Ginástica cerebral vira meio para pessoas acima de 50 anos recuperarem a capacidade cognitiva

EXERCÍCIO PRA CABEÇA

Ginástica cerebral vira meio para pessoas acima de 50 anos recuperarem a capacidade cognitiva

Uma pesquisa do Ipece aponta que em 15 anos o número de idosos será maior que o de jovens no estado

Por Tribuna do Ceará em Ceará

30 de outubro de 2019 às 07:00

Há 3 semanas

A Ginástica Cerebral em idosos auxilia na qualidade de vida ativando o raciocínio, memória e proporcionando independência. (FOTO: Reprodução/Universidade Sem Fronteiras)

Por Paola Costa

A ginástica cerebral é um método em que, através de algumas atividades e ferramentas, exercita a cognição e as capacidades sócio-emocionais por meio da atenção, concentração, raciocínio lógico, dinâmicas em grupo, entre outras atividades.

Sabrina Montenegro, gestora da unidade Cocó da “Supera: Ginástica Para o Cérebro”, explica que as atividades partem dos seguintes princípios: novidade, variedade e desafio crescente. Os alunos são desafiados a sair da zona de conforto.

A gestora expõe que atividades como Sudoku, palavras-cruzadas ou jogos da memória podem ser ferramentas de exercício para o cérebro, mas não de maneira isolada. Cada atividade ativa uma competência, para que haja resultado as atividades devem ser diferentes. “Para que haja uma consistência a gente precisa estimular o nosso cérebro de uma forma integrada e harmoniosa”.

Mediante as práticas o aluno pode melhorar a atenção, concentração, memória, capacidade de resolver problemas lógicos e numéricos com mais agilidade, melhorar o vocabulário, melhora a autoestima e como consequência ter mais qualidade de vida.

Ábaco

Uma das ferramentas usadas no método é o ábaco japonês, o Soroban, objeto utilizado para fazer cálculos. Na Ginástica Cerebral, a utilização do ábaco parte do princípio de que se o aluno empenhar sua atenção na atividade, vai conseguir memorizar o que está sendo feito. “Aqui a gente usa para trabalhar atenção, concentração, memória de trabalho, raciocínio, é uma ferramenta muito robusta”, relata Sabrina.

Além do ábaco o método utiliza jogos, como quebra-cabeças e palavras cruzadas. Dinâmicas em grupo agem diretamente nas capacidades socioemocionais, o que pode melhorar a autoestima do aluno e sua habilidade de socialização.

O ábaco é uma das ferramentas utilizadas no método, com a finalidade de manter o foco e atenção do aluno. (FOTO: Reprodução/Supera)

A Neuróbica é outra forma de exercitar o cognitivo, com mais enfoque em realizar o não habitual, como por exemplo, uma pessoa destra se propõe a tentar escrever com a mão esquerda, uma atividade que o cérebro não está acostumado. Tirar o cérebro da zona de conforto permite que o aluno pense diferente. Isso ajuda os alunos a abrir o senso para outras perspectivas.

As ferramentas são distintas, mas são as mesmas para todas as idades. Na Supera, a faixa etária com mais turmas em Fortaleza, denominada 60+, são turmas com alunos a partir de 50 anos.

A população cearense está caminhando para uma predominância idosa. Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) aponta que em 15 anos o número de idosos será maior que o de jovens no estado. A ginástica cerebral pode auxiliar numa velhice mais independente.

Atenção é o foco

A terapeuta ocupacional e professora do curso de Memória Lucila Bomfim, da Universidade Sem Fronteiras, que oferece cursos direcionados a pessoas com mais de 40 anos, indica que os idosos têm mais lapsos de memória e tendem pela falta de exercícios a ter algum tipo de comprometimento na área cognitiva.

Referente aos métodos usados por Lucila, ela afirma que não pode definir um só. Atenção é o foco, através da atenção ela consegue fazer seus alunos exercitarem vários tipos de memória, como a memória retrógrada, que se trata de lembranças antigas, e a memória prospectiva que pode ser definida como o que se projeta para o dia seguinte. “Uma atividade só não dá conta, pois temos vários tipos de memória”.

A terapeuta e gerontóloga explica que cada idoso inicia o curso por uma necessidade específica. Associa a cognição, o trabalho de memória e do corpo. Segundo a professora, quando se movimenta, o organismo libera um hormônio chamado Irisina, que vai influenciar na memória.

“Necessidade de não perder o foco, de aprender o nome das pessoas ou conseguir ficar mais atento no dia a dia para que o dia tenha mais prazer”, pontua Lucila.

Alguns alunos que são encaminhados para o curso de memória por declínio cognitivo têm um quadro de depressão. A professora observa que os alunos chegam desanimados, e por causa da depressão não conseguem ter atenção.

Em decorrência do declínio cognitivo, perde o sentido da vida. Apresenta dificuldades cognitivas e de relacionamentos. Com os treinamentos, com a socialização e empenho, esclarecem questões sobre a importância do sono, alimentação adequada e a integração social melhora o quadro clínico do aluno.

Sabrina Montenegro acredita que as atividades que são desenvolvidas, a socialização, os relacionamentos e as experiências através dos exercícios que são desafios que permitem a integração uns com os outros, pode ser considerado um fator de proteção contra a depressão.

“No idoso, eu vejo que essa coisa do social, interação com o outro, de fazer parte de um grupo, formar amizades e de exercitar com qualidade o cérebro, faz toda diferença, eles se sentem mais confiantes, mais autônomos e isso dá pra ele uma qualidade muito melhor de se relacionar”, completa a gerente.

Os exercícios podem contribuir com uma melhor concentração, rapidez no raciocínio e auto estima. (FOTO: Reprodução/ Universidade Sem Fronteiras)

Os benefícios da Ginástica Cerebral em idosos são: melhora na atenção, concentração, socialização e autoestima, aciona os vários tipos de memória, ele se torna mais autônomo, ativa a capacidade de julgamento, tem o poder de decisão mais forte e se torna mais participativo.

Rogério Tavares, químico industrial, faz parte de uma turma de Ginástica Cerebral. Diagnosticado com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) com 77 anos, aderiu à prática para tentar recuperar o foco nas atividades.

Ele acredita que essa condição foi facilitada pelo desgaste natural, de mais 40 anos de trabalho como professor universitário, na Universidade Federal do Ceará (UFC).

O químico industrial conta que tem melhorado bastante, sua maior dificuldade era focar em uma tarefa apenas, as atividades da ginástica têm ajudado Rogério a ter um avanço e ele não tem intenção de parar. Já cursou cinco vezes e afirma que continuará. “Tenho melhorado por causa dos exercícios e das técnicas que são sugeridas”.

O professor compara a metodologia ao exercício físico. À medida que se cria um hábito de exercícios na rotina, o corpo tende a trabalhar melhor suas funções fisiológicas, assim também é o cérebro, que melhora as funções executivas e cognitivas quando há uma rotina de realização de atividades.

Sabrina refere que é de grande importância a ginástica cerebral para idosos, por proporcionar uma vida ativa dentro dos seus limites, para que esteja mais protegido em relação ao seu humor de uma forma geral, estar no grupo e aprender. “O idoso também pode aprender, quando eles percebem que estão aprendendo, que estão se desenvolvendo, isso tem um impacto na vida deles e isso é muito bom de ver”.

Baseada na realidade da instituição que gerencia, Sabrina alerta para o descuido dos adultos com essa questão. As pessoas que tiverem um cuidado com a cognição ainda na fase adulta, podem tanto melhorar seu desempenho atual como diminuir os impactos na saúde cognitiva na velhice.

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EXERCÍCIO PRA CABEÇA

Ginástica cerebral vira meio para pessoas acima de 50 anos recuperarem a capacidade cognitiva

Uma pesquisa do Ipece aponta que em 15 anos o número de idosos será maior que o de jovens no estado

Por Tribuna do Ceará em Ceará

30 de outubro de 2019 às 07:00

Há 3 semanas

A Ginástica Cerebral em idosos auxilia na qualidade de vida ativando o raciocínio, memória e proporcionando independência. (FOTO: Reprodução/Universidade Sem Fronteiras)

Por Paola Costa

A ginástica cerebral é um método em que, através de algumas atividades e ferramentas, exercita a cognição e as capacidades sócio-emocionais por meio da atenção, concentração, raciocínio lógico, dinâmicas em grupo, entre outras atividades.

Sabrina Montenegro, gestora da unidade Cocó da “Supera: Ginástica Para o Cérebro”, explica que as atividades partem dos seguintes princípios: novidade, variedade e desafio crescente. Os alunos são desafiados a sair da zona de conforto.

A gestora expõe que atividades como Sudoku, palavras-cruzadas ou jogos da memória podem ser ferramentas de exercício para o cérebro, mas não de maneira isolada. Cada atividade ativa uma competência, para que haja resultado as atividades devem ser diferentes. “Para que haja uma consistência a gente precisa estimular o nosso cérebro de uma forma integrada e harmoniosa”.

Mediante as práticas o aluno pode melhorar a atenção, concentração, memória, capacidade de resolver problemas lógicos e numéricos com mais agilidade, melhorar o vocabulário, melhora a autoestima e como consequência ter mais qualidade de vida.

Ábaco

Uma das ferramentas usadas no método é o ábaco japonês, o Soroban, objeto utilizado para fazer cálculos. Na Ginástica Cerebral, a utilização do ábaco parte do princípio de que se o aluno empenhar sua atenção na atividade, vai conseguir memorizar o que está sendo feito. “Aqui a gente usa para trabalhar atenção, concentração, memória de trabalho, raciocínio, é uma ferramenta muito robusta”, relata Sabrina.

Além do ábaco o método utiliza jogos, como quebra-cabeças e palavras cruzadas. Dinâmicas em grupo agem diretamente nas capacidades socioemocionais, o que pode melhorar a autoestima do aluno e sua habilidade de socialização.

O ábaco é uma das ferramentas utilizadas no método, com a finalidade de manter o foco e atenção do aluno. (FOTO: Reprodução/Supera)

A Neuróbica é outra forma de exercitar o cognitivo, com mais enfoque em realizar o não habitual, como por exemplo, uma pessoa destra se propõe a tentar escrever com a mão esquerda, uma atividade que o cérebro não está acostumado. Tirar o cérebro da zona de conforto permite que o aluno pense diferente. Isso ajuda os alunos a abrir o senso para outras perspectivas.

As ferramentas são distintas, mas são as mesmas para todas as idades. Na Supera, a faixa etária com mais turmas em Fortaleza, denominada 60+, são turmas com alunos a partir de 50 anos.

A população cearense está caminhando para uma predominância idosa. Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) aponta que em 15 anos o número de idosos será maior que o de jovens no estado. A ginástica cerebral pode auxiliar numa velhice mais independente.

Atenção é o foco

A terapeuta ocupacional e professora do curso de Memória Lucila Bomfim, da Universidade Sem Fronteiras, que oferece cursos direcionados a pessoas com mais de 40 anos, indica que os idosos têm mais lapsos de memória e tendem pela falta de exercícios a ter algum tipo de comprometimento na área cognitiva.

Referente aos métodos usados por Lucila, ela afirma que não pode definir um só. Atenção é o foco, através da atenção ela consegue fazer seus alunos exercitarem vários tipos de memória, como a memória retrógrada, que se trata de lembranças antigas, e a memória prospectiva que pode ser definida como o que se projeta para o dia seguinte. “Uma atividade só não dá conta, pois temos vários tipos de memória”.

A terapeuta e gerontóloga explica que cada idoso inicia o curso por uma necessidade específica. Associa a cognição, o trabalho de memória e do corpo. Segundo a professora, quando se movimenta, o organismo libera um hormônio chamado Irisina, que vai influenciar na memória.

“Necessidade de não perder o foco, de aprender o nome das pessoas ou conseguir ficar mais atento no dia a dia para que o dia tenha mais prazer”, pontua Lucila.

Alguns alunos que são encaminhados para o curso de memória por declínio cognitivo têm um quadro de depressão. A professora observa que os alunos chegam desanimados, e por causa da depressão não conseguem ter atenção.

Em decorrência do declínio cognitivo, perde o sentido da vida. Apresenta dificuldades cognitivas e de relacionamentos. Com os treinamentos, com a socialização e empenho, esclarecem questões sobre a importância do sono, alimentação adequada e a integração social melhora o quadro clínico do aluno.

Sabrina Montenegro acredita que as atividades que são desenvolvidas, a socialização, os relacionamentos e as experiências através dos exercícios que são desafios que permitem a integração uns com os outros, pode ser considerado um fator de proteção contra a depressão.

“No idoso, eu vejo que essa coisa do social, interação com o outro, de fazer parte de um grupo, formar amizades e de exercitar com qualidade o cérebro, faz toda diferença, eles se sentem mais confiantes, mais autônomos e isso dá pra ele uma qualidade muito melhor de se relacionar”, completa a gerente.

Os exercícios podem contribuir com uma melhor concentração, rapidez no raciocínio e auto estima. (FOTO: Reprodução/ Universidade Sem Fronteiras)

Os benefícios da Ginástica Cerebral em idosos são: melhora na atenção, concentração, socialização e autoestima, aciona os vários tipos de memória, ele se torna mais autônomo, ativa a capacidade de julgamento, tem o poder de decisão mais forte e se torna mais participativo.

Rogério Tavares, químico industrial, faz parte de uma turma de Ginástica Cerebral. Diagnosticado com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) com 77 anos, aderiu à prática para tentar recuperar o foco nas atividades.

Ele acredita que essa condição foi facilitada pelo desgaste natural, de mais 40 anos de trabalho como professor universitário, na Universidade Federal do Ceará (UFC).

O químico industrial conta que tem melhorado bastante, sua maior dificuldade era focar em uma tarefa apenas, as atividades da ginástica têm ajudado Rogério a ter um avanço e ele não tem intenção de parar. Já cursou cinco vezes e afirma que continuará. “Tenho melhorado por causa dos exercícios e das técnicas que são sugeridas”.

O professor compara a metodologia ao exercício físico. À medida que se cria um hábito de exercícios na rotina, o corpo tende a trabalhar melhor suas funções fisiológicas, assim também é o cérebro, que melhora as funções executivas e cognitivas quando há uma rotina de realização de atividades.

Sabrina refere que é de grande importância a ginástica cerebral para idosos, por proporcionar uma vida ativa dentro dos seus limites, para que esteja mais protegido em relação ao seu humor de uma forma geral, estar no grupo e aprender. “O idoso também pode aprender, quando eles percebem que estão aprendendo, que estão se desenvolvendo, isso tem um impacto na vida deles e isso é muito bom de ver”.

Baseada na realidade da instituição que gerencia, Sabrina alerta para o descuido dos adultos com essa questão. As pessoas que tiverem um cuidado com a cognição ainda na fase adulta, podem tanto melhorar seu desempenho atual como diminuir os impactos na saúde cognitiva na velhice.