Coletivo reúne atores com deficiência visual em espetáculos de comédia

TEATRO ACESSÍVEL

Grupo de teatro reúne atores com deficiência visual em espetáculos de comédia em Fortaleza

Apresentações de atores cegos ou com baixa visão têm divertido o público e inspirado os organizadores a sonhar com inscrições em festivais nacionais

Por William Barros em Cultura

25 de novembro de 2019 às 07:00

Há 2 semanas

O Grupo Olho Mágico já conta com quatro espetáculos de comédia estrelados por atores com deficiência visual (FOTO: Divulgação)

Para provar que teatro também pode ser feito por – e para – deficientes visuais, o Grupo Olho Mágico foi fundado há três anos em Fortaleza. No coletivo artístico, 17 atores cegos ou com baixa visão são as estrelas de quatro espetáculos de comédia. As apresentações em Fortaleza têm divertido o público e inspirado os organizadores a sonhar com inscrições em festivais nacionais.

O projeto tem apoio financeiro do Instituto Vida Cidadã e apoio estrutural da Sociedade de Assistência aos Cegos (SAC), também conhecida como Instituto dos Cegos. É justamente no auditório da SAC, no bairro São Gerardo, que os artistas se reúnem às segundas, quartas e sextas para ensaiar as apresentações.

A iniciativa partiu de Marcos Queiroz, quando ainda cursava a graduação em Teatro na Universidade Federal do Ceará (UFC). O trabalho de uma das disciplinas do curso envolveu a encenação de uma peça por meio da Técnica dos Sentidos, que une pessoas com deficiência visual e pessoas sem deficiência, mas vendadas.

Uma técnica inclusiva

O primeiro espetáculo do grupo, “Menos Um, -1”, vendava o público e atores sem deficiência visual (FOTO: Divulgação)

“Fiz essa primeira experiência lá no Instituto dos Cegos, e a repercussão foi muito boa, porque essa técnica faz a inclusão cultural dos deficientes visuais e é uma oportunidade para a pessoa que enxerga de vivenciar o que passam as pessoas que não têm visão”, explica o professor.

Segundo ele, o sucesso da primeira apresentação fez com que decidisse criar um grupo de teatro exclusivamente formado por deficientes visuais do Instituto dos Cegos. “Começamos como se fosse pegar um grupo que não é tão experiente e partimos para os princípios básicos do teatro. Tivemos que mudar alguns exercícios corporais, porque quem não enxerga perde o equilíbrio com muita facilidade”, recorda.

O diretor destaca a diversidade entre os participantes. “Temos uma jornalista, engenheiro, advogado, motorista de ônibus, pessoas de todas as matizes sociais. A mais jovem tem 36 anos, e a mais velha tem 80 anos”, ressalta Queiroz.

Para ele, o que une todos esses perfis são os benefícios sentidos pelos atores. “É visível o interesse, a satisfação, a alegria e o prazer que eles sentem ao participar disso”, comemora o diretor.

Estrelando…

A jornalista Ana Ximenes (de branco) é uma das atrizes do Grupo Olho Mágico (FOTO: Divulgação)

A jornalista Ana Ximenes convive com a baixa visão há 14 anos. Vitimada por um glaucoma, ela se submeteu a 16 cirurgias para estabilizar sua visão. O problema fez com que Ana mudasse de vida, aprendesse a andar com bengala e tivesse a oportunidade de experimentar uma nova função: a de atriz.

Esse trabalho é muito bonito. Eu gosto. É uma experiência muito boa. A gente externa nossos sentimentos. Foi uma iniciativa muito feliz do doutor Marcos”, avalia a membro do Grupo Olho Mágico.

Segundo ela, as dificuldades advindas da baixa visão existem, mas não a impedem de estar em cena. “A gente tem dificuldade, mas é tudo demarcado. O chão tem piso tátil, a gente conhece o espaço, conhece a distância das cadeiras”, explica.

O que mais a surpreende é contato com o público. “As reações são engraçadas. Uns riem e outros choram, porque sentem pena. Dizem: ‘Ai, coitada, ficou cega’. Escuto isso muito dos meus conhecidos, porque sabem que eu corria, eu nadava. Só que a gente tem criatividade para fazer outras coisas e isso é bom demais”, pondera a jornalista que, depois da deficiência, se descobriu atriz.

Em cartaz…

Conheça os espetáculos de comédia do Grupo Olho Mágico:

  • “Menos Um, -1”: Encenada na técnica do teatro dos sentidos, narra o reencontro de dois amigos de infância, após 50 anos distantes.
  • “Vila Paradiso”: Seis esquetes e dois monólogos costuram o cotidiano de um divertido vilarejo.
  • “O Paletó”: A saga de um paletó em busca de seu verdadeiro dono culminam num desfecho inesperado.
  • “Ah! O Gerente”: Novos métodos gerenciais são apresentados de forma cômica, contando a história de uma empresa familiar.
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TEATRO ACESSÍVEL

Grupo de teatro reúne atores com deficiência visual em espetáculos de comédia em Fortaleza

Apresentações de atores cegos ou com baixa visão têm divertido o público e inspirado os organizadores a sonhar com inscrições em festivais nacionais

Por William Barros em Cultura

25 de novembro de 2019 às 07:00

Há 2 semanas

O Grupo Olho Mágico já conta com quatro espetáculos de comédia estrelados por atores com deficiência visual (FOTO: Divulgação)

Para provar que teatro também pode ser feito por – e para – deficientes visuais, o Grupo Olho Mágico foi fundado há três anos em Fortaleza. No coletivo artístico, 17 atores cegos ou com baixa visão são as estrelas de quatro espetáculos de comédia. As apresentações em Fortaleza têm divertido o público e inspirado os organizadores a sonhar com inscrições em festivais nacionais.

O projeto tem apoio financeiro do Instituto Vida Cidadã e apoio estrutural da Sociedade de Assistência aos Cegos (SAC), também conhecida como Instituto dos Cegos. É justamente no auditório da SAC, no bairro São Gerardo, que os artistas se reúnem às segundas, quartas e sextas para ensaiar as apresentações.

A iniciativa partiu de Marcos Queiroz, quando ainda cursava a graduação em Teatro na Universidade Federal do Ceará (UFC). O trabalho de uma das disciplinas do curso envolveu a encenação de uma peça por meio da Técnica dos Sentidos, que une pessoas com deficiência visual e pessoas sem deficiência, mas vendadas.

Uma técnica inclusiva

O primeiro espetáculo do grupo, “Menos Um, -1”, vendava o público e atores sem deficiência visual (FOTO: Divulgação)

“Fiz essa primeira experiência lá no Instituto dos Cegos, e a repercussão foi muito boa, porque essa técnica faz a inclusão cultural dos deficientes visuais e é uma oportunidade para a pessoa que enxerga de vivenciar o que passam as pessoas que não têm visão”, explica o professor.

Segundo ele, o sucesso da primeira apresentação fez com que decidisse criar um grupo de teatro exclusivamente formado por deficientes visuais do Instituto dos Cegos. “Começamos como se fosse pegar um grupo que não é tão experiente e partimos para os princípios básicos do teatro. Tivemos que mudar alguns exercícios corporais, porque quem não enxerga perde o equilíbrio com muita facilidade”, recorda.

O diretor destaca a diversidade entre os participantes. “Temos uma jornalista, engenheiro, advogado, motorista de ônibus, pessoas de todas as matizes sociais. A mais jovem tem 36 anos, e a mais velha tem 80 anos”, ressalta Queiroz.

Para ele, o que une todos esses perfis são os benefícios sentidos pelos atores. “É visível o interesse, a satisfação, a alegria e o prazer que eles sentem ao participar disso”, comemora o diretor.

Estrelando…

A jornalista Ana Ximenes (de branco) é uma das atrizes do Grupo Olho Mágico (FOTO: Divulgação)

A jornalista Ana Ximenes convive com a baixa visão há 14 anos. Vitimada por um glaucoma, ela se submeteu a 16 cirurgias para estabilizar sua visão. O problema fez com que Ana mudasse de vida, aprendesse a andar com bengala e tivesse a oportunidade de experimentar uma nova função: a de atriz.

Esse trabalho é muito bonito. Eu gosto. É uma experiência muito boa. A gente externa nossos sentimentos. Foi uma iniciativa muito feliz do doutor Marcos”, avalia a membro do Grupo Olho Mágico.

Segundo ela, as dificuldades advindas da baixa visão existem, mas não a impedem de estar em cena. “A gente tem dificuldade, mas é tudo demarcado. O chão tem piso tátil, a gente conhece o espaço, conhece a distância das cadeiras”, explica.

O que mais a surpreende é contato com o público. “As reações são engraçadas. Uns riem e outros choram, porque sentem pena. Dizem: ‘Ai, coitada, ficou cega’. Escuto isso muito dos meus conhecidos, porque sabem que eu corria, eu nadava. Só que a gente tem criatividade para fazer outras coisas e isso é bom demais”, pondera a jornalista que, depois da deficiência, se descobriu atriz.

Em cartaz…

Conheça os espetáculos de comédia do Grupo Olho Mágico:

  • “Menos Um, -1”: Encenada na técnica do teatro dos sentidos, narra o reencontro de dois amigos de infância, após 50 anos distantes.
  • “Vila Paradiso”: Seis esquetes e dois monólogos costuram o cotidiano de um divertido vilarejo.
  • “O Paletó”: A saga de um paletó em busca de seu verdadeiro dono culminam num desfecho inesperado.
  • “Ah! O Gerente”: Novos métodos gerenciais são apresentados de forma cômica, contando a história de uma empresa familiar.