Universitários africanos radicados no Ceará fazem sucesso como grupo de hip-hop


Universitários africanos radicados no Ceará fazem sucesso como grupo de hip-hop

O A.se.front – ou África sem fronteiras – começou nos corredores da Unilab, mas hoje conquista todo o estado com suas mensagens às diferenças sociais

Por Ana Beatriz Leite em Música

27 de setembro de 2015 às 07:00

Há 4 anos
Vindos de Guiné Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe, alguns dos integrantes do A.se.front já tinham contato com o hip-hop no país natal (FOTO: Alex Hermes)

Vindos de Guiné Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe, alguns dos integrantes do A.se.front já tinham contato com o hip-hop no país natal (FOTO: Alex Hermes)

Em seu surgimento nas comunidades afro-americanas da década de 70, o hip-hop dava voz à uma população marginalizada. A música, além de válvula de escape para a violência, se tornava espaço para protesto, trazendo mensagens de denúncia, cidadania e esperança, responsáveis por tornar o gênero musical um dos mais apreciados ao redor do mundo. O caráter político e social torna o hip-hop e suas vertentes, rap, break e graffiti, estratégias para a educação.

E foi nos corredores da universidade, em Redenção (interior cearense), que um grupo de estudantes africanos se descobriu no gênero e encontrou a oportunidade de levar além suas palavras de respeito às diferenças sociais e otimismo.

Sotaques de diversos países se encontram na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), que tem o ensino e as pesquisas pautados pelo intercâmbio cultural. De uma das atividades em prol da integração, promovida pela pró-reitoria de extensão, surgiu o grupo musical A.se.front – ou África Sem Fronteiras. Uma oficina de hip-hop foi o ponto de encontro para cinco estudantes que iniciaram o grupo, que hoje possui 10 integrantes, vindos de vindos de Guiné Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe.

Alguns dos membros já tinham proximidade com a cultura do hip-hop, mas, para outros, como era o caso de Juel da Silva, mais conhecido como Zatara, aquele era o primeiro contato. “A ex-pró-reitora descobriu que alguns alunos da Unilab cantavam, então eles fizeram uma oficina de hip-hop. No final das oficinas, todo mundo tinha que apresentar alguma coisa no festival e foi aí que começamos a cantar juntos”, conta Zatara, que é estudante de administração pública.

Com a boa recepção da apresentação, improvisada naquele momento, o grupo passou a se apresentar regularmente nas atividades promovidas pela universidade e, posteriormente, em outras cidades do maciço de Baturité. Com um álbum lançado, com o apoio da Unilab e que tomou o grupo como projeto de extensão, não é só nas letras das músicas que a banda prima pela integração e a igualdade: todos os membros produzem de forma igualitária.

“Nós discutimos os temas e aí, quando aprovados, dividimos as pessoas que vão cantar. Depois disso, cada qual cria a sua letra baseada no tema e dos diferentes refrões selecionamos qual é o melhor, o mais legal. As nossas música são muito voltadas para as politicas da Unilab, que pauta a integração dos estudantes de diferentes nacionalidades. Cantamos musicas que sugerem que as pessoas se integrem ainda mais“, explica Zatara sobre o processo de produção.

O álbum, “Não Diga Não Vale a Pena”, possui 9 músicas, com produção do brasiliense Higo Melo, produtor conhecido por gravar GOG, um dos pioneiros do hip-hop no Brasil. O disco pode ser escutado na íntegra no canal do Youtube e no site no grupo, e está disponível para download na página do Facebook.

Com a visibilidade, o A.se.front já quebrou as fronteiras dos muros da Unilab e integra as atrações de festivais e festas em todo o estados, já tendo aberto o show dos Racionais, em Fortaleza, e participado por duas vezes do Festival do Teatro de Guaramiranga. Começou como um hobby, mas, para os membros do grupo, a música já é muito mais que isso. “Todos os elementos do grupo levam a música a sério. Tanto aqueles que já cantavam, assim como outros que começaram a cantar aqui, pensam em levar isso como carreira”, revela Zatara.

Universitários africanos de Redenção se unem em grupo de hip-hop
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Universitários africanos de Redenção se unem em grupo de hip-hop

Vindos de Guiné Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe, alguns dos integrantes do A.se.front já tinham contato com o hip-hop no país natal (FOTO: Reprodução/Facebook)

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Todos os membros escrevem as músicas, que sempre pautam pela integração entre as pessoas de diferentes nacionalidades (FOTO: Reprodução/Facebook)

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O grupo se apresentou pro dois anos consecutivos no Festival de Teatro de Guaramiranga (FOTO: Reprodução/Facebook)

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Todos os membros escrevem as músicas, que sempre pautam pela integração entre as pessoas de diferentes nacionalidades (FOTO: Reprodução/Facebook)

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Com a visibilidade, o A.se.front passou a se apresentar em todo o estado, e já abriu o show dos Racionais, em Fortaleza (FOTO: Reprodução/Facebook)

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Com a visibilidade, o A.se.front passou a se apresentar em todo o estado, e já abriu o show dos Racionais, em Fortaleza (FOTO: Reprodução/Facebook)

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Universitários africanos de Redenção se unem em grupo de hip-hop

Uma oficina de hip-hop promovida pela Unilab foi o ponto de encontro para cinco estudantes que iniciaram o grupo, que hoje possui 10 integrantes (FOTO: Reprodução/Facebook)

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Universitários africanos radicados no Ceará fazem sucesso como grupo de hip-hop

O A.se.front – ou África sem fronteiras – começou nos corredores da Unilab, mas hoje conquista todo o estado com suas mensagens às diferenças sociais

Por Ana Beatriz Leite em Música

27 de setembro de 2015 às 07:00

Há 4 anos
Vindos de Guiné Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe, alguns dos integrantes do A.se.front já tinham contato com o hip-hop no país natal (FOTO: Alex Hermes)

Vindos de Guiné Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe, alguns dos integrantes do A.se.front já tinham contato com o hip-hop no país natal (FOTO: Alex Hermes)

Em seu surgimento nas comunidades afro-americanas da década de 70, o hip-hop dava voz à uma população marginalizada. A música, além de válvula de escape para a violência, se tornava espaço para protesto, trazendo mensagens de denúncia, cidadania e esperança, responsáveis por tornar o gênero musical um dos mais apreciados ao redor do mundo. O caráter político e social torna o hip-hop e suas vertentes, rap, break e graffiti, estratégias para a educação.

E foi nos corredores da universidade, em Redenção (interior cearense), que um grupo de estudantes africanos se descobriu no gênero e encontrou a oportunidade de levar além suas palavras de respeito às diferenças sociais e otimismo.

Sotaques de diversos países se encontram na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), que tem o ensino e as pesquisas pautados pelo intercâmbio cultural. De uma das atividades em prol da integração, promovida pela pró-reitoria de extensão, surgiu o grupo musical A.se.front – ou África Sem Fronteiras. Uma oficina de hip-hop foi o ponto de encontro para cinco estudantes que iniciaram o grupo, que hoje possui 10 integrantes, vindos de vindos de Guiné Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe.

Alguns dos membros já tinham proximidade com a cultura do hip-hop, mas, para outros, como era o caso de Juel da Silva, mais conhecido como Zatara, aquele era o primeiro contato. “A ex-pró-reitora descobriu que alguns alunos da Unilab cantavam, então eles fizeram uma oficina de hip-hop. No final das oficinas, todo mundo tinha que apresentar alguma coisa no festival e foi aí que começamos a cantar juntos”, conta Zatara, que é estudante de administração pública.

Com a boa recepção da apresentação, improvisada naquele momento, o grupo passou a se apresentar regularmente nas atividades promovidas pela universidade e, posteriormente, em outras cidades do maciço de Baturité. Com um álbum lançado, com o apoio da Unilab e que tomou o grupo como projeto de extensão, não é só nas letras das músicas que a banda prima pela integração e a igualdade: todos os membros produzem de forma igualitária.

“Nós discutimos os temas e aí, quando aprovados, dividimos as pessoas que vão cantar. Depois disso, cada qual cria a sua letra baseada no tema e dos diferentes refrões selecionamos qual é o melhor, o mais legal. As nossas música são muito voltadas para as politicas da Unilab, que pauta a integração dos estudantes de diferentes nacionalidades. Cantamos musicas que sugerem que as pessoas se integrem ainda mais“, explica Zatara sobre o processo de produção.

O álbum, “Não Diga Não Vale a Pena”, possui 9 músicas, com produção do brasiliense Higo Melo, produtor conhecido por gravar GOG, um dos pioneiros do hip-hop no Brasil. O disco pode ser escutado na íntegra no canal do Youtube e no site no grupo, e está disponível para download na página do Facebook.

Com a visibilidade, o A.se.front já quebrou as fronteiras dos muros da Unilab e integra as atrações de festivais e festas em todo o estados, já tendo aberto o show dos Racionais, em Fortaleza, e participado por duas vezes do Festival do Teatro de Guaramiranga. Começou como um hobby, mas, para os membros do grupo, a música já é muito mais que isso. “Todos os elementos do grupo levam a música a sério. Tanto aqueles que já cantavam, assim como outros que começaram a cantar aqui, pensam em levar isso como carreira”, revela Zatara.

Universitários africanos de Redenção se unem em grupo de hip-hop
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Universitários africanos de Redenção se unem em grupo de hip-hop

O grupo se apresentou pro dois anos consecutivos no Festival de Teatro de Guaramiranga (FOTO: Reprodução/Facebook)

Universitários africanos de Redenção se unem em grupo de hip-hop
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Com a visibilidade, o A.se.front passou a se apresentar em todo o estado, e já abriu o show dos Racionais, em Fortaleza (FOTO: Reprodução/Facebook)

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Vindos de Guiné Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe, alguns dos integrantes do A.se.front já tinham contato com o hip-hop no país natal (FOTO: Reprodução/Facebook)

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Uma oficina de hip-hop promovida pela Unilab foi o ponto de encontro para cinco estudantes que iniciaram o grupo, que hoje possui 10 integrantes (FOTO: Reprodução/Facebook)

Universitários africanos de Redenção se unem em grupo de hip-hop
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Todos os membros escrevem as músicas, que sempre pautam pela integração entre as pessoas de diferentes nacionalidades (FOTO: Reprodução/Facebook)

Universitários africanos de Redenção se unem em grupo de hip-hop
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Todos os membros escrevem as músicas, que sempre pautam pela integração entre as pessoas de diferentes nacionalidades (FOTO: Reprodução/Facebook)

Universitários africanos de Redenção se unem em grupo de hip-hop
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Universitários africanos de Redenção se unem em grupo de hip-hop

Com a visibilidade, o A.se.front passou a se apresentar em todo o estado, e já abriu o show dos Racionais, em Fortaleza (FOTO: Reprodução/Facebook)