sem perceberem que estão mais próximos do que poderiam acreditar, como as pontas de uma ferradura. Compreender isso é fundamental, uma vez que a obrigação do “repúdio à prática de tortura” não pode valer apenas para uns, segundo a ideologia que professam. Para a Reitoria, é importante não deixar a impressão de que toma partido por “uma das partes”, sem atentar para o fato de que as duas celebram, cada uma a seu gosto, “ideias e personagens sabidamente aversos aos nossos valores democráticos”.

Entenda-se, por fim, que não seremos coniventes com a partidarização da Instituição. A Universidade tem objetivos amplos e muito claros, mas nenhum deles contempla a subserviência a ideologias ou a partidos políticos, seja qual for sua tendência.

O que dizer disso? Reitores de diversas universidades federais assinaram uma lista para defender a candidatura de Dilma Rousseff à reeleição, devidamente utilizada como peça de propaganda eleitoral. Dessa lista constava o nome do professor Henry Campos. “Ah, mas não foi ato institucional, foi posição pessoal”. Pode ser, mas como bem sabem os marqueteiros, nesses casos o peso das assinaturas está diretamente relacionado aos cargos de seus signatários, que são, não custa lembrar, representantes de comunidades feitas também de estudantes e funcionários eleitores de outros candidatos.

Em outro episódio, reitor e vice-reitor divulgaram nota criticando veladamente o impeachment. Fosse uma nota no Facebook, tudo bem, mas uma vez publicada no site da UFC, ganhou sim conotação oficial, colocando o órgão a serviço de um discurso político de tendência inegavelmente governista.

Fui aluno da UFC no curso de História. Nos cursos de “humanas”, todos sabem, a maior parte da comunidade acadêmica não apenas aprova, mas estimula e cobra, subserviência ideológica, eufemisticamente chamada de “consciência de classe”. Esse tipo de aparelhamento, isso sim, está na raiz da “grave deterioração do clima que caracteriza a Universidade”, como diz a nota. Uma última correção: no lugar de “caracteriza a Universidade”, melhor seria “que deveria caracterizar a Universidade”.