Ceará é o 5º estado que mais realiza cesarianas pelo SUS


Mais cara e arriscada, cesárea cresce entre mulheres cearenses

Ceará registra muito mais cesarianas do que os 15% recomendados pela OMS. No estado, foram contabilizados 47,6%

Por Roberta Tavares em Ceará

10 de setembro de 2013 às 09:00

Há 6 anos

O nascimento de um bebê requer cuidados. Nas consultas de pré-natal, a gestante obtém informações sobre um parto seguro. É a oportunidade de confirmar que, embora a cesariana seja indicada em determinados casos, o método natural continua sendo a melhor forma de dar à luz.

Apesar disso, o Ceará registra muito mais cesarianas do que os 15% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No estado, foram contabilizadas 47,6%. Dos 47.879 partos, 23.511 foram normais e 22.805 cesarianas, ficando na 5ª posição do ranking nacional.

O Ceará está atrás do Espírito Santo, que encabeça o ranking com 51,3%; Rio Grande do Norte, com 50,5%;  Alagoas, com 48,9%; e Mato Grosso do Sul, com 47,9%. Esses dados foram coletados pelo Datasus entre janeiro e junho de 2013 em hospitais públicos e privados que realizam partos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Quando o estudo é dirigido às capitais, Fortaleza ocupa o 2º lugar no ranking, com 64%. Dos mais de 16 mil partos realizados, 10,65 mil foram cesarianas. A taxa nacional é de 39%.

Dados do Ministério da Saúde mostram ainda que em 12 anos o número de cesáreas saltou de 599 mil para 747 mil, alcançando 38% dos partos feitos pelo SUS. Enquanto isso, partos normais estão diminuindo: no ano 2000 foram feitos 1,9 milhão de partos. Doze anos depois caíram para 1,2 milhão.

De 2005 a 2012, o Ceará apresentou altas taxas de partos cesarianos, passando de 28,3% em 2005 para 49,1% em 2012.

Cesárea é um procedimento importante para salvar a vida da mãe e do bebê, quando alguma está em risco (FOTO: Flickr/Creative Commons/Santa Rosa)

Cesárea é um procedimento importante para salvar a vida da mãe e do bebê, quando alguma está em risco (FOTO: Flickr/Creative Commons/Santa Rosa)

Para o diretor-presidente da Cooperativa dos Ginecologistas e Obstetras do Ceará (Coopego), Márcio Alcântara, no SUS a escolha para realização de um parto cesariana deve partir do médico. “A paciente só pode fazer a cesárea se tiver indicação do médico. A decisão é dele, que deve ver os possíveis riscos da gestante e decidir o melhor procedimento”, explica.

Falta de incentivo

Segundo Alcântara, fica clara a falta de incentivo para disseminar a cultura do parto normal. “Falta a população entender a importância desse tipo de parto. Inúmeras cesáreas poderiam ter sido evitadas, já que são feitas apenas em casos específicos, como em gravidez de risco, por exemplo”, diz.

O presidente da Coopego ainda alerta para o fato de que muitos profissionais se sentem inseguros em realizar um parto normal. “Na cesárea, o médico retira o feto da barriga da mãe em uma condição mais controlada. Como ele se sente inseguro em realizar o parto normal, acaba fazendo com que a paciente também opte pela cesariana. Isso mostra que o acompanhamento não está sendo bom”, conta.

Parto normal ou cesárea?

Os benefícios do parto normal são inúmeros, tanto para a mãe como para o bebê. Vão desde uma melhor recuperação da mulher e redução dos riscos de infecção hospitalar até uma incidência menor de desconforto respiratório do bebê.

Na cesariana, também é mais frequente a ocorrência de infecção e hemorragias, além da possibilidade de laceração acidental de algum órgão, como bexiga, uretra e artérias, ou até mesmo do bebê, durante o corte do útero.

“A recuperação do parto normal é muito melhor. A cesárea ainda pode acarretar problemas de cicatrização”, lembra Márcio Alcântara.

As vantagens do parto normal se estendem ainda à questão financeira. Pelo SUS, o método natural custa R$ 291 e a cirurgia cesariana, R$ 402. No caso dos hospitais privados é mais difícil dimensionar essa diferença, uma vez que o valor de cada tipo de parto varia de acordo com a diária hospitalar cobrada.

Indicações

Existem indicações absolutas e relativas para a realização da cesárea. Trata-se de um procedimento importante para salvar a vida da mãe e do bebê quando uma delas – ou as duas – está em risco.

As indicações absolutas mais tradicionais são: desproporção céfalo-pélvica (quando a cabeça do bebê é maior do que a passagem da mãe); hemorragias no final da gestação; ocorrência de doenças hipertensivas na mãe específicas da gravidez; bebê transverso (atravessado); e sofrimento fetal. A ocorrência de diabete gestacional, ruptura prematura da bolsa d’água e bebê com trabalho de parto prolongado são consideradas indicações relativas para a cesariana.

O Ministério da Saúde acrescentou, recentemente, outra indicação para essa cirurgia. É o caso de gestantes portadoras do vírus HIV. A cesariana passou a ser agendada nessas situações porque se descobriu que a hora do parto é o momento de maior troca sanguínea entre a mãe e o bebê. Dessa forma, a cirurgia programada reduz os riscos de transmissão do vírus.

Parto humanizado

Muitas mulheres têm levantado a bandeira do parto humanizado. Geralmente esses partos ocorrem em um lugar que a gestante se sinta mais confortável, muitas vezes na própria casa. Há várias maneiras de realizar o parto, como na água ou em posições diferentes. A gestante deve sempre ter acompanhamento.

“A humanização não significa uma nova técnica, mas sim uma forma de defender as vontades da mulher. Ela mesma decide como será o parto. O problema é que, nesses casos, há uma tendência natural de entender que se deve afastar o procedimento do médico, e isso não pode ser feito”, finaliza.

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Mais cara e arriscada, cesárea cresce entre mulheres cearenses

Ceará registra muito mais cesarianas do que os 15% recomendados pela OMS. No estado, foram contabilizados 47,6%

Por Roberta Tavares em Ceará

10 de setembro de 2013 às 09:00

Há 6 anos

O nascimento de um bebê requer cuidados. Nas consultas de pré-natal, a gestante obtém informações sobre um parto seguro. É a oportunidade de confirmar que, embora a cesariana seja indicada em determinados casos, o método natural continua sendo a melhor forma de dar à luz.

Apesar disso, o Ceará registra muito mais cesarianas do que os 15% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No estado, foram contabilizadas 47,6%. Dos 47.879 partos, 23.511 foram normais e 22.805 cesarianas, ficando na 5ª posição do ranking nacional.

O Ceará está atrás do Espírito Santo, que encabeça o ranking com 51,3%; Rio Grande do Norte, com 50,5%;  Alagoas, com 48,9%; e Mato Grosso do Sul, com 47,9%. Esses dados foram coletados pelo Datasus entre janeiro e junho de 2013 em hospitais públicos e privados que realizam partos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Quando o estudo é dirigido às capitais, Fortaleza ocupa o 2º lugar no ranking, com 64%. Dos mais de 16 mil partos realizados, 10,65 mil foram cesarianas. A taxa nacional é de 39%.

Dados do Ministério da Saúde mostram ainda que em 12 anos o número de cesáreas saltou de 599 mil para 747 mil, alcançando 38% dos partos feitos pelo SUS. Enquanto isso, partos normais estão diminuindo: no ano 2000 foram feitos 1,9 milhão de partos. Doze anos depois caíram para 1,2 milhão.

De 2005 a 2012, o Ceará apresentou altas taxas de partos cesarianos, passando de 28,3% em 2005 para 49,1% em 2012.

Cesárea é um procedimento importante para salvar a vida da mãe e do bebê, quando alguma está em risco (FOTO: Flickr/Creative Commons/Santa Rosa)

Cesárea é um procedimento importante para salvar a vida da mãe e do bebê, quando alguma está em risco (FOTO: Flickr/Creative Commons/Santa Rosa)

Para o diretor-presidente da Cooperativa dos Ginecologistas e Obstetras do Ceará (Coopego), Márcio Alcântara, no SUS a escolha para realização de um parto cesariana deve partir do médico. “A paciente só pode fazer a cesárea se tiver indicação do médico. A decisão é dele, que deve ver os possíveis riscos da gestante e decidir o melhor procedimento”, explica.

Falta de incentivo

Segundo Alcântara, fica clara a falta de incentivo para disseminar a cultura do parto normal. “Falta a população entender a importância desse tipo de parto. Inúmeras cesáreas poderiam ter sido evitadas, já que são feitas apenas em casos específicos, como em gravidez de risco, por exemplo”, diz.

O presidente da Coopego ainda alerta para o fato de que muitos profissionais se sentem inseguros em realizar um parto normal. “Na cesárea, o médico retira o feto da barriga da mãe em uma condição mais controlada. Como ele se sente inseguro em realizar o parto normal, acaba fazendo com que a paciente também opte pela cesariana. Isso mostra que o acompanhamento não está sendo bom”, conta.

Parto normal ou cesárea?

Os benefícios do parto normal são inúmeros, tanto para a mãe como para o bebê. Vão desde uma melhor recuperação da mulher e redução dos riscos de infecção hospitalar até uma incidência menor de desconforto respiratório do bebê.

Na cesariana, também é mais frequente a ocorrência de infecção e hemorragias, além da possibilidade de laceração acidental de algum órgão, como bexiga, uretra e artérias, ou até mesmo do bebê, durante o corte do útero.

“A recuperação do parto normal é muito melhor. A cesárea ainda pode acarretar problemas de cicatrização”, lembra Márcio Alcântara.

As vantagens do parto normal se estendem ainda à questão financeira. Pelo SUS, o método natural custa R$ 291 e a cirurgia cesariana, R$ 402. No caso dos hospitais privados é mais difícil dimensionar essa diferença, uma vez que o valor de cada tipo de parto varia de acordo com a diária hospitalar cobrada.

Indicações

Existem indicações absolutas e relativas para a realização da cesárea. Trata-se de um procedimento importante para salvar a vida da mãe e do bebê quando uma delas – ou as duas – está em risco.

As indicações absolutas mais tradicionais são: desproporção céfalo-pélvica (quando a cabeça do bebê é maior do que a passagem da mãe); hemorragias no final da gestação; ocorrência de doenças hipertensivas na mãe específicas da gravidez; bebê transverso (atravessado); e sofrimento fetal. A ocorrência de diabete gestacional, ruptura prematura da bolsa d’água e bebê com trabalho de parto prolongado são consideradas indicações relativas para a cesariana.

O Ministério da Saúde acrescentou, recentemente, outra indicação para essa cirurgia. É o caso de gestantes portadoras do vírus HIV. A cesariana passou a ser agendada nessas situações porque se descobriu que a hora do parto é o momento de maior troca sanguínea entre a mãe e o bebê. Dessa forma, a cirurgia programada reduz os riscos de transmissão do vírus.

Parto humanizado

Muitas mulheres têm levantado a bandeira do parto humanizado. Geralmente esses partos ocorrem em um lugar que a gestante se sinta mais confortável, muitas vezes na própria casa. Há várias maneiras de realizar o parto, como na água ou em posições diferentes. A gestante deve sempre ter acompanhamento.

“A humanização não significa uma nova técnica, mas sim uma forma de defender as vontades da mulher. Ela mesma decide como será o parto. O problema é que, nesses casos, há uma tendência natural de entender que se deve afastar o procedimento do médico, e isso não pode ser feito”, finaliza.