Governo estadual empregou 750 funcionários sem concurso no Ceará, aponta IBGE


Governo estadual empregou 750 funcionários sem concurso no Ceará

Os dados fazem parte da pesquisa sobre a estrutura burocrática dos estados realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Por Tribuna do Ceará em Ceará

1 de abril de 2013 às 12:31

Há 7 anos

por Hayanne Narlla e Roberta Tavares

O governo do Ceará empregou, em 2012, 750 funcionários que não fizeram concurso para entrar na administração pública. Os dados fazem parte da pesquisa sobre a estrutura burocrática dos estados realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apenas na administração direta, da qual são excluídas as vagas comissionadas das empresas estatais, o número de funcionários subordinados ao gabinete do governador Cid Gomes ou às secretarias do Ceará chegam a 689.

Na administração indireta do governo estadual – autarquias, fundações e empresas públicas, segundo a metodologia da Pesquisa de Informações Básicas Estaduais, do IBGE -, há outros 61 servidores comissionados não concursados. Totalizando, dessa forma, 750 funcionários nomeados.

Os dados da Estadic 2012 revelaram que o quadro de recursos humanos da administração direta, no País, era composto, em sua maioria, por servidores estatutários que abrangiam o montante absoluto de 2 166 217 pessoas, representando 82,7% do total. Os resultados confirmaram também que a segunda maior modalidade contratual era a de pessoal sem vínculo permanente, a qual correspondia a 14,5%, ou seja, 378 616 pessoas. Os somente comissionados perfaziam 2,9%, e aqueles regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT e os estagiários, 0,6%.

Falta de concursos prejudica

Segundo o cientista político da Universidade Estadual do Ceará (Uece) Horácio Frota, é lamentável que exista uma grande demanda de concursos, deixando as vagas destinadas a administradores públicos para terceirizados.

“Não se forma um quadro e não se pode garantir continuidade”, ressaltou. De acordo com o cientista político, em algumas secretarias há a realização de um processo de qualificação com os funcionários e, com a inconstância de terceirizados, deve sempre haver o processo. Ele dá o exemplo de professores substitutos da Uece, que acabam não dando continuidade à pesquisa, por não possuírem vínculo com a universidade.

“A rotatividade prejudica, porque com os funcionários de carreira a gente pode pensar estrategicamente. Com concurso temos profissionais empenhados e tenho como cobrar. Quando trabalho com terceirizado, há insegurança, oscilação, pois ele sempre está disposto a sair para algo mais seguro”, explicou.

Para Horácio Frota, o concurso acaba custando mais caro ao estado e por isso não é realizado. “Quando passo a ter funcionários públicos, eu passo a ter obrigações e por isso custa mais”, disse.

O Tribuna do Ceará tentou entrar em contato com o secretário da Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag), para falar sobre o assunto, mas ele está viajando.

Situação brasileira

A pesquisa revela que os 27 governadores empregavam em todo o Brasil cerca de 105 mil funcionários sem concurso público. Só para ter uma ideia, se todas essas pessoas se reunissem, nenhum dos estádios da Copa de 2014 teria capacidade para acomodá-las.

Na administração direta, o número de funcionários subordinados aos gabinetes dos governadores ou às secretarias de Estado sem concurso chega a 74.740, o suficiente para ocupar 98% do maior estádio do Brasil. Já na administração indireta dos governos estaduais há 30.809 servidores comissionados não concursados.

Maior número de indicações

Goiás está no topo do ranking, com 10.175 funcionários nomeados, em números absolutos. A Bahia vem logo atrás, com 9.240 não concursados. Em relação ao tamanho da população, Rondônia (com 937) e o Distrito Federal (com 263) saltam para a liderança do ranking.

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Governo estadual empregou 750 funcionários sem concurso no Ceará

Os dados fazem parte da pesquisa sobre a estrutura burocrática dos estados realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Por Tribuna do Ceará em Ceará

1 de abril de 2013 às 12:31

Há 7 anos

por Hayanne Narlla e Roberta Tavares

O governo do Ceará empregou, em 2012, 750 funcionários que não fizeram concurso para entrar na administração pública. Os dados fazem parte da pesquisa sobre a estrutura burocrática dos estados realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apenas na administração direta, da qual são excluídas as vagas comissionadas das empresas estatais, o número de funcionários subordinados ao gabinete do governador Cid Gomes ou às secretarias do Ceará chegam a 689.

Na administração indireta do governo estadual – autarquias, fundações e empresas públicas, segundo a metodologia da Pesquisa de Informações Básicas Estaduais, do IBGE -, há outros 61 servidores comissionados não concursados. Totalizando, dessa forma, 750 funcionários nomeados.

Os dados da Estadic 2012 revelaram que o quadro de recursos humanos da administração direta, no País, era composto, em sua maioria, por servidores estatutários que abrangiam o montante absoluto de 2 166 217 pessoas, representando 82,7% do total. Os resultados confirmaram também que a segunda maior modalidade contratual era a de pessoal sem vínculo permanente, a qual correspondia a 14,5%, ou seja, 378 616 pessoas. Os somente comissionados perfaziam 2,9%, e aqueles regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT e os estagiários, 0,6%.

Falta de concursos prejudica

Segundo o cientista político da Universidade Estadual do Ceará (Uece) Horácio Frota, é lamentável que exista uma grande demanda de concursos, deixando as vagas destinadas a administradores públicos para terceirizados.

“Não se forma um quadro e não se pode garantir continuidade”, ressaltou. De acordo com o cientista político, em algumas secretarias há a realização de um processo de qualificação com os funcionários e, com a inconstância de terceirizados, deve sempre haver o processo. Ele dá o exemplo de professores substitutos da Uece, que acabam não dando continuidade à pesquisa, por não possuírem vínculo com a universidade.

“A rotatividade prejudica, porque com os funcionários de carreira a gente pode pensar estrategicamente. Com concurso temos profissionais empenhados e tenho como cobrar. Quando trabalho com terceirizado, há insegurança, oscilação, pois ele sempre está disposto a sair para algo mais seguro”, explicou.

Para Horácio Frota, o concurso acaba custando mais caro ao estado e por isso não é realizado. “Quando passo a ter funcionários públicos, eu passo a ter obrigações e por isso custa mais”, disse.

O Tribuna do Ceará tentou entrar em contato com o secretário da Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag), para falar sobre o assunto, mas ele está viajando.

Situação brasileira

A pesquisa revela que os 27 governadores empregavam em todo o Brasil cerca de 105 mil funcionários sem concurso público. Só para ter uma ideia, se todas essas pessoas se reunissem, nenhum dos estádios da Copa de 2014 teria capacidade para acomodá-las.

Na administração direta, o número de funcionários subordinados aos gabinetes dos governadores ou às secretarias de Estado sem concurso chega a 74.740, o suficiente para ocupar 98% do maior estádio do Brasil. Já na administração indireta dos governos estaduais há 30.809 servidores comissionados não concursados.

Maior número de indicações

Goiás está no topo do ranking, com 10.175 funcionários nomeados, em números absolutos. A Bahia vem logo atrás, com 9.240 não concursados. Em relação ao tamanho da população, Rondônia (com 937) e o Distrito Federal (com 263) saltam para a liderança do ranking.