Escola Municipal de Fortaleza é a única no país a ter aulas de hóquei sobre patins


Escola Municipal de Fortaleza é a única no país a ter aulas de hóquei sobre patins

O colégio Ismael Pordeus, localizada no bairro Cidade dos Funcionários, tem cerca de 50 crianças que praticam o esporte. A federação local mantém o projeto

Por Lucas Catrib em Outros Esportes

30 de março de 2015 às 07:00

Há 4 anos
A Escola Municipal Ismael Pordeus abraçou a ideia de promover aulas de hóquei em patins (FOTO: divulgação)

A Escola Municipal Ismael Pordeus abraçou a ideia de promover aulas de hóquei em patins (FOTO: divulgação)

Os nossos irmãos portugueses vibram com as disputas em quadras de hóquei sobre patins desde 1873. O país é o principal vencedor europeu ao longo dos campeonatos continentais, e o esporte chega a ser o segundo em preferência nacional. Cenário totalmente diferente do Brasil, que tem prática bem desenvolvida em três estados: Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro. No Ceará, por exemplo, a modalidade ainda é pouco conhecida. Entretanto, a única escola municipal do país a ter aulas fica em Fortaleza, de acordo com a federação local.

O colégio Ismael Pordeus, fixado no bairro Cidade dos Funcionários, desenvolve um projeto com os alunos desde agosto de 2014. Com aulas aos sábados, o interesse dos jovens cresce continuamente. A quadra teve finalizada há algumas semanas uma reforma.

“O diretor (Elcio Alda) entendeu que o esporte é uma ferramenta. Ele gostou do hóquei, gostou das palestras. Começou com 10 crianças, hoje tem mais de 50 querendo. Agora a gente não tem patins suficiente. Hóquei em patins é um esporte que você tem que saber primeiro equilibrar em rodas, depois você tem equilibrar sua mente. é um equilíbrio. Praticamente, aquele que joga tem uma vida tranquila, bacana”, explica Herculano Cruz, atual vice-presidente da Federação Cearense de Hóquei em Patins.

A ideia de formação é um instrumento de socialização dentro da comunidade. Segundo o próprio gestor do desporto local, falta mais incentivo. O dirigente português jogou profissionalmente durante 20 anos, atuou também em Moçambique e nos Estados Unidos. Já presenciou públicos de mais de 10 mil pessoas em um ‘pavilhão’, o chamado ginásio em terras lusitanas.

A federação local também promove treinamentos para crianças carentes na quadra da Avenida Beira Mar (FOTO: divulgação)

A federação local também promove treinamentos para crianças carentes na quadra da Avenida Beira Mar (FOTO: divulgação)

“A gente queria ter mais escolas, clubes, sete, dez. O Círculo Militar (clube), por exemplo, tem um pavilhão para hóquei. Ele (o hóquei) é caro, mas não é de elite. Ele é caro porque os patins custam 600 reais. Para equipar cada jogador é cerca de 1000 reais, mas ele (o jogador) vai ter uma ótima adolescência”, indica.

O trabalho

Herculano Cruz, de 59 anos, tem uma empresa na área prevensão ao consumo das drogas. O produto é um teste rápido para concluir se uma pessoa utilizou algum tipo de entorpecente ou afins.

“É uma ferramenta de apoio, a coibição. Eu faço um sorteio. Se eventualmente alguém (os jogadores)consumir, eu não vou bater. Vou deixar uma semana sem calçar os patins. Estou atrasando em alguns anos um vicio dele, e como ele tem receio de ser pego, ele não faz. Eu cresci dentro dessa cultura. Aqui no Brasil, eu tenho sido muito atacado, porque falam que ninguém é obrigado a fazer”, determina.

Um ano depois de ter vindo para Fortaleza difundir o negócio, o atual vice da federação teve um infarto. Passou a caminhar pelo calçadão da Beira Mar como uma forma de exercício. Em um dos passeios, observou garotos praticando o esporte sob o comando de Beto Vieira, pernambucano e ex-jogador de hóquei. Desde então, trabalham juntos para difundir a modalidade, inclusive em treinos diários, às 19 horas, no mesmo espaço público no bairro do Meireles.

“Eu fui a Portugal, fui de clube em clube: ‘Me der rodas novas, novos sticks (bastões)’. Eu trouxe quase uma tonelada. A TAP (empresa área não cobrou nada de excesso de bagagem). O problema é que o material vai se desgastando com o tempo. Temos cerca de 60 praticantes (de 7 até 26 anos). Colocamos para jogar. Dividimos em times às vezes: Fortaleza e Ceará. Precisamos de apoio para arrumar a quadra. Em novembro, teve uma moça que caiu, e o arame entrou ao lado do olho”, evidencia Herculano, que deixa claro que não tem nenhum vínculo com os dois principais clubes de futebol do estado.

Quadra de hóquei da Beira Mar tem pontos de degradação (FOTO: divulgação)

Quadra de hóquei da Beira Mar tem pontos de degradação (FOTO: divulgação)

 

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Escola Municipal de Fortaleza é a única no país a ter aulas de hóquei sobre patins

O colégio Ismael Pordeus, localizada no bairro Cidade dos Funcionários, tem cerca de 50 crianças que praticam o esporte. A federação local mantém o projeto

Por Lucas Catrib em Outros Esportes

30 de março de 2015 às 07:00

Há 4 anos
A Escola Municipal Ismael Pordeus abraçou a ideia de promover aulas de hóquei em patins (FOTO: divulgação)

A Escola Municipal Ismael Pordeus abraçou a ideia de promover aulas de hóquei em patins (FOTO: divulgação)

Os nossos irmãos portugueses vibram com as disputas em quadras de hóquei sobre patins desde 1873. O país é o principal vencedor europeu ao longo dos campeonatos continentais, e o esporte chega a ser o segundo em preferência nacional. Cenário totalmente diferente do Brasil, que tem prática bem desenvolvida em três estados: Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro. No Ceará, por exemplo, a modalidade ainda é pouco conhecida. Entretanto, a única escola municipal do país a ter aulas fica em Fortaleza, de acordo com a federação local.

O colégio Ismael Pordeus, fixado no bairro Cidade dos Funcionários, desenvolve um projeto com os alunos desde agosto de 2014. Com aulas aos sábados, o interesse dos jovens cresce continuamente. A quadra teve finalizada há algumas semanas uma reforma.

“O diretor (Elcio Alda) entendeu que o esporte é uma ferramenta. Ele gostou do hóquei, gostou das palestras. Começou com 10 crianças, hoje tem mais de 50 querendo. Agora a gente não tem patins suficiente. Hóquei em patins é um esporte que você tem que saber primeiro equilibrar em rodas, depois você tem equilibrar sua mente. é um equilíbrio. Praticamente, aquele que joga tem uma vida tranquila, bacana”, explica Herculano Cruz, atual vice-presidente da Federação Cearense de Hóquei em Patins.

A ideia de formação é um instrumento de socialização dentro da comunidade. Segundo o próprio gestor do desporto local, falta mais incentivo. O dirigente português jogou profissionalmente durante 20 anos, atuou também em Moçambique e nos Estados Unidos. Já presenciou públicos de mais de 10 mil pessoas em um ‘pavilhão’, o chamado ginásio em terras lusitanas.

A federação local também promove treinamentos para crianças carentes na quadra da Avenida Beira Mar (FOTO: divulgação)

A federação local também promove treinamentos para crianças carentes na quadra da Avenida Beira Mar (FOTO: divulgação)

“A gente queria ter mais escolas, clubes, sete, dez. O Círculo Militar (clube), por exemplo, tem um pavilhão para hóquei. Ele (o hóquei) é caro, mas não é de elite. Ele é caro porque os patins custam 600 reais. Para equipar cada jogador é cerca de 1000 reais, mas ele (o jogador) vai ter uma ótima adolescência”, indica.

O trabalho

Herculano Cruz, de 59 anos, tem uma empresa na área prevensão ao consumo das drogas. O produto é um teste rápido para concluir se uma pessoa utilizou algum tipo de entorpecente ou afins.

“É uma ferramenta de apoio, a coibição. Eu faço um sorteio. Se eventualmente alguém (os jogadores)consumir, eu não vou bater. Vou deixar uma semana sem calçar os patins. Estou atrasando em alguns anos um vicio dele, e como ele tem receio de ser pego, ele não faz. Eu cresci dentro dessa cultura. Aqui no Brasil, eu tenho sido muito atacado, porque falam que ninguém é obrigado a fazer”, determina.

Um ano depois de ter vindo para Fortaleza difundir o negócio, o atual vice da federação teve um infarto. Passou a caminhar pelo calçadão da Beira Mar como uma forma de exercício. Em um dos passeios, observou garotos praticando o esporte sob o comando de Beto Vieira, pernambucano e ex-jogador de hóquei. Desde então, trabalham juntos para difundir a modalidade, inclusive em treinos diários, às 19 horas, no mesmo espaço público no bairro do Meireles.

“Eu fui a Portugal, fui de clube em clube: ‘Me der rodas novas, novos sticks (bastões)’. Eu trouxe quase uma tonelada. A TAP (empresa área não cobrou nada de excesso de bagagem). O problema é que o material vai se desgastando com o tempo. Temos cerca de 60 praticantes (de 7 até 26 anos). Colocamos para jogar. Dividimos em times às vezes: Fortaleza e Ceará. Precisamos de apoio para arrumar a quadra. Em novembro, teve uma moça que caiu, e o arame entrou ao lado do olho”, evidencia Herculano, que deixa claro que não tem nenhum vínculo com os dois principais clubes de futebol do estado.

Quadra de hóquei da Beira Mar tem pontos de degradação (FOTO: divulgação)

Quadra de hóquei da Beira Mar tem pontos de degradação (FOTO: divulgação)