Depois de 120 anos, romance escrito por cearense feminista ganha nova edição

DESTAQUE LITERÁRIO

Depois de 120 anos, romance escrito por cearense feminista ganha nova edição

A Rainha do Ignoto é considerado o primeiro romance de realismo fantástico brasileiro. A obra faz críticas à intolerância religiosa, à tortura e opressão às mulheres

Por Tribuna do Ceará em Cultura

15 de outubro de 2019 às 07:00

Há 2 meses
A obra da cearense é considerado o primeiro romance de realismo fantástico brasileiro (FOTO: Divulgação)

A obra da cearense é considerado o primeiro romance de realismo fantástico brasileiro (FOTO: Divulgação)

Uma comunidade autônoma de mulheres que dominam a tecnologia e combatem a opressão. Esse imaginário é narrado em A Rainha do Ignoto, obra escrita pela cearense Emília Freitas e considerado o primeiro romance de realismo fantástico brasileiro.

Além do reconhecimento do potencial feminino, o romance também faz críticas à intolerância religiosa, à tortura e à arrogância da elite. Publicado pela primeira vez em 1899, a obra ganha nova edição, revista e atualizada pela Editora 106.

Em sua nova edição, depois de 120 anos, A Rainha do Ignoto adiciona prefácio e comentários da professora e pesquisadora da literatura nacional Constância Lima Duarte.

A obra é ambientada no Ceará, marcando a brasilidade do livro. Além disso, o romance é pioneiro em vários sentidos, desde os mitos ao imaginário, do espiritismo à parapsicologia. Por muitos, é considerado ousado.

Como pano de fundo, a obra tem uma sociedade patriarcal e conservadora no Brasil do fim do século XIX, particularmente no interior do Nordeste, propondo como contraponto uma comunidade alternativa, que age escondida por artifícios como o hipnotismo. Devido às características, a autora o considerava um “romance psicológico”, subtítulo da primeira edição.

“Nem o senhor nem ninguém, sem a precisa explicação, poderia acreditar que existisse uma ilha nas condições desta, tão próxima da costa, e que nunca navegante algum de nação alguma da terra desse notícia dela. Pois bem, é o hipnotismo que lhes fecha os olhos para tudo, mas os abre para ver um denso nevoeiro”, relato da página 158 do livro.

Agora, com versão atualizada e comentada, o enredo conta com novos recursos de edição para tornar a leitura mais fluida, moderna e agradável. O projeto gráfico, elaborado por Sonia Peticov, também é favorável e remetem ao art déco. O mesmo estilo está presente também na capa criada por Rafael Brum, que tem acabamento em laminação soft touch.

Sobre a autora

Emília Freitas foi uma das principais escritoras de sua época, ao lado de Francisca Clotilde e Úrsula Garcia. Fez parte da Sociedade das Cearenses Libertadoras, de caráter abolicionista. Lutou contra a censura e as limitações impostas à vida das mulheres. Carrega em sua biografia os atributos de abolicionista, republicana, socialista, contra a pena de morte, contra a intolerância religiosa e contra a tortura no fim do século XIX.

Nascida em Aracati, interior do Ceará, em 11 de janeiro de 1855, Emília Freitas era filha do tenente-coronel Antônio José de Freitas e de Maria de Jesus Freitas. Depois da morte do pai, mudou-se para Fortaleza, onde estudou francês, inglês, História, Geografia e Aritmética. Em Manaus, às margens do Rio Negro, escreveu seu principal livro, A Rainha do Ignoto, publicado em 1899, a que deu o subtítulo “Romance psicológico”.

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Depois de 120 anos, romance escrito por cearense feminista ganha nova edição

A Rainha do Ignoto é considerado o primeiro romance de realismo fantástico brasileiro. A obra faz críticas à intolerância religiosa, à tortura e opressão às mulheres

Por Tribuna do Ceará em Cultura

15 de outubro de 2019 às 07:00

Há 2 meses
A obra da cearense é considerado o primeiro romance de realismo fantástico brasileiro (FOTO: Divulgação)

A obra da cearense é considerado o primeiro romance de realismo fantástico brasileiro (FOTO: Divulgação)

Uma comunidade autônoma de mulheres que dominam a tecnologia e combatem a opressão. Esse imaginário é narrado em A Rainha do Ignoto, obra escrita pela cearense Emília Freitas e considerado o primeiro romance de realismo fantástico brasileiro.

Além do reconhecimento do potencial feminino, o romance também faz críticas à intolerância religiosa, à tortura e à arrogância da elite. Publicado pela primeira vez em 1899, a obra ganha nova edição, revista e atualizada pela Editora 106.

Em sua nova edição, depois de 120 anos, A Rainha do Ignoto adiciona prefácio e comentários da professora e pesquisadora da literatura nacional Constância Lima Duarte.

A obra é ambientada no Ceará, marcando a brasilidade do livro. Além disso, o romance é pioneiro em vários sentidos, desde os mitos ao imaginário, do espiritismo à parapsicologia. Por muitos, é considerado ousado.

Como pano de fundo, a obra tem uma sociedade patriarcal e conservadora no Brasil do fim do século XIX, particularmente no interior do Nordeste, propondo como contraponto uma comunidade alternativa, que age escondida por artifícios como o hipnotismo. Devido às características, a autora o considerava um “romance psicológico”, subtítulo da primeira edição.

“Nem o senhor nem ninguém, sem a precisa explicação, poderia acreditar que existisse uma ilha nas condições desta, tão próxima da costa, e que nunca navegante algum de nação alguma da terra desse notícia dela. Pois bem, é o hipnotismo que lhes fecha os olhos para tudo, mas os abre para ver um denso nevoeiro”, relato da página 158 do livro.

Agora, com versão atualizada e comentada, o enredo conta com novos recursos de edição para tornar a leitura mais fluida, moderna e agradável. O projeto gráfico, elaborado por Sonia Peticov, também é favorável e remetem ao art déco. O mesmo estilo está presente também na capa criada por Rafael Brum, que tem acabamento em laminação soft touch.

Sobre a autora

Emília Freitas foi uma das principais escritoras de sua época, ao lado de Francisca Clotilde e Úrsula Garcia. Fez parte da Sociedade das Cearenses Libertadoras, de caráter abolicionista. Lutou contra a censura e as limitações impostas à vida das mulheres. Carrega em sua biografia os atributos de abolicionista, republicana, socialista, contra a pena de morte, contra a intolerância religiosa e contra a tortura no fim do século XIX.

Nascida em Aracati, interior do Ceará, em 11 de janeiro de 1855, Emília Freitas era filha do tenente-coronel Antônio José de Freitas e de Maria de Jesus Freitas. Depois da morte do pai, mudou-se para Fortaleza, onde estudou francês, inglês, História, Geografia e Aritmética. Em Manaus, às margens do Rio Negro, escreveu seu principal livro, A Rainha do Ignoto, publicado em 1899, a que deu o subtítulo “Romance psicológico”.