Campus da UFC receberá protesto após estudante denunciar racismo e agressão de seguranças

PRECONCEITO RACIAL

Campus da UFC receberá protesto após estudante denunciar racismo e agressão de seguranças

Estudante do curso de Licenciatura em Ciências Sociais denunciou que foi agredido, colocado num porta-malas de veículo e levado para uma sala por seguranças privados do campus do Pici, da UFC

Por Tribuna do Ceará em Cotidiano

23 de junho de 2019 às 17:14

Há 3 meses

O caso foi denunciado por Luiz Fernando de Lima Teixeira, estudante de licenciatura em Ciências Sociais (FOTO: Reprodução)

O campus do Pici, da Universidade Federal do Ceará (UFC), receberá uma manifestação após estudante denunciar racismo e agressão por parte de seguranças privados da instituição. O “Ato por uma UFC Antirracista” está marcado para a próxima terça-feira (25), a partir das 16h, com concentração em frente à Biblioteca Central.

O caso foi denunciado por Luiz Fernando de Lima Teixeira, estudante do 1º semestre do curso de licenciatura em Ciências Sociais, em uma postagem publicada em seu perfil no Facebook, na última terça-feira (18). O relato motivou uma sindicância por parte da Administração Superior da UFC.

Entenda o caso

O jovem conta que, na segunda-feira (17), por volta das 19h40, foi agredido, sequestrado e torturado por seguranças de empresa terceirizada pela UFC. Na postagem, Luiz Fernando relata que passava de bicicleta pelo campus quando foi abordado e imobilizado com violência por seguranças, próximo à lagoa.

Libertado por policiais militares que chegaram alguns minutos depois, o estudante diz que seguiu com a bicicleta e foi novamente abordado por seguranças, desta vez com maior violência. O estudante relata que foi algemado e colocado no porta-malas de um veículo, sendo levado para uma sala fechada.

Luiz Fernando afirma que só foi liberado por intervenção de Ari Areia, jornalista militante de direitos humanos, cerca de duas horas depois da primeira abordagem.

“Saí de lá com a blusa aberta por causa das agressões, completamente abalado pelo ocorrido. Fui constrangido, humilhado, agredido, torturado psicologicamente, ameaçado”, escreveu o estudante.

UFC investiga

A denúncia motivou uma nota oficial da Comissão de Direitos Humanos da UFC, que acompanha o caso e outros relatos de violações por motivos racistas que surgiram nas redes sociais após o ocorrido.

“Esta Comissão se solidariza com o estudante Luiz Fernando de Lima Teixeira e está à disposição para assisti­-lo, no que for necessário, dentro das suas competências e em parceria com outros órgãos de defesa dos direitos humanos estaduais, para a apuração e responsabilização institucional e legal”, diz o texto.

A Comissão se mostrou incisiva quando ao caso. “Esta Comissão repudia qualquer ato de violência, sobretudo os praticados por motivação racista, sexista, lgbttfóbica, xenofóbica e outras que violem os direitos humanos. E que é inadmissível e intolerável que isso ocorra na sociedade, de forma geral, e nas universidades, que são espaços de desenvolvimento social, político e científico”.

Acionada pela Comissão de Direitos Humanos da UFC, a Administração Superior da universidade decidiu abrir uma sindicância para apurar a denúncia de racismo e agressão registrados na semana passada.

Reação de movimentos

O caso gerou reação do Fórum de Negros e Negras do curso de História da UFC, organizador da manifestação desta terça-feira (25). O movimento divulgou uma nota oficial, junto a cerca de 30 grupos, movimentos, coletivos e centro acadêmicos da universidade, cobrando uma formação humanizada aos seguranças privados contratados pela instituição.

“Não vamos aceitar que estudantes negros sejam humilhados dentro da UFC. Racismo é crime, e para além disso, a universidade pública precisa se comprometer com a pluralidade étnica, de gênero e sexualidade que existe no seu corpo discente e docente”, finaliza.

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PRECONCEITO RACIAL

Campus da UFC receberá protesto após estudante denunciar racismo e agressão de seguranças

Estudante do curso de Licenciatura em Ciências Sociais denunciou que foi agredido, colocado num porta-malas de veículo e levado para uma sala por seguranças privados do campus do Pici, da UFC

Por Tribuna do Ceará em Cotidiano

23 de junho de 2019 às 17:14

Há 3 meses

O caso foi denunciado por Luiz Fernando de Lima Teixeira, estudante de licenciatura em Ciências Sociais (FOTO: Reprodução)

O campus do Pici, da Universidade Federal do Ceará (UFC), receberá uma manifestação após estudante denunciar racismo e agressão por parte de seguranças privados da instituição. O “Ato por uma UFC Antirracista” está marcado para a próxima terça-feira (25), a partir das 16h, com concentração em frente à Biblioteca Central.

O caso foi denunciado por Luiz Fernando de Lima Teixeira, estudante do 1º semestre do curso de licenciatura em Ciências Sociais, em uma postagem publicada em seu perfil no Facebook, na última terça-feira (18). O relato motivou uma sindicância por parte da Administração Superior da UFC.

Entenda o caso

O jovem conta que, na segunda-feira (17), por volta das 19h40, foi agredido, sequestrado e torturado por seguranças de empresa terceirizada pela UFC. Na postagem, Luiz Fernando relata que passava de bicicleta pelo campus quando foi abordado e imobilizado com violência por seguranças, próximo à lagoa.

Libertado por policiais militares que chegaram alguns minutos depois, o estudante diz que seguiu com a bicicleta e foi novamente abordado por seguranças, desta vez com maior violência. O estudante relata que foi algemado e colocado no porta-malas de um veículo, sendo levado para uma sala fechada.

Luiz Fernando afirma que só foi liberado por intervenção de Ari Areia, jornalista militante de direitos humanos, cerca de duas horas depois da primeira abordagem.

“Saí de lá com a blusa aberta por causa das agressões, completamente abalado pelo ocorrido. Fui constrangido, humilhado, agredido, torturado psicologicamente, ameaçado”, escreveu o estudante.

UFC investiga

A denúncia motivou uma nota oficial da Comissão de Direitos Humanos da UFC, que acompanha o caso e outros relatos de violações por motivos racistas que surgiram nas redes sociais após o ocorrido.

“Esta Comissão se solidariza com o estudante Luiz Fernando de Lima Teixeira e está à disposição para assisti­-lo, no que for necessário, dentro das suas competências e em parceria com outros órgãos de defesa dos direitos humanos estaduais, para a apuração e responsabilização institucional e legal”, diz o texto.

A Comissão se mostrou incisiva quando ao caso. “Esta Comissão repudia qualquer ato de violência, sobretudo os praticados por motivação racista, sexista, lgbttfóbica, xenofóbica e outras que violem os direitos humanos. E que é inadmissível e intolerável que isso ocorra na sociedade, de forma geral, e nas universidades, que são espaços de desenvolvimento social, político e científico”.

Acionada pela Comissão de Direitos Humanos da UFC, a Administração Superior da universidade decidiu abrir uma sindicância para apurar a denúncia de racismo e agressão registrados na semana passada.

Reação de movimentos

O caso gerou reação do Fórum de Negros e Negras do curso de História da UFC, organizador da manifestação desta terça-feira (25). O movimento divulgou uma nota oficial, junto a cerca de 30 grupos, movimentos, coletivos e centro acadêmicos da universidade, cobrando uma formação humanizada aos seguranças privados contratados pela instituição.

“Não vamos aceitar que estudantes negros sejam humilhados dentro da UFC. Racismo é crime, e para além disso, a universidade pública precisa se comprometer com a pluralidade étnica, de gênero e sexualidade que existe no seu corpo discente e docente”, finaliza.